quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

79 mil crianças de 6 anos são reprovadas

Matéria da Folha de São Paulo do dia 23 de fevereiro mostra dados do MEC conseguidos com exclusividade pelo jornal e que revelam o seguinte quadro: 79 mil crianças de 6 anos são reprovadas no país depois que essa faixa etária passou a integrar o ensino fundamental.

Veja a matéria:
79 mil crianças de 6 anos são reprovadas
Texto de Fábio Takahashi

Crianças de seis anos têm sido reprovadas no país, depois que essa faixa etária passou a integrar o ensino fundamental.

Em 2008, 79,3 mil alunos do novo primeiro ano da Educação fundamental não passaram de ano, conforme dados inéditos do MEC, obtidos pela Folha. O número representa 3,5% das matrículas dessa série.

Até 2005, o antigo primário começava aos sete anos. Uma lei daquele ano antecipou o início para os seis anos, para garantir mais anos de estudo para alunos pobres, que não tinham acesso à pré-escola. A transição terminou agora em 2010.

O Ministério da Educação quer vetar a reprovação de crianças de seis anos, pois entende que o novo primeiro ano é apenas um início de alfabetização. O temor, diz o MEC, é prejudicar uma criança tão jovem por toda a vida Escolar (pesquisas mostram que reprovação pode acarretar notas baixas e abandono).

As prefeituras, que têm autonomia, apontam diferentes explicações para os índices. Em Tremedal (BA), por exemplo, a alegação para a reprovação de 50,3% foi o fato de parte das crianças chegarem ao fundamental sem nunca terem passado por creche ou pré-escola.

"Percebemos despreparo dos professores para trabalhar essa série inicial e, por isso, investiremos em capacitação", afirma Débora Ferraz, secretária interina da Educação da cidade.

Outras explicações para os indicadores foram excesso de faltas de alunos e possível erro ao preencher o formulário. "Alguns gestores não entenderam que a alfabetização não precisa estar completa no primeiro ano. É difícil num país continental que todos compreendam da mesma maneira", disse o presidente da Undime (que representa os secretários municipais da Educação), Carlos Eduardo Sanches.

Situação "grave"
Para evitar que o problema se agrave, o MEC e o Conselho Nacional de Educação divulgarão novas diretrizes para o ensino fundamental, reforçando a indicação para que não haja reprovação aos seis anos.

"Antecipar o fracasso Escolar é grave", diz a secretária de Educação Básica do ministério, Maria Pilar Lacerda. O conselho, órgão normativo e consultivo do MEC, recebeu informações de que algumas redes transferiram a antiga primeira série, destinada a alunos de sete anos, para o novo primeiro ano.

"Talvez seja falta de preparo dos gestores, mas é um crime colocar crianças de seis anos sentadas enfileiradas, com matérias", diz o presidente da Câmara de Educação Básica do conselho, Cesar Callegari.

Nas séries destinadas às crianças de sete e oito anos de idade, as taxas de reprovação em 2008 foram, respectivamente, de 12,6% e 13,5%. O país tem uma reprovação semelhante à de países africanos.

O problema é mais grave na rede municipal, que concentra a maior parte das matrículas, onde a taxa de reprovação é mais de duas vezes maior do que na particular (dado de 2007, o mais recente detalhado por tipo de sistema).

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

A Arte de Ler


Retirei o texto abaixo do site Lector in Fabula. Fiquei com uma vontade danada de ler o livro A Arte de Ler, de Michèle Petit. Espero que você também se sinta atraído e corra para a livraria mais próxima.

"Aquele livro me deu a força necessária para enfrentar a virada decisiva de minha vida, aceitar que eu não era mais o mesmo, suportar sê-lo com meus amigos que não compartilhavam o que eu pensava e que tive que enfrentar para defender minha nova maneira de ver a vida..."

O depoimento de um jovem morador de um dos bairros mais pobres de Bogotá, na Colômbia, é apenas um entre as dezenas de testemunhos sobre a importância da literatura — tomada aqui num sentido amplo, que inclui histórias em quadrinhos e relatos orais, além dos gêneros tradicionais da poesia, do conto e do romance — na formação do sujeito, e o papel que ela desempenha em contextos de crise.

"A Arte de Ler", de Michèle Petit, editado pela Editora 34.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Livro traz o olhar das crianças de 192 países

O mundo por meio dos olhos das crianças. Pelo menos, é o que pretende mostrar o livro Art in All of Us, que reúne fotos, desenhos e poemas de crianças dos 192 países membros da Organização das Nações Unidas (ONU).

A obra é resultado de cinco anos de trabalho e do envolvimento de 18 mil crianças. Publicada por iniciativa da ONG belga que leva o mesmo nome do livro, a iniciativa traz, por meio do vasto material, informações sobre a real situação das crianças.

A ideia é incentivar o direito de toda criança à liberdade de expressão, tal como previsto pelo artigo 13 da Convenção de Direitos da Criança, cujo vigésimo aniversário foi comemorado no ano passado.

Saiba mais sobre a ONG e o trabalho clicando aqui!
As fotos são do fotógrafo belga Anthony Asael. Confira alguns trabalhos:
A ilustração de um garoto de 10 anos mostra as marges do rio Tâmisa, em Londres. Para o fotógrafo Anthony Asael, crianças se expressam melhor através de desenhos.

No poema que acompanha a foto da Grã-Bretanha, uma menina de 10 anos fala da preocupação com a obesidade: ‘Comer na loja de fish and chips… olha o que acontece, eu ganho pneus no quadril’.
‘Benin, meu país querido, país da calma democracia, país da tranquilidade e da fraternidade, país da solidariedade e da convivência’, escreve uma garota de 10 anos.

No livro, as crianças afegãs retratam a vida no interior do país. ‘Amo este país e seus campos… Amo os rios, amo os fazendeiros, amo os pastores’, escreve uma menina de 10 anos.

No Afeganistão, apenas 53% das crianças estão matriculadas no ensino fundamental, apesar de 54% da população ter menos de 18 anos.

‘Temos vulcões, temos geleiras, temos lagos, temos lava, temos cachoeiras, tudo em uma só ilha’, escreve menino islandês de 12 anos.

No Brasil, uma menina desenha como vê o país.
Fonte: RevistaPontoCom

Televisões Educativas

Congresso Internacional Alfabetização Mediática e Culturas Digitais



Nos dias 13 e 14 de maio, em Sevilla, Espanha, acontece o Congresso Internacional Alfabetização Mediática e Culturas Digitais, organizado pela Universidad de Sevilla e pela Universidad Autónoma de Barcelona.

O objetivo é propiciar um espaço de debate, reflexão e análise de iniciativas, projetos, investigacões e tendências sobre a alfabetizacão mediática na Europa e na América Latina.

Para mais informações, clique aqui!

Imperdível!!!

Educadores indicam sites infantis

Pais e professores sempre se perguntam: que sites são indicados para as crianças e jovens?

Tamanha a diversidade, realmente , às vezes, fica muito difícil fazer uma boa varredura na rede e descobrir coisas interessantes. Neste sentido, merece atenção um recente trabalho produzido pelo portal Educar para Crescer, da Editora Abril. A equipe listou uma série de sites infanto-juvenis e solicitou uma avaliação de um time de cinco educadoras. Foram indicados 33 sites, dos mais diversos gêneros e propostas.

O time de educadores foi composto por Adriana Bruno, professora da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF); Helena Cortês, professora da Faculdade de Educação da PUC-RS; Luciana Allan, diretora técnica do Instituto Crescer para a Cidadania; Maria Ângela Barbato Carneiro, professora da Faculdade de Educação da PUC-SP; e Melina Veiga, especialista em Tecnologias Interativas Aplicadas à Educação e professora do Centro Universitário UniÍtalo e de Informática do Colégio Santa Marcelina, em São Paulo.

A revistapontocom reproduz, abaixo, alguns dos sites indicados. A lista completa você acessa clicando na página do portal. Se você, leitor, conhece outros sites infanto-juvenis de qualidade e gostaria de compartilhar, escreva para nós divulgarmos também a sua indicação.

Confira:
Atividades Educativas

Reúne diversas atividades educativas para crianças e adolescentes. Aproxima-se de uma enciclopédia interativa, abordando assuntos para diferentes idades, inclusive temas relacionados à educação especial. É recomendado para todas as idades. Crianças a partir dos 9 anos podem navegar de forma autônoma e explorar bem seus recursos. Crianças menores devem ter o apoio de um adulto para ajudá-las a navegar pelo ambiente.

Club Penguin
No site da Disney , a criança assume a forma de um pinguim avatar colorido e participa de uma série de atividades. Não há anúncios publicitários de terceiros e não é preciso pagar nada para jogar, embora o acesso a algumas atividades requeira uma assinatura. O site oferece segurança para os pais, pois as crianças só podem começar a brincar depois de ter o cadastro autorizado por um adulto. Voltado para crianças de 7 a 10 anos, que já dominem a leitura.

Cocoricó
O site da série Cocoricó, da TV Cultura, é simples, colorido e educativo. Oferece jogos, pinturas para colorir, quebra-cabeças, entre outras atividades. A linguagem é simples e clara. As crianças entre os 5 e os 8 anos são as que mais aproveitarão o conteúdo do site.

Discovery Kids Brasil
Há vídeos jogos, atividades e concursos que envolvem os personagens dos desenhos animados do canal. Há também uma seção para pais, com enquete, artigos e propostas de atividades para desenvolver a motricidade das crianças. Assim como o canal, o site tem atividades para crianças de 0 a 6 anos. Mas, como há muita leitura, é importante que os pais naveguem junto com o filho.

Earth Cam for Kids
Em inglês, o site reúne imagens de câmeras espalhadas pelo mundo. Há desde câmeras em aquários e zoológicos até em escolas e universidades. Ideal para crianças e adolescentes a partir dos 10 anos que já estudam inglês.

Ecokids
Traz dicas de como preservar o meio ambiente e também exemplos de atitudes prejudiciais ao ecossistema. Os pequenos também encontram na página jogos que envolvem boas maneiras ambientais e até um espaço onde podem conhecer os elementos urbanos que compõem uma cidade. Direcionado à faixa etária da Educação Infantil e anos iniciais do Ensino Fundamental.

O Guia do estudante
O site tem dicas de cursos, faculdades e até empregos. A página, como o próprio nome diz, se propõe a ser um guia com possibilidades e alternativas de estudo, estágio e trabalho para adolescentes e jovens. Voltado para alunos do ensino médio e para aqueles que já ingressaram na faculdade.

Guia dos curiosos
De autoria do jornalista Marcelo Duarte, traz curiosidades sobre todas as áreas do conhecimento. Mais interessante para pré-adolescentes e adolescentes.

Jogos Educativos
O site reúne uma série de joguinhos que proporcionam uma interação saudável da criança com o computador. Ideal para crianças na faixa dos 5 anos.

Livro Clip
O site traz informações sobre livros, incluindo animações sobre as obras, trechos, biografia do autor e uma seção que transforma o livro em material pedagógico para uso dos professores em salas de aula do ensino fundamental, médio e superior. Adolescentes de 14 a 18 anos são os que mais aproveitarão o conteúdo do site.

Máquina de Quadrinhos
É o 1º editor online de histórias em quadrinhos do Brasil. No site, fãs de todas as idades podem criar suas próprias histórias, usando personagens, cenários, objetos e balões do universo da Turma da Mônica. As histórias são avaliadas pelos visitantes da página, e as melhores poderão até ser publicadas nas revistas da Turma da Mônica. É indicado para crianças de 4 a 12 anos.

Menino Maluquinho
Lúdico e criativo, nesse site Menino Maluquinho o foco não são os jogos. Também presentes, ficam no canal ‘Mais’, sem grande foco, apesar de educativos. No site do Menino Maluquinho, alternativas como tirinhas, frases, piadas e histórias são os principais atrativos, que atraem os mais novos com o seu design interativo. Recomendado para crianças de 7 a 11 anos.

Mosaico.Edu
O site português Mosaico.Edu tem alguns jogos relacionados às disciplinas e outros que visam desenvolver a coordenação motora por meio de jogos sem contexto disciplinar. Recomendado para crianças entre 6 e 8 anos.

Pequeno Artista
A página é um espaço aberto para crianças e pré-adolescentes enviarem pinturas, poesias e até piadas de própria autoria e participarem de concursos. No site, também há jogos educativos, dicas de livros e de filmes infantis. O site é recomendado para crianças e adolescentes na faixa dos 8 aos 12 anos.

Pintores Famosos
Conta com a biografia de 37 pintores mundialmente famosos, abordando não apenas os fatos marcantes da vida de cada um, mas principalmente como se desenvolveram suas obras, relacionando-as com outros artistas do mesmo período. Ao lado do texto, há fotos de obras que ilustram o trabalho do artista. Pode ser utilizado por crianças a partir de 8 anos, pois a linguagem é bastante simples.

QDivertido
A proposta é levar às crianças informação de qualidade e divertimento. A página tem desde artigos e contos até receitas simples que podem ser executadas pelos pequenos. Recomendado para crianças de 3 a 9 anos.

Ruth Rocha
A página da escritora Ruth Rocha , especializada em orientação educacional e literatura infantil, contém algumas atividades interativas sobre leitura. Também estão disponíveis no site as capas das obras da escritora e algumas fotos que permitem ao internauta conhecer um pouco mais sobre a vida de Ruth Rocha.O site é recomendado para crianças de 5 a 7 anos.

Só Matemática
Ótima opção para os que amam e odeiam matemática. O site Só Matemática oferece material de apoio e exercícios para os que querem treinar, se exercitar ou apenas se divertir. Há desafios, dicas, jogos matemáticos, um pouco de história e até auxílio para os vestibulandos. Pode ser usado por crianças a partir dos 6 anos e até por quem já está no ensino superior.

Unicef Kids
O site oficial do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) propõe-se a divulgar e defender os direitos da criança e do adolescente, trazendo jogos e informações sobre temas como a prevenção da AIDS, o combate à violência contra a criança, a defesa da educação escolar e da proteção da saúde. É indicado para crianças a partir dos 7 anos e pré-adolescentes.

Fonte: RevistaPontoCom

Dia Internacional da Criança no Rádio e na TV

O Dia Internacional da Criança no Rádio e na TV (ICDB), promovido há cerca de 15 anos pelo Unicef, será comemorado este ano no dia 7 de março. O tema é Todos os direitos. Todas as crianças. A ideia é aproveitar a data para comemorar o 20º aniversário da Convenção sobre os Direitos da Criança, celebrado em 2009. A exemplo dos anos anteriores, emissoras de TVs e rádios, em todo mundo, estão convidadas para, neste dia, preencherem sua programação com conteúdo realizado por, para e sobre crianças e adolescentes.

“O direito à participação e à liberdade de expressão é essencial para o desenvolvimento dos adolescentes. Ao dar voz aos mais jovens, as emissoras têm a oportunidade de fortalecer meninas e meninos em seus conhecimentos sobre os meios de comunicação. Isso mostra a outros adolescentes que eles também podem se expressar. E mostra ao mundo o que os mais jovens pensam sobre sua vida e suas comunidades”, conclama o Unicef.

Premiação
O Unicef vai premiar as emissoras de rádio e TV que melhor capturarem o espírito do ICDB. As inscrições para o prêmio serão abertas logo após a celebração, quando as emissoras poderão submeter seus programas e programação do Dia Internacional da Criança no Rádio e na TV 2010. O prazo para as inscrições será encerrado no dia 15 de junho de 2010.

A instituição vai premiar as emissoras que melhor promoverem os princípios, as propostas e o tema principal do Dia. Cada ganhador regional será convidado para ir à Nova Iorque em novembro e uma dessas emissoras de televisão e uma de rádio receberão o aclamado Prêmio Dia Internacional da Criança no Rádio e na TV.

3º Fórum Internacional Criança e Consumo

Já estão abertas as inscrições para o 3º Fórum Internacional Criança e Consumo pelo site www.forumcec.org.br. Com vagas limitadas, o evento é gratuito e será realizado de 16 a 18 de março, no Itaú Cultural, em São Paulo. O 3º Fórum vai além da discussão do consumismo na infância para debater a sustentabilidade das relações econômicas, sociais e ambientais.

O evento será dividido em três mesas de debate – Honrar a Infância, Refletir o Consumo e Brincar – e já tem a presença confirmada dos convidados internacionais Benjamin Barber, autor do “Consumido – como o mercado corrompe crianças, infantiliza os adultos e engole cidadãos” (Record), e Susan Linn, autora do livro “Crianças do consumo, a infância roubada” (Instituto Alana).

Os palestrantes nacionais também estão confirmados. No primeiro dia, falam a historiadora Mary Del Priore e Guilherme Canela, coordenador de comunicação e informação da representação da Unesco no Brasil. No segundo dia, a professora da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e autora do livro “O nome da marca” Isleide Fontenelle media a mesa do cientista político Benjamin Barber com o escritor Frei Betto e o diretor executivo do Greenpeace Brasil, Marcelo Furtado.No último dia, compõem a mesa a educadora Maria Amélia Pereira e Maria de Salete Silva, oficial de Projetos de Educação da Unicef, ao lado de Susan Linn, com a mediação de Wellington Nogueira, fundador do Doutores da Alegria.


Fonte: RevistaPontoCom

Professora da UNB critica postura do Ministério das Comunicações no caso Silvio Santos x Maísa

O que o Ministério das Comunicações se nega a ver

Por Vânia Lúcia Quintão Carneiro
Professora da UNB

O Ministério das Comunicações (Minicom) encerrou 2009 sua investigação sobre a denúncia de infração aos direitos da criança ocorrida em dois programas (10 e 17 maio 2009) do apresentador de televisão Sílvio Santos, envolvendo a menina Maisa, apresentadora-mirim de seis anos. Alegou o Ministério em seu parecer que “o estresse físico e emocional apontado pelo Ministério Público Federal foi involuntário e a desenvoltura da menina no palco ao longo do programa demonstrou que ela não se sentiu ofendida nos diálogos com Sílvio Santos” [jornal O Dia, 06/10/2009; disponível aqui, acesso em 10 jun. 2009].

Contrapondo-se a essa afirmação do Ministério das Comunicações, apresento parte de outra versão [CARNEIRO, Vânia L Quintão. "Fazer rir ... a que preço? Desrespeito e comercialização da liberdade infantil". XXXII Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação, Curitiba, 2009], em que analiso como a produção do riso pode ocultar os constrangimentos a que a que menina Maisa foi exposta ao vivo, no programa dominical Sílvio Santos, voltado à diversão de adultos, durante o período em que o quadro “Pergunte a Maisa” esteve no ar (ago. 2008 a maio 2009).

Comédia grotesca
Vale ressaltar que esse quadro com a exposição da menina foi retirado do ar por violar os direitos da criança e o seu apresentador Sílvio Santos foi acusado pelos órgãos públicos – Ministério da Justiça, Ministério Público Federal, Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente e Juizado da Infância e da Juventude de Osasco – de exploração do trabalho infantil e de submeter a criança aos graves constrangimentos morais e públicos, como os ocorridos nos dias 10 e 17 de maio de 2009 que justificaram a abertura de Inquérito Civil Público pelo Ministério Púbico Federal [Portaria nº 72 de 19 maio 2009, instauração de Inquérito Civil Público (1.34.001.004212/2009-69), Ministério Público Federal, Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão, disponível aqui, acesso em 10/06/2009].

Este artigo objetiva responder às indagações: por que estas situações constrangedoras e dolorosas para a criança conseguiram até mesmo provocar o riso? Como foram produzidas? Para responder a estas questões, analisei seis vídeos do programa, que circularam no YouTube durante a existência do quadro, incluindo tanto os que pareciam repercutir a imagem de uma menina inteligente que faz rir quanto esses dois últimos programas da menina que chora. Constatei, portanto, que os dois últimos programas simplesmente deram visibilidade à exploração da sua condição e liberdade infantil, ao tratamento de desrespeito aos seus direitos de criança, o que, de certo modo, já acontecera em programas anteriores.

Minha análise evidenciou que o mecanismo de produção do riso do qual a criança participava evocava brincadeiras infantis com bonecos de molas e de cordas sob a aparência das quais o apresentador Sílvio Santos habilmente transformava em “comédia/grotesco” qualquer situação real que a criança vivesse por mais dolorida que fosse. A seguir, apresento essa descrição analítica com relação a três vídeos dos dois últimos programas veiculados pela emissora SBT e pela internet.

“Sílvio Santos tranca Maisa dentro da mala” (10/maio/2009)

No programa do dia 10 de maio/2009, assim que três crianças bailarinas terminam a dança, Maisa se aproxima de uma mala que está aberta no meio do palco. Fica em pé dentro da mala, sem acreditar que a menina Pitu coubera nessa mala. Sílvio lhe pergunta se ela acha que alguém cabe na mala? Ela tenta deitar dentro da mala, estimulada pelo Sílvio que se aproxima e a desafia: “Quero ver você ai toda dentro da mala?” Receosa, Maisa pergunta: “Fechada?” E ele aproxima-se mais e ordena: “Entra na mala. Eu quero ver se vai conseguir”. Maisa, esperta, sai da mala e pede a uma das bailarinas para entrar. Sílvio Santos não deixa que a bailarina entre, e insiste com Maisa para que ela entre na mala como se fosse viajar com o pai e a mãe. Aproxima mais para ajudá-la a ficar completamente dentro da mala, e, de repente, sem aviso, tenta fechar a mala. Maisa se mexe incomodada e grita. Sílvio Santos, se divertindo como se tratasse de uma boneca de mola, aperta a parte superior da mala comprimindo-a para a menina não saltar, enquanto puxa o fecho para trancá-la. Irônico, comemora a “vitória” sobre a “boneca”: “Deixa ela aí que eu me livro dela, e nunca mais”. Maisa grita por socorro e Sílvio Santos ignora seus gritos. Sorrindo, o dono do baú, investido do papel de dono também da “boneca”, vai empurrando a mala e a entrega para as meninas ordenando a estas que a despachem como uma mercadoria qualquer: “Pode levar, leva embora sua mala e ela também”.

Neste mesmo programa, após haver passado pela “experiência” de ser trancafiada dentro de uma mala, ter chorado no ar pela primeira vez e de pavor, Maisa aparece no palco apreensiva e chama Sílvio Santos a um canto, para lhe confidenciar um medo e pedir-lhe que o menino de máscara não seja chamado. Sílvio Santos dissimula: “Você está com medo?”; “Alguém te bateu?” Insegura e desconfiada, Maisa começa a chorar. Silvio Santos, desrespeitando a confiança que a criança acabara de lhe depositar e ignorando o seu pedido, chama um menino que está com figurino e uma maquiagem de “monstro”. Ao ver o menino mascarado, Maisa sai chorando, apavorada.

O dono do baú, para provocar em sua audiência, o riso deste drama pessoal da menina por ele causado, sentencia que é tudo diversão/encenação e convoca todos ao riso: “Ela é muito engraçada!”; “Cadê a Maisa?” “Ela fugiu”. “Essa Maisa não tem mais jeito”. Enquanto isso, Maisa gritando “Não quero!” revela-se ser ela própria, uma criança que tem medo de máscara e pavor do menino-monstro.

Esta cena apavorante para a criança Maisa pode produzir o riso ao evocar o mecanismo da brincadeira conhecida por “caixa de surpresas”, que abriga um boneco de mola. Uma pessoa tenta tampar a caixa, mas o boneco teima, insiste em saltar fora. Quanto mais se aperta o boneco, mais alto ele pula. Essa sequencia da mala pode ser visto, segundo Bérgson [BERGSON, Henri.( 2007) O riso: ensaio sobre a significação da comicidade. São Paulo, Martins Fontes] como o “conflito entre duas obstinações, das quais uma puramente mecânica, acaba ordinariamente por ceder à outra (humana), que com isso se diverte”. No caso, a obstinação humana que vencia e se divertia era a do apresentador Sílvio Santos, mas o grave é que a outra não era a mecânica de uma boneca, não era material, nem um personagem representado por uma atriz-mirim. Era a própria menina Maisa ao vivo.

(...)
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Comunicação e Cidadania - Repensar a Crise e a Mudança

Portugal será sede, pela primeira vez, de uma conferência da International Association for Media and Communication Research.

O tema da conferência, que foi articulada com o Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade da Universidade do Minho, em Braga, será "Comunicação e Cidadania - Repensar a Crise e a Mudança".

Leia abaixo, texto de apresentação da conferência:

"Comunicação e Cidadania - Repensar a Crise e a Mudança é o tema principal que é proposto a todos os participantes na Conferência Internacional IAMCR 2010.

A aceleração da mudança e a globalização do medo e da insegurança são características do presente. A velocidade das transformações em todas as regiões do nosso volátil e hiper-complexo mundo torna cada vez mais difícil de ler a realidade social e agir de forma significativa. Num momento de profunda crise económica, cultural e moral, cidadãos, grupos e organizações não têm alternativa senão a de redescobrir como a vida individual e social pode ser vivida.

A participação na vida política e social contemporânea é um valor fundamental que é suposto ter um impacto concreto e permanente sobre a qualidade da vida das pessoas. Como um direito e um dever, espera-se que a participação melhore a sociedade. Os meios de comunicação tradicionais em todo o mundo ainda não responderam integralmente às necessidades sociais participativas. Apesar das fundadas expectativas sobre o papel dos meios de comunicação social em termos da promoção da participação, esta ainda não é satisfatória. Na maioria dos países, os meios de comunicação acabaram como promotores de governos e de grandes interesses empresariais baseados num conformista modelo de comunicação "top-down". Tirando partido das novas tecnologias, os cidadãos estão a contra-atacar. Tanto em sociedades desenvolvidas como em desenvolvimento, é possível identificar novas ideias e práticas participativas.

Afastando-nos dos discursos políticos e académicos na Internet, utópicos e distópicos, é de salientar que, em diferentes formas e contextos, os cidadãos e as instituições sociais contornam os media tradicionais e desenvolvem novas formas de participação. Embora a tecnologia de per si não seja uma variável explicativa relevante, é um elemento indispensável para compreender plenamente as mudanças significativas em termos de acesso do cidadão a conteúdos alternativos e às redes sociais. Ainda assim, ter acesso à Internet ou outras tecnologias participativas não transforma os indivíduos em cidadãos. Sem educação, não há cidadãos.

Com efeito, se a defesa do interesse público depende do funcionamento global de toda a construção mediática, a regulação estatal e profissional está longe de ser suficiente. A participação dos cidadãos - em diferentes fases e níveis - é crucial para a contínua tentativa de desenvolvimento responsável e de responsabilização da cultura mediática. Mas cidadania implica, por um lado, exigência social quanto à formação dos profissionais dos media, dos códigos deontológicos dos profissionais dos meios de comunicação, das estratégias empresariais das empresas de comunicação social e das políticas estatais e, por outro lado, de uma atitude crítica e participativa em relação aos media tradicionais e aos novos media.

Esta observação crítica, com a consequente participação só pode ocorrer se a lógica dos media forem compreensíveis e se os direitos e deveres forem do conhecimento comum. No passado, a alfabetização era uma condição necessária para se ser cidadão. Hoje em dia, leitura e escrita estão longe de ser suficientes para a plena cidadania. Os cidadãos devem ter a capacidade de interpretar discursos mediatizados sobre o mundo e devem ter o poder de agir.

Em tempo de crise económica e ética, a comunicação e a investigação sobre os media poderá desempenhar um papel fundamental no sentido de interrogar os modelos dominantes da comunicação e abrindo novos debates sobre a autonomização dos cidadãos e sobre os mecanismos participativos. Esta poderia ser a contribuição da comunicação da comunidade científica para lançar luz sobre as incertezas e impasses contemporâneos. Centrando a conferência de 2010 da IAMCR sobre a relação entre Comunicação e Cidadania convidamos investigadores, oriundos de diferentes latitudes e experiências, a desenvolver a investigação também como cidadãos. Entendemos que a organização da conferência da IAMCR em si mesmo como um acto de cidadania".

Mais informação:
http://www.iamcr2010portugal.com/content.asp?startAt=2&categoryID=1002

Depois do Carnaval

Por Cecília Meireles
Terminado o Carnaval, eis que nos encontramos com os seus melancólicos despojos: pelas ruas desertas, os pavilhões, arquibancadas e passarelas são uns tristes esqueletos de madeira; oscilam no ar farrapos de ornamentos sem sentido, magros, amarelos e encarnados, batidos pelo vento, enrodilhados em suas cordas; torres coloridas, como desmesurados brinquedos, sustentam-se de pé, intrusas, anômalas, entre as árvores e os postes. Acabou-se o artifício, desmanchou-se a mágica, volta-se à realidade.


À chamada realidade. Pois, por detrás disto que aparentamos ser, leva cada um de nós a preocupação de um desejo oculto, de uma vocação ou de um capricho que apenas o Carnaval permite que se manifestem com toda a sua força, por um ano inteiro contida.

Somos um povo muito variado e mesmo contraditório: o que para alguns parecerá defeito é, para outros, encanto. Quem diria que tantas pessoas bem comportadas, e aparentemente elegantes e finas, alimentam, durante trezentos dias do ano, o modesto sonho de serem ursos, macacos, onças, gatos e outros bichos? Quem diria que há tantas vocações para índios e escravas gregas, neste país de letrados e de liberdade?

Por outro lado, neste chamado país subdesenvolvido, quem poderia imaginar que há tantos reis e imperadores, princesas das Mil e Uma Noites, soberanos fantásticos, banhados em esplendores que, se não são propriamente das minas de Golconda, resultam, afinal, mais caros: pois se as gemas verdadeiras têm valor por toda a vida, estas, de preço não desprezível, se destinam a durar somente algumas horas.

Neste país tão avançado e liberal — segundo dizem — há milhares de corações imperiais,
milhares de sonhos profundamente comprimidos mas que explodem, no Carnaval, com suas anquinhas e casacas, cartolas e coroas, mantos roçagantes (espanejemos o adjetivo), cetros, luvas e outros acessórios.

Aliás, em matéria de reinados, vamos do Rei do Chumbo ao da Voz, passando pelo dos Cabritos e dos Parafusos: como se pode ver no catálogo telefônico. Temos impérios vários, príncipes, imperatrizes, princesas, em etiquetas de roupa e em rótulos de bebidas. É o nosso sonho de grandeza, a nossa compensação, a valorização que damos aos nossos próprios méritos…

Mas, agora que o Carnaval passou, que vamos fazer de tantos quilos de miçangas, de tantos olhos faraônicos, de tantas coroas superpostas, de tantas plumas, leques, sombrinhas…?

“Ved de quán poco valor
Son las cosas tras que andamos
Y corremos…” dizia Jorge Manrique. E no século XV! E falando de coisas de verdade!

Mas os homens gostam da ilusão. E já vão preparar o próximo Carnaval…

Fonte: Texto extraído do livro “Quatro Vozes”Editora Record - Rio de Janeiro, 1998, pág. 93. (Publicado em RevistaPontoCom)

Comissão Europeia alerta empresas de redes sociais online para o aumento de políticas de segurança

Um estudo divulgado hoje pela Comissão Europeia refere que 50% dos adolescentes europeus colocam dados pessoais na Internet, alertando para o perigo dessas informações permanecerem online e poderem ser consultadas por qualquer pessoa. A propósito do Dia da Internet Segura, que se assinala hoje, a Comissão Europeia procura divulgar a mensagem: "Pensem antes de colocar um post online!".

A Comissão Europeia reuniu, no ano transacto, 20 empresas detentoras de redes sociais online que se submeteram à iniciativa Safer Social Networking Principles. A maioria destas empresas melhoraram, diz a organização, as políticas de protecção de dados dos menores, através de uma maior facilidade de alterar os parâmetros de privacidade (bloquear e apagar utilizadores, eliminar comentários abusivos ou não desejados). No entanto, a Comissão acredita que há ainda muito para fazer. Menos de metade das companhias das redes sociais (40%) apresenta perfis de menores de 18 anos visíveis a todos os utilizadores e apenas um terço das companhias responde aos pedidos de ajuda e denúncias de conteúdos abusivos.

A próposito deste estudo, a comissária europeia para a Informação, Sociedade e Media, Viviane Reding, referiu o seguinte:
“If we want children to think before they post, social networking companies should post the right information using the right language. Last year the European Commission urged companies to act, and I am glad that many have heeded this call. However I expect all companies to do more. Minors' profiles need to be set to private by default and questions or abuse reports have to receive quick and appropriate responses. The internet is now vital to our children, and it is the responsibility of all to make it safe.”


Documento completo aqui!
Fonte: Fábio Ribeiro

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Criatividade

Campanha de chocolate na Argentina e Uruguai estimula jovens a demonstrarem seus sentimentos a partir da escrita, com sua própria letra, sem símbolos como emoticons e abreviaturas típicas da internet. Criativa e inteligente. Vi muita gente batendo foto dos cartazes espalhados em Buenos Aires e Montevideo.

Young People, ICTs and Democracy. Theories, Policies, Identities and Websites

O Nordicom, Nordic Information Centre for Media and Communication Research, acaba de lançar o livro "Young People, ICTs and Democracy. Theories, Policies, Identities and Websites". Esta nova publicação, da autoria de Tobias Olsson e Peter Dahlgren, oferece reflexões teóricas sobre o potencial cívico da Internet, análises dos interesses e desenvolvimento das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC), assim como estudos sobre as práticas diárias dos jovens na Internet.

A obra trata a retórica da Internet e as suas potenciais implicações na esfera política, no que diz respeito aos jovens. Com o uso de vocábulos como "e-geração" ou "geração messenger", este estudo analisa o eventual contributo transformador das chamadas TIC.

Algumas ideias orientadoras do livro:
"The rhetoric on the Internet and its potential implications for the sphere of politics have been especially pertinent in regard to young people. Through the use of notions such as ”the e-generation” or ”the messenger generation”, the new ICT’s supposed transformative potential has been identified and discussed. Just based on the title of this book, it might seem as if we are offering a similar approach here – speculative reflections on the significance of the Internet for young people’s engagement and participation.

However, the reader expecting discussions on how the various generations of the Web have turned the political and democratic world upside down will be disappointed. What this book offers instead are theoretical reflections on the Internet’s civic potential: analyses of policy concerns connected to its development, and elusive case studies of civic websites as well as young people’s everyday Web practices. Basically, the chapters in this book seek to analyze rather than mythologize the Internet’s political implications for young people."

Fonte: Educomunicação

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Internet e Educação

"Internet e Educação" é uma iniciativa do grupo catalão Cibernàrium, em parceria com o Gabinete de Comunicacíon y Educacíon da Universidade Autónoma de Barcelona, que se destina à formação de profissionais ligados ao ensino, no âmbito da incorporação das novas tecnologias nas salas de aula.

Ao longo de três meses, o projeto pretenderá sensibilizar para as vantagens de um conjunto de conhecimentos, ferramentas e metodologias relacionadas com a informatização do ensino.

A formação é constituída por três módulos:
1: "As TIC na escola: cria e gere um portal de formação online com o Moodle";
2: "As TIC na escola: usos educativos dos videoblogs";
3: "As TIC na escola: ferramentas para pesquisar e partilhar informação na Internet".

O Cibernàrium é um projeto de alfabetização mediática que pretende diminuir as disparidades do conhecimento digital em Barcelona. Esse grupo catalão considera que "a aplicação das tecnologias da informação no ensino é um dos desafios actuais do sistema educativo".

Fonte: Cibernarium/Educomunicação

Se o mundo tivesse 100 pessoas!!!!

O vídeo abaixo foi premiado no Festival de Cannes, em 2001.
Veja, reflita, divulgue! Trabalhe o vídeo em sua ONG, escola, associação.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Multimídia em prol da leitura

O site do LivroClip é uma proposta interessante que usa recursos multimídia para estimular a leitura.

A partir de uma animação e de trechos do livro ou um resumo do mesmo, é possível saber sobre o conteúdo daquela obra e sentir o interesse para desvendar a obra.

Há livros adultos e infantis. Com textos em português e inglês. Sem dúvida um recurso muito legal pra se trabalhar em sala de aula ou outros ambientes educativos-culturais.

Abaixo, A Metamorfose, de Kafka:


Blogando nas ondas do rádio

"Blogando nas ondas do rádio - Educomunicação e tecnologias a serviço da educação" é o nome de um blog do programa "Nas ondas do rádio" da Secretaria Municipal de Educação do Estado de São Paulo,.
Você pode acompanhar o blog ou o twitter do programa.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Ano novo???


Guia sobre educação para jornalistas e educadores

Compartilho com vocês o Guia de Referência para Cobertura Jornalística "Educação no Brasil", editado pela Agência de Notícias dos Direitos da Infância (ANDI). É ideal para jornalistas que cobrem a área de educação e também para educadores conhecerem alguns pontos sobre a educação brasileira.

Para acessar a publicação, basta clicar aqui.

Infância e Comunicação

A Agência de Notícias dos Direitos da Criança (Andi) e a Rede Andi Brasil lançaram no final de 2009 a cartilha “Infância e comunicação: uma agenda para o Brasil”.

A iniciativa é resultado de uma série de ações promovidas por organizações que tinham como objetivo estabelecer uma agenda comum de temas a serem tratados na 1ª Conferência Nacional de Comunicação e na 8ª Conferência Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, que aconteceram em dezembro de 2009, em Brasília.

O material, que conta com o apoio da Fundação Itaú Social e do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda), foi elaborado a partir da constatação sobre a necessidade de desenvolver um sistema de mídia que promova e proteja os direitos de meninos e meninas.

Assim, foram formulados dez pontos fundamentais que possam contribuir para o fomento da reflexão sobre a responsabilidade dos veículos de comunicação junto ao público infanto-juvenil. Entre eles, há aspectos de estímulo aos benefícios da relação com a mídia e de proteção aos possíveis impactos negativos.

A regulação do setor por parte do Estado – bem como a participação das empresas de comunicação e da sociedade civil – é tida como instrumento fundamental na garantia da qualidade da informação disponível a crianças e adolescentes. A política de classificação indicativa, as ações de educação para a mídia, o incentivo à programação instrutiva e diversificada e a influência da publicidade também estão entre os assuntos abordados.

Segundo a ANDI a cartilha busca promover a conscientização da sociedade sobre a importância dos conteúdos midiáticos na formação de meninos e meninas. Para ter acesso á publicação, é só clicar aqui.

Fonte: ANDI

Histórias infantis para ouvir e … navegar

“Boas histórias são capazes de navegar em qualquer formato e as crianças sabem disso” Camila Targino

Entrevista realizada por Marcus Tavares
Rádio, histórias, internet e infância. A liga parece que vem dando certo e, inclusive, sendo prestigiada. Em dezembro passado, a Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) premiou o projeto Rádio Pipoca como o Melhor Programa Infantil. Desenvolvida desde 2006, a proposta consegue aliar a linguagem do rádio, a tecnologia da internet e a fantasia da narrativa. Focada em histórias da mitologia universal, a Rádio Pipoca pode ser acessada pela web ou, ainda, via Rádio USP FM.

“Rádio Pipoca acompanha as mudanças na forma em que as pessoas, especialmente as crianças, se relacionam com a tecnologia. E busca aliar esse novo conhecimento com conteúdo de qualidade, propondo-se a resgatar o hábito de pais e filhos ouvirem histórias juntos, num ambiente sadio e divertido que combina o charme do rádio com a praticidade da internet”, destaca a apresentação do projeto.

Na última semana, a revistapontocom conversou com Camila Targino, diretora da Rádio. Ela explicou a importância do projeto e suas principais características.

Acompanhe:
revistapontocom - Qual é a proposta da Rádio Pipoca? De onde surgiu a ideia?
Camila Targino - O programa começou a ser desenvolvido em 2006, por iniciativa da Flamma, produtora de conteúdo infantil de São Paulo, que identificou a necessidade de um espaço seguro na web que aproximasse as famílias em vez de afastá-las. A opção por contar histórias de mitologia veio da crença de que tanto o ato de ouvir histórias quanto os valores presentes na mitologia universal são atemporais. Não temos conhecimento de outras experiências na mesma linha da Rádio Pipoca.

revistapontocom - Qual tem sido a resposta do público? Há muitos acessos?
Camila Targino - Muito positivo. As crianças deixam mensagens no site e também ouvimos comentários de pais e educadores falando sobre filhos e alunos que curtem as histórias. O número de acessos até o momento está acima dos dez mil. Acreditamos que, com mais divulgação do site e dos prêmios e o reconhecimento que ele vem recebendo, este número certamente crescerá rapidamente.

revistapontocom - Quem mais acessa os programas: os pais ou as crianças?
Camila Targino - Acredito que ambos, mas é muito comum as crianças chegarem ao site por meio da indicação dos adultos. Houve um comentário de um pai que acessa o site, ouve e decora a história para recontá-la aos filhos.

revistapontocom - Rádio, histórias, internet e infância… é uma liga que dá certo?
Camila Targino - Com certeza! Boas histórias são capazes de navegar em qualquer formato e as crianças sabem disso.

revistapontocom - Qual é a linha editorial da rádio, na escolha das histórias?
Camila Targino - Procuramos histórias pouco conhecidas pelo grande público que tragam mensagens positivas e que possam ser contadas de maneira divertida. Buscamos valorizar o que cada cultura tem de diferente, mas também demonstrar como povos diferentes contam histórias muito semelhantes, mudando apenas nomes de personagens e outros elementos culturais específicos. Para nós também é importante que o conteúdo agrade às crianças e aos pais, pois queremos vê-los juntos na frente do computador (e não afastados como tem ocorrido frequentemente). Desde 2007, já foram produzidas 53 histórias. O programa é veiculado também, desde 2009, na USP FM 93,7 às segundas, quartas e sextas, em dois horários: 9:30 e 15:30. E as histórias ilustradas estão disponíveis no www.radiopipoca.com.br.
revistapontocom - Quais são os desafios da rádio?
Camila Targino - Encontrar mais histórias de mitologia dentro da nossa linha editorial e descobrir o modelo de negócio que também torne o projeto um sucesso como empreendimento.

revistapontocom - O prêmio da APCA…
Camila Targino - É um reconhecimento bem-vindo e uma surpresa muito agradável! Esperamos que com o prêmio a Rádio Pipoca se torne mais conhecida pelo público.

Fonte: RevistaPontoCom

Televisão ainda é a mídia mais acessada pelos jovens americanos

O boom de celulares, iPods e sites como o YouTube entre crianças e adolescen- tes impulsiona uma mudança no modo como esse público vê TV: eles consomem mais conteúdo produzido para a televisão, mas ficam menos diante do televisor. A afirmação é da Kaiser Family Foundation, que acaba de divulgar a pesquisa Generation M2 - Media in lives of 8 to 18 years old. O levantamento ouviu 2.002 americanos, na faixa etária dos oito aos 18 anos.

Apesar de o conteúdo de televisão ser o mais consumido dentre as opções de entretenimento (são 4h29 diárias, 38 minutos a mais do que em 1999), pela primeira vez na década, o tempo diante do televisor caiu: são 25 minutos a menos em dez anos (3h04 em 2009 contra 2h39 em 1999). Um dos motivos é o fato de os aparelhos portáteis ganharem mais espaço: 20% do consumo total (2h07) acontece em celulares, iPods e vídeo games portáteis.Segundo o estudo, 59% dos entrevistados assistem aos programas de TV do jeito “clássico”, ou seja, no televisor no horário em que são transmitidos, e 41% usam também outros aparelhos para ver o conteúdo televisivo. 71% dos jovens têm televisores em seus quartos.

Generation M2 mostra que a televisão é, portanto, ainda a mídia mais consumida pelos jovens americanos. Logo depois aparecem: música (2h31 diárias), computador (1h29 diária), videogame (1h31 diária), impressos (38 minutos diários) e filmes (25 minutos diários).

Esta é a terceira pesquisa – nos mesmos moldes – que a instituição faz. A primeira foi realizada em 1999 e a segunda, em 2004. De 1999 para 2009, o tempo que os jovens ficam expostos à mídia cresceu em 2h12. Crianças e jovens na faixa dos oito aos dez anos passam, em média por dia, 7h51 com a mídia. Os que têm entre 11 e 14 anos, 11h53. Já os mais velhos, dos 15 aos 18 anos, 11h23.

Outros resultados:
- O percentual de crianças e adolescentes com celular passou de 39% em 2004 para 66% em 2009. Os jovens passam 49 minutos por dia usando o celular para ouvir música, jogar ou ver TV. O celular é usado por 33 minutos por dia para falar com amigos e outras pessoas.

- A posse de iPods e outros players de MP3 subiu de 18% para 76% entre as crianças.

- A TV ainda é o meio que domina - o consumo é de 4 horas e 29 minutos por dia. São 38 minutos a mais do que há cinco anos.- 59% dos entrevistados disseram que seu consumo diário de TV envolve estar diante de um televisor tradicional assistindo à programação no momento em que ela é transmitida pelas emissoras. Mas 41% responderam que também vêem programas através de DVRs, vêem conteúdo de TV na internet, assistem a DVDs e vêem vídeos em aparelhos móveis.

- A multitarefa é um fenômeno que permite às crianças e jovens condensar o consumo de mídia - as 7 horas e 38 minutos diárias de mídia equivalem, na verdade, a 10 horas e 45 minutos porque mais de um meio é utilizado simultaneamente.

- Além da TV, também são populares entre as crianças a música (2 horas e 31 minutos diários), o computador (1 hora e 29 minutos) e os videogames (1 hora e 13 minutos). Por outro lado, a mídia impressa é consumida por apenas 38 minutos por dia.

- Quando estão online, os jovens passam 22 minutos em média por dia em sites de rede social. 74% dos pré-adolescentes informaram já ter criado seus perfis em sites de rede social. Na internet, a garotada também passa um bom tempo jogando (17 minutos em media por dia) ou visitando sites de video (15 minutos/dia em média).

Para ver um vídeo sobre a pesquisa basta acessar:
Video: Profiles of Generation M(2) - Kaiser Family Foundation

Fonte: Revista PontoCom