terça-feira, 29 de setembro de 2009

A grandeza de conhecer

Para quem é educador "O livro dos abraços", de Eduardo Galeano, é uma obra indispensável.
São pequenas histórias, crônicas, poesias instantâneas traduzidas em palavras.
Que cada educador possa ser como o personagem abaixo, que caminha pela areia para levar a criança a descobrir o mar. Que permite a ela perceber a grandeza do ato de conhecer.





Texto tirado do livro:

Diego não conhecia o mar. O pai, Santiago Kovadloff, levou-o para que descobrisse o mar.
Viajaram para o Sul.
Ele, o mar, estava do outro lado das dunas altas, esperando.
Quando o menino e o pai enfim alcançaram aquelas alturas de areia, depois de muito caminhar, o mar estava na frente de seus olhos. E foi tanta a imensidão do mar, e tanto seu fulgor, que o menino ficou mudo de beleza.
E quando finalmente conseguiu falar, tremendo, gaguejando, pediu ao pai:
- Me ajuda a olhar!

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Ensino # Aprendizagem


Você já parou para pensar nisso?

Educomunicador

No vídeo abaixo Ismar Soares define quem é o educomunicador.
Mas calma! Teremos outros posts sobre o assunto.

Barulhinho Bom - 1

Compartilho com vocês o clip da música Hold Still, com o português David Fonseca e Rita Red Shoes.
Espero que gostem!

Você sabia?

Trago para nossa reflexão o pensamento do sociólogo francês Dominique Wolton, que entre outras áreas de estudo, se dedica à comunicação.
Wolton ressalta que vivemos hoje uma grande contradição entre a velocidade da tecnologia e a lentidão da comunicação.
Não basta produzirmos e distribuirmos milhares de informações que a tecnologia nos permite. para termos comunicação. Não basta informar para comunicar. A comunicação é mais complexa, profunda, porque implica o reconhecimento da alteridade do outro.
Para que haja comunicação é preciso que os homens se compreendam. É preciso pensar o outro, reconhecer que ele pensa diferente de nós. É preciso negociar sentidos para comunicar.
Negociamos com nossos alunos? Reconhecemos sua alteridade? Conseguimos nos comunicar com eles? "Violência é quando as pessoas não se comunicam mais. Violência é a falta de comunicação", afirma Wolton.
Para ele, há sempre o sonho de que as técnicas melhorem as comunicações. Com isso, acabamos transferindo para elas o problema e as dificuldades da comunicação, que são absolutamente humanos.
Se as técnicas resolvessem o problema da comunicação, não haveria mais guerras, porque todos se compreenderiam. Porém, temos todas as técnicas hoje, mas não temos a paz.
O homem pode ser ruim ou bom, mas a técnica é neutra. Ela é o que o homem faz dela, porque o problema da comunicação é humano, não é técnico. É político.
Somos seres sociais, não técnicos, diz Wolton. As relações humanas são infinitamente mais complicadas que a técnica. Talvez por isso, gostemos tanto dela, por causa de sua simplicidade e aparente transparência.
E aí companheiros? Estamos usando as tecnologias para aproximar as pessoas? Para nos aproximarmos de nossos alunos? Ou estamos transferindo o nosso problema de comunicação para a tecnologia?
Como diz Wolton "não é a técnica que permite a utopia humana, mas a utopia humana que permite a técnica".
Pra finalizar, deixo vocês com o vídeo "Você sabia?" sobre o impacto das tecnologias em nossas vidas. Boas reflexões!!!!

A culpa é do fuso horário

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Escolas democráticas (?)

Gostaria de compartilhar com vocês o que acredito que toda escola deveria trabalhar. E, para isso, lanço mão do texto “Os cinco saberes do pensamento complexo”, de Humberto Mariotti. São eles: saber ver, saber esperar, saber conversar, saber amar e saber abraçar. Comentarei três.

Em relação a “Saber ver”, interessante quando o autor destaca que, em algumas tribos da África do Sul, quando uma pessoa cumprimenta outra, fala algo que, em português, quer dizer “eu vejo você”. E a pessoa que foi cumprimentada responde “estou aqui”. Em outras tribos da África, se alguém passa e o outro não cumprimenta, é como se tivesse negado a sua existência.

A sabedoria dessa tradição nos diz simplesmente que você passa a existir quando alguém vê você. “Uma pessoa se torna uma pessoa por causa das outras”.

Estamos conseguindo ver nossos alunos? Referendar suas existências enquanto sujeitos complexos, cheios de paradoxos e contradições? Pedras a serem lapidadas?

Mariotti destaca que a “dominação” da visão sobre os outros sentidos, a apropriação do olhar pela cultura dominante, estreita nossa percepção de mundo. E cita o romance "Ensaio sobre a cegueira", de José Saramago, como uma espécie de metáfora dessa realidade. A partir do momento em que perdem seu sentido primordial, as pessoas (no romance) até tentam resgatar uma certa solidariedade, mas o que se vê na maioria delas é o caos, a competição, porque perderam a dimensão total dos sentidos e porque foram mais preparadas para competir do que para a parceria. Para Mariotti “a proposta do pensamento complexo corresponde justamente a uma retomada de pluri-sensorialidade”, sem dominação e um sentido sobre o outro.

Em relação a “Saber esperar” é interessante perceber como a noção de tempo mudou. Tempo virou dinheiro. Já não temos mais paciência de esperar o outro, porque a velocidade tomou conta de nós. Temos diculdade de entender que cada um tem seu tempo para compreender, interpretar, responder.

Nosso conceito de tempo é linear, enquanto nas tradições anteriores à judaico-cristã, o tempo era circular, ou seja, respeitava o ciclo da natureza. Era preciso esperar o tempo de plantar e o de colher; o tempo da chuva e o tempo do sol; a chegada de uma estação do ano. Vivemos nesse ciclo, mas não estamos mais reconhecendo-o.

É importante entender a complementaridade entre esse tempo linear e o tempo circular. O pensamento complexo defende esse abraço.

Mariotti também nos fala do "Saber conversar". Para ele, saber conversar é antes de tudo saber perguntar. Ele ressalta que em nossa cultura muitas vezes o diálogo vira uma espécie de competição para ver quem tem os melhores argumentos. E que, quando perguntamos, na verdade não queremos aprender com o outro ou dar-lhe a chance de aprender com nossa pergunta, mas queremos (mesmo que insconscientemente) colocar o outro em uma situação desconfortável.

Saber perguntar é provocar alterações, mudanças no outro, a partir de perguntas mobilizadoras. É fazê-lo aprender e compatilhar conosco sua aprendizagem. "É estar-com, encontra-se, religar-se, descondicionar-se, libertar-se". Ao perguntar de forma correta nossa postura é de respeito com o outro e sua resposta. "Saber questionar conduz a saber ouvir", afirma.

Da mesma forma, Mariotti nos diz que ensinar é propor questões mobilizadoras, desencadear um processo de co-educação: "Se partirmos do princípio de que o verdadeiro papel dos educadores é formular perguntas adequadas, segue-se que quem os educa são os educandos, ao dar-lhes respostas".

Essa é nossa postura enquanto educadores?

Para nossa reflexão compartilho um vídeo que nos mostra de forma crítica como algumas escolas ainda insistem em funcionar. Sem levar em conta o saber do aluno, sem encará-lo como sujeito da aprendizagem. Sem ver o aluno, esperá-lo, conversar com ele, abrir-se ao diálogo e a escuta.


Companheira Mafalda


Uma de minhas companheiras de blog será a Mafalda, personagem de quadrinhos do argentino Quino. Podem ter a certeza que verão muitas de suas tirinhas por aqui.
Além de ser meu personagem favorito, ela oferece a possibilidade de discutirmos os problemas do mundo e a mídia de forma lúdica.
É sempre bom estar com suas tirinhas em sala de aula para organizar um animado debate.

Boas vindas!

Que bom você estar por aqui.
A partir de hoje começo a compartilhar textos, imagens, devaneios, ideais. Entrevistas, trechos que marcaram minhas leituras e colorem as páginas dos livros de amarelo e rosa marca-texto.
Sem pressa.
Sem hora marcada.
Um dia sim, outro não.
E de repente nos encontraremos.
Para começar, a inspiração de Afonso Romano de Sant'Anna e o texto que só tem sentido no leitor:

Texto futuro
O que vão descobrir em nossos textos,
não sabemos.
Temos intenções, pretensões inúmeras.
Mas o que vão descobrir em nossos textos,
não sabemos.
Desamparado o texto, desamparado o autor,
se entreolham, em vão.
Órfão, o texto aguarda alheia paternidade.
Órfão, o autor considera entre o texto e o leitor - a desletrada solidão.

(Afonso Romano Sant'anna)