sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Por que ler e para que ler o jornal na escola?

Confiram nossa resenha do livro Por qué y para qué leer el diário en la escuela? De La prensa escrita a revista escolar, da jornalista e educadora Marcela Isaías, editado pela Homo Sapiens Ediciones, de Rosário/Argentina – 2009. Uma boa dica para quem está estudando a relação mídia-educação e, mais especificamente, jornal e educação. (Cristiane Parente)

“A ponte muitas vezes quebrada entre realidade social e cotidiano por um lado, e vivência escolar por outro, pode ser re-estabelecida a partir do uso do jornal na escola. Por exemplo, mostrando como o que se viu na televisão reaparece nos jornais, e o quão diferente pode ser o tratamento da notícia em ambos os meios.” A partir dessa afirmação que se lê logo nas primeiras páginas de “Por qué y para qué leer el diário em la escuela”, de Marcela Isaías, já é possível ter ideai do que virá a seguir.

Editado pela editora argentina Homo Sapiens Ediciones, em 2009, a publicação discute a leitura entre crianças e jovens, como estimulá-la e de que forma o jornal pode ser um aliado nessa empreitada. Isaías defende que o jornal na escola é um espaço de aprofundamento da análise dos temas da atualidade, além de proporcionar a possibilidade de comparação de diversos meios entre si e constatar que “a notícia não é uma simples informação, mas sempre construção.”

A autora vai além: “acabar com a ingenuidade que supõe os jornais simples testemunhos neutros da realidade é uma das tarefas fundamentais a realizar com o jornal na escola.” Ela defende um trabalho crítico de jornal na escola, em que alunos percebam como se dá o processo de elaboração de uma notícia e de um jornal, assim como as conseqüências de uma escolha ou de uma omissão de uma notícia. Tudo isso culminando com a criação de jornais por parte dos próprios alunos.

Marcela Isaías não esquece de citar educadores como Emília Ferrero e Paulo Freire, além de Celéstin Freinet e a importância que destacava ao lugar da imprensa na escola, do texto livre das crianças e das correspondências entre as escolas e o jornal escolar. O educador polaco Janusz Korczak, também é lembrado, já que “pensava o jornal como um recurso válido para estabelecer vinculações efetivas entre os integrantes dos asilos – crianças e idosos – e entre essas instituições e a sociedade em geral”, dá porque tenha criado em 1921 a Gazeta Escolar, uma imprensa para crianças e jovens feita por eles.

Isaías afirma que o primeiro passo que devem dar os professores que utilizam a imprensa na escola é entendê-la como meio e ensinar como funciona, para logo em seguida ensinar a lê-la no mais amplo sentido. Para ela, se uma pessoa sabe como funciona o sistema de comunicação, qual é o lugar da publicidade, como trabalha um jornalista, pode eleger o jornal e o meio que quer, aprendendo a ser mais crítico.

Isaías defende, portanto, que o uso do jornal na escola não seja meramente didático, mas que o meio seja aNegritoproveitado em sua totalidade e riqueza informativa. E aproveita para destacar que “a escola tem como tarefa adicional favorecer o acesso crítico aos meios de comunicação; uma idéia que se sustenta no direito a estar bem informados, a pensar a informação como um bem social e a receber produções de qualidade”.

SERVIÇO

Por qué y para qué leer el diário en la escuela? De La prensa escrita a revista escolar

Homo Sapiens Ediciones – Rosário/Argentina – 2009

Marcela Isaías

Marcela Isaías é jornalista especializada em educação e professora primária. Coordenou durante 15 anos o programa “El diario en el aula”, do jornal La Capital, de Rosário/Argentina.

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