quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Comunicação e Cidadania - Repensar a Crise e a Mudança

Portugal será sede, pela primeira vez, de uma conferência da International Association for Media and Communication Research.

O tema da conferência, que foi articulada com o Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade da Universidade do Minho, em Braga, será "Comunicação e Cidadania - Repensar a Crise e a Mudança".

Leia abaixo, texto de apresentação da conferência:

"Comunicação e Cidadania - Repensar a Crise e a Mudança é o tema principal que é proposto a todos os participantes na Conferência Internacional IAMCR 2010.

A aceleração da mudança e a globalização do medo e da insegurança são características do presente. A velocidade das transformações em todas as regiões do nosso volátil e hiper-complexo mundo torna cada vez mais difícil de ler a realidade social e agir de forma significativa. Num momento de profunda crise económica, cultural e moral, cidadãos, grupos e organizações não têm alternativa senão a de redescobrir como a vida individual e social pode ser vivida.

A participação na vida política e social contemporânea é um valor fundamental que é suposto ter um impacto concreto e permanente sobre a qualidade da vida das pessoas. Como um direito e um dever, espera-se que a participação melhore a sociedade. Os meios de comunicação tradicionais em todo o mundo ainda não responderam integralmente às necessidades sociais participativas. Apesar das fundadas expectativas sobre o papel dos meios de comunicação social em termos da promoção da participação, esta ainda não é satisfatória. Na maioria dos países, os meios de comunicação acabaram como promotores de governos e de grandes interesses empresariais baseados num conformista modelo de comunicação "top-down". Tirando partido das novas tecnologias, os cidadãos estão a contra-atacar. Tanto em sociedades desenvolvidas como em desenvolvimento, é possível identificar novas ideias e práticas participativas.

Afastando-nos dos discursos políticos e académicos na Internet, utópicos e distópicos, é de salientar que, em diferentes formas e contextos, os cidadãos e as instituições sociais contornam os media tradicionais e desenvolvem novas formas de participação. Embora a tecnologia de per si não seja uma variável explicativa relevante, é um elemento indispensável para compreender plenamente as mudanças significativas em termos de acesso do cidadão a conteúdos alternativos e às redes sociais. Ainda assim, ter acesso à Internet ou outras tecnologias participativas não transforma os indivíduos em cidadãos. Sem educação, não há cidadãos.

Com efeito, se a defesa do interesse público depende do funcionamento global de toda a construção mediática, a regulação estatal e profissional está longe de ser suficiente. A participação dos cidadãos - em diferentes fases e níveis - é crucial para a contínua tentativa de desenvolvimento responsável e de responsabilização da cultura mediática. Mas cidadania implica, por um lado, exigência social quanto à formação dos profissionais dos media, dos códigos deontológicos dos profissionais dos meios de comunicação, das estratégias empresariais das empresas de comunicação social e das políticas estatais e, por outro lado, de uma atitude crítica e participativa em relação aos media tradicionais e aos novos media.

Esta observação crítica, com a consequente participação só pode ocorrer se a lógica dos media forem compreensíveis e se os direitos e deveres forem do conhecimento comum. No passado, a alfabetização era uma condição necessária para se ser cidadão. Hoje em dia, leitura e escrita estão longe de ser suficientes para a plena cidadania. Os cidadãos devem ter a capacidade de interpretar discursos mediatizados sobre o mundo e devem ter o poder de agir.

Em tempo de crise económica e ética, a comunicação e a investigação sobre os media poderá desempenhar um papel fundamental no sentido de interrogar os modelos dominantes da comunicação e abrindo novos debates sobre a autonomização dos cidadãos e sobre os mecanismos participativos. Esta poderia ser a contribuição da comunicação da comunidade científica para lançar luz sobre as incertezas e impasses contemporâneos. Centrando a conferência de 2010 da IAMCR sobre a relação entre Comunicação e Cidadania convidamos investigadores, oriundos de diferentes latitudes e experiências, a desenvolver a investigação também como cidadãos. Entendemos que a organização da conferência da IAMCR em si mesmo como um acto de cidadania".

Mais informação:
http://www.iamcr2010portugal.com/content.asp?startAt=2&categoryID=1002

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