sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

I Encontro Consumo, Cultura e Sociedade: Consumo e crises em Portugal - Abordagens e Perspectivas com chamada de papers aberta


Nos dias 8 e 9 de abril acontecerá na cidade de Porto, Portugal, o I Encontro Consumo, Cultura e Sociedade: Consumo e crises em Portugal - Abordagens e Perspectivas. A promoção é da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, com organização das professoras Isabel Cruz (ISFLUP) e Mónica Truninger (ICS-UL). Veja abaixo a apresentação do evento, públicada no site oficial.

Vários cientistas sociais e investigadores têm trabalhado sobre as sociedades de consumo, centrando-se analiticamente nalgumas das suas principais características: o aumento exponencial de bens e serviços; os novos padrões de consumo; uma democratização de bens e produtos; a quebra de costumes e instituições; a diversificação de valores e comportamentos; a extensão dos direitos sociais; novas formas de lazer; o incremento de processos de individualização e estetização bem como dos valores hedonistas junto do consumidor (Warde, 1997; Sassatelli 2007, Featherstone, 1991). Nestas sociedades, o consumo é uma das principais formas de reprodução social e de diferenciação. Assim, valores, crenças e práticas são perpetuados através do consumo, alimentando a memória colectiva da sociedade e reforçando, paradoxalmente, as clivagens e convergências em diversas esferas sociais (política, religiosa, social, cultural).

Ao longo das últimas décadas alguns dos traços característicos de uma sociedade de consumo tornaram-se visíveis em Portugal. Entre as mudanças que contribuíram para o desenvolvimento da sociedade de consumo salientamos: a queda do regime ditatorial, em 1974 e a consolidação de um Estado democrático; o livre acesso a bens e serviços, especialmente após a adesão à União Europeia, em 1986, e consequente acesso a um quadro político-económico de liberalização dos mercados internacionais; a flexibilidade do acesso a bens de consumo pelo sistema bancário por meio de facilidades de crédito; o aumento da feminização no trabalho e na educação; o aumento da urbanização fruto do incremento de diferentes mobilidades (dentro e fora do país); o aumento dos níveis de escolarização da população; a aceleração e extensão das tecnologias de informação acompanhado por um aumento generalizado do rendimento disponível (ver Santos, 1993; Barreto, 1996 e 2000; Viegas e Firmino, 1998; Pureza e Ferreira, 2002, Faria et al, 2004). Estes factores contribuíram para a consolidação de uma sociedade de consumo em Portugal, e com ela proliferaram, também, os aspectos moralmente qualificados como mais negativos do consumismo: o seu materialismo crescente, o individualismo, a insustentabilidade, o endividamento do consumidor e as desigualdades sociais na distribuição e no acesso a bens materiais e não materiais (simbólicos e culturais).
Em oposição, vozes dissidentes ganham visibilidade e propõem novas formas de vida e de consumo nas sociedades contemporâneas. Em Portugal, são cada vez mais visíveis os movimentos críticos ao consumo. Estes enfatizam um conjunto de preocupações, incluindo as questões do consumo sustentável (por vezes qualificado como consciente ou responsável), das desigualdades sociais, a preservação da tradição e da autenticidade, da vida calma, sossegada e tranquila (expressos pelos movimentos da voluntary simplicity e do slow movement), entre outros aspectos. Estes problemas têm sido especialmente evidenciados no contexto actual, onde a presença e o agravamento das diversas crises (ambientais, financeiras, económicas e sociais), têm vindo a sacudir a estrutura do tecido social. Neste clima nebuloso, novas ideias e soluções sobre a posição do consumo e dos consumidores dentro de uma sociedade em transição são objecto de discussão e debate [ver, por exemplo, o Global Green New Deal da UNEP; Prosperity Withouth Growth de Tim Jackson ou ainda o movimento da transição (transition towns) inspirado pelo permaculturalista Rob Hopkins].

Dada a escassez de estudos em Portugal e de uma reflexão que considere seriamente estas questões (nomeadamente no seio da sociedade portuguesa), convidamos ao envio de propostas de comunicações que incidam sobre um ou mais dos seguintes temas:
1) Abordagens teóricas do consumo: os contributos da teoria social contemporânea para compreender consumo e crises
2) Consumo em tempos de crise: impactos e estratégias criativas nos séculos XX e XXI
3) Consumo sustentável: O papel do Estado e dos novos movimentos sociais no actual contexto de crise
4) Novas formas de reconfigurar as interacções entre produção e consumo nas sociedades do presente e do futuro

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