terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Jornais abrem-se aos "pequenos" jornalistas

Compatilhamos abaixo texto do Vitor de Sousa, da Universidade do Minho, sobre duas experiências de grandes jornais europeus voltadas a crianças e adolescentes. Após o texto, publicamos matéria escrita por nós, após visita ao jornal El Mundo e conversa com Miguel Gómez Vasquez, responsável pelo projeto AULA. Boa leitura!!!

Por Vitor de Sousa
Educomunicação/ Univ. do Minho

São duas iniciativas interessantes de dois jornais diários. Uma bem fresquinha, denominada "Media Lab", inaugurada ontem , do "Jornal de Notícias" (Portugal); outra já existente há uns tempos, em Espanha, que se chama "El Pais de los Estudiantes: Periodismo en las Aulas".

JN inaugura Media Lab: espaço para "pequenos" jornalistas
O Jornal de Notícias inaugurou, este sábado, no Porto, um espaço educacional dedicado aos mais novos. No "Media Lab", os jovens poderão conhecer a história do jornal, saber como se faz o JN e tomar contacto com as diversas plataformas de informação do Jornal de Notícias.
Ver vídeo, aqui.

"El Pais de los Estudiantes: Periodismo en las Aulas"
Em Espanha, o jornal "El Pais" há já uns tempos que aposta nesta área e de uma forma aparentemente mais sofisticada e abrangente... Tem um projecto disponível em linha chamado "El Pais de los Estudiantes: Periodismo en las Aulas", em que já estão a trabalhar mais de 45 mil alunos e 7 mil professores.
Mais informação, aqui.

Por Cristiane Parente
Texto publicado no Jornal ANJ
“Quem quer se manter no futuro tem que trabalhar com crianças e adolescentes. Se não se trabalha com eles, se não há projetos para eles, não há futuro.” A frase de Miguel Gómez Vázquez (foto abaixo), redator-chefe do jornal espanhol El Mundo e responsável pelo projeto de Jornal e Educação, AULA, dá a dimensão da importância que esse público tem para o grupo.

O surgimento do AULA começou a ser desenhado em 1999, quando o diretor Pedro J. Ramirez resolveu dar um passo ousado para contornar o cenário ruim de leitura de jornais na Espanha. Enquanto a Finlândia tinha 436 leitores de jornal por 1000, a Espanha tinha apenas 102. Diante daquela realidade, a direção do jornal resolveu criar um programa que estimulasse a formação de jovens leitores. Um grupo buscou sindicatos, colégios e ministérios e por seis meses estudou o mercado e como poderia unir as demandas da educação às suas possibilidades.

Em 2001 o programa começou já grande e impressionou até mesmo a Associação Mundial de Jornais – WAN, de quem recebeu um prêmio anos depois em reconhecimento à sua ousadia. Unicef e SND também premiaram AULA por sua contribuição à educação e a qualidade de seus infográficos. Vários jornais do mundo buscaram e até hoje buscam El Mundo para conhecer melhor o projeto, cujo público é composto de adolescentes de 14 a 18 anos.

Para Miguel Gómez Vázquez quando se investe num programa de Jornal e Educação se consegue não apenas novos leitores, mas leitores fiéis, cidadãos mais informados e uma cidade com melhores índices de leitura. O erro pra ele, no caso da Espanha, é que cada jornal trabalhe de forma individual. “Se os maiores jornais espanhóis se unissem, poderíamos ter o mesmo programa, distribuindo jornais para todas as escolas do país e ainda possibilitando que os jovens pudessem fazer comparações entre os jornais, aprimorando sua leitura crítica e percebendo até mesmo as diferenças de posições políticas de cada veículo. Teríamos muito mais ganhos”, afirma.

Custos e Operacionalização
O projeto AULA custa cerca de 1,5 milhões de euros/ano, bancados por patrocinadores locais e nacionais como banco Santander, Banesto, Unicaja, Iberdrola, Caixa Galicia, entre outros. Cabe ao jornal manter a equipe composta por cerca de seis pessoas, entre jornalistas e designers, para criar o conteúdo do suplemento e do site.

A conta é simples. O exemplar da banca custa 1,20 euros e o do programa, 0,60. Soma-se o que os patrocinadores dão por ano, divide-se por 0,60 e sabe-se quanto jornal poderá ser distribuído nas escolas. Se um patrocinador local sai do programa, as escolas daquela província deixam de receber o jornal.

Além do exemplar do El Mundo distribuído diariamente (segunda a sexta) nas escolas, numa proporção de um exemplar para cada grupo de cinco alunos, o jornal também distribuía diariamente o Suplemento AULA, com oito páginas, sendo que havia um tema para cada dia da semana (até 2008).

Atualmente, o suplemento possui mais notícias de atualidades, até para facilitar uma transição para a leitura das notícias do El Mundo. E desde setembro deste ano todo conteúdo migrou para a plataforma Orbyt, da internet, cujo acesso é apenas para assinantes e escolas que possuem um código específico, diferente do endereço

http://aula.elmundo.es/portada.cfm que tinha acesso livre.

No Orbyt os estudantes têm acesso ao AULA; aos infográficos que os ajudam na escola e são um dos grandes trunfos do projeto; entrevistas que podem realizar com personalidades; atividades escolares; chats; fóruns; notícias de escolas enviadas pelos próprios estudantes; hemeroteca, entre outros tópicos.

O projeto também promove concurso de poesias, fotojornalismo, ensaios, relatos e pintura que geram um livro no final do ano e publica livros e cartilhas para auxiliar os professores a trabalhar com o jornal.

Circulação
Dos cerca de 300 mil exemplares em circulação do El Mundo, 40 mil são do programa AULA. Eles chegam a cerca de 300 mil estudantes, de quatro mil escolas e 12 mil salas de aula de 32 das 47 províncias espanholas.

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