quinta-feira, 1 de julho de 2010

Educomuniçação se espalha em milhares de escolas públicas do Brasil

Das 10.050 escolas que estão cadastradas no programa “Mais Educação” do MEC cerca de 4.900 resolveram adotar a Educomunicação em sua educação integral (ou seja, produção de radio, vídeo, jornal, quadrinhos ou fotografia por grupo de estudantes assistidos por seus professores ou por especialistas em mídia). As escolas que preferiram trabalhar com a prática educomunicativa localizam-se majoritariamente no Norte e Nordeste do Brasil, regiões com piores índices de desempenho da educação nos diversos indicadores nacionais.

A informação (de junho de 2010) é do jornalista Alexandre Sayad, Secretário Executivo da Rede CEP (Rede de Comunicação , Educação e Participação) que está há três anos atuando junto às políticas públicas para que a educomunicação se torne uma realidade na educação pública do Brasil.


Hoje, a Rede é formada por 10 organizações não-governamentais e um centro de pesquisa universitário (NCE-USP) que são pioneiros no desenvolvimento de programas de produção de mídia por jovens nas cinco regiões geográficas brasileiras.Em seu comunicado Sayad informa que desde o fim de 2007, quando o a Rede organizou em Recife/ Olinda o seminário “Educomunicação e Educação Integral e Comunitária”, a então secretária da SECAD (Secretaria de Diversidade do MEC), Jaqueline Moll, que tinha acabado de assumir cargo, enxergou nas práticas educomunicativas da Rede CEP um potencial elemento de tornar o ensino público mais atraente aos estudantes por dar a eles “voz” no ambiente escolar; um eficiente antídoto contra a evasão escolar.

A partir de então foram mais de duas dezenas de reuniões em Brasília para, junto a Secad, desenhar o escopo do projeto "Mais Educação" de educação integral: do conceitos, às áreas de atuação, passando pelos editais de compra. Segundo Sayad, a Rede CEP gastou pelo menos um ano para desconstruir a visão funcionalista que o MEC tinha da educomunicação: achavam que se tratava de cursos de TI ou mesmo de algo profissionalizante.

A primeira vitória foi levar o tema à área curricular do MEC – anteriormente o assunto circulava em áreas voltadas à educação interdisciplinar, como ocorre na preparação e desenvolvimento das conferências infanto-juvenis sobre meio ambiente, numa parceria entre o MEC e o Ministério do Meio Ambiente. O passo seguinte foi convencer o grupo de trabalho que a educomunicação poderia se configurar um “macrocampo” de atividade possível no contra-turno escolar. Então, a Rede CEP procurou melhorar o edital de compras para esse macrocampo, que antes só permitia itens de tecnologia como impressoras e computadores – a Rede abriu espaço para o uso do recurso em capacitação de professores e outros gastos.

O árduo trabalho de advocacy deu bons frutos, com praticamente 50% das 10.050 escolas cadastradas no Mais Educação optando pela educomunicação. A Rede CEP conta com experiências pontuais realizadas por suas ONGs, à exceção de uma ou outra que já trabalha em escala de política pública. Ou seja, pela primeira vez o Brasil adota a educomunicação de forma ampla. O desafio agora é formar profissionais que atendam a essa demanda e também qualificar e acompanhar como as experiências têm ocorrido nas pontas, ou seja, nos ambientes escolares, com os jovens.

Para conhecer melhor a Rede CEP - Rede de Comunicação, Educação e Participação viste o site:
www.redecep.org.br.
Fonte: Educomunicador nº57 - NEC/USP

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