terça-feira, 29 de junho de 2010

Cúpula de Mídia: conselho jovem propõe recomendações para 2013

Seis propostas de ação para a interface entre crianças, jovens e a mídia. Este foi o principal resultado da Cúpula Mundial de Mídia para Crianças e Adolescentes, realizada em Karlstad, na Suécia.

As recomendações foram formuladas pelos integrantes do Global Youth Media Council, uma espécie de conselho jovem, representativo de 20 países, criado para ser o porta-voz do público infanto-juvenil no evento.

A ideia dos 35 integrantes do conselho é que as propostas/recomendações sejam alcançadas até o ano de 2013, quando será realizada a próxima Cúpula Mundial de Mídia, desta vez em Bali, na Indonésia. (Em 2004 a cúpula foi realizada no Rio de Janeiro)

Confira as recomendações:

  • O acesso à internet
Governos, operadoras de telefonia móvel e empresas de multimídia devem trabalhar juntos para garantir acesso gratuito à internet ou a preços acessíveis nas escolas e bibliotecas.

  • Assegurar uma navegação segura na web
Escola deve ensinar crianças e jovens sobre os perigos da web.

  • Mais espaço para crianças e jovens na tomada de decisões
Mais artigos escritos por crianças e jovens em jornais nacionais e locais.

  • Cada país deve ter um Conselho da Juventude de mídia
Para comentar sobre o conteúdo de TV para crianças.

  • Representação negativa das crianças e dos jovens nos meios de comunicação
Os meios de comunicação devem adotar diretrizes éticas.

  • Midiaeducação
Educação para a mídia deve ser parte do currículo desde tenra idade em cada país.

  • Interesse comercial X Responsabilidade social
Somente produtos relacionados com o desenvolvimento das crianças podem ser linkados com a mídia voltada para as crianças.
Existência de mais canais de TV, jornal, rádio não comerciais e de interesses de crianças e jovens.

Fonte:RevistaPontoCom

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Falas de Barbero!!!

Durante o Seminário Internacional sobre Diversidade Cultural, que aconteceu em Brasília, em junho de 2007, promovido pelo Ministério da Cultura, internautas puderam interagir via chat, por onde expressaram suas opiniões e encaminharam perguntas aos palestrantes. O professor Jesus Martin-Barbero respondeu a algumas das perguntas dos internautas.

Competências do Educador e do Comunicador - Guillermo Orozco

A entrevista abaixo, com o educador e pesquisador Guillermo Orozco foi realizada para o CD/Livro "Comunicación Digital: Competencias Profesionales y Desafíos Académicos" de la Red ICOD.
Guillermo Orozco Gómez é Doutor em Educação pela Universidade de Harvard. Catedrático de Ciêcias da Comunicacão na Universidade de Guadalajara. Coordenador do grupo de trabalho sobre estudos da recepção de ALAIC e catedrático UNESCO.


Bibliografia de cinema e educação

Marialva Monteiro, fundadora do Cineduc, preparou uma seleção de livros fundamentais para quem quer saber mais sobre cinema e educação. Reproduzimos aqui suas sugestões e comentários e sugerimos o blog Cineduc para quem estuda a relação cinema e educação!

Dos Meios às Mediações – Barbero, Jesus-Martin – Editora UFRJ, Rio de Janeiro, 1997 Comentário: Conheci os textos do Barbero nas entrevistas que deu na revista da FASE. Finalmente chegou seu livro ao Brasil. Ele é fundamental porque fala das mediações, e do receptor latino-americano. Não trata só de comunicação, mas de antropologia, sociologia, política e sociologia.

Infância, Cinema e Sociedade – Amorim Garcia, Claudia e outros (Coleção Escola de Professores) - Ravil, Rio de Janeiro, 1997
Comentário: é um livro interessante porque reúne professores e cineastas. Traz o resumo de um ciclo de debates sobre alguns filmes e questões da infância e adolescência.

A Imagem – Aumont, Jacques – Ed. Papirus, Campinas, S. Paulo, 1993
Comentário: o livro trata de questões bastante importantes, como a relação do espectador com a imagem, como a imagem representa o mundo real, etc.

Linguagem Total, uma pedagogia dos meios de comunicação – Gutierrez, Francisco – Summus Editorial, São Paulo, 1978
Comentário: este é um livro mais antigo, porém fundamental, pois foi Gutierrez quem primeiro entendeu que os métodos tradicionais de ensino não atendiam às formas massificantes e atraentes oferecidas pelos meios de comunicação.

Os Exercícios do Ver – Barbero, Jesus-Martin e Rey, German – Editora SENAC, São Paulo, 2001 Comentário: Trata da questão audiovisual em relação à televisão. É a análise de um fenômeno social e cultural importante no Brasil feita por dois grandes teóricos da comunicação na América Latina.

Sintaxe da Linguagem Visual – Dondis, Doris A. – Ed. Martins Fontes – 1999
Comentário: o livro fala que assim como a imprensa trouxe a necessidade de alfabetização, os meios de reprodução visual trazem a necessidade de uma alfabetização visual.

Pré cinema e Pós Cinemas Hereges – Machado, Arlindo – Papirus Editora, 1997
Comentário: as origens do cinema e do desejo de registrar o movimento.

Sobre Educação (Diálogos) - vol. 2 – Freire, Paulo e Guimarães, Sérgio –Ed. Paz e Terra, Rio de Janeiro, 1984
Comentário: é um livro gostoso de ler porque usa a forma de diálogo. Paulo Freire e Sergio Guimarães discutem assuntos importantes da educação, inclusive o uso dos meios de comunicação na sala de aula.

Modos de Ver – Berger, John –Livraria Martins Fontes, Ed. Ltda. São Paulo, 1987
Comentário: gosto muito deste livro. Frase do livro que sempre repito: “A vista chega antes das palavras. A criança olha e vê antes de falar”. Não é só cinema, é sobre a percepção visual em geral.

Novas Tecnologias e Educação – Kawamura, Lili - Novas Tecnologias e Educação – Ed. Ática, São Paulo, 1990
Comentário: é um livro pequeno (79 páginas), mas resume algumas políticas governamentais de educação diante da industria cultural que na realidade não funcionam.

Imagem – Cognição, Semiótica, Mídia – Santaella, Lucia e Winfried, Nöth - Ed. Iluminuras, São Paulo, 1997
Comentário: é um livro mais difícil. Mas vale para aprofundar algumas questões.

A Imagem no Ensino da Arte – Barbosa, Ana Mãe – Ed. Perspectiva – São Paulo, 1994
Comentário: é sempre bom ler o que a Ana Mae escreve. Ela não trata do cinema, mas da arte em geral. Sua metodologia triangular para leitura da obra de arte deve ser conhecida por todos os professores.

Televisão e Educação – Ferrés, Joan – Ed. Artes Médicas, Porto Alegre, 1996
Vídeo e Educação – Ferrés, Joan – Ed. Artes Médicas, Porto Alegre, 1996
Comentário: dois livros fundamentais. Ferrés escreve de maneira simples e levanta questões válidas. Sugere atividades práticas para quem trabalha com vídeo e televisão na sala de aula.

Como ver Televisão – Moran, José Manuel –Ed Paulinas, 1991
Comentário: não é um livro teórico. Traz alguns exercícios práticos que podem ajudar o professor que trabalha com os meios de comunicação.

Cinema e Educação vol 1 e 2 – Azzi, Riolando –Ed Paulinas, 1996
Comentário: é uma orientação para o uso de alguns filmes já disponíveis em vídeo. Tem de tudo: desde filmes bem comerciais como Alien, o oitavo passageiro até filmes mais “cabeça” como Lanternas Vermelhas. Parece que já saiu o 3º volume.

Tela Total, Mito – Ironias da Era do Virtual e da Imagem – Baudrillard, Jean - Ed. Sulina, Porto Alegre, 1997
Comentário: coletânea de textos publicados pelo autor em jornal sobre questões importantes ligadas ao mundo moderno e à comunicação de massa.

Cinema & Educação – Duarte, Rosália –Ed. Autêntica, Belo Horizonte, 2002.
Comentário: O livro é voltado para quem trabalha com educação audiovisual. Trata da questão do espectador como sujeito, sua leitura etc. Dá dicas para o uso do filme na sala de aula.

A Era da Comunicação – Babin, Pierre - Ed. Paulinas, São Paulo, 1989
Comentário: Pierre Babin é um padre que há muito tempo mantém cursos para quem se preocupa com os meios de comunicação e valores humanos.

Máquina e Imaginário – Machado, Arlindo – Ed. da Universidade de São Paulo (Edusp), São Paulo, 1996
Arlindo Machado fala de produção de arte e novas tecnologias. Isto significa uma decadência da arte? Para ele, não. E explica: o problema é a questão da liberdade na sociedade informatizada.


O Quarto Iconoclasmo e Outros Ensaios Hereges – Machado, Arlindo – Ed. Rios Ambiciosos/Contra Capa, Rio de Janeiro, 2001
Comentário: o livro levanta a questão de que de tempos em tempos retorna o surto do horror às imagens. Continuamos sempre com o privilégio da palavra. Pensar as imagens como um objeto complexo e pouco conhecido e estudado.

A Escola vai ao Cinema – Castro Teixeira, Inês Assunção e Miguel Lopes, José de Souza (org.) –Ed. Autêntica – Belo Horizonte, 2003
Comentário: São vários autores, cada um tecendo comentários sobre um filme. Alguns filmes discutidos: Bicho de sete cabeças (Brasil), O Jarro (Irã), Filhos do Paraíso (Irã), Central do Brasil (Brasil), Nenhum a menos (China), O Carteiro e o poeta (Itália), Adeus meninos (França) etc.

Como usar o Cinema na Sala de Aula – Napolitano, Marcos – Editora Contexto – São Paulo, 2003
Comentário: Coloca o cinema como um aprendizado, porém pouco toca nas questões específicas da linguagem cinematográfica. No entanto o livro vale pela quantidade de filmes citados e as informações que fornece sobre cada filme.

A Prática do Cinema na Favela: para uma compreensão maior da realidade - Monteiro, Marialva – em Comunicação e Classes subalternas - Cortez Editora, São Paulo, 1980
Comentário: relato de uma experiência realizada pela equipe da instituição CINEDUC – Cinema e Educação numa favela do Rio de Janeiro, utilizando a linguagem cinematográfica.

Filme e Subjetividade – Luz, Rogério – Ed. Contracapa – Rio de janeiro, 2002.
Comentário: a experiência estética e a questão do sujeito no mundo moderno. A imagem e o seu papel na constituição do sujeito. A arte como escrita.

Literatura, Cinema e Televisão – Pellegrini, Tânia e outros – Editora SENAC e Itaú Cultural, São Paulo, 2003

Literatura e Cinema – Johnson, Randal – T. A. Queiroz, Editor, São Paulo, 1982
Comentário: livro fundamental para o estudo da adaptação cinematográfica e as relações entre cinema e literatura. O estudo é preferentemente sobre o filme Macunaíma de Joaquim Pedro de Andrade e o livro de Mario de Andrade.

Linguagem Audiovisual e Educação: um (de)bate papo plausível - Monteiro, José Renato e Paula, Vera de – Revista Cinemais nº 19 - set/out de 1999
Comentário: em forma de diálogo a Educação e o Audiovisual conversam questões importantes relacionadas ao ensino e a formação do espectador.

Introdução à Teoria do Cinema – Stam, Robert – Papirus Editora, Campinas, S. Paulo, 2003
Comentário: oferece uma abrangente teoria do cinema no século XX. Também contextualiza a teoria do cinema no universo das grandes correntes histórico-filosóficas.

Obras Escolhidas: Magia e Técnica, Arte e Política – Benjamim, Walter –Editora Brasiliense, S. Paulo, 1985
Comentário: Ler preferentemente os capítulos: A Obra de Arte na Era da Reprodutibilidade Técnica e Pequena História da Fotografia - O primeiro é um dos capítulos mais citados por inúmeros autores e mais utilizado nos cursos de cinema e comunicação. Benjamim via a reprodução das obras de arte através das cópias como um processo de democratização, benéfico ao conhecimento.

A Máquina de Visão – Virilio, Paul – Ed. José Olympio, Rio de Janeiro, 1994
Comentário: a “máquina de visão” é o nosso olho ou a câmera? É disto que trata o livro. Paul Virilio é muito citado pelos teóricos de nossa era da informática.

A Imagem – Movimento – Deleuze, Gilles – Editora Brasiliense, S. Paulo, 1990.
A Imagem – Tempo – Deleuze, Gilles – Editora Brasiliense, S. Paulo, 1990Comentário: livros fundamentais para o entendimento dos conceitos de espaço e tempo no cinema. Todas as suas idéias são ilustradas com exemplos concretos citados de filmes.

Semiótica nas Mediações - Lúcia Santaella

Disponibilizo abaixo conferência de Lúcia Santaella sobre semiótica nas mediações, realizada em Vitória/ES, em 2007, durante o 3º Congresso Internacional de Semiótica. As imagens estão no YouTube e a conferência está dividida em três blocos!





Mundo digital - Lúcia Santaella

Cultura das Mídias e Educação - Lúcia Santaella

Mídia-Educação para o prof. e pesquisador italiano Pier Cesare Rivoltella (parte 1)

Programa de tv brasileiro voltado para crianças é premiado em festival internacional

“As Férias de Lord Lucas“ (foto), programa brasileiro da Besouro Filmes e da RBS TV, dirigido por Tatiana Nequete foi uam dos vencedores do festival Prix Jeunesse Internacional 2010. Além dele, outros dois programas latino-americanos também foram premiados: “Una gira diferente“, do Canal Encuentro da Argentina e “La lleva“, da Señal Colombia. Eles foram ganhadores, respectivamente, nas categorias The Next Generation Prize, In the name of UNICEF e Theme Prize.
A edição 2010 do festival teve um número recorde de inscrições, 328. Apenas cerca de 90 delas foram selecionadas como finalistas. Além disso, a presença de muitos programas que tratavam de temas delicados e de natureza complexa (existência de Deus, homossexualidade, atracodidades da guerra, ações contra a mutilação genital na África e meninas muçulmanas que falavam sobre sexualidade, por exemplo) espantou os pré-jurados.

O festival Prix Jeunesse Internacional é celebrado a cada dois anos em Munique e além de debates e oficinas reúne as principais produções audiovisuais para crianças e jovens do mundo numa mostra competitiva. A edição de 2010 teve como tema a diferença e a semelhança, numa celebração à diversidade.

Tatiana Nequete, diretora de “As Férias de Lord Lucas”, premiado no Prix Jeneusse International, direto de Munique, logo depois da premiação do dia 2 de junho:
“Estou muito feliz, a reação do público foi muito boa, mesmo. Tem um sistema de votação que o público clica e manda um ícone que é um coração pra dizer se eles gostaram do curta e o nosso era um dos que mais tinha coraçõeszinhos. Outra coisa: na categoria 7 a 11 anos, “As Férias de Lord Lucas” ficou em segundo lugar, perdemos para uma produção muito boa da BBC de Londres. Estou muito feliz pois esse é o maior festival de cinema infanto-juvenil do mundo. Agora vou ficar na Europa para fazer um curso durante dois meses. Parabéns pra todos, pra equipe, elenco, técnicos, RBS TV. Me sinto feliz de fazer parte desse momento.” (Foto Divulgação NE)

Fonte: Click RBS e Midiativa

terça-feira, 22 de junho de 2010

A comunicação na sala de aula

Compartilhamos abaixo planos de aula da coordenadora pedagógica Carla Lopes, publicados no portal Onda Jovem e na edição 8, de julho de 2007. O tema das aulas era Comunicação. A idéia de Carla era propor atividades para analisar e debater com jovens a criação do espaço cidadão e a formação de identidades na mídia.
Na época em que os planos foram publicados, ela era professora do Colégio Estadual Professor Sousa da Silveira, no Rio de Janeiro e havia desenvolvido com seus alunos o projeto “Mídia: criação do espaço cidadão e formação de identidades”, que integrava o programa político pedagógico do colégio, o “Reflexões e Debates para a Consciência Negra”.
É essa experiência que ela se propõe a compartilhar nos planos de aula abaixo, tendo também como referência o artigo “Circuitos de Acesso”, publicado na revista Onda Jovem (e escrito por nós), na edição que trata da contribuição das mídias à educação juvenil. Para Carla, na era em que vivemos, da tecnologia da informação, educadores e educandos não podem de forma alguma receber reativamente as inovações tecnológicas. “Nos cabe aprendê-las e nos empoderarmos delas, produzindo através delas resultados que atendam às necessidades locais e façam a interlocução com o espaço global.”

AULA 1

TEMAS PROPOSTOS O que é mídia? O que funciona como mídia? O que são os veículos de comunicação? Como cumprem suas funções? Que investimentos necessitam para cumprir suas funções? A “quê”/ a “quem” a mídia serve?

OBJETIVOS
- Pesquisar o significado do vocábulo no dicionário e definir o conceito de mídia.
- Identificar tudo que funciona como mídia: de simples placas e faixas artesanais, camisetas e panfletos, carro de som, passando pelas peças publicitárias até os veículos de comunicação e informação (jornais, revistas, emissoras de rádio e TV, sites na web).
- Identificar os processos de comunicação trabalhados via essas mídias: de que forma e em que escala elas atingem os públicos a que se destinam.
- Introduzir o conceito de comunicação de massa.
- Discutir a relação entre os processos de comunicação de massa, os investimentos necessários e o poder econômico.

ATIVIDADE EM SALA DE AULA
Montagem de um painel classificatório das mídias exemplificadas e seus respectivos alcances.

RECURSOS MATERIAIS
Panfletos de pequeno comércio, flyers (comunicação de eventos festivos e shows), camisetas, cartazes, bottons, adesivos, jornais comunitários, jornais de grande circulação, revistas e peças publicitárias impressas.

COMENTÁRIOS Sugiro que a atividade se inicie com a apresentação do material reunido para a aula, buscando saber o que nele os alunos classificam como mídia. Partindo da idéia de que o termo mídia é bastante difundido, é interessante saber como os alunos o definem e é necessário cotejar as respostas com o significado do vocábulo no dicionário. Com a definição do termo mídia é importante rever a classificação do material apresentado no primeiro momento da aula, podendo haver alguma revisão dela. Este é o momento para ampliar a lista dos exemplos. No exercício que fecha a atividade, proponho a confecção de um painel que relacione cada uma das mídias listadas, com seu funcionamento, seu alcance de público e comparando os investimentos necessários. Este painel baseará a discussão do conceito de comunicação de massa.

REFERÊNCIAS
Mídia e Meios de Comunicação Sociais http://www.dhnet.org.br/direitos/textos/midia/index.html
SOARES, Ismar de Oliveira. Gestão comunicativa e educação: caminhos da educomunicação in revista Comunicação & Educação. São Paulo: ECA/USP – Editora Segmento, Ano VIII, n. 23: 16 a 25, jan./abr, 2002.

AULA 2
TEMAS PROPOSTOS
A importância de discutir a mídia
Visões de mundo e implicações socioculturais
Liberdades: pensamento, opinião e expressão

OBJETIVOS
- Definir como ponto central e orientador deste conjunto de aulas as mídias jornalísticas.
- Evidenciar a influência da mídia nas esferas políticas, sociais, econômicas e nos padrões culturais e comportamentais.
- Apresentar os artigos da Declaração Universal dos Direitos Humanos e da Constituição Federal de 1988 que deixam claras as relações entre liberdade de pensamento, de opinião e expressão e a mídia.

ATIVIDADE EM SALA DE AULA
Formação de grupos para analisar os dados da Pesquisa Nacional de Amostras por Domicílio (PNAD/IBGE), os artigos da Declaração Universal dos Direitos Humanos e da Constituição Federal de 1988 para entender a importância de discutir a mídia.

RECURSOS MATERIAIS
Textos impressos

COMENTÁRIOS Alcançada a compreensão de que mídia é a designação do conjunto de meios, veículos e canais de comunicação, minha orientação neste plano de aula é focar a discussão na informação jornalística. O primeiro passo para mostrar a importância de discutir a mídia é tomar alguns dados para revelar uma situação sobre a qual já ouvimos há tempos: os meios de comunicação de massa atingem mais pessoas e por mais tempo que a escola. Mais da metade da população brasileira não ultrapassou o ensino fundamental, em quantidade menor ainda estudou mais de oito anos. Contudo, cerca de 90% da nossa população possui rádio e televisão. A circulação de informações, e também de conhecimentos, fora do âmbito escolar, via mídia, é um forte dado na sociedade brasileira, daí a importância de se compreender seu peso na formação de comportamentos, modelos de conduta e visões de mundo, com suas conseqüentes implicações socioculturais. Diante destes dados e deste panorama é um momento ideal para se tratar do valor de uma mídia livre e democrática, plural e acessível, objetivando a igualdade e o bem-estar. Isto tem ampla base em artigos da Declaração Universal dos Direitos Humanos e da Constituição Brasileira de 1988, que asseguram o direito a uma mídia democrática. É importante evitar qualquer simplificação do debate sobre a mídia, fugindo do dualismo “bem versus mal” e buscando o entendimento que a comunicação serve sim a vários interesses e que é sobre seu processo que deve haver uma leitura crítica, contando que crítica não é simplesmente uma valoração negativa e sim o exame e a análise criteriosa.

REFERÊNCIAS
Constituição Federal Brasileira de 1988 . Capítulo dos Direitos e Deveres Individuais e Coletivos (art. 5º) . Capítulo da Comunicação Social (art. 220)
Declaração Universal dos Direitos Humanos – ONU (artigos XVIII e XIX) http://www.mj.gov.br/sedh/ct/legis_intern/ddh_bib_inter_universal.htm
Pesquisa Nacional de Amostras por Domicílio (PNAD/IBGE) – Tabelas (Capítulo 3: Educação / Capítulo 6: Domicílios)
http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/trabalhoerendimento/pnad2005/default.shtm
AULA 3

TEMAS PROPOSTOS
Processo comunicativo: produção, veiculação, recepção, percepção e uso das mensagens. Jornalismo: função, dimensão do trabalho na formação de opinião, objetividade, imparcialidade e ética.
OBJETIVOS
- Compreender o processo de produção jornalístico: as fontes, a reportagem, a apuração dos fatos e pesquisas históricas, a redação, a fotografia, a editoria, a redação final e a diagramação. - Entender a função do jornalista e suas dimensões.
- Distinguir tipologias/gênero de textos e linguagens: textos informativos, textos de opinião, textos de publicidade, textos literários e textos de entretenimento.
- Evidenciar a necessidade do gosto pela língua portuguesa e do desenvolvimento de habilidades de leitura, interpretação de texto e escrita.
- Discutir o uso social dos discursos dos meios de comunicação e sua apreensão pelo público.

ATIVIDADES EM SALA DE AULA
Análise e identificação da composição dos jornais. Análise e identificação da composição dos textos jornalísticos.

RECURSOS MATERIAIS
Exemplares de jornais de grande, médio e pequeno porte.

COMENTÁRIOS
O ponto inicial desta aula trabalha com exemplares de jornais para que os alunos entendam a sua composição desde a primeira página até os classificados e a sua organização empresarial. Sugiro que a turma seja dividida em grupos de no máximo cinco alunos para que a atividade seja bem realizada. O interesse é que façam uma análise do conteúdo e da forma: . Que notícias estão destacadas na primeira página? Que notícia tem a maior matéria? Que notícia tem mais matérias, artigos e editoriais? Que notícia está coberta com a maior foto ou com mais fotos? Que notícias têm charges? Que notícias têm os menores espaços? . Quais cadernos compõem os jornais? Que áreas de informação e conhecimento cobrem (política, economia, negócios, esportes, policial)? Que cadernos têm áreas específicas de interesse (cultura e artes, moda, saúde, informática, TV, bairro)? Quais áreas da informação e do conhecimento têm cobertura diária e quais áreas têm publicação periódica? Nestes jornais devem ser identificados os cargos e as funções das direções, das áreas executivas, das editorias e das redações e devem ser contados os jornalistas e fotógrafos que assinam as matérias, para se ter uma idéia da organização, do conjunto e da quantidade de profissionais envolvidos. Trabalhando com as notícias de mais destaque que tenham matérias jornalísticas, fotografias, infográficos, artigos, editoriais e charges, o professor pode distinguir os tipos (tipologia ou gênero) de textos jornalísticos: textos informativos e textos de opinião e ainda apontar outros tipos também presentes nos jornais, como textos literários, textos de entretenimento e textos de publicidade, para pedir que os alunos os identifiquem nos exemplares com que estão trabalhando. Tendo visto o jornal na sua grande forma e organização, creio que as atenções devem ser levadas para a matéria-prima dele, a notícia, e para o seu processamento: a cobertura do fato e sua apuração, as pesquisas de informação em variados tipos de fontes documentais, a redação da matéria, a análise e a orientação editorial, a redação final e a diagramação com a imagem fotográfica. Entendido este processo de trabalho, pode ser proposta a reflexão sobre como, partindo do mesmo fato, notícias diferentes, diversas e até antagônicas chegam ao público? Dando seqüência nesta reflexão pode ser proposta a discussão sobre o trabalho do jornalista e suas dimensões. Para finalizar a aula de forma encadeada, trabalhando com as matérias selecionadas e abrindo as questões sobre a recepção e a percepção das informações pelos alunos, sugiro que uma série de perguntas como as que seguem sejam feita para os grupos: . O título é condizente com o conteúdo e o desenvolvimento da matéria? . O texto jornalístico relata fatos ou se compõe também com as opiniões do autor? . Como os indivíduos relacionados aos fatos daquelas matérias e suas comunidades foram tratados e devem ter sido impactados pelas notícias? . Como pensam que a sociedade como um todo está se posicionando diante daquelas notícias?

REFERÊNCIAS
FARACO, Carlos Alberto. Português: língua e cultura, ensino médio, volume único. Curitiba: Base Editora, 2003.
MARTINS, Eduardo Lopes. Manual de redação e estilo de O Estado de São Paulo, 3 ed, ver. e amp. São Paulo: O Estado de São Paulo/Editora Moderna, 1997.
OLIVEIRA, Dennis. Fronteiras do jornalismo no espaço midiático: A real dimensão da função ideológica da informação jornalística Revista PJ:BR, São Paulo: ECA/USP, Edição 05, 1o. sem., 2005 http://www.eca.usp.br/pjbr/arquivos/especial5_e.htm R
ROSSI, Clóvis. O que é jornalismo. São Paulo: Brasiliense,2000.

AULA 4
TEMAS PROPOSTOS
Organização e comunicação comunitária.
Protagonismo popular e participação cidadã.
Afirmação identitária e ideológica.
Veículos de comunicação com interesses segmentados.

OBJETIVOS
- Promover uma ampla discussão com questões para se entender a identificação dos indivíduos e de suas comunidades com os veículos de informação: . O que na(s) mídia(s) jornalística(s) expressa realidades vividas por você? . Os meios de comunicação podem ser meios de desinformação? Se realmente podem, como isto se dá? . Você confia nas informações veiculadas pela mídia? . Por que você acha que "notícias ruins" têm grande ênfase na mídia? Como acredita que isto funciona socialmente? . Você acha que todo cidadão pode desempenhar as atividades jornalísticas? Se cidadãos organizados produzirem um veículo de informação, acredita que este terá credibilidade?
- Apresentar as possibilidades de produção de informação fora dos grandes veículos.

ATIVIDADES EM SALA DE AULA
Leitura e interpretação de textos

ATIVIDADE EXTRA-CLASSE
Elaboração e montagem de jornal mural RECURSOS

MATERIAIS
Textos impressos Exemplares de jornais comunitários e segmentados

COMENTÁRIOS
Esta aula deve ser orientada para uma ampla discussão sobre a identificação dos alunos e suas comunidades com os veículos de informação: jornais, rádios, TVs, web sites, blogs e outros veículos que venham a ser listados. A proposta é levar os alunos a identificarem que, para além dos veículos de comunicação de massa, existe a produção de veículos de comunicação pela iniciativa de grupos sociais que não se vêem representados, bem como seus interesses, ou ainda, que desejam ser apresentados por si próprios e não sob a visão de outros. Feita esta identificação vale perguntar: por que estes grupos sociais têm esta necessidade? Distribua entre os alunos os exemplares de jornais comunitários e segmentados e solicite que façam um quadro comparativo entre os tipos de abordagem que eles apresentam e os contidos nos jornais de grande circulação. Estes grupos de comunicadores podem estar reunidos por várias razões: ideologia política, gênero, etnia, por gostos e modismos, por interesses comunitários e experiências comuns. É importante frisar que a busca por expressão própria e independente tem longa data e devem ser citados exemplos, como o do jornal "O Homem de Cor" fundado em 1833, primeira iniciativa da imprensa afrobrasileira. Para buscar a compreensão da significância da produção, vale a pergunta: podem-se resgatar informações factuais, compreender momentos políticos, entender contextos sociais através destes veículos? De posse do quadro comparativo entre os jornais comunitários e segmentados e os grandes jornais, sugiro que seja lançado o “desafio” para a elaboração de um jornal mural sobre a comunidade escolar. Caberá ao professor, com os conhecimentos da Aula 3, orientar a formação de dois grupos com a estrutura básica para a produção jornalística. A sugestão de ter dois grupos intenciona vivenciar as possibilidades que os mesmos fatos possam ser reportados de duas maneiras diferentes, com desenvolvimentos e ênfases particulares a cada grupo e gerar opiniões diversas.

Obs. 1: A indicação de um jornal mural é neste plano de aula uma maneira de equalizar esta experiência entre muitas realidades diferentes no que tange ao acesso a recursos. E ainda que os grupos de trabalho disponham de recursos melhores e mais sofisticados para a produção final, o jornal mural poderá ser encarado como uma experiência matriz para o trabalho em qualquer outro suporte tecnológico.
Obs. 2: A experiência proposta é muito viva e acredito que envolverá os alunos com grande estímulo e poderá ser finalizada de duas formas a partir da avaliação dos resultados pela turma: unificar os grupos para a produção de um trabalho final conjunto; manter-se os dois grupos com produções distintas.

REFERÊNCIAS
“Com câmeras na mão, indígenas lutam para manter tradição” (Agência Reuters) http://www.direitoacomunicacao.org.br/novo/content.php?option=com_content&task=view&id=982&Itemid=912
FACULDADES INTEGRADAS HÉLIO ALONSO – Núcleo de Educação e Comunicação Comunitária / NECC – Revista Comunicação & Comunidade (depot) http://facha.edu.br/necc/revista.htm
FOERST, Gerda Margit Schütz. A IMAGEM E IDENTIDADE: um estudo sobre a construção da visibilidade de negros e mulheres em imagens artísticas e na mídia www.fazendogenero7.ufsc.br/artigos/G/Gerda_Foerste_35.pdf
“Grande imprensa perde espaço para cidadão-jornalista” (Agência BBC Brasil) www.milenio.com.br/milenio/noticias/ntc.asp?Cod=867 GRUMIN http://www.grumin.org.br/
MARQUES, José Reinaldo. Jornalismo na prática - A luta para continuar independente (2/9/2005) http://www.abi.org.br/primeirapagina.asp?id=1164
PERUZZO, Cicilia M. Krohling. Comunicação comunitária e educação para a cidadania http://www2.metodista.br/unesco/PCLA/revista13/artigos%2013-3.htm
_______. Webjornalismo: do Hipertexto e da Interatividade ao Cidadão Jornalista http://www.versoereverso.unisinos.br/index.php?e=1&s=9&a=3
PINTO, Ana Flávia Magalhães. A imprensa negra no Brasil - momentos iniciais http://www.irohin.org.br/ref/inegra/20060530_01.htm
SANTOS, Cíntia Amária. O processo de alimentação da imprensa interiorana e a grande imprensa nacional. Revista PJ:BR, São Paulo: ECA/USP, Edição 05, 1o. sem., 2005 http://www.eca.usp.br/pjbr/arquivos/dossie5_d.htm

AULA 5
TEMAS PROPOSTOS
Tecnologias de informação e comunicação Inclusão digital X exclusão social

OBJETIVOS
- Discutir a utilização dos equipamentos e facilidades tecnológicas como ferramentas de suporte a geração de conteúdos.
- Discutir o desenvolvimento de políticas que priorizem a utilização destes meios e não apenas o seu fornecimento.
- Discutir a importância de criar, planejar e implementar projetos que proporcionem oportunidades de indivíduos formarem e integrarem cadeias criativas e produtivas, promovendo caminhos autônomos e emancipadores.
- Desmistificar a forma de produção de informação e conhecimento em suportes tecnológicos como mais valorosos do que outras.

ATIVIDADE EM SALA DE AULA
Leitura crítica da letra da música “Pela Internet” (de Gilberto Gil)

RECURSOS MATERIAIS
Textos impressos

COMENTÁRIOS
A passagem do conhecimento foi e é vital para a sobrevivência e a evolução humana. A comunicação é a via de passagem do conhecimento: o gesto, a palavra e a escrita, em uma evolução crescente de linguagens. Sugiro no início desta aula listar com os alunos quais inovações tecnológicas foram usadas, a partir da criação da escrita, para a difusão de informação e conhecimento. Suportes de pedra e de tecido já foram grandes inovações que possibilitaram armazenar e circular informação e conhecimento. Há tempos existe um grande debate sobre o uso de tecnologias de comunicação no processo educacional, os tópicos eram o rádio e a TV. Educação e tecnologia sempre andaram de mãos dadas. Tecnologias são produtos de saberes. Em moto perpétuo alavancam a produção de mais saberes e estes a criação de novas tecnologias. Em um exercício rápido o professor junto com os alunos pode encadear um exemplo deste moto perpétuo. Este debate hoje atualizado fala sobre as tecnologias de informação, acrescentando no processo educacional: produção audiovisual (rádio e TV), computadores conectados à Internet, produção interativa e colaborativa. A Educação é responsabilidade do Estado com seus cidadãos e uma prioridade global. É indicadora de cidadania e fator de competitividade. Agora, no Brasil, antigas carências do sistema educacional encontram-se com urgentes demandas de modernização dos seus processos pelas tecnologias de informação. Por diversos fatores a tecnologia de informação tem grande apelo, e assim, um conjunto de políticas públicas de Educação, com recursos privados e governamentais, movendo-se com significativos esforços têm equipado escolas com computadores com acesso à Internet, com estúdios de rádio e com câmeras e sistema de edição de vídeo, ações que são conhecidas como Inclusão Digital, que estão no âmbito da Inclusão Social, que no seu panorama geral é trabalhada com Saúde, Educação, Emprego e Moradia. Sugiro que os alunos sejam convidados a opinar no que o acesso a tais equipamentos e recursos melhorou, está melhorando ou poderá melhorar efetivamente seu aprendizado escolar, suas possibilidades de colocação no mercado de trabalho e sua relação comunitária. Continuando com o estímulo às manifestações, sugiro que seja desenhado o quadro da realidade escolar local, com suas carências em ordem de prioridades para busca de soluções e de que maneira a Inclusão Digital contribui, ou pode vir a contribuir, para ações transformadoras, educacionais e sociais. Tomando a música “Pela Internet” de Gilberto Gil, para canto e interpretação do texto da letra, sugiro que se proponha a reflexão sobre em que medida as políticas de Inclusão Digital estão preparando os alunos para criarem caminhos autônomos e emancipatórios e se relacionarem com cadeias criativas e produtivas.

REFERÊNCIAS
LOFY, Willian. Inclusão Digital X Analfabetismo http://www.direitonet.com.br/artigos/x/20/25/2025/
NAZARENO, Cláudio (e outros). Tecnologias da informação e sociedade: o panorama brasileiro. Brasília: Câmara dos Deputados, 2007 http://www.camara.gov.br/internet/infdoc/Publicacoes/html/ pdf/tecnologia_info.pdf PARENTE, Cristiane. Circuitos de acesso. In revista Onda Jovem, Ano III, n. 8, julho-2007.

AULA 6
TEMAS PROPOSTOS
Democratização da mídia: participação cidadã
Sustentabilidade

OBJETIVOS
Apresentar para a comunidade escolar o Jornal Mural elaborado pelos alunos

RECURSOS MATERIAIS
Espaço em que se possam acomodar alunos, professores, funcionários e convidados.

COMENTÁRIOS
Os alunos deverão mobilizar a comunidade escolar para a apresentação do resultado da experiência de produção do Jornal Mural. Os integrantes da equipe do Jornal Mural deverão relatar suas experiências, explicando as suas funções e tarefas e as fases de trabalho necessárias para a produção, de modo a deixar claro para todos na escola o processo de concepção e gestão do seu veículo. Será importante o professor alertar aos alunos, neste momento de lançamento, que tenham o entendimento de que um veículo de comunicação vive dos seus leitores, ouvintes e expectadores, assim sendo esta pode ser a ocasião de se criar a essencial relação entre a comunidade escolar e o jornal, o que pode ser feito com o estabelecimento da simpática seção de cartas, como espaço para a publicação das manifestações dos leitores. Na mesma linha de relacionamento com o público, conforme a maturidade que a equipe revelar, poderá ser criado o cargo de ombudsman, membro da equipe do veículo de comunicação que é responsável por receber dos leitores críticas, queixas e denúncias de erros, desvios e abusos e investigá-los, respondendo de forma independente no próprio veículo. A continuidade do trabalho, sua consistência, a conquista e a fidelização de leitores podem apontar para um crescimento do jornal e propiciar aos alunos uma visão de empreendimento, para o qual eles terão que buscar a sustentabilidade, o que vai requerer que eles planilhem suas ocupações de tempo e necessidades de recursos materiais e elaborem um plano de negócios para fazerem a captação de apoios institucionais e/ou financeiros.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

A Flor Mais Grande Do Mundo

Em homenagem ao escrito português José Saramago, que faleceu este mês (junho/2010) nosso blog publica uma animação baseada em história infantil do escritor!

Quadrinhos serão usados para discutir sexualidade em escola

Histórias em quadrinhos sobre temas ligados à sexualidade chegarão nas próximas semanas a escolas públicas de todo o país.

A iniciativa é do governo federal e da Unesco (braço da Organização das Nações Unidas para educação e cultura).

São seis gibis, voltados a alunos de 13 a 24 anos, que trazem entre os personagens um gay, um jovem homofóbico, uma adolescente grávida e outra com HIV.

As histórias mostram, por exemplo, as tensões de um adolescente que assume sua homossexualidade e casos de aborto e gravidez precoce.

Um dos ilustradores dos gibis é Eddy Barrows, desenhista do "Superman".

Segundo o governo, o objetivo do material é discutir direitos sexuais com uma linguagem próxima dos jovens. O ministro José Gomes Temporão afirmou que o governo tirou vários "véus" que estão "cobrindo a realidade". "Tem muito preconceito, muita intolerância e muito cinismo", afirmou.

As publicações procuram usar termos informais. "Pra mim todo homem tem um desejo escondido por outros homens", diz um jovem homossexual. "Também não vamos exagerar, né mano... Isso também é preconceito", pondera um amigo.

Em outras passagens, porém, as situações soam artificiais. Em uma delas, um garoto diz que quer montar um grupo para falar sobre álcool e outras drogas. Um colega comenta: "Cara, que ideia legal! Podemos até chamar os pais para discutir sobre beber em casa, na frente das crianças, e antes de dirigir".

Fonte: Folha de São Paulo (18/06/2010)

Digital/ Media Literacy

"After looking over several models and definitions of digital / media literacy, including the overly complicated graphic above, it seems clear that the phrases "digital literacy" and "media literacy" have become nearly synonymous. I tend to think of digital literacy as more device oriented, like being able to operate a smart phone, and media literacy as being able to decipher the messages -- textual, audio, video, etc. -- delivered through such devices. But the literature I read recently about the concepts doesn't seem to back such simple delineation (maybe I should make my argument in this matter). In fact, I think the scholarship muddies the pool from many different directions, making any distinctions between the two terms virtually meaningless. So maybe it would be more worthwhile to spend energy envisioning different levels of digital/media literacy, starting with a base level and an advanced level. (...)".
Brett Oppegaard

Continuar a ler o post: AQUI

Fonte: http://brettoppegaard.blogspot.com/2010/06/digital-or-media-literacy.html/ Dica do professor Manuel Pinto

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Como detectar mentiras e manter a verdade: conhecimento de mídias e cida...

Como manter a segurança no YouTube

Google oferece workshops de alfabetização digital

As iniciativas do Google não param e uma das mais recentes diz respeito à alfabetização digital. O projeto intitula-se "Digital Literacy Tour" e consta de um conjunto de workshops que compreendem, cada um, um vídeo, um manual do professor, um manual do aluno e uma proposta de apresentação na aula.
Os temas tratados são os seguintes:
  • Detecting Lies and Staying True
  • Playing and Staying Safe Online
  • Steering Clear of Cyber Tricks

Fonte: Educomunicação

terça-feira, 15 de junho de 2010

Cùpula Mundial de Mídia para Crianças e Adolescentes acontece na Suécia


Até 18 de junho acontece em Karlstad, na Suécia, a Cúpula Mundial de Mídia para Crianças e Adolescentes, que reúne experts, profissionais e pesquisadores do mundo todo na área de infância, adolescência, política e mídia.

Várias organizações mundiais participarão do evento, como a Signis (Associação Católica Mundial para a Comunicação), que estará à frente de 9 oficinas, painéis e sessões cujos temas são: educomunicação, criatividade das crianças, cultura de paz, diálogo intercultural e desafios do futuro. Quem estará por lá também: UNESCO, UNICEF, MED (Associação Italiana de Educação para a Mídia), American Center for Children and Media (Centro Americano para Crianças e Mídia) e NIE/WAN-IFRA (Programa Jornal e Educação da Associação Mundial de Jornais e Editores de Notícias), além de universidades de vários países.

Representando o Brasil a professora Regina de Assis, que foi uma das organizadoras da Cúpula Mundial do Rio de Janeiro, em 2004.

O programa completo da Cúpula de 2010, pode ser visto no link www.wskarlstad2010.se/filer/ws2010programme.pdf. E para mais informações sobre o evento: www.wskarlstad2010.se

As cúpulas anteriores aconteceram em Melbourne, 1995; Londres, 1998; Tesalônica, 2001; Rio de Janeiro, 2004 e Johannesburgo, 2007.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

A Educação é a terceira área considerada mais problemática no País

Pesquisa do Todos Pela Educação e da Fundação SM, feita pelo Ibope Inteligência revelou que a educação é a terceira área considerada mais problemática do país. Os resultados foram divulgados nesta semana e mostram a percepção dos eleitores sobre a Educação no país - além das prioridades para os próximos governantes.

A preocupação com a área da Educação está tecnicamente empatada com questões como drogas e empregos e atrás somente de saúde e segurança pública. Além disto, o papel do Estado na melhoria da Educação é cada vez mais percebido pela sociedade.

Para ler a pesquisa "A educação na agenda do próximo governo" na íntegra basta acessar o link: www.euvocetodospelaeducacao.org.br/?p=671

Fonte: Todos pela Educação

E o rádio?

Grupo de Pesquisa Rádio e Mídia Sonora da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (INTERCOM) lança, em parceria com a Editora da PUCRS, o e-book E o rádio? Novos horizontes midiáticos, com organização dos professores Luiz Artur Ferraretto, da Universidade de Caxias do Sul, e Luciano Klöckner, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul.

A obra possui 40 artigos publicados no XXXII Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação, realizado em Curitiba, em 2009. Os temas abordam publicidade, criatividade, cidadania e também educação.

Se você ficou interessado(a) em ler, basta acessar o link www.pucrs.br/edipucrs/eoradio.pdf e baixaro o livro gratuitamente.

Escola infantil prepara nova geração de "jornalistas"

A matéria abaixo foi publicada no Portal iG. E vale a pena compartilhar com os leitores do blog a iniciativa da professora Ana Paula Emílio Escudeiro, da Escola Municipal de Educação Infantil Antônio Munhoz Bonilha, de São Paulo.

Uma nova geração de "jornalistas" está sendo formada na rede municipal de ensino de São Paulo. Crianças de 4 e 5 anos são os pauteiros, repórteres, fotógrafos e editores de uma rádio e TV cheia de reportagens criativas e entrevistas peculiares.

A Rádio e TV Jacaré, comandada por uma classe do 3º ciclo da Escola Municipal de Educação Infantil Antônio Munhoz Bonilha e criada em outubro do ano passado, possui em seu portfólio três boletins radiofônicos e três reportagens em vídeo e planeja expandir sua atuação para fora da escola, com transmissões para um raio de um quilômetro.

O Jacaré
Tudo começou com um desafio. “Eles queriam me convencer de que, no jardim da escola, viviam cobras, lagartos e jacarés”, conta a professora Ana Paula Emílio Escudeiro, que comanda a turma na escola localizada na zona norte da capital paulista.

A curiosidade sobre os animais rastejantes serviu para a professora se aprofundar no assunto com a turma. “O jacaré virou o centro das atenções deles no ano passado”, lembra.

As pesquisas dos pequenos, sempre registradas em fotos, viraram a pauta do jornal da escola. A intimidade das crianças com as tecnologias foi o que levou ao passo seguinte: a criação da rádio. “Fiz um curso na Delegacia Regional de Ensino (DRE) para aprender a usar o Auda City, um programa que grava audios. Durante uma aula, estava mostrando para eles como funcionava. Houve um momento em que precisei sair da sala e, quando voltei, dois alunos estavam operando sozinhos o sistema, gravando uma historinha que um contava para o outro.”

Ao perceber a facilidade com as gravações, a professora propôs à turma criar boletins sonoros com assuntos do interesse deles. Eis que foi feita a primeira reunião de pauta: “Discutimos o que a gente ia fazer e uma aluna logo veio com a ideia de darmos a previsão do horóscopo! Ela mesma fez essa parte. Decidimos também colocar historinhas e música, e definimos um apresentador para as entrevistas.”

O programa, lançado em novembro do ano passado, foi transmitido para toda a escola por meio de uma caixa de som providenciada pela diretoria e gravado em CD para que os repórteres mostrassem para os pais seus trabalhos. Hoje, a escola conta com um sistema de caixas de som espalhadas pelo andar térreo e a escola estuda a possibilidade de transmitir, via rádio, para o entorno da instituição.

Além das caixas de som, a escola investiu na instalação de um telão, com o aparelho de DVD, para a transmissão dos documentários em vídeo feitos pelos alunos.

Coberturas
Em janeiro de 2010, a professora, apoiada pelo colega e professor de Informática Educativa da escola, Marcelo Augusto Pereira dos Santos, teve a ideia de levar os pequenos repórteres para sua primeira cobertura em campo. “Estava no meio das férias, mas nós convocamos alguns alunos para ir com a gente para o Campus Party (evento sobre tecnologias da informação, que reuniu mais de 6 mil pessoas, em São Paulo). Os pais toparam e fomos num grupo com cinco repórteres”, conta Ana Paula.


A cobertura feita pelos mini-repórters foi, no mínimo, bastante diferente dos demais meios de comunicação. “Eu indicava para eles algumas pessoas para entrevistar, mas eles tinham liberdade para fazer o que tinham vontade”, lembra a professora.

Em vez de conversar com Jon “Maddog” Hall, um dos pais do sistema Linux, que circulava pela feira, as crianças se concentraram em entrevistar o grande pinguim, símbolo da empresa, que ficava ao lado do estande. A caminho da coletiva com o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassb, os pequenos preferiram entrevistar um mágico contratado para animar o evento. Segundo Ana Paula, a pauta das crianças era "cor". "Tudo o que era colorido eles queriam entrevistas”.

O projeto de Ana Paula está rendendo frutos. As outras professoras da escola têm demonstrado interesse em aprender a usar os recursos do computador na sala de aula. "É uma aprendizagem para todos. Esse projeto vem acrescentando muito, não só profissionalmente, mas como pessoa", avalia a coordenadora pedagógica da escola, Leila Salles Makay.

O professor Marcelo, parceiro de Ana Paula no projeto, está indo mais longe e levando a ideia para outra escola onde leciona. "Estamos tentando fazer algo parecido na EMEI Eunice dos Santos. As professoras de lá gostaram da idéia."

Novidades
O próximo programa já está sendo preparado. A reportagem do iG teve a oportunidade de participar da reunião de pauta do próximo programa.


“Pessoal, sobre o que vamos falar no próximo programa? O que está acontecendo de importante no mundo agora?”, pergunta a professora. A resposta vem emaranhada, numa nuvem de sugestões, mas uma se destaca: “Vamos falar da Copa do Mundo do Brasil!”, grita um aluno.

Na programação entrarão também as músicas inéditas, feitas por alunos que integram uma banda de rock que será lançada em breve.

Ao serem questionados sobre a profissão que querem seguir quando crescer, a grande maioria disse querer ser jornalista. Duas meninas têm um projeto mais original: uma quer ser cavaleira e a outra domadora de dragões.

Fonte: iG Educação/ Último Segundo - Texto de Carolina Rocha (12/06/2010)

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Mídia e Educação

O jornal A Tribuna do Planalto, de Goiás, publicou em 5 de junho, uma entrevista com a jornalista que vos escreve e citou nosso blog Mídia e Educação. A jornalista Raphaela Ferro também fala do livro "Ensino Aprendizagem Comunicação", da WAK Editora, organizado por Wendel Freire e Mary Rangel, no qual temos um artigo. Compartilhamos a matéria abaixo:

Cristiane Parente de Sá Barreto é jornalista, professora e educomunicadora. Mestre em Comunicação, Cultura e Educação pela Universidade Autônoma de Barcelona e mestranda em Educação pela Universidade de Brasília (UnB), ela atua principalmente no campo da Educomunicação, tentando mostrar a importância de unir as duas áreas das humanidades em ações unificadas.

Para tanto, ela mantém atualizado o blog http://culturamidiaeducacao.blogspot.com, onde indica livros, vídeos e trabalha informações para quem se interessa pelas relações entre mídia e educação, leitura, infância e educomunicação. De acordo com a jornalista, não há mais como controlar a abundância de informações que chega aos estudantes, mas é possível estabelecer uma relação mais crítica com as mensagens recebidas, tanto por crianças e jovens quanto por adultos. Criticidade que deve ser proposta pelos professores. “É possível trabalhar com jornal, rádio, internet, vídeo e até celular. Tudo vai depender do objetivo do professor e de uma atividade que seja discutida em conjunto com os alunos, reconhecendo seus saberes e dons”, completou a professora.

Cristiane publicou, recentemente, o artigo Educação na Soma com os Meios, como capítulo de obra organizada por Mary Rangel e Wendel Freire, Ensino-aprendizagem e Comunicação. O texto trata da velocidade das transformações relacionada à comunicação, muitas vezes não acompanhada pelo ensino. “Não se pode falar em Educação sem comunicação e vice-versa. Vivemos imersos em um mundo midiático”, anuncia. Sobre assuntos tangentes à abordagem de seu artigo, por e-mail, Cristiane Parente concedeu a seguinte entrevista à equipe do caderno ESCOLA.

É possível professores e alunos controlarem o excesso de informação a que estão submetidos diariamente?
A abundância de informações é fato. Particularmente, não vejo como controlar. O que professores, alunos e cidadãos, de maneira geral, podem e devem fazer é ter uma relação mais crítica em relação às mensagens que recebem; aprenderem onde buscar as informações e selecioná-las melhor, para que elas possam ser interpretadas e transformadas em conhecimento. É esse conhecimento que vai fazer com que sintam-se mais seguros para atuarem no mundo e, quem sabe, transformá-lo.

Como integrar o universo das novas tecnologias à sala de aula?
Há uma angústia por parte dos educadores em relação às novas tecnologias, porque eles têm sido cobrados para usá-las. É preciso, porém, ver pelo menos dois lados dessa questão. Uma é que é necessário que haja formação para os educadores, porque não basta ter um computador com internet banda larga na escola, se não se sabe o que fazer com ele. Ou pior: ele é usado de forma equivocada, sem criticidade, criatividade e sem possibilitar autoria aos alunos. Outro lado é que se o professor ficar esperando pela formação, pode perder o bonde da história. Neste caso, vale a pena conversar com os alunos, trocar ideias com quem já faz uso dessas tecnologias para conhecer as possibilidades que elas oferecem. É possível trabalhar com jornal, rádio, internet, vídeo e até celular. Tudo vai depender do objetivo do professor e de uma atividade que seja discutida em conjunto com os alunos, reconhecendo seus saberes e dons.

Como separar as funcionalidades, isto é, o papel da escola e dos meios de comunicação? Cada um tem um papel que não se confunde com o outro, mas ambos podem se complementar. A Educação não está apenas na escola, mas na rua, na televisão, no jornal, no jogo de futebol, em cada tarefa cotidiana que realizamos, nas escolhas políticas que fazemos.
É possível aliar a comunicação e o ensino na construção de uma Educação ideal?
Não se pode falar em Educação sem comunicação e vice-versa. Vivemos imersos em um mundo midiático. Boa parte do que sabemos hoje nos chega a partir de veículos da mídia, por isso não se pode virar as costas para eles. Pelo contrário. É cada vez mais necessário trabalhar em conjunto com eles, tomar dos meios o que eles possuem de melhor e levar para a sala de aula, usando-os a favor da Educação, discutindo e divulgando cidadania, meio ambiente, ética, saúde, Educação, sociedade, trabalho, direitos... Assim como é necessário fazer com que o aluno perceba o processo de produção por trás de cada mensagem, para que tenha uma relação mais equilibrada e crítica com a mídia. Da mesma forma, é preciso estimular que os alunos criem suas próprias mídias e não sejam só consumidores, mas produtores de informação. Aí, penso, temos uma Educação ideal em parceria com a Educação.

Saiba Mais
* Publicado pela Wak Editora, o livro Ensino-aprendizagem e Comunicação reúne textos com foco na relação entre a comunicação, o ideal de Educação dialógica e as novas formas de ensinar e aprender. Organizado pela pós-doutora em Psicologia Social, Mary Rangel, e pelo mestre em Educação, Wendel Freire, a obra conta com artigos de Cláudio Pinheiro, Cristiane Parente, Edméa Santos, Marco Silva, Monica Rabello e Robson Cavalcanti. Os artigos englobam os aspectos pedagógicos, sociológicos e comunicacionais do assunto em questão, estabelecendo análises e indicando práticas quanto ao uso da comunicação no processo de ensino-aprendizagem.

Stop motion animation: "Era Uma Vez"

Uma animação muito bacana para ser discutida com grupos de alunos, por exemplo! Onde foram parar as histórias???

Da pedra lascada ao outsourcing

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Seminário discutirá a relação mídia e educação

Um evento imperdível pra quem trabalha e/ou estuda a relação mídia e educação é o V Seminário Nacional O Professor e a Leitura de Jornal: Educação, Mídia e Formação Docente que acontecerá de 14 a 16 de julho na Unicamp, em Campinas/São Paulo.

Além de mesas-redondas e conferências, haverá oficinas (rádio na escola, jornal na escola e vídeo na escola, entre outras) , apresentação de comunicações científicas e lançamentos de livros. Entre os palestrantes estão Ismar de Oliveira Soares (USP), Inês Sampaio Vitorino (UFC) e Regina de Assis (UERJ).

Para ver a programação, obter mais informações e fazer inscrição é só clicar aqui!

Mafalda

Duas tirinhas da genial Mafalda, personagem do argentino Quino, para refletir!

OMS publica recomendações para publicidade de alimentos não saudáveis

Como parte da ofensiva contra doenças não contagiosas, a Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou uma lista de recomendações internacionais para que os governos regulamentem a publicidade de alimentos e bebidas não saudáveis para crianças. O documento foi aprovado por 27 países em 20 de maio, durante a 63ª Assembléia Mundial de Saúde (World Health Assembly – WHA), realizada em Genebra (Suíça).

Para a OMS, os governos internacionais têm a responsabilidade de desenvolver políticas públicas para reduzir o impacto do marketing de alimentos e bebidas com baixo teor nutricional nas crianças. Com esse objetivo, uma das orientações pede a proibição de comunicação mercadológica desse tipo de produto em ambientes dedicados às crianças, como escolas e playgrounds.

A estimativa é de que mais de 42 milhões de crianças com menos de cinco anos estejam acima do peso ou sofram de obesidade até o fim de 2010 – das quais 35 milhões de crianças de países em desenvolvimento, como é o caso do Brasil. A OMS se diz profundamente preocupada com esses números e ressalta a forte influência da publicidade na formação de hábitos alimentares não saudáveis.

Segundo Isabella Henriques, coordenadora geral do Projeto Criança e Consumo (Instituto Alana), esse é um importante passo para que as nações assumam um compromisso mais efetivo no combate à obesidade infantil. "Vivemos um momento decisivo. As novas recomendações da OMS pressionam para que os governos estabeleçam definições claras de regulamentação do marketing infantil de alimentos", diz. Isabella lembra que, no Brasil, essa questão vem sendo discutida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) desde 2006.

Em março deste ano a Anvisa sinalizou que publicaria uma regra sobre publicidade de alimentos e de bebidas não saudáveis sem contemplar proteção especial ao público infantil. Imediatamente, o Projeto Criança e Consumo encaminhou uma manifestação para a Agência alertando para as sérias consequências do novo texto, que excluiu todos os artigos relacionados à proteção da infância, como, por exemplo, o veto ao uso de desenhos em publicidades, à promoção de alimentos e bebidas não saudáveis em escolas e à promoção de ofertas com brindes.

Depois da decisão na OMS, o Criança e Consumo encaminhou nova manifestação à Anvisa, dessa vez reforçando a necessidade de proteger integralmente os direitos da criança frente aos apelos mercadológicos da indústria de alimentos e bebidas.

No mundo
Já há um entendimento da comunidade científica de que, embora a obesidade seja causada por diversos fatores, a publicidade tem forte influência no aumento da obesidade infantil. Pesquisa realizada na Universidade de Oxford (Inglaterra), de março de 2009, revelou que uma em cada sete crianças norte-americanas obesas não teria problemas de sobrepeso se não tivesse sido exposta a publicidade de alimentos não saudáveis na TV. Assim, a questão não se restringe apenas ao mercado publicitário, já que se tornou um problema de saúde pública que preocupa as autoridades.

Nos EUA, onde até então havia uma política mais branda com relação às estratégias de marketing, o quadro começou a mudar. Além do trabalho incessante de organizações no combate ao consumismo infantil, como é o caso da Campaign for Childhood-Free of Commercial (CCFC), recentemente a primeira-dama Michelle Obama lançou uma campanha nacional de combate à obesidade infantil, que afeta mais de 30% das crianças norte-americanas. A obesidade triplicou no país nos últimos 30 anos.

De acordo com o jornal The New York Times, a Casa Branca já assegurou a cooperação da indústria alimentícia e fabricantes de refrigerantes publicaram um acordo de autorregulamentação em que se comprometem a deixar de vender a bebida em escolas nos EUA.


No Brasil, 22 empresas da indústria de alimentos assumiram um compromisso público em 2009 para restringir as estratégias de marketing infantil. A iniciativa das empresas, quase todas multinacionais, acompanha o que suas matrizes têm feito globalmente. A maioria já era signatária de acordos similares nos EUA e na Europa e mantinha um duplo padrão de conduta ao tratar consumidores brasileiros de forma diferente.

Leia as recomendações da OMS: http://apps.who.int/gb/ebwha/pdf_files/WHA63/A63_12-en.pdf

Conheça a proposta da Anvisa e leia a Manifestação do Projeto Criança e Consumo: www.alana.org.br/CriancaConsumo/AcaoJuridica.aspx?v=1&id=55

Saiba mais sobre a campanha de Michelle Obama (em inglês): http://thecaucus.blogs.nytimes.com/2010/02/09/michelle-obama-leads-campaign-against-obesity/

Leia o compromisso firmado em 2009 por 22 empresas do setor de alimentos: www.alana.org.br/banco_arquivos/File/mats/abia_aba_industrias_firmam_compromisso.pdf

Fonte: Instituto Alana

Educação para e com as mídias

Veja abaixo entrevista que o Projeto Criança e Consumo, do Instituto Alana, realizou com a professora e pesquisadora Raquel Pacheco sobre influência da mídia na formação da identidade dos jovens e a importância da educação para e com as mídias.

Raquel Pacheco é mestre em Ciências da Comunicação pela Universidade Nova de Lisboa e Licenciada em Cinema pela Universidade Federal Fluminense, no Rio de Janeiro. Coordena o projeto "Media e Literacia - http://mediaeliteracia.blogspot.com - é membro do Centro de investigação Media e Jornalismo, em Portugal.

É professora universitária em Reportagem e em Educom (Educação e Comunicação). É integrante da Rede de Trabalho do Projeto Criança e Consumo e divulga as ações do Instituto Alana em Luanda, Angola, onde reside hoje e em Portugal.

Criança e Consumo – Em seu livro "Jovens, Media e Estereótipos" você faz uma análise sobre construção da identidade dos jovens pelos meios de comunicação e as implicações disso. O que te levou a fazer essa pesquisa? Quais foram os principais resultados que encontrou na sua investigação?

Raquel Pacheco –
Sou do Rio de Janeiro e desde pequena me sentia incomodada com a maneira com que as crianças e os jovens pobres eram tratados socialmente. Na maior parte das vezes, tínhamos que ter cuidado ao andarmos na rua e cruzarmos com um jovem negro e pobre. Era melhor mudar de calçada, ou então corríamos o risco de sermos assaltados. Ficava pensando como deveria ser ruim estar na pele daquelas crianças e jovens, sempre vistos como marginais. No Rio temos a sensação de que só os jovens pobres, moradores de favelas e de preferência negros é que cometem crimes. Depois que assisti ao filme "Cidade de Deus" e acompanhei toda a polêmica entre seus realizadores e o rapper MV Bill, senti definitivamente que deveria conduzir minha investigação por este caminho.


Comprovei aquilo que já imaginava. Existe o estereótipo da imagem do jovem que é "vendida" pela mídia: jovem, branco, de classe média alta/rico. Na maior parte das vezes é explorada sua imagem feminina. Este modelo vende a juventude como um estilo de vida, é a imagem de glamour da juventude. O outro estereótipo é aquele em que o jovem assume uma postura ameaçadora, de criminoso ou deliquente. Normalmente este grupo é composto por jovens pobres, na maioria das vezes não brancos e do sexo masculino. Estes jovens possivelmente têm sua imagem associada à bandidagem, ao tráfico, não são pessoas bem quistas e devem estar restritos ao seu gueto que é a favela. Este jovem não corresponde às necessidades do mercado do "ter": ele é pobre, preto, não é nada, e, normalmente quando há referências na mídia a este tipo de jovem, ele é tratado por menor, delinquente, infrator.

CeC – Você pode explicar o conceito de culturas juvenis que utiliza na sua pesquisa e porque da importância do plural dessa expressão?

Raquel Pacheco –
No sentido lato, por cultura juvenil pode entender-se um sistema de valores socialmente atribuídos à juventude (tomada como conjunto referido a uma fase da vida), isto é, valores a que aderirão jovens de diferentes meios e condições sociais. Assim sendo, concluímos que não existe apenas uma cultura juvenil, mas sim várias culturas juvenis. Quando pensamos que o plural de duas palavras pode mudar o modo como encaramos a nossa juventude, isso faz toda a diferença. Quando falamos em cultura juvenil, restringimos a juventude a uma massa compacta e homogênea. Quando percebemos que existem diversas culturas juvenis, acreditamos na diversidade da juventude, abrimos possibilidades para a pluralidade que é a juventude. No livro "Cidade Partida", de Zuenir Ventura, consegui distinguir mais de cinco diferentes culturas juvenis em Vigário Geral. Existem os jovens que conseguem ir para a universidade, os que muito jovens são pais de família, existem as jovens que são mães, os que dão aulas para crianças, os que formam associações de direitos humanos, músicos, traficantes.


CeC – O que é Educomunicação? Que contribuições o trabalho com jovens por meio da educomunicação (ou como você usa em seu livro, "media-educação") tem a dar à construção democrática da imagem desse grupo social? Em que esse trabalho difere da educação formal que é praticada nas escolas?

Raquel Pacheco –
A Educomunicação (ou educação para os media ou mídia educação) é um nome novo para uma forma antiga de educar e de ser educado, mas de maneira mais democrática. Explico: estamos educando e sendo educados através dos meios de comunicação social. Lembro de perceber muitas coisas e pensar sobre tantas outras enquanto assistia ao programa de televisão "Balão Mágico", ou "As aventuras de Tio Maneco", ou o "Sítio do Pica Pau Amarelo". Lembro que desde muito pequena adorava acompanhar as novelas junto com a minha empregada, quantas coisas aprendi nas telenovelas. Mas hoje em dia temos ainda a internet, a publicidade a todo vapor. Percebemos então que tínhamos que utilizar a mídia a favor da educação, educar com, para e através dos meios de comunicação. A Educomunicação promove uma junção entre a mídia, o que aprendemos ou vemos através dos meios de comunicação social e a realidade dos grupos com que trabalha – crianças e jovens, por exemplo. Utilizamos os meios de comunicação para analisar, aprender, dialogar e re-construir as diferentes realidades. José Outeiral diz que a escola pode sustentar o desejo, o sonho e a utopia. Não só das mães como dos adolescentes e dos professores. Deve ser um lugar que ensine a pensar – o autor sugere que as crianças chegam às escolas e não pensam. Pensar, diz, surpreende o pensador. Pensar é transgredir. Pensar é fundamental. A escola pode ensinar também a brincar… é mais ou menos assim. Essas palavras são muito importantes para mim e acredito que o caminho para a escola renascer, ou uns dos caminhos, é através da Educomunicação. Ensinar a pensar é a ideia número um dentro deste novo conceito de educação. Através dos projetos de Educomunicação que coordeno, pude perceber que crianças, jovens e adultos descobrem ferramentas dentro de si para lidar com as suas realidades, deixam de ser sujeitos passivos, espectadores de suas próprias vidas e dão um salto, aprendem a pensar, a dialogar, a refletir, a analisar e a produzir.

CeC – Na sua visão, a sociedade de consumo e os padrões de comportamento consumista colaboram com a glamorização da violência nos media?

Raquel Pacheco –
Sim, essa pergunta complementa aquilo que dizia na primeira questão. Observamos também que o jovem tem necessidade de sair dos lugares marcados pelo cinema sensacionalista, pelas notícias dos noticiários televisivos, enfim, pela mídia de maneira geral. Todos têm necessidade de auto-estima, de afirmação, mas nem todos têm condições sócio-econômicas para corresponder ao que é esperado e esta desigualdade constantemente é descontextualizada na mídia.

Um jovem português que participou do projeto que cito no meu livro dá um depoimento no vídeo em que diz que: "Uma pessoa que não tem tv a cabo, um carro, gás canalizado (…), não é pessoa". O tratamento diferenciado que é dado ao jovem de uma determinada classe social e o que é dado ao que é de outra produz um processo de mutilação da auto-estima. Acontece uma desvalorização do sujeito, pois já que não pode corresponder aos valores implícitos socialmente, sente-se inferiorizado. Não é o fator econômico que gera a violência, mas a apatia da sociedade, enquanto grupo, em relação aos problemas envolvendo esses jovens vulneráveis.

As pressões exercidas por uma imagem dominante que corresponde à ideia positiva de jovem rico, esperto e feliz, que é constantemente reforçada pela mídia, faz parte da sociedade de consumo que vivemos e cria necessidades de posse de objetos, de status e de uma aparência que normalmente não corresponde à realidade. As diferenças existentes nas formas de adquirir esses bens de consumo e essa estética "juvenil" acentua a desigualdade e demanda uma recusa da subordinação da "ordem social", gerando algumas vezes graves problemas sociais, principalmente os que envolvem drogas e violência.

CeC – Na sua opinião, em que diferem as relações de consumo na construção de identidades dos jovens nos países em que já desenvolveu trabalhos, como Brasil, Portugal e Angola?

Raquel Pacheco –
Ousaria dizer que não difere em quase nada, ou em muito pouco. Analisando as relações de consumo associadas à construção de identidades, percebo que aquilo que é bom para os jovens, tanto no Brasil como em Portugal ou Angola, é aquilo que está na mídia. A moda é ditada pela publicidade, pelo que vem de "fora", que depois é adaptado à realidade local. O que se come, o que se bebe, o que se veste ou a música que os jovens ouvem, tratando-se destes três países de língua portuguesa é tudo muito parecido. Existe uma homogeneização cultural onde o jovem perde cada vez mais a ligação com a sua cultura, com a cultura de seu país e se liga a uma cultura globalizada, uma cultura de massa. A Hannah Montana, Miley Cyrus, são bons exemplos disso, que deveria ser para jovens, mas na verdade foi fabricada para entreter crianças. É um ícone tanto no Brasil como em Portugal e em Angola. Não há uma menina dos 5 aos 11 anos, em um destes três países, que não conheça ou possua pelo menos um produto relacionado a Hannah Montana. Hoje em dia os filmes produzidos em Angola por jovens são filmes em sua maioria de violência, baseados, segundos seus realizadores, nos filmes de violência brasileiros e norte-americanos.

CeC – Qual a importância de fazer parte da Rede de Trabalho do Projeto Criança e Consumo para seu trabalho?

Raquel Pacheco –
É sentir que não estou sozinha, que no deserto tem postos de socorro. O Projeto surgiu para o meu trabalho como um sopro de ar puro. Sentia muitas vezes que as pessoas estavam mergulhadas nesta inversão de valores, neste capitalismo selvagem, onde o que vale e o que fala mais alto é o dinheiro, é o ter. Sentia que somos massas de manobra a favor do capital. E que a publicidade era o porta-voz do capitalismo. Querem dizer o que devemos comer, vestir, ouvir, onde devemos ir e até o que pensar, pior do que isso, querem fazer o mesmo com as nossas crianças. O Criança e Consumo surge como um divisor de águas, cada newsletter ou publicação é uma vitória, é como se fosse a resposta do ser contra o ter. A rede de trabalho é a cereja em cima do sorvete, é como se dissessem: "Ei, vocês, que querem mais para nossas crianças, que não querem que elas sejam meros cifrões, vocês que trabalham contra isso, que tem princípios diferentes dos princípios do ‘mercado’, venham para cá formar esta rede de trabalho".

Fonte: Instituto Alana