domingo, 12 de setembro de 2010

Mulheres que amam demais

Uma dica do jornalista e crítico de quadrinhos, Carlos Ely, que assina o blog Nona Arte, é o recém lançado "Loucas de Amor". Veja abaixo a resenha.

Por que uma mulher resolve procurar na cadeia um homem condenado por assassinatos e estupros? Que tipo de fascínio esses assassinos em série despertam sobre centenas de mulheres a ponto de se tornarem campeões em número de correspondências recebidas? O que leva uma mulher a se casar (na cadeia) com um homem que responde por 10 assassinatos e violência sexual contra outras mulheres?

Para tentar buscar respostas para estas perguntas, o jornalista Gilmar Rodrigues realizou uma pesquisa de quatro anos. Ao longo deste período ele entrevistou quase 100 pessoas, entre presos, mulheres, delegados, policiais, psiquiatras e outros personagens e buscou traçar o perfil psicológico destas mulheres. O resultado desta investigação pode ser conferido no livro “Loucas de Amor”, lançado pela Editora Ideias a Granel e na versão em quadrinhos do livro-reportagem feito em parceria com o artista Fido Nesti (um nome já respeitado no universo dos quadrinhos brasileiros).
O projeto é inédito. Pela primeira vez o mercado editorial do país faz um lançamento simultâneo em quadrinhos e leitura convencional. Uma forma ousada de levar o conteúdo da reportagem de Gilmar Rodrigues a novos públicos. A proposta do quadrinho era desvendar os bastidores da investigação jornalística. São sete histórias que se encadeiam: os tranqueiras, os jacks (modo como os assassinos sexuais são conhecidos na cadia), eu não sou Jack, o bandido uiva para a lua, anão de Ananindeua, as mulheres dos jacks, cartas marcadas de batom e querido diário. Gilmar e Fido abordam a trajetória de assassinos que alcançaram notoriedade pública, como: o maníaco do parque – Francisco de Assis Pereira e o bandido da luz vermelha – João Acácio da Costa.

Em suas entrevistas, Gilmar encontrou mulheres com alguns traços em comum: autoestima baixa, com poucas perspectivas e “problemas na formação do sentimentos”. Muitas apresentam um histórico de abandono ou abuso sexual e uma dificuldade de lidar com o sexo masculino. A maioria delas relata que são tratadas como rainhas pelos condenados... “As mulheres que se correspondem com o Maníaco do Parque dificilmente falam em sexo. Quanto mais perigoso, sanguinário e sexualmente predador, mais elas desenvolvem uma visão romântica deles”, diz Gilmar. As mulheres ouvidas pelo jornalista eram de diferentes idades e classes sociais. Algumas com pós-graduação.

Ao final, Gilmar não consegue desvendar completamente o enigma... Fica a mesma dúvida do início da sua investigação: "Essas mulheres correm o risco de se tornarem vítimas desses criminosos... na penitenciária de Itaí, no interior paulista, onde estão confinados apenas homens condenados por crime sexual, há mulheres, até casadas, que escrevem para os presos, ansiosas por um relacionamento amoroso", diz.

Um dos casos mais surpreendentes é o ocorrido com o Maníaco do Parque. “Marisa Mendes Levy, pós-graduada em História, de família judaica e classe média alta, o viu pela primeira vez na televisão, concedendo entrevista. Ela se interessou e mandou uma camiseta com alguns dizeres. Depois que ela havia desistido, o viu novamente na TV vestindo a camiseta. Ela escrevia de dois em dois dias para ele, cartas enormes", afirma Rodrigues em entrevista concedida à revista época. "Durante todo o trabalho, busquei uma razão capaz de explicar o fenômeno, explicar essa atração feminina. Em vez de encontrar duas ou três respostas diretas, elas se multiplicaram em cada caso, cada vida. Em mim sobrou uma profunda tristeza. Um retrato perturbador da solidão e da miséria humana".

Fonte: http://quadrinhos-nona-arte.blogspot.com

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