segunda-feira, 16 de maio de 2011

Três sombras


Por Carlos Ely - Blog Nona Arte

Quando o artista francês August Rodin criou uma das suas mais expressivas esculturas (a Porta do Inferno) ele concebeu três figuras humanas que, colocadas sobre a porta, apontam para uma mesma direção, como se anunciassem àqueles que entram no inferno a dor e os horrores que os aguardam. A escultura das três personagens, conhecida como “As Três Sombras”, é um dos trabalhos mais intensos do escultor.

O quadrinista frânces Cyril Pedrosa, em seu primeiro trabalho lançado no Brasil (pela Companhia das Letras), lança mão da imagem das três sombras para criar uma história simples, mas repleta de poesia, como os melhores contos da literatura russa.

Em um lugar perdido no meio do nada, um camponês e sua família recebem uma vista de três personagens misteriosos. Ao longe, sem nunca pronunciarem uma única palavra, as três sombras são um prenúncio de que algo terrível vai acontecer e transformar irremediavelmente a vida do agricultor, sua mulher e seu filho.

Cyril Pedrosa conquistou, em 2008, com esse trabalho, um prêmio no mais importante festival de quadrinhos do mundo: o Angoulême, na França. O trabalho de Cyril é primoroso. Ele tem um domínio completo da narrativa gráfica. Consegue mesclar diferentes técnicas e fazer um desenho que vai de um traço bucólico e quase infantil até um quadro tenebroso e assustador.

O autor criou o roteiro de Três Sombras depois da morte do filho pequeno de um grande amigo. E lança um desafio: o que você faria para salvar a vida do seu filho. No quadrinho, o camponês Louis se vê obrigado a fugir com o pequeno Joachim para tentar salvá-lo das três sombras misteriosas que rondam sua fazenda. Ele imagina que as três sombras pretendem levar a criança e para protegê-la, cruza montanhas, florestas e o oceano. Mas, no fim das contas, ninguém foge do seu destino...

Três Sombras é um poema visual e uma história cheia de simbolismos, como um sonho. Imperdível...

Um comentário:

  1. Adorei sua postagem. Agora em 2013 lancei o livro Emílio e os Lumens: o Quinto Poder. Também rico em simbolismo. Um deles, a Porta do Inferno é utilizado como um portal entre dois mundos em que questiono se seria possível um quinto poder para por ordem ou ressignificar os três poderes instituídos e o quarto poder, por si, instituinte, a mídia. Bem, quem sabe seu instinto jornalístico desperte sua curiosidade para trazer aos leitores novidades de uma obra que pode fazer história. J.B.

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