sexta-feira, 11 de junho de 2010

Mídia e Educação

O jornal A Tribuna do Planalto, de Goiás, publicou em 5 de junho, uma entrevista com a jornalista que vos escreve e citou nosso blog Mídia e Educação. A jornalista Raphaela Ferro também fala do livro "Ensino Aprendizagem Comunicação", da WAK Editora, organizado por Wendel Freire e Mary Rangel, no qual temos um artigo. Compartilhamos a matéria abaixo:

Cristiane Parente de Sá Barreto é jornalista, professora e educomunicadora. Mestre em Comunicação, Cultura e Educação pela Universidade Autônoma de Barcelona e mestranda em Educação pela Universidade de Brasília (UnB), ela atua principalmente no campo da Educomunicação, tentando mostrar a importância de unir as duas áreas das humanidades em ações unificadas.

Para tanto, ela mantém atualizado o blog http://culturamidiaeducacao.blogspot.com, onde indica livros, vídeos e trabalha informações para quem se interessa pelas relações entre mídia e educação, leitura, infância e educomunicação. De acordo com a jornalista, não há mais como controlar a abundância de informações que chega aos estudantes, mas é possível estabelecer uma relação mais crítica com as mensagens recebidas, tanto por crianças e jovens quanto por adultos. Criticidade que deve ser proposta pelos professores. “É possível trabalhar com jornal, rádio, internet, vídeo e até celular. Tudo vai depender do objetivo do professor e de uma atividade que seja discutida em conjunto com os alunos, reconhecendo seus saberes e dons”, completou a professora.

Cristiane publicou, recentemente, o artigo Educação na Soma com os Meios, como capítulo de obra organizada por Mary Rangel e Wendel Freire, Ensino-aprendizagem e Comunicação. O texto trata da velocidade das transformações relacionada à comunicação, muitas vezes não acompanhada pelo ensino. “Não se pode falar em Educação sem comunicação e vice-versa. Vivemos imersos em um mundo midiático”, anuncia. Sobre assuntos tangentes à abordagem de seu artigo, por e-mail, Cristiane Parente concedeu a seguinte entrevista à equipe do caderno ESCOLA.

É possível professores e alunos controlarem o excesso de informação a que estão submetidos diariamente?
A abundância de informações é fato. Particularmente, não vejo como controlar. O que professores, alunos e cidadãos, de maneira geral, podem e devem fazer é ter uma relação mais crítica em relação às mensagens que recebem; aprenderem onde buscar as informações e selecioná-las melhor, para que elas possam ser interpretadas e transformadas em conhecimento. É esse conhecimento que vai fazer com que sintam-se mais seguros para atuarem no mundo e, quem sabe, transformá-lo.

Como integrar o universo das novas tecnologias à sala de aula?
Há uma angústia por parte dos educadores em relação às novas tecnologias, porque eles têm sido cobrados para usá-las. É preciso, porém, ver pelo menos dois lados dessa questão. Uma é que é necessário que haja formação para os educadores, porque não basta ter um computador com internet banda larga na escola, se não se sabe o que fazer com ele. Ou pior: ele é usado de forma equivocada, sem criticidade, criatividade e sem possibilitar autoria aos alunos. Outro lado é que se o professor ficar esperando pela formação, pode perder o bonde da história. Neste caso, vale a pena conversar com os alunos, trocar ideias com quem já faz uso dessas tecnologias para conhecer as possibilidades que elas oferecem. É possível trabalhar com jornal, rádio, internet, vídeo e até celular. Tudo vai depender do objetivo do professor e de uma atividade que seja discutida em conjunto com os alunos, reconhecendo seus saberes e dons.

Como separar as funcionalidades, isto é, o papel da escola e dos meios de comunicação? Cada um tem um papel que não se confunde com o outro, mas ambos podem se complementar. A Educação não está apenas na escola, mas na rua, na televisão, no jornal, no jogo de futebol, em cada tarefa cotidiana que realizamos, nas escolhas políticas que fazemos.
É possível aliar a comunicação e o ensino na construção de uma Educação ideal?
Não se pode falar em Educação sem comunicação e vice-versa. Vivemos imersos em um mundo midiático. Boa parte do que sabemos hoje nos chega a partir de veículos da mídia, por isso não se pode virar as costas para eles. Pelo contrário. É cada vez mais necessário trabalhar em conjunto com eles, tomar dos meios o que eles possuem de melhor e levar para a sala de aula, usando-os a favor da Educação, discutindo e divulgando cidadania, meio ambiente, ética, saúde, Educação, sociedade, trabalho, direitos... Assim como é necessário fazer com que o aluno perceba o processo de produção por trás de cada mensagem, para que tenha uma relação mais equilibrada e crítica com a mídia. Da mesma forma, é preciso estimular que os alunos criem suas próprias mídias e não sejam só consumidores, mas produtores de informação. Aí, penso, temos uma Educação ideal em parceria com a Educação.

Saiba Mais
* Publicado pela Wak Editora, o livro Ensino-aprendizagem e Comunicação reúne textos com foco na relação entre a comunicação, o ideal de Educação dialógica e as novas formas de ensinar e aprender. Organizado pela pós-doutora em Psicologia Social, Mary Rangel, e pelo mestre em Educação, Wendel Freire, a obra conta com artigos de Cláudio Pinheiro, Cristiane Parente, Edméa Santos, Marco Silva, Monica Rabello e Robson Cavalcanti. Os artigos englobam os aspectos pedagógicos, sociológicos e comunicacionais do assunto em questão, estabelecendo análises e indicando práticas quanto ao uso da comunicação no processo de ensino-aprendizagem.

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