terça-feira, 30 de março de 2010

Nova revista científica: MERJ "Media Education Research Journal"

A editora britânica Auteur acaba de anunciar a publicação, já esta Primavera, da MERJ - Media Education Research Journal, uma revista científica semestral, com peer review, dirigida por Richard Berger (Centre for Excellence in Media Practice, Bournemouth University) e Julian McDougall (Newman University College, Birmingham).

A investigação sobre educação e pedagogia dos media, realizada por investigadores, professores e outros agentes será o foco desta nova publicação, a segunda a aparecer nos próximos meses, depois do anúncio de uma em Itália, da responsabilidade da MED - Associação Italiana de Educação para os Media.

Além de artigos no formato convencional a nova publicação admite textos mais curtos que dêem conta de investigações em curso e, além das recensões, aceita igualmente notas sobre materiais online e relatos críticos de conferências, colóquios, etc.Entre os temas a valorizar, destacam-se os seguintes:
* Action research with Media students
* The relationship between theory and practice
* Assessing media learning
* The categorisation and assessment of creativity and originality
* The employability discourse
* How media literacy and media education relate
* Media learning practices in 'Media 2.0'
* The Media teacher as researcher; and the academic as practitioner
* The boundaries of media education and within media education
* Pedagogy related to specific learning contexts (eg 14-19 diploma, 'reframing literacy' in primary education, production-based University learning) or progression between learning contexts.
Mais informação: AQUI.

Fonte: Manuel Pinto/Educomunicação

Media Literacy

O OFCOM, entidade reguladora dos media digitais e audiovisuais do Reino Unido acaba de divulgar mais um estudo sobre a literacia relativamente aos media por parte dos mais pequenos e também dos seus pais e encarregados de educação.

Para acessar o documento clique aqui. E os anexos, aqui.

Sumário:A quarter of children aged 8-12 who use the internet at home say they have a profile on Facebook, Bebo or MySpace, new Ofcom research revealed today. These sites have a minimum user age of 13.But 83 per cent of these children have their profile set so that it can only be seen by friends, and 4 per cent have a profile that can't be seen. Nine in ten parents of these children who are aware that their child visits social networking sites (93 per cent) also say that they check what their child is doing on these types of sites. However one in six (17 per cent) parents of this group are not aware that their child visits social networking sites.Ofcom’s annual Children’s Media Literacy Audit provides an overview of media literacy among children and young people and their parents and carers.

Lucille

Grave bem este nome: Ludovic Debeurme.O autor francês é uma das melhores revelações da literatura em quadrinhos nos últimos anos. Seu livro “Lucille”, lançado em 2007, foi escolhido com uma das obras essenciais do maior festival de quadrinhos no mundo (o Salão de Angoulême).

Lucille tem uma força narrativa e uma expressividade que o coloca como um dos mais importantes comic books já publicados, ao lado de outras obras de referência, como: Maus, Um Contrato com Deus ou Persépolis.

A história conta a trajetória de dois personagens imensamente complexos: Lucille e Arthur. Ela é uma adolescente anoréxica que sofre com a perda da autoestima e uma relação conflituosa com a mãe. Ele é um garoto desajustado, filho de um marinheiro alcoólatra e que vive rodeado de conflitos. Os dois formam um casal improvável, mas verdadeiro e intenso. Por mais estranho que possa parecer, é para Arthur que Lucille consegue se expor. Ao mesmo tempo, é pela magra e frágil menina que o adolescente se apaixona.

Os dois parecem náufragos agarrados à última bóia salva-vidas: o pai de Arthur, se suicida deixando para o menino a responsabilidade de cuidar da família. Lucille é internada para tratar o baixo peso. O mundo desmorona e um só tem ao outro para se apoiar.

No aspecto gráfico, é impossível ler “Lucille” e não lembrar de outro romance gráfico lançado no ano passado pela Companhia das Letras: “Umbigo sem Fundo”, do americano Dash Shaw. Ludovic usa a página com maestria. Seu traço é minimalista, mas intenso. Com poucas linhas ele consegue recriar toda a atmosfera que envolve o mundo de Lucille e Arthur. Um cenário rude, pobre, desolado...

O primeiro volume do livro (com mais de 500 páginas) ainda não foi lançado no Brasil. Esperamos que, à reboque de lançamentos recentes como o próprio "Umbigo sem Fundo" e "Retalhos" (comic books com mais de 600 páginas cada um), esta obra imperdível chegue ao Brasil.

Fonte: Blog Nona Arte/ Carlos Ely (http://quadrinhos-nona-arte.blogspot.com)

segunda-feira, 29 de março de 2010

Conae: financiamento marca abertura

Começou oficialmente neste domingo, 28/3, em Brasília, a Conferência Nacional de Educação (Conae), cujo tema é "Construindo um Sistema Nacional Articulado de Educação: Plano Nacional de Educação, suas Diretrizes e Estratégias de Ação". Durante a cerimônia de abertura, o ministro da Educação, Fernando Haddad, defendeu a necessidade de que o próximo Plano Nacional de Educação (PNE) tenha metas quantitativas, qualitativas e a definição de meios, sobretudo financeiros, para que as propostas sejam cumpridas. "Quantidade e qualidade devem andar juntos no PNE", afirmou.

A expectativa é de que cerca de 3 mil pessoas participem da Conferência Nacional, que acontece até o dia 1º de abril. As discussões e debates que ocorrerão nesses cinco dias culminarão em diretrizes que devem subsidiar a elaboração do próximo PNE para o período de 2011 a 2020.

Além do tema central, seis eixos estarão presentes na Conae, são eles: papel do Estado na garantia do direito à educação de qualidade: organização e regulação da educação nacional; qualidade da Educação, gestão democrática e avaliação; democratização do acesso, permanência e sucesso escolar; formação e valorização dos profissionais da Educação; financiamento da Educação e controle social; justiça social, Educação e trabalho: inclusão, diversidade e igualdade.

Em sua fala, o ministro Haddad fez um balanço da Educação nos últimos anos do governo Lula. Ele ressaltou a importância de que, no processo de transição de governo, o País esteja maduro o suficiente para continuar a pensar a o ensino de forma conjunta e não priorizar apenas esta ou aquela etapa do ensino. "Se quisermos levar a Educação a sério é preciso pensar desde a creche até a pós-graduação", salientou o ministro.

O presidente Lula era aguardado, mas não compareceu à cerimônia de abertura. Em seu nome, Fernando Haddad afirmou que a Educação será um dos eixos centrais do segundo Plano de Aceleração do Crescimento do governo federal, cuja divulgação está prevista para esta segunda-feira.

O ministro destacou em seu discurso as medidas que, em sua avaliação, impactaram positivamente o ensino no Brasil, como a criação do Fundeb e a aprovação do Piso Nacional do Magistério e da Emenda Constitucional 59/09, que acaba gradativamente com a Desvinculação das Receitas da União (DRU) e amplia a obrigatoriedade do ensino de 4 a 17 anos.

Financiamento será um dos principais temas de discussão.

Além de estar presente no discurso do ministro da Educação, a ampliação dos recursos destinados à área esteve presente em todas as falas de ontem. Para Francisco das Chagas, secretário executivo adjunto do MEC, o País avançou com o Fundeb e a ampliação do orçamento do MEC, mas ponderou que ainda não o suficiente. Segundo ele, é preciso avançar em relação ao Custo Aluno Qualidade inicial (CAQi) e ao investimento em relação ao percentual do PIB.

Na opinião do deputado Angelo Vanhoni (PT-PR), presidente da Comissão de Educação e Cultura da Câmara Federal, o Brasil já está maduro quanto à necessidade de que o próximo plano traga não apenas as metas, mas as fontes de recursos para torná-las concretas.

A senadora Fátima Cleide (PT-RO), presidente da Comissão de Educação, Cultura e Esportes do Senado, também defendeu a vinculação de um percentual do PIB capaz de financiar as políticas educacionais e garantir a valorização dos profissionais da área.

Em busca de uma construção participativa

Francisco das Chagas ressaltou o caráter participativo da Conae. Segundo ele, em 2009 ocorreram 1891 conferências municipais ou intermunicipais, 27 estaduais e 337 conferências livres, mobilizando cerca de 3 milhões de pessoas.

O papel do MEC na Conferência, segundo Haddad, é servir de ponte entre a vontade dos delegados eleitos para a Conae e os legisladores. "O novo PNE tem que ser muito melhor que o plano atual", afirma. O ministro espera "comprometer a classe política" e aprovar ainda em 2010 o novo plano. O grande desafio, aponta Chagas, é que o PNE seja cumprido pelo novo governo que assuma a partir do ano que vem, tornando-se efetivamente um plano de Estado.

"Não tenho dúvidas de que vamos aprovar o melhor plano de Educação para os próximos dez anos", disse Ângelo Vanhoni.

Próximas discussões

Nesta segunda-feira, o movimento Todos Pela Educação fará cobertura jornalística do painel "Construindo um Sistema Nacional Articulado de Educação: Plano Nacional de Educação, suas Diretrizes e Estratégias de Ação" e dos colóquios "Sistema Nacional de Avaliação como instrumento de qualidade e sua interface com os Planos Nacionais de Educação e os planos decenais correspondentes" e "Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE) e a Construção Coletiva de Referenciais para a Efetivação da Qualidade Social da Educação", que contará com a participação de Mozart Neves Ramos, presidente-executivo do movimento.

Fonte: Todos pela Educação

sexta-feira, 19 de março de 2010

E-learning: ¿habrá analfabetos digitales?

Matéria do Deutsche Welle / Alemanha
Autora: Daniela Siebert/ Cristina Papaleo
Editor: José Ospina Valencia

"Las computadoras y el Internet se vuelven cada vez más importantes para el aprendizaje. Sin embargo, hay muchos que todavía no cuentan con estos medios y corren peligro de convertirse en 'analfabetos digitales'.

Los tiempos en que los medios digitales eran sólo cosa de informáticos quedaron atrás hace mucho. La transmisión y el intercambio de conocimientos se realizarán en el futuro a través del ordenador y de la red, pronostican los expertos.

Pero una cosa es poseer una computadora y otra diferente es saber y poder usarla. “Estamos frente a dos problemas: la exclusión digital y el analfabetismo digital, y ambos cobran cada vez más importancia”, dice el experto británico en e-learning Graham Attwell. Para esta problemática hay dos soluciones, advierte el pedagogo, docente invitado de la Universidad de Bremen, al norte de Alemania."(...)

Para ler tudo, clique
aqui.

Fonte: Deutsche Welle

As resoluções da Conferência de Cultura no campo da comunicação

A ampliação e a melhora do serviço de internet no país e o fortalecimento das emissoras de rádio e TV do campo público foram as principais reivindicações feitas pelos delegados da II Conferência Nacional de Cultura para a área da Comunicação. Elas foram as duas propostas sobre o tema inseridas entre as trinta e duas definidas como prioridade na Conferência, que se encerrou no domingo (14/3).

Os mais de 800 delegados da Conferência entenderam que atualmente uma das principais vias de distribuição dos bens culturais – como vídeos, imagens e músicas – é a internet em alta velocidade. Por isso, o texto da proposta diz que é preciso "avançar com a formulação e implantação do Plano Nacional de Banda Larga, contemplando as instituições culturais e suas demandas por aplicação e serviços específicos".

A proposta, porém, não para por aí. Ela pede que a banda larga seja transformada em um serviço prestado em regime público. A ideia encontra vários defensores, principalmente na sociedade civil. Eles acreditam que esta é uma mudança que criaria um impacto no setor, já que, neste regime, os operadores privados ficariam sujeitos a obrigações como universalização e continuidade do serviço e controle de suas tarifas. Atualmente, apenas a telefonia fixa é assim regulada.

No entanto, o governo não tem dado sinais de que pretende fazer essa mudança no regime do serviço. Pelo menos não a um curto prazo. Dois dos principais articuladores do Plano Nacional de Banda Larga (PNBL) no Executivo deram declarações contrárias à medida. Um deles é o assessor especial da Presidência da República e coordenador do Plano, Cesar Alvarez. O outro é o secretário de Logística e Tecnologia da Informação do Ministério do Planejamento, Rogério Santanna. Este último acredita que a alteração pode gerar demora na implantação das ações do Plano, já que teriam de ser abertas licitações públicas para novas concessões para os operadores do serviço.

Diversidade cultural
A decisão sobre os pontos indefinidos no PNBL, incluindo a mudança de regime da internet em banda larga, seria tomada em fevereiro. Isso não ocorreu e a promessa é que o martelo seria batido em março, o que também não foi feito. Agora, o governo afirma que a reunião da equipe técnica com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva acontecerá em abril. Com essa demora, fica difícil prever o que será colocado em prática ainda na gestão de Lula.


A outra prioridade para o campo da Comunicação definida na Conferência de Cultura foi a regulamentação e implementação do capítulo da Comunicação Social na Constituição Federal, em especial o artigo 223, que garante a complementaridade dos sistemas público, privado e estatal.

A ideia é fortalecer as emissoras de rádio e TV do campo público, incentivando que elas promovam a diversidade cultural e regional brasileira, produzida de forma independente. Hoje, apenas 5% do que é exibido na TV comercial aberta no país pode ser considerado produção independente, segundo informação da Associação Brasileira de Produtoras Independentes de Televisão (ABPITV).

A produção regional na TV também é baixa. Um estudo realizado por este Observatório a partir da análise de 58 emissoras em onze capitais das cinco regiões do país demonstrou que apenas 10,8% do tempo veiculado é ocupado com conteúdos de origem local. O índice é bastante inferior ao percentual de 30% previsto no Projeto de Lei da ex-deputada Jandira Feghali (PcdoB-RJ) (256/1991), que visa regulamentar o dispositivo constitucional citado acima, tramitando no Congresso Nacional há 19 anos.

Conheça a pesquisa "Produção Regional na TV Aberta Brasileira".

A integrante do Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social Carolina Ribeiro acredita que a II Conferência de Cultura demonstrou que os campos da comunicação e da cultura estão conseguindo estabelecer pontes. "A diversidade cultural passa necessariamente pela discussão do papel dos meios de comunicação", diz Carolina. Para ela, a comunicação teve um reconhecimento importante na Conferência. "Tanto que a proposta de fortalecimento do campo público foi a terceira mais votada."

Plenárias setoriais
Além das trinta e duas propostas prioritárias, cada área da Cultura também elegeu suas prioridades específicas. Foram 95 definidas por plenárias setoriais, como arquitetura, circo, música, arte digital e cultura indígena. O setor do audiovisual aprovou cinco propostas, que relacionam-se diretamente com o campo da comunicação. Em uma delas, exige-se que, na TV por assinatura, se garanta os incentivos à produção nacional e independente nos canais e nos pacotes de programação em apoio ao Projeto de Lei nº 29/2007, que regula o mercado deste serviço.


"Contudo, devem ser criados novos mecanismos e instrumentos para a ampliação das cotas da inserção da produção nacional e independente, uma vez que os atuais percentuais estabelecidos no projeto são insuficientes para atender a demanda e o potencial do audiovisual brasileiro", diz o texto da resolução. O PL 29 ainda é alvo de intensas disputas no Congresso Nacional. O projeto está para entrar na pauta da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados. Depois de três anos de discussão, ele foi aprovado no órgão técnico do setor, a Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática (CCTCI) da Câmara.
Veja aqui a versão aprovada na CCTCI.

Para o diretor de cinema e vice-presidente do Conselho Nacional de Cineclubes Luiz Alberto Cassol, é importante que o PL 29 seja imediatamente levado a cabo. "Ao mesmo tempo, pode-se aumentar as possibilidades dele. A questão é o aumento da produção independente. Mas o fundamental é que ele seja aprovado", entende. Cassol acredita que o gargalo do setor ainda está na distribuição da produção, apesar de perceber um crescimento significativo em algumas modalidades de exibição, como os cineclubes. "Hoje temos 600 mapeados no país e a intenção é chegar a mais de 1.200 até o fim deste ano", diz.

Passada a Conferência, o Ministério da Cultura vai trabalhar para organizar as resoluções, observando o que diz respeito diretamente ao Governo Federal e o que necessita de uma análise do Congresso. "A garimpagem é tarefa nossa nessas duas semanas que se seguem", garante João Ribeiro, coordenador executivo da II Conferência de Cultura. Segundo ele, haverá um grupo de trabalho interno para esses encaminhamentos das resoluções.

Fonte: Reproduzido do Observatório do Direito à Comunicação e Observatório da Imprensa (Por Jacson Segundo em 18/3/2010)

Pesquisas recentes

Se você é pesquisador da área de mídia e educação, vale a pena conferir os relatórios:

FutureLab (2009) Digital participation, digital literacy, and school subjects - literature review, by Cassie Hague and Ben Williamson

Developing the home-school relationship using digital technologies - a Futurelab handbook

quarta-feira, 17 de março de 2010

Duas revistas científicas sobre educação para a mídia

Dica do professor e pesquisador Manuel Pinto, de Portugal:
Journal of Media Literacy Education: revista online, de carácter interdisciplinar, que pretende pôr em diálogo académicos, profissionais dos media e profissionais da educação. Iniciativa da National Association for Media Literacy Education (NAMLE), trabalha com uma concepção alargada de 'media literacy: media literacy education helps individuals of all ages develop habits of inquiry and skills of expression needed to become critical thinkers, effective communicators and active citizens in a world where mass media, popular culture and digital technologies play an important role for individuals and society".

Comunicar - Revista Científica, de âmbito internacional, sobre educação e comunicação e forum aberto para conhecer e compreender as novas linguagens dos media. Indexada em diversas bases de publicações científicas, existe há quase década e meia e tornou-se numa das publicações de referência na área. Cada edição trata de modo especial uma temática específica e o mais recente número é dedicado ao tema "Música y pantallas. Mediaciones en el nuevo escenario digital". O acesso aos textos é livre, mediante um registo prévio.

One Love

From the award-winning documentary, "Playing For Change: Peace Through Music", comes an incredible rendition of the legendary Bob Marley song "One Love" with Keb' Mo' and Manu Chao. This is the third video from the documentary and a follow up to the classic "Stand By Me" and the incredible "Don't Worry." Released in celebration of Bob Marley's birthday on February 6th, this tribute to the legend is performed by musicians around the world adding their part to the song as it traveled the globe. (YOU TUBE)


terça-feira, 16 de março de 2010

Definição precoce

Na França, futuro profissional é decidido na adolescência.
Disparidades no ensino médio fazem elite se perpetuar nos postos do poder.
Por Lúcia Müzell, de Paris/ Revista Educação

Não é só no Brasil que o ensino médio é encarado como um momento-chave no futuro educacional dos jovens. O lema que proclama liberdade, igualdade e fraternidade na República Francesa esconde uma realidade bem diferente para os adolescentes em vias de decidir o futuro.

Desinteresse, falta de recursos ou entrada precoce no mundo do trabalho se intensificam em um sistema no qual os menos favorecidos têm 20 vezes menos chances de conseguir um lugar de destaque em uma sociedade que, por tradição secular, perpetua as elites no poder. Na França, "menos favorecidos" são aqueles cuja renda familiar está em torno de 1.343? - valor do salário mínimo local, equivalente a R$ 3.440. Essas famílias costumam receber ajudas adicionais do governo, que podem atingir até 1.000? a mais.

O assunto vai e volta na imprensa num ritmo impressionante. Na última das polêmicas, o governo da França e as grandes écoles francesas - instituições de formação de excelência em nível superior em que 90% dos estudantes são "de família" -, se enfrentaram em torno de uma proposta do Estado segundo a qual as instituições deveriam passar a receber 30% de alunos bolsistas até 2012. Mais uma vez, sobrou para o ensino médio - chamados de estudos secundários -, cujas disparidades na qualidade foram de pronto apontadas pelos diretores de grandes écoles como a principal causa para os níveis tão baixos de admissão entre as classes baixas.

E não se pode negar que eles têm razão. Enquanto a média nacional de aprovação é de pelo menos 80% dos alunos no Baccalauréat (ou simplesmente Bac), o exame nacional obrigatório para o ingresso no ensino superior, essa porcentagem cai para 50% entre os filhos de trabalhadores.

O desafio dos liceusMas também não se pode dizer que o ensino seja ruim - longe disso. A principal lacuna se forma, na realidade, na hora de estabelecer qual o tipo de Bac os jovens de origem modesta poderão conseguir. Dependendo do histórico escolar, os estudantes não têm sequer direito de tentar os Bacs mais prestigiados, como o científico, destinado para a área de exatas, a porta de entrada inicial para as grandes écoles de engenharia, administração e comércio.

Um exemplo: Jean-Pierre, estudante de um colégio ordinário em Saint-Dennis, na periferia norte de Paris, perdeu o pai quando estava no penúltimo ano do ensino fundamental. Por conta do trauma, acabou repetindo o ano e continuou com notas baixas, porém suficientes, até o final do primeiro ciclo da escolaridade. A surpresa veio quando sua mãe foi inscrevê-lo no liceu para iniciar o ensino médio: Jean descobriu que suas notas lhe permitiam ingressar somente em um estabelecimento profissional que visa a formar para carreiras técnicas como eletricista ou padeiro, através de um Bac profissional obtido ao final dos estudos. Ou seja, a sorte de Jean-Pierre estava lançada aos 15 anos de idade.

"Minha mãe teve de implorar para que eu pudesse entrar em um liceu comum, porque o caminho profissional é praticamente sem volta", conta o jovem, que agora se prepara para as provas do Bac geral, em junho, que permitem ingressar em qualquer universidade.
"Sinceramente, não sei se teria continuado em um liceu profissional. Seria como se não tivessem servido para nada tantos anos de escola."

Nos liceus, o desafio é minimizar as disparidades em termos de exigências de estudos verificadas no cotejo entre estabelecimentos públicos e privados. Superficialmente, as diferenças não saltam aos olhos. Seja em um ou em outro, no Quartier Latin ou na periferia, os alunos dos liceus têm uma carga pesada de aulas: em média, passam seis horas por dia na classe e levam para casa o equivalente a pelo menos mais uma hora de revisão em exercícios. Nos sábados, têm ainda toda a manhã na sala de aula. A diferença é o quanto os alunos se engajam durante todo esse tempo que passam nos colégios.

Como no Brasil, a pedra que trava o sistema é o meio social onde uns e outros vivem. Nas periferias, é comum que as preocupações externas sejam muito mais determinantes do que a solução das equações de matemática: é um pai que, imigrante ilegal, está ameaçado de expulsão, um irmão que se envolveu com quem não devia, uma mãe que precisa de ajuda no pequeno negócio da família.

Dever de origem
Por conta disso, e por mais que lutem contra a maré, os professores da rede pública sabem que não podem exigir de seus alunos o mesmo empenho dos estudantes que, fechados os livros, só têm preocupações como frequentar aulas de piano ou escolher um novo aplicativo para o iPhone.

Os jovens que frequentam os colégios tradicionais trazem no seio familiar a inspiração e mesmo a obrigação de um futuro promissor, ao passo que, entre os menos favorecidos, um percurso universitário é muitas vezes um degrau inédito na história da família.

Quentin Le Gall, 15 anos, é um típico aluno da classe média alta francesa. Estuda em um dos liceus privados mais tradicionais da capital, o Stanislas, por onde passaram nomes como o ex-presidente Charles de Gaulle. Filho de pai e mãe normaliens, ou seja, que cursaram a Escola Normal Superior, o jovem teve desde sempre o destino traçado pelos pais: não lhe resta outra alternativa a não ser ingressar em uma grande école. "Estou estudando para o Bac científico e gosto bastante de física e química", explica, antes de fazer ironias sobre os jovens que escolhem os outros tipos de exames, considerados por ele como os "para os menos esforçados". Quentin suspira, e completa, olhar blasé montado no rosto: "de qualquer forma, não tenho outro caminho para seguir".

Primeiro da classe, estuda todos os dias até as 22 horas e só tem as tardes de domingo para se divertir. No seu colégio, como em tantos outros estabelecimentos privados de luxo espalhados pelo país, os alunos são obrigados a terminar os estudos com fluência em inglês e bons conhecimentos em uma terceira língua. "Eu sei que, sendo assim, o meu futuro é garantido. Ainda tenho bastante tempo para aproveitar a vida. Tenho certeza de que o esforço de agora será recompensado mais tarde", diz o garoto, que não foi autorizado pelos pais a ser fotografado pela reportagem.

"A maioria dos problemas tem raiz em uma mesma causa: o elitismo republicano das nossas escolas, a cultura da classificação e da eliminação precoce, a tolerância às desigualdades e à reprodução deste cenário. A escola francesa é muito seletiva, e desde muito cedo", analisa o sociólogo Christian Baudelot, especialista em educação e sociologia do trabalho. "O centro dos nossos problemas se situa na base do sistema: a França não soube se dotar de um verdadeiro tronco comum que consiga assegurar uma formação elevada para o pior dos alunos, que estude no pior dos colégios."

Ele critica o fato de o país estimular cada vez mais os diplomas de elite, o que traz como efeito perverso a desqualificação dos demais, de forma que só quem consegue um bom diploma alcançará uma carreira promissora. O sociólogo afirma que estudos comparativos com outros países desenvolvidos mostram que, quanto mais rico, mais massificada é a educação média de qualidade e o nível superior. "Na França, o sistema vai levando o aluno que está fora da elite ao fracasso desde muito cedo, porque a massificação do ensino superior não é vista como algo positivo."

Medo do fracasso induz à mediocridadeAlém de não contar com essa pressão familiar e da sociedade, os estudantes menos abastados são vítimas do objetivo de "repetência zero", fixado pelo governo ao longo dos últimos anos. O plano apareceu em reação aos números cada vez mais alarmantes de abandono precoce dos estudos. Em 2008, verificou-se que um a cada quatro alunos não compreendia o que era dito em aula; do total de alunos com dificuldades de aprendizagem, 84% são de origem modesta e nada menos do que 20% dos 750 mil alunos do ensino secundário estavam deixando a escola sem qualquer diploma ou qualificação. Uma pesquisa do Ministério da Educação constatou que quase todos os alunos que deixavam classes escolares achavam as aulas chatas e monótonas. Em outras palavras, desmotivação pura.

Mas ao invés de melhorar a qualidade do ensino, o resultado do plano foi uma tolerância muito maior à mediocridade estudantil, em nome da diminuição da desistência. Aos pais que têm condições e, sobretudo, visão estratégica restou matricular os filhos nos cursos de reforço escolar, que infestaram as cidades francesas a partir de 2006. "A ideologia progressista que dominava as nossas escolas foi cedendo a uma via reacionária, que acha que se vai reconquistar a motivação dos alunos por meio de mais disciplina, metas e menos integração com o mundo dos estudantes", avalia François Dubet, sociólogo da educação e especialista em marginalidade juvenil. "A consequência óbvia é que cada vez mais os alunos não querem trabalhar em classe, se tornam violentos, preferem entrar em um emprego qualquer porque acham que, trabalhando, estão aprendendo mais do que na sala de aula."

No ano passado, o governo francês aumentou o suporte escolar público para os alunos em dificuldade. Dubet pondera que a iniciativa pode ser altamente estigmatizante, e somente se torna eficaz se os professores diversificarem os métodos pedagógicos de acordo com o perfil de cada classe, de cada aluno. Ele lembra que os países que melhor se destacam nesse sentido são os que adotam, por exemplo, exercícios diferenciados entre os alunos, ao mesmo tempo em que mantém a unidade da turma. Uma forma, garante o especialista, de aumentar a motivação dos alunos que ficaram para trás e que assim poderão enxergar o próprio progresso, ao invés de só se verem afundando cada vez mais no conteúdo ensinado.

Outro caminho, conforme Dubet, seria revalorizar a via profissional dos estudos, hoje soterrada sob uma infinidade de preconceitos. "Os diplomas profissionais muitas vezes viabilizam empregos mais sólidos e bem remunerados do que os diplomas gerais. Sem contar que muito mais vale um diploma profissional do que nada."

Libertade de Imprensa é uma das principais vítimas da crise política que vive o Iran

Veja entrevista publicada no El País (Espanha), com Ali Akbar Javanfekr, diretor da agência oficial de notícias iraniana - IRNA.

ENTREVISTA: ALI AKBAR JAVANFEKR
Director de la agencia oficial de noticias iraní, IRNA
"Somos víctimas de una guerra blanda"


Con medio centenar de periodistas encarcelados, cinco diarios y una revista clausurados y otras 16 publicaciones advertidas, la libertad de prensa se presenta como una de las principales víctimas de la crisis política que vive Irán desde las elecciones presidenciales del año pasado. El hasta ahora asesor presidencial para medios de comunicación, Ali Akbar Javanfekr, acaba de ser nombrado director de Irna, la agencia oficial de noticias iraní. Este influyente periodista, que antes fue corresponsal de la propia Irna en Madrid, ha recibido a EL PAÍS para hablar del estado de la libertad de prensa en Irán.

Durante casi una hora de conversación quedó patente la enorme distancia entre lo que Occidente y las autoridades iraníes entienden por libertad de prensa. Javanfekr defendió que Irán es "una sociedad libre" y que goza de libertad de prensa. Confrontado con las limitaciones cotidianas en el acceso a Internet o las interferencias a las cadenas por satélite, achacó las medidas puntuales a la "guerra blanda" de la que Teherán dice estar siendo víctima. Muchos de sus propios colegas iraníes cuestionan esa versión.

Pregunta. Reporteros Sin Fronteras ha calificado a Irán de "la mayor cárcel para periodistas del mundo". ¿Cuál es el estado de la libertad de prensa en Irán?

Respuesta. La libertad de prensa no es algo que un Gobierno pueda dar o quitar porque está garantizada por la Constitución [iraní], donde se establece que la prensa es libre dentro del marco del interés y la seguridad nacionales. Lo que sucede es que en algunos momentos quienes aplican la ley lo hacen de forma que facilita ese ejercicio y en otros que lo dificulta.

P. ¿Y ahora en qué momento estamos?

R. Durante el primer Gobierno del presidente Ahmadineyad, hubo una aplicación más suave y ahora, en este segundo mandato, más estricta. La diferencia es en cómo se aplica la ley.

P.¿Por qué este Gobierno aplica de forma más dura la ley?

R. No se puede decir que es la posición del Gobierno. En buena medida depende de la personalidad de quien se ocupa de esa tarea. En la actualidad, el responsable, por lo que se desprende de su trabajo, es más duro. El presidente no ha cambiado.

P.¿Quién es ese responsable?

R. El viceministro de Cultura y Orientación Islámica para Asuntos de Prensa [Mohamed Ali Ramin] es el último responsable por eso a veces se tiene la idea errónea de que es la posición del Gobierno. Pero, permítame recordarle, que el presidente Ahmadineyad pidió ser criticado en una entrevista hace dos semanas. Los periodistas no debemos confundirnos sobre la posición del Gobierno. De hecho, unas recientes circulares que el viceministro envió a los periódicos, provocaron tal reacción en contra que han tenido que ser modificadas. Vivimos en una sociedad libre y las decisiones que se toman son resultado de las acciones e interacciones. Ahora estamos llegando a un punto de equilibrio.

P. El presidente pide crítica, pero luego se han cerrado cinco periódicos y una revista y otras 16 publicaciones han recibido advertencias. ¿No deja eso a los periodistas en una situación de inseguridad jurídica?

R. Algunos de nuestros medios no muestran suficiente madurez en el uso de la libertad disponible. Ese punto de equilibrio al que me refería se aplica a los medios de comunicación. Experimentamos excesos que provocan reacciones, que me parecen normales. Es eso lo que nos ayuda a llegar al equilibrio. Hace dos años el presidente Ahmadineyad tenía prevista una entrevista en la televisión iraní sobre asuntos económicos que fue finalmente cancelada. Sin embargo, al día siguiente, varios periódicos criticaron el contenido de una entrevista que no se celebró. Esos son los excesos a los que me refiero y que en última instancia dañan a los medios. Por eso digo que algunos no son lo suficientemente maduros para beneficiarse de la libertad.

P.¿En qué medio puede expresar hoy sus ideas un reformista iraní?

R. En cualquiera.

P.¿De verdad? Pero si han cerrado todos los periódicos reformistas...

R. No, aún se publican Mardomsalari, Ebtekar y otros que tienen tendencias reformistas. Y los que han sido cerrados, se trata de medidas temporales. Además, nosotros, como funcionarios, no contemplamos la prensa como un sistema de partidos. Eso sería un error. Lo mismo que si los partidos y grupos políticos basan sus actividades en los medios. No quiere decir que no puedan tener sus propios medios, pero entonces no serán medios de comunicación [sino órganos oficiales]. Los medios de comunicación tienen que ser imparciales para sacar el mayor beneficio de la libertad. Si dependen de un partido, éste dicta a los periodistas lo que tienen que escribir y el periodista tiene que ser un investigador, investigar la verdad. Me temo que en la actualidad la moda en nuestro país es la confusión, muy caótico, debido a la influencia de las corrientes políticas. Algunos individuos y líneas de pensamiento están abusando la libertad en su propio interés. Esa gente es la que ha frenado nuestra prensa por sus actuaciones.

P.¿No debería ser la opinión pública la que decidiera en qué periódicos confía?

R. No se trata de una interferencia. Ni siquiera el Gobierno interfiere en qué periódicos se cierran. Hay un Comité de Supervisión de la Prensa y sólo uno de sus siete miembros pertenece al Gobierno. El resto proceden de asociaciones profesionales, la universidad o los seminarios religiosos. Esa es la gente que decide de forma colectiva. Se acusa erróneamente al Gobierno de cerrar periódicos. El viceministro de Cultura para Asuntos de Prensa es el secretario de ese comité y ejecuta sus decisiones, por eso se piensa que es el Gobierno quien decide y ejecuta.

P. En una sociedad libre, cada uno expone sus propuestas políticas o ideológicas y el ciudadano elige las que más le gustan. Sin embargo en Irán, el acceso a Internet está cada día más limitado y el Gobierno interfiere la recepción de los canales por satélite. ¿No significa eso que está inseguro sobre los valores que defiende?

R. Tenemos una sociedad libre. La gente tiene acceso a Internet. En muchos hogares tienen acceso a Internet y a las cadenas por satélite. La cuestión para mí es a qué clase de límite o falta de él nos estamos refiriendo. Durante los acontecimientos que siguieron a las últimas elecciones, ciertos países como el Reino Unido, que dirige la BBC, o Estados Unidos, que tiene la VOA, interfirieron abiertamente en nuestros asuntos internos. Incluso la Embajada Británica en Teherán lo hizo. En consecuencia, pusieron en peligro la seguridad de nuestra gente. Así que si en algunos momentos determinados y concretos nos vimos obligados a tomar algunas medidas para garantizar la seguridad de nuestra gente frente a los planes de otras naciones, no significa que queramos limitar la libertad de nuestra sociedad. Pudo ver la respuesta popular el día del 31º aniversario de la revolución el pasado 11 de febrero.

P. Su celo lleva a que no se pueda ver ni su cadena en inglés, PressTV, ni los mensajes en Twitter del líder supremo...

R. Tal vez haya otras manos detrás de las interferencias... Pero no olvide que estamos siendo víctimas de una guerra blanda y cuando se está en guerra, se toman ciertas medidas defensivas. Creo que no necesito explicar más.

P.¿Considera que Irna debe trabajar de acuerdo con criterios periodísticos o difundir las políticas y los valores del Gobierno y el sistema islámico?

R. No hay diferencia entre los valores del Gobierno y del sistema, y estos reflejan el deseo de la gente. Por eso, la gran asistencia a las manifestaciones del 11 de febrero que le mencioné antes. Eso no significa que no vaya a prestar atención a la profesionalidad. Si Irna quiere tener éxito, debe tener una agenda y proyectos profesionales, basados en nuestros propios valores.

Fonte: El País/ ÁNGELES ESPINOSA - Teherán - 15/03/2010

'O tempo para os jornais está se esgotando' - diz o The State of The News Media

Saiu hoje (15/03) a ediçao 2010 do The State of The News Media, check up anual da mídia nos EUA. Com muitas questoes sobre o futuro e números negativos, o relatório informa que os jornais, incluindo os online, perderam 26% em receita publicitária em 2009. Nos últimos 3 anos, a perda chega a 43%.

Também marcam quedas significativas as redes de TV (-8%), as revistas (-17%), o rádio (-22%) e as emissoras locais de TV (-22%). Apenas a TV a cabo nao perdeu em receita publicitária.

O estudo, assinado pelo Pew Project for Excellence in Journalism, pergunta que progressos têm sido feitos para encontrar novas formas de financiar o jornalismo diante da "crescente evidência de que a publicidade online convencional nunca sustentará a industria".

No caso dos jornais, compara o momento atual com uma ampulheta - os investimentos ainda feitos na mídia impressa representam o tempo que resta para inventar novos modelos de receita para o negócio. Os jornais precisam encontrar um novo modelo antes que o dinheiro (tempo) acabe.

O relatório The State of The News Media é extenso, mas essencial para quem trabalha com mídia, especialmente com internet.

Fonte: BlueBus/ Texto: Elisa Araújo

segunda-feira, 15 de março de 2010

Como você acompanha a Educação do seu filho na escola?

Texto do Blog do Todos pela Educação para compartilhar:

Diversos estudos e pesquisas já comprovaram que pais que acompanham a vida escolar do filho têm mais chances de vê-lo com bom desempenho na escola. Mas qual é a melhor maneira de apoiá-lo a aprender mais? A reportagem de capa da revista Época desta semana traz algumas pistas responder a essa questão.


A matéria foi feita a partir da pesquisa “A participação dos pais na Educação dos filhos”, divulgada pelo Todos Pela Educação em novembro do ano passado. O estudo deixa claro que os brasileiros valorizam a Educação dos filhos e dizem participar das atividades escolares, mas nem sempre dão prioridade ao que é mais importante: o aprendizado.

Conferir as notas, a freqüência e a assiduidade das crianças é mais comum do que acompanhar as lições de casa, ir à escola ou conversar com os professores. “Há mais cobrança do que incentivo”, diz a reportagem, apontando ser esta uma dos principais desafios para os pais.

A revista traz exemplos de meninos e meninas que conseguiram aprender mais e passaram a tirar boas notas. Vale a pena conferir as dicas de como garantir uma boa Educação para o seu filho! http://www.todospelaeducacao.org.br/Comunicacao.aspx?action=5&mID=6415 >>

sexta-feira, 12 de março de 2010

Como se faz um livro

A Porto Editora tem disponível um vídeo sobre o processo de construção de um livro. Para além da ideia incial, o estudo gráfico, a paginação, o vídeo apresenta também os passos já no bloco gráfico, a revelação, impressão e encadernação, e armazenamento.

O vídeo pode ser visto de forma seguida ou seleccionando cada uma das partes mencionadas. A ideia é, segundo o site, dar a conhecer o trabalho que envolve a edição de um livro:

"Quando se folheia um livro, é difícil imaginar todo o trabalho e todas as dezenas de pessoas encolvidas na sua criação."

Este é um exemplo interessante e que pode ser seguido pelos jornais, por um programa de televisão, ou de rádio. Para além de promover a Educação para os Media, é também uma forma de valorizar os próprios produtos.

Fonte: Educomunicação

Ler o mundo

Ler o mundo - Affonso Romano de Sant'Anna

Tudo é leitura. Tudo é decifração. Ou não.

Ou não, porque nem sempre deciframos os sinais `a nossa frente. Ainda agora os jornais estão repetindo, a propósito das recentes eleições, “que é preciso entender o recado das urnas”. Ou seja: as urnas falam, emitem mensagens. Cartola- o sambista- dizia “ as rosas não falam, as rosas apenas exalam o perfume que roubam de ti”. Perfumes falam. E as urnas exalaram um cheiro estranho. O presidente diz que seu partido precisa tomar banho de “ cheiro de povo”. E enquanto repousava nesses feriados e tomava banho em nossas águas, ele tirou várias fotos com cheiro de povo.

Paixão de ler. Ler a paixão.

Como ler a paixão se a paixão é quem nos lê? Sim, a paixão é quando nossos inconscientes pergaminhos sofrem um desletrado terremoto. Na paixão somos lidos `a nossa revelia .O corpo é um texto. Há que saber interpretá-lo. Alguns corpos, no entanto, vêm em forma de hieroglifo, dificílimos. Ou, a incompetência é nossa, iletrados diante deles?

Quantas são as letras do alfabeto do corpo amado? Como soletrá-lo? Como sabê-lo na ponta da língua? Tem 24 letras? Quantas letras estranhas, estrangeiras nesse corpo? Como achar o ponto G na cartilha de um corpo? Quantas novas letras podem ser incorporadas nesta interminável e amorosa alfabetização? Movido pelo amor, pela paixão pode o corpo falar idiomas que antes desconhecia.

O médico até que se parece com o amante. Ele também lê o corpo. Vem daí a semiologia. Ciência da leitura dos sinais. Dos sintomas. Daí partiu Freud, para ler o interior, o invisível texto estampado no inconsciente. Então, os lacanianos todos se deliciaram jogando com as letras- a letra do corpo, o corpo da letra.

Diz-se que Marx pretendeu ler o inconsciente da história e descobrir os mecanismos que nela estavam escritos/inscritos. Portanto, um economista também lê a sociedade. Os empresários e executivos, por sua vez, se acostumaram a falar de " qualidade total". Mas seria mais apropriado falar de "leitura total". Só uma leitura não parcial, não esquizofrênica do real pode nos ajudar na produtividade dos significados. Por isto, é legítimo e instigante falar não apenas de uma "leitura da economia" , mas de algo novo e provodador a a "economia da leitura".

Não é só quem lê um livro, que lê.

Um paisagista lê a vida de maneira florida e sombreada. Fazer um jardim é reler o mundo, reordenar o texto natural. A paisagem, digamos, pode ter "sotaque", assim como tem sabor e cheiro. Por isto se fala de um jardim italiano, de um jardim francês, de um jardim inglês. E quando os jardineiros barrocos instalavam assombrosas grutas e jorros d’água entre seus canteiros estavam saudando as elipses do mistério nos extremos que são a pedra e a água, o movimento e a eternidade.

O urbanista e o arquiteto igualmente escrevem, melhor dito, inscrevem, um texto na prancheta da realidade. Traçados de avenidas podem ser absolutistas, militaristas, e o risco das ruas pode ser democrático dando expressividade `as comunidades.

Tudo é texto. Tudo é narração.

O astrônomo lê o ceu, lê a epopéia das estrelas. Ora, direis, ouvir & ler estrelas. Que estórias sublimes, suculentas, na Via Láctea. O físico lê o caos. Que epopéias o geógrafo lê nas camadas acumuladas num simples terreno. Um desfile de carnaval, por exemplo, é um texto. Por isto se fala de “samba enredo”. Enredo além da história pátria referida. A disposição das alas, as fantasias, a bateria, a comissão de frente são formas narrativas.

Uma partida de futebol é uma forma narrativa. Saber ler uma partida -este o mérito do locutor esportivo, na verdade, um leitor esportivo. Ele, como o técnico, vê coisas no texto em jogo, que só depois de lidas por ele, por nós são percebidas. Ler, então, é um jogo. Uma disputa, uma conquista de significados entre o texto e o leitor.

Paulinho da Viola dizia: ”As coisas estão no mundo eu é que preciso aprender”. Um arqueólogo lê nas ruínas a história antiga.

Não é só Scheherazade que conta estórias. Um espetáculo de dança é narração. Uma exposição de artes plásticas é narração. Tudo é narração. Até o quadro“ Branco sobre o branco” de Malevich conta uma estória.

Aparentemente ler jornal é coisa simples. Não é. A forma como o jornal é feita, a diagramação, a escolha dos títulos, das fotos e ilustrações são já um discurso. E sobre isto se poderia aplicar o que Umberto Eco disse sobre o “Finnegans Wake” de James Joyce: “ o primeiro discurso que uma obra faz o faz através da forma como é feita”.

Estamos com vários problemas de leitura hoje. Construimos sofisticadíssimos aparelhos que sabem ler. Eles nos lêem. Nos lêem,às vezes, melhor que nós mesmos. E mais: nós é que não os sabemos ler. Isto se dá não apenas com os objetos eletrônicos em casa ou com os aparelhos capazes de dizer há quantos milhões de anos viveu certa bactéria. Situação paradoxal: não sabemos ler os aparelhos que nos lêem. Analfabetismo tecnológico.

A gente vive falando mal do analfabeto. Mas o analfabeto também lê o mundo.`As vezes, sabiamente. Em nossa arrogância o desclassificamos . Mas Levi-Strauss ousou dizer que algumas sociedades iletradas eram ética e esteticamente muito sofisticadas. E penso que analfabeto é também aquele que a sociedade letrada refugou. De resto, hoje na sociedade eletrônica, quem não é de algum modo analfabeto?

Vi na fazenda de um amigo aparelhos eletrônicos, que ao tirarem leite da vaca, são capazes de ler tudo sobre a qualidade do leite, da vaca , e até (imagino) lerem o pensamento de quem está assistindo `a cena. Aparelhos sofisticadíssimos lêem o mundo e nos dão recados. A camada de ozônio está berrando um S.O.S , mas os chefes de governo, acovardados, tapam (economicamente) o ouvido. A natureza está dizendo que a água além de infecta, está acabando. Lemos a notícia e postergamos a tragédia para nossos netos.

É preciso ler, interpretar e fazer alguma coisa com a interpretação. Feiticeiros e profetas liam mensagens nas vísceras dos animais sacrificados e paredes dos palácios. Cartomantes lêem no baralho, copo d’água, búzios.Tudo é leitura. Tudo é decifração.

Ler é uma forma de escrever com mão alheia.

Minha vida daria um romance? Daria, se bem contado. Bem escrevê-lo são artes da narração. Mas só escreve bem, quem ao escrever sobre si mesmo, lê o mundo também.

Fonte: O Globo (Introdução ao livro LER O MUNDO, a sair pela Ed. Global)

quinta-feira, 11 de março de 2010

Como usar o twitter

Talvez você nem precise desta dica. Mas nunca é demais saber um pouco mais!!!!

The Millions - Para quem gosta do negócio do livro

The Millions é um site que indica tendências do mercado editorial. Para quem gosta do tema é interessante acompanhar as novidades.

Os top 10 do site em fevereiro de 2010 foram:

1 Cloud Atlas - David Mitchell

2 The Corrections - Jonathan Franzen

3 The Interrogative Mood? -Padgett Powell

4 Austerlitz - W.G. Sebald

5 Reality Hunger - David Shields

6 Let the Great World Spin - Colum McCann

7 Stoner - John Williams

8 The Mystery Guest - Gregoire Bouillier

9 Wolf Hall - Hilary Mantel

10 The Death of Ivan Ilyich and Other Stories - Leo Tolstoy

Twitterature

Você já imaginou clássicos da literatura no Twitter?
A dica da matéria é do pessoal do blog Lector in Fabula.
Dá só uma olhada aqui.

Definição de transliteracia

Defining Transliteracy Librarian by Day: "Transliteracy is the ability to read, write and interact across a range of platforms, tools and media from signing and orality through handwriting, print, TV, radio and film, to digital social networks."

Fonte: Manuel Pinto/ Educomunicação

"Nativos digitais" - uma designação apropriada?

Tom Kuntz, do New York Times, levanta dúvidas relativamente ao conceito de "nativos digitais", um conceito cunhado por Prensky, em 2001.

O motivo imediato é um texto da revista The Economist (Monitor: The net generation, unplugged ), no qual surge a pergunta: "Is it really helpful to talk about a new generation of 'digital natives' who have grown up with the internet?"

O texto desta revista reporta-se, por sua vez, a um artigo publicado em 2008 pelo British Journal of Educational Technology (The ‘digital natives’ debate: A critical review of the evidence), no qual se expressa algum distanciamento relativamente ao conceito de Prensky.Enfim, aqui ficam alguns passos de um debate em curso, que importa prosseguir.

Fonte: Manuel Pinto/ Educomunicação

domingo, 7 de março de 2010

Berlim - 2

A típica casa da antiga East Berlin pode ser vista no DDR Museum, em Berlim. Estas fotos foram tiradas lá, com intenção de divulgar o trabalho super legal que eles fazem.

Abrimos todas as gavetas e portas para compartilhar com vocês!
Sejam bem - vindos!


Móvel da sala, acima. Detalhe: Olhem o gravador!
Eu tive um desses : )


Em uma das portas do armário da sala imagens de mulheres nuas, livros e pílulas... simbolizando que a educação sexual começava cedo nas escolas em East Berlin. E o assunto não era um grande tabu. Como sexo antes do casamento era permitido a educação tratava de discutir métodos contraceptivos e aborto.

Invadimos a cozinha também!!! E olha só o que encontramos:



Um armário cheio de bilhetinhos para o Dia da Mulher!!!

Receitinhas básicas para a família, acima.
Banheiro, abaixo!



Berlim - 1

Museu da DDR (EAST Berlin), em Berlim, é uma viagem no tempo. E o mais legal é que ele é interativo. Você pode abrir os guarda-roupas, gavetas, móveis, entrar no tradicional "Trabi" (único carro que havia no lado leste), conhecer mais os costumes e histórias de uma época em que uma cidade se viu partida ao meio.

Se forem a Berlim não deixem de conhecê-lo. Fica ao lado da Berliner Dom, catedral protestante.

Abaixo, algumas fotos e comentários mais ligados à juventude. Durante a semana coloco mais informações e fotos sobre Berlim!


A maioria dos jovens em East Berlin se tornava membro do Free German Youth (FGY), criado como uma organização para a juventude em 1946, mas que na verdade acabava introduzindo os jovens no Marxismo-Leninismo. Aos 14 anos, normalmente os adolescentes já começavam a fazer parte do FGY. Em 1985 cerca de 80% dos jovens entre 14 e 25 anos eram membros. Não era obrigatório fazer parte, mas quem não estava na organização era discriminado.

Usar o jeans Levi´s era um ato de rebeldia, já que ele era usado na West Berlin, capitalista.Ele podia ser encontrado em lojas como hoje são os free shops, e eram bem caros para quem vivia no lado East.

As bandas punk começaram a aparecer, deixando o regime comunista enlouquecido. Eram conhecidos não só pela sua música selvagem, mas pelas roupas, estilo e o A pintado bem grande em suas jaquetas, representando Anarchy. O regime reagia a seu "desrespeito" perseguindo-os e prendendo-os.


Acima, alguns discos que bombaram na época!!!!