sábado, 28 de novembro de 2009

Educomics



A União Europeia tem um projeto dedicado ao uso dde HQ online na sala de aula. É o projeto Educomics!!!

EduComics is an European Union Comenius education project under the Life Long Learning Programme (ref num 142424-2008-GR-COMENIUS-CMP). It will show educators how online comics can be used in the classroom to enhance learning, engage and motivate students, and use technology in a practical and effective way. The project will create training material for teachers and organise seminars for teachers in Greece, Cyprus, UK, Italy and Spain. These attending teachers will be able to apply strategies and lesson plans in their schools.

The potential for Web comics to be used in education offers educators a means of using multimedia (text, images, audio and video) with their students in most curricular areas. For example, within science, a student can navigate through a web comic book that shows different characters/actors arguing about a science topic. In languages, characters could be placed in a restaurant were they have to order a meal. A web comic can also allow audio in the languages.

Para conhecer: http://www.educomics.org

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

De onde vem a TV

Série da TV Escola composta de 20 programas de animação apresentada por Kika, uma criança muito curiosa, que procura entender a origem das coisas, de forma acessível e bem-humorada.

Café da manhã

Abra os olhos, um novo dia está começando. Prepare seu café da manhã, pegue seu jornal e sente-se à mesa. Um bom dia começa com leitura e informação!

O verbo ler não aceita imperativo


"A partir do momento em que se coloca o problema do tempo para ler, é porque a vontade não está lá. Porque, se pensarmos bem, ninguém jamais tem tempo para ler. Nem pequenos, nem adolescentes, nem grandes. A vida é um entrave permanente à leitura.
(...)
O tempo para ler é sempre um tempo roubado. (Tanto como o tempo para escrever, aliás, ou o tempo para amar.). Roubado a quê? Digamos, à obrigação de viver.
(...)
O tempo para ler, como o tempo para amar, dilata o tempo para viver.
(...)
Eu nunca tive tempo para ler, mas nada, jamais, pôde me impedir de terminar um romance de que eu gostasse. A leitura não depende da organização do tempo social, ela é, como o amor, uma maneira de ser. A questão não é saber se tenho tempo para ler ou não (tempo que, aliás, ninguém me dará), mas se me ofereço ou não a felicidade de ser leitor."

Os trechos acima são do livro Como um romance, do escritor francês nascido em Marrocos, Daniel Pennac, que faz os leitores refletirem sobre o ato de ler, sobre o momento em que permitimos que nossas crianças - antes ávidas por historinhas no aconchego dos lençóis - se distanciassem dos livros e da leitura.

Pennac arrisca algumas suposições sobre esse distanciamento. Muitos pais quando a criança começa a ler, resgatam para si os minutos que dedicavam a ela. O momento de aconchego e de fantasia compartilhada é rompido. A escola também pode ter sua parcela de culpa, com leituras obrigatórias, fichas de leitura e questões sobre o livro, quando a criança precisa do silêncio para a obra crescer e transformar-se dentro dela, fazer sentido. O que era prazer, vira obrigação.

Para Pennac:

"O verbo ler não suporta o imperativo. Aversão que partilha com alguns outros: o verbo “amar”… o verbo “sonhar”…
Bem, é sempre possível tentar, é claro. Vamos lá: “Me ame!” “Sonhe!” “Leia!” “Leia logo, que diabo, eu estou mandando você ler!”
- Vá para o seu quarto e leia!
Resultado?
Nulo."

O escritor vai de página em página tecendo seu amor pela leitura em um livro simples e verdadeiro. Um ensaio poético para qualquer idade.

"Uma aluna desse professor assim o descreve:

Ele chegava desgrenhado pelo vento e pelo frio, em sua moto azul e enferrujada. Encurvado, numa japona azul-marinho, cachimbo na boca ou na mão. Esvaziava uma sacola de livros sobre a mesa. E era a vida. (…) Ele caminhava, lendo, uma das mãos no bolso e, a outra, a que segurava o livro, estendida como se, lendo-o, ele o oferecesse a nós. Todas as suas leituras eram como dádivas. Não nos pedia nada em troca.

Ao final do ano, os alunos somavam: Shakespeare, Kafka, Beckett, Cervantes, Cioran, Valéry, Tchecov, Bataille, Strindberg. A lista era imensa. E ela continua no seu depoimento emocionado:

Quando ele se calava, esvaziávamos as livrarias de Renner e de Quimper. E quanto mais líamos, mais, em verdade, nos sentíamos ignorantes, sós sobre as praias de nossa ignorância, e face ao mar. Com ele, no entanto, não tínhamos medo de nos molhar. Mergulhávamos nos livros, sem perder tempo em braçadas friorentas." (Trecho retirado do blog Leituras Favre)

Por fim, ele nos revela os Direitos Imprescritíveis do Leitor:

I - O direito de não ler.
II - O direito de pular páginas.
III - O direito de não terminar um livro.
IV - O direito de reler.
V - O direito de ler qualquer coisa.
VI - O direito ao bovarismo (doença textualmente transmissível).
VII - O direito de ler em qualquer lugar.
VIII - O direito de ler uma frase aqui outra ali.
IX - O direito de ler em voz alta.
X - O direito de calar

Sem dúvida um livro para ter na estante!

O dilema da televisão!!!

Infância e Consumo - Material do Instituto Alana

http://confecominfanto.files.wordpress.com/2009/10/palestra_confecom_infantil.pdf

Crianças e adolescentes discutem comunicação em conferência livre

“A mídia precisa ser mais democrática”. “Não queremos padronização de beleza”. “Queremos mais espaço para negros e índios”. “A mulher não pode mais ser tratada somente como dona de casa”. “A criança não pode ser subestimada”.

Reivindicações como essas foram levantadas no último sábado (17/10) na 1ª Conferência Livre Infanto-Juvenil de Comunicação, que aconteceu no Tendal da Lapa, na cidade de São Paulo (SP). Cerca de 120 crianças e adolescentes, entre 6 e 15 anos, se reuniram para elaborar propostas e reivindicar os seus direitos nos meios de comunicação. Em processo final de sistematização pelos adultos responsáveis pelo evento, as propostas serão encaminhadas para as etapas municipal e estadual, prévias da Conferência Nacional de Comunicação (CONFECOM), que será sediada em Brasília (DF) no final deste ano.

Logo no início da conferência, os participantes assistiram a uma apresentação sobre o que estava planejado para o dia e depois se inscreveram em uma das quatro oficinas oferecidas: rádio, vídeo, grafite/publicidade e fanzine.

Eles foram orientados por adolescentes mediadores, que passaram por uma capacitação em publicidade infantil e educomunicação. “Eu aprendi muitas coisas que não sabia, principalmente em relação à publicidade. Também fiquei com medo porque achava que não ia conseguir ajudar os mais jovens, mas, no fim, deu tudo certo”, diz uma das mediadoras, Mariana Almeida, 18 anos.

Enquanto os jovens participantes começavam suas atividades, os adultos responsáveis promoviam um debate sobre a comunicação em geral. Eles também se dividiram em quatro grupos para discutir os problemas e elaborar propostas sobre rádio, Internet, TV e veículos impressos.

Depois da atividade, apresentaram as propostas e levantaram questões importantes como o espaço destinado às crianças na programação das rádios e das emissoras de televisão. “O espaço para as crianças é pensado sob a perspectiva adulta porque hoje querem fazer uma comunicação mais universalizada, sem segregações. Não é à toa que perdemos conjuntos infantis feito por crianças como o Trem da Alegria”, disse a educadora Viviane Querumbim, do Instituto Paulo Freire.

No período da tarde, a coordenadora de educomunicação Gracia Lima do projeto Cala-boca Já Morreu, que trabalha com a comunicação para jovens, mostrou como a comunicação pode influenciar a educação, baseando-se nas propostas já levantadas. Um jornal mural também estava exposto para que as pessoas pudessem expressar suas opiniões sobre “a comunicação que temos e a que queremos”. Os jovens terminaram os produtos, que foram apresentados em uma plenária na qual todos estavam presentes.

O grupo de vídeo se dividiu em três equipes, que produziram vídeos de bolso sobre assuntos variados, como: o que acontece nas comunidades e não aparece na TV. Já as três equipes de rádio fizeram programas como uma radionovela. O grafite e a publicidade retrataram o direito à comunicação. As pessoas que ficaram responsáveis pela confecção do fanzine criaram o RIT-Zine e mostraram a diversidade das mídias. “Eu achei ótimo participar. Aprendi muitas coisas que nem fazia ideia que existiam como, por exemplo, o fanzine”, afirma a aluna de 11 anos da Escola Fernando Gracioso, Pamela Cabral, que participou do grupo do fazine.

O término da conferência se deu ao som de Igor, garoto da região do Grajaú, zona sul da capital paulista, que cantou um rap sobre comunicação, acompanhado por DJ’s do Jardim Ângela. “A 1ª Conferência Livre Infanto- Juvenil de Comunicação foi marco histórico para a comunicação brasileira”, ressaltou uma das organizadoras do evento, Mariana Kz.

Para saber mais sobre as propostas elaboradas e atividades realizadas durante a 1ª Conferência Infanto-Juvenil de Comunicação, acesse o blog: www.confecominfanto.wordpress.com

Texto de Rafael Carneiro da Cunha - Portal Aprendiz

Second Life: que história é essa?

Imagine um mundo onde você pode ser o que quiser, fazer o que desejar e transformar-se naquilo que sempre sonhou. Esta é a propaganda do Second Life. Provavelmente, você já ouviu alguma coisa sobre o metaverso que vem atraindo a atenção de jovens e adultos de todo o mundo. Metaverso? Sim. Trata-se de “um universo virtual dentro do nosso universo real. Um mundo digital on-line tridimensional, onde tudo é criado pelos seus residentes”, como explica o diretor de marketing do Second Life Brasil, Emiliano de Castro.

No mundo todo, os internautas brasileiros são privilegiados. Eles possuem uma entrada própria em Língua Portuguesa que dá acesso ao Second Life. No metaverso, é possível vivenciar uma outra vida, desde a celebração de um casamento até a construção de uma casa ou o fechamento de um grande negócio. Hoje existem mais de 7,8 milhões de usuários cadastrados, desses 400 mil são brasileiros.

Em entrevista ao RIO MÍDIA, Emiliano de Castro disse que o sucesso do Second Life se deve ao fato de que o projeto encontrou uma mistura simbiótica entre conteúdo criado pelo usuário, economia virtual e redes de relacionamento. “Essa combinação explosiva junta uma série de tendências que já vinha se desenvolvendo há algum tempo. Por isso mesmo, encontra boa aceitação da comunidade. As empresas, é claro, se interessaram por este novo canal para se comunicar com seus consumidores”, explica Castro.

Acompanhe a entrevista na íntegra.

RIO MÍDIA - O que é o Second Life. É um jogo? Um mundo paralelo? Uma brincadeira? Um negócio? Uma diversão on-line como qualquer outra? Afinal, como podemos defini-lo?
Emiliano de Castro - É um metaverso. Ou seja, um universo (virtual) dentro do nosso universo (real). Um mundo digital on-line tridimensional, onde tudo é criado pelos seus residentes.

RIO MÍDIA - Na prática, como esse metaverso funciona?
Emiliano de Castro - Existe um grid de servidores que simula um espaço virtual, onde os residentes circulam e fazem suas construções. As ferramentas de construção e programação já vêm integradas no client, que é o software que o usuário instala no seu computador. Para ingressar no Second Life basta fazer o cadastro no site www.secondlifebrasil.com.br. Com a assinatura básica, você já pode nascer no metaverso, aprender a lidar com seu avatar (você dentro do Second Life), definir o seu perfil físico, escolher a maneira como quer se vestir e navegar pelos inúmeros lugares oferecidos aos visitantes. Já quem optar pela assinatura Premium (R$ 19,90 mensais) poderá ter um terreno, construir sua casa, ou seu próprio negócio dentro do Second Life Brasil. O assinante Premium recebe bônus de 1000 Linden dólares no pagamento da primeira mensalidade e 300 Linden dólares por semana. Ele pode participar de leilões dentro do Second Life Brasil e conta com suporte técnico 24 horas por dia, durante os 7 dias da semana.

RIO MÍDIA - Quantas pessoas já estão cadastradas? Há dados estatísticos por sexo, idade, país?
Emiliano de Castro - O Second Life pode ser acessado por qualquer pessoa do mundo, desde que maior de 18 anos. Hoje existem mais de 7,8 milhões de usuários cadastrados, desses 400 mil são brasileiros.

RIO MÍDIA - Qual é o perfil do usuário brasileiro?
Emiliano de Castro - Existem iniciativas em andamento para fazer um mapeamendo do perfil do usuário brasileiro. De forma geral, os usuários masculinos somam 57%. E a média de idade dos usuários brasileiros é de 26 anos.

RIO MÍDIA - Uma dúvida: o Second Life Brasil dá acesso ao Second Life Global?
Emiliano de Castro - O Second Life Brasil é a porta de entrada para os brasileiros no metaverso. Você tem todas as informações que precisa em português e pode realizar todas as transações comerciais em reais. Através dele você tem acesso a todo o metaverso, assim como quem entra através do client em inglês tem acesso às ilhas brasileiras.

RIO MÍDIA - Qual é o público-alvo ?
Emiliano de Castro - Qualquer pessoa acima de 18 anos.

RIO MÍDIA - A máxima do Second Life é: Imagine um mundo onde você pode ser o que quiser, fazer o que desejar e transformar-se naquilo que sempre sonhou. Existem regras neste mundo? Existe algum código de ética, do que é permitido, do que é condenável?
Emiliano de Castro - Os usuários devem respeitar um código de conduta da comunidade, descrito nos Termos de Uso do Second Life. Podem oferecer denúncia quando sentirem sua privacidade invadida. Os usuários também estão sujeitos à legislação do mundo real. Além, é claro, das regras que naturalmente emergem à medida que crescem as sociedades no mundo virtual.

RIO MÍDIA - Por que o Second Life vem atraindo tantas pessoas e empresas?
Emiliano de Castro - O Second Life encontrou uma mistura simbiótica entre conteúdo criado pelo usuário, economia virtual e redes de relacionamento. Essa combinação explosiva junta uma série de tendências que já vinha se desenvolvendo há algum tempo. Por isso mesmo, encontra boa aceitação da comunidade. As empresas, é claro, se interessaram por este novo canal para se comunicar com seus consumidores.

RIO MÍDIA - De que forma o Second Life pode contribuir para o ensino?
Emiliano de Castro - Ensino e pesquisa ganham uma forte contribuição com o Second Life. O próprio conceito de Ensino à Distância ganha um significado diferente, se considerarmos o nível de interação permitido entre os residentes (envolvendo inclusive comunicação não-verbal). Várias universidades já têm cursos dentro do Second Life, e desenvolvem pesquisas utilizando o metaverso como um tubo de ensaio.

RIO MÍDIA - Está bem claro no site do Second Life do Brasil que o acesso é proibido para menores de 18 anos. Por que existe esta proibição?
Emiliano de Castro - Existe um grid do Second Life separado para adolescentes de 13 a 17 anos.

RIO MÍDIA - Vocês têm conhecimento de que crianças e jovens acessam o Second Life Brasil?
Emiliano de Castro - Os mecanismos de controle da internet são relativamente frágeis nesse sentido. Em última instância, o controle deve ser exercido pelos pais ou responsáveis.

RIO MÍDIA - Você acha que o Second Life traz uma nova concepção de mundo?
Emiliano de Castro - Ele traz um universo de possibilidades. Um lugar onde a construção é coletiva acaba se tornando um ambiente de auto-expressão. Os residentes são encorajados a criar, a participar das atividades que acontecem lá dentro. E a interação é natural: ao compartilharem suas experiências, os residentes criam novos grupos sociais, onde a distância geográfica do mundo real não tem o menor significado.

Entrevista publicada no site RioMídia

Escolas vão se parecer cada vez menos com escolas

Por iniciativa da Fundação Qatar pelo Desenvolvimento da Educação, Ciência e Comunidade, cerca de 1.000 pessoas de 50 países encontraram-se entre os dias 16 e 18 deste mês (novembro) em Doha, capital deste curioso país do Oriente Médio. O grupo, formado por educadores, pesquisadores, gestores públicos e privados, refletiu sobre aspectos ligados à inovação na educação no evento cujas iniciais em inglês formam a palavra WISE (World Innovation Summit for Education).

Do Brasil, participaram, entre outros, MEC, FNDE, UnB, Museu da História Nacional, Fundação Banco do Brasil, Oi Futuro, Cidade Escola Aprendiz, AlfaSol, Educafro, Positivo e Hughes Brazil. Esta última foi uma das seis organizações premiadas, por seu projeto de inclusão digital no Amazonas, desenvolvido para o governo do estado. A cerimônia de premiação, em grande estilo, contou com a presença da primeira dama francesa Carla Bruni, além da Rainha Sheikha Mozah Bint Nasser Al Missned, promotora do evento, e outras autoridades.

A iniciativa da Fundação Qatar, presidida pela Rainha, insere-se no projeto político que está sendo intensamente promovido nos últimos anos de diversificar a economia, criando alternativas ao petróleo. Como consequência desta política, que inclui até uma massiva campanha para sediar a Copa do Mundo de Futebol em 2022, a população do país dobrou em tamanho nos últimos cinco anos, chegando agora a 1,5 milhão de pessoas, o que tornou o inglês a língua franca.

Pluralismo

Um país em que homens e mulheres usam longos vestidos e lenços que os cobrem dos pés às cabeças, sendo eles de branco e elas de preto, convive agora com mais da metade da população vinda de outros países com os usos e costumes do chamado mundo moderno. O pluralismo implica o respeito à diversidade de costumes, culturas e religiões. Mas, implica também, e isto foi enfatizado por palestrantes de todas as cores e roupas, promover a educação escolar de qualidade para todos, com especial atenção às mulheres.

Aqui nos encontramos diante de desafios importantes. Muitos seguiram a recém-empossada diretora geral da Unesco, Irina Bokova, na defesa da universalização da educação escolar como instrumento prioritário para a democracia e a cultura de paz. A agenda mundial “Educação para Todos”, que reduz a educação à escolarização, está longe de ser atingida: 75 milhões de crianças ainda estão fora da escola e nos países onde a universalização escolar foi garantida, o aprendizado não se comprovou. No entanto, palestrantes como Katy Webly, da Save the Children, citaram pesquisas que mostram que cada ano de escola aumenta a renda familiar e melhora as suas condições de vida e saúde. No caso das mulheres, o número de filhos diminui à medida que aumenta sua escolaridade; já em relação aos homens, os anos de escola diminuem a probabilidade de eles participarem de conflitos violentos e se envolverem com a criminalidade.

O desafio está em transformar a escola, instituição do ocidente moderno, em espaço de promoção do pluralismo ou, ainda melhor, como alguns disseram, de inclusão das diferenças, da construção de um novo conhecimento e uma nova cultura voltada para a paz e o respeito. Há que se perguntar: será possível este monumento da cultura ocidental se tornar esta instituição universalmente promotora da democracia? Não estaria justamente em seu aspecto autoritário a razão de milhões de crianças e jovens dos diversos países não se sentirem motivados a frequentá-la e milhões de pais não a valorizarem?

Certo é que para se tornar esta instituição promotora da democracia, a escola precisa se transformar. O sentido desta transformação foi definido por vários painéis: maior envolvimento entre escola, comunidade e família. Iman Bibars, vice-presidente da Ashoka, enfatizou a importância deste tema em regiões como a do mundo árabe, que tem 65% de sua população com menos de 25 anos de idade. A seu ver, as políticas públicas devem promover o envolvimento dos estudantes com sua comunidade pela articulação de parcerias com a família, as empresas e organizações da sociedade civil.

Steve Moss, diretor estratégico da Parnerships for Schools relatou o programa inglês chamado Buiding Schools for the Future, que prevê a reconstrução total de 3.500 escolas de ensino médio até 2020, de modo a torná-las espaços que inspiram a sociabilidade, a curiosidade e a experimentação. Mas o ponto focal do projeto é tornar a escola central na vida comunitária, ali sediando bibliotecas, serviços sociais e outros equipamentos públicos, de modo a fazer com que pais e vizinhos a frequentem.

Sustentabilidade

A reconstrução dos prédios escolares passa também por torná-los ambientalmente sustentáveis. Mas, não se reduz a isso o tema da sustentabilidade na educação. A agenda verde foi defendida por muitos: redução dos impactos ambientais, do consumo de água e das demais ações que estão causando as mudanças climáticas e agravando a fome e a miséria em diversas partes do mundo. A educação exerce aqui importante papel, uma vez que esta agenda é dos governos tanto quanto das sociedades civis: trata-se de promover os valores da sustentabilidade entre as populações, como foi enfatizado pelo ex-chanceler alemão Gerhard Schröder.

A sustentabilidade na educação passa ainda pela garantia do desenvolvimento de habilidades, atitudes e talentos e pela abertura de oportunidades aos jovens.

Inovação

Claro que para enfrentar tantos desafios a educação não pode ser reduzida à escolarização. É preciso realmente pensar de forma inovadora. E é a isso que se propõe Sugata Mitra, professor indiano da Universidade Newcastle, no Reino Unido, que inspirou o filme “Quem quer ser um milionário?”.

Mitra relatou suas pesquisas dos últimos dez anos intituladas “The Hole in the Wall”. Basicamente tratou-se de instalar um computador em uma parede em favelas na Índia e outros lugares onde ninguém conhecia computadores. Sem qualquer instrução, em poucas horas as crianças, que não sabiam sequer inglês, aprenderam sozinhas a surfar na Internet. Três meses depois, elas já estavam usando os diversos recursos do computador: processador de texto, jogos, e-mail, músicas e instrumentos de busca.

O mesmo experimento não produz os mesmos resultados em escolas porque ele depende de ambientes onde as crianças estão livres para brincar e interagindo, compartilhando o mesmo equipamento e as suas descobertas. Com os recursos digitais adequados e liberdade para explorar, as crianças atingem os objetivos educacionais esperados sem supervisão. Isto foi comprovado em experimentos do mesmo tipo com inglês, artes e álgebra. A última fase da pesquisa demonstrou que não há limites para o aprendizado neste contexto – as crianças a rendem do básico à biotecnologia.

Em consequência, Mitra passou a se dedicar à criação dos SOLE (Self Organized Learning Environments). Nestes ambientes virtuais, avós americanas voluntárias, por exemplo, ensinam inglês para crianças indianas pelas câmeras e microfones dos computadores. Por que avós? Porque elas admiram o processo de aprendizado e é só disso que as crianças precisam. Outros projetos incluem a formação de mediadores, que supera a ideia de professores ensinando um conhecimento do qual supostamente seriam depositários. O criador do Twitter, Biz Stone, trocou cartões com Mitra, manifestando seu interesse em utilizar as ferramentas que desenvolve para espalhar SOLES pelo mundo.

Depois de tantos e intensos debates, uma conclusão possível é que pensar a educação de forma inovadora passa necessariamente por promover ambientes de aprendizado plurais e sustentáveis, sejam eles escolas ou não. Mas, certo é que nos próximos anos as escolas vão se parecer cada vez menos com escolas.




*Helena Singer viajou ao Qatar a convite da Fundação Qatar. É socióloga com pós-doutorado em Educação, diretora pedagógica da Associação Cidade Escola Aprendiz.
Artigo pubicado no Portal Aprendiz