terça-feira, 3 de agosto de 2010

Jornais para crianças

Do site Observatório da Imprensa
Por Luciano Martins

Reportagem curiosa do correspondente da Folha de S.Paulo em Londres relata que uma editora da França está conseguindo arejar o mercado de jornais de papel com títulos dirigidos a crianças e jovens.

A Editora La Play Bac já tem três títulos de diários há cinco anos. Enquanto os jornais para adultos perdem leitores continuamente, as publicações para crianças e adolescentes mantém uma carteira estável de 150 mil assinantes em toda a França.

Le Petit Quotidien (O Pequeno Diário), dirigido a crianças de até dez anos, Mon Quotidien (Meu Diário), para crianças e adolescentes entre dez e 14 anos, e L´Actu (derivativo de "últimas notícias"), com público-alvo entre 14 e 18, são jornais compactos, de quatro a oito páginas, com muitas imagens coloridas e assuntos de interesse de seus públicos específicos.

Segundo um dos sócios da editora, entrevistado pelo repórter da Folha, os temas de cada edição são escolhidos pelos leitores. Todos os dias são levados à redação dois meninos e duas meninas, que atuam como redatores-chefes convidados. Os jornalistas propõem as pautas, eles decidem o que será publicado e os destaques. Também são os leitores que escrevem as críticas de jogos, filmes e livros.

Ler por prazer
Os donos da editora consideram que o segredo do sucesso tem sido publicar notícias para crianças e adolescentes, em vez de tentar explicar o noticiário de adultos para crianças. Além disso, seus jornais são feitos para serem lidos em dez minutos e funcionam como parte do esforço de educação das famílias.

Cada assinatura custa o equivalente a 20 por mês, a empresa fatura 18 milhões de euros por ano e 10% dos lucros vêm dos anúncios.

Comparados aos suplementos infantis e juvenis dos jornais brasileiros, os diários para meninos e adolescentes na França parecem oferecer muito mais do que as reportagens sobre comportamento, jogos eletrônicos e bandas de música que enchem o Estadinho, Folhinha e Globinho.

Perguntado pela Folha se os leitores infantis vão migrar para os jornais de adultos quando crescerem, o diretor da editora francesa foi direto: "Não, se os jornais de adultos não derem a eles o mesmo prazer de leitura".
Simples assim!

Nosso Ponto de Vista - Blog Mídia e Educação
Tivemos uma experiência linda de criar e editar um suplemento infantil em 1998. A primeira providência foi convocar um Conselho de Leitores formado por crianças de 8 a 10 anos, público desse jornal, para criticarem, opinarem, elogiarem, escreverem, serem co-editores do Clubinho (nome do suplemento).
Sempre defendemos a ideia de trabalhar com as crianças, não só para elas. O exemplo da PlayBac é apenas uma confirmação do que falo. E eu conheço pessoalmente o projeto!!! Não é uma ação nova, mas é incrível a dificuldade que veículos brasileiros possuem de criar algo parecido. Incrível a dificuldade de dar voz a crianças, adolescentes e jovens; de colocarem esse público nas páginas de jornais, chamá-los para participarem do processo que é a criação de um novo jornal, todo dia.
É essa postura que faz com que os jornais não tenham conseguido avançar tanto no público leitor mais jovem, com raras exceções. Uma pena!!!

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