quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Leitura e escola

Compartilhamos abaixo texto do querido professor Ezequiel Theodoro da Silva, da Unicamp, sobre a leitura na escola. Ela faz uam reflexão a partir de uma tirinha do cartunista Charles Schulz. Boa reflexão!

Essa tira de Charles Schulz apresenta uma crítica ao encaminhamento da leitura no âmbito da escola, ou seja, a leitura de livros seguida de redação, o que, de certa forma, afeta negativamente o processo de fruição.

Fundamentalmente, a história mostra a personagem com uma lista (implicitamente 'longa) de livros para ler e solicita um conselho a Marcia sobre o que fazer depois da leitura dos mesmos. O conselho aponta para uma redação sobre cada um dos livros lidos. E junto com essa redação acontece a contradição, ou seja, na longa tarefa de redação fazer a apreciação. Esta apreciação (gostou x não gostou) certamente será chata e negativa, o que podemos depreender do último quadro da tira.

Em outras palavras, a leitura do texto (certamente literário, pois 'em livro') se transforma em pretexto para uma tarefa didatizada, muito presente no contexto das escolas. Ao invés do ler por ler, ao invés de outras possibilidades de apreciação, como "conversas sobre as obras lidas", "dramatizações", "invenções imaginativas', etc, a escola solicita a redação. Muito provavelmente com número mínimo de linhas e elaborada a partir de alguma ficha que orienta a ação docente para avaliar o chamado "aproveitamento ou desempenho em leitura".

Em resumo, a tarefa de redação funciona, neste caso, como elemento desmotivador da leitura e, em médio ou longo prazo, pode ir aniquilando o interesse e o gosto pela leitura. Daí a necessidade de bom-senso pedagógico e, mais, de respeito à obra literária, que pede para ser recriada na fantasia, faz o trabalho de reescrita na própria imaginação do leitor e nem sempre precisa de "redação" ou atividades complementares para avaliar a sua compreensão.

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