terça-feira, 3 de agosto de 2010

Uma corrida frenética à totalidade do digital


Divulgamos abaixo texto do nosso colega TiagoDf, do blog Educomunicação, de Portugal, sobre a iniciativa Race Online 2012, lançada no Reino Unido. Vale a pena ler e conhecer o manifesto de inclusão inglês. Boa leitura!


"Através do boletim de literacia dos media do Ofcom fico a conhecer a iniciativa Race Online 2012, lançada este mês no Reino Unido. Apresenta-se como um "manifesto para uma nação em rede" e tem como objectivo a inclusão online dos dez milhões de pessoas no país que nunca acederam à Internet.


Até ao fim desta legislatura (a decorrer até 2015) o propósito é passar a cobrir esse quinto da população que ainda está fora do digital. Segundo o site do projecto há três motivos fundamentais para uma pessoa não estar online: falta de motivação, falta de acesso e falta de capacidades. "Então precisamos de trabalhar em conjunto para inspirar mais pessoas a experimentarem a Internet; encorajar e recompensar o uso online e ajudar aqueles que precisam".


O derradeiro objectivo é que toda a população em idade activa esteja online e que ninguém se reforme sem as capacidades adequadas para aceder à Internet.Vejamos, agora, como começa o texto do prefácio: "Os dez milhões de pessoas no Reino Unido que nunca estiveram online já estão a perder grandes poupanças em termos de consumo, acesso a informação e a educação". Esperemos que isto não seja uma ordem de prioridades, porque está construído como um anúncio publicitário a um produto aleatório.


Mais à frente encontramos isto: "Há um argumento social e moral a ser feito para nos assegurarmos que mais gente está online, mas um claro argumento económico também". A introdução do conceito de moral nesta dinâmica é, a meu ver, preocupante e repete-se ao longo dos textos. Dá-se numa mescla com o fundamental do económico e o relevo que a "literacia digital" tem enquanto "poderosa arma no combate à pobreza". Ou seja, é dado a parecer que esta iniciativa é a que vai erradicar os males socioeconómicos do país, com uma forte componente moral no desenvolvimento da mesma.


De que forma é que é imoral não ter Internet? Poder-se-á conceber que há uma escolha consciente de não a utilizar ou o futuro passa por uma obrigatoriedade nesse sentido?


Caminhamos para o estabelecimento do acesso à Internet como um direito humano (lembremos que esta semana a ONU declarou, de forma não-vinculativa, o acesso a água potável um direito humano)?' (TiagoDF - Educomunicação)

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