domingo, 31 de julho de 2011

As novas solidões

Compartilhamos dica de leitura do colega Eduardo Jorge, coordenador do programa Público na Escola, do jornal Público, de Portugal. Ele nos sugere o livro As Novas Solidões, de Marie-France Hirigoyen. Leia a resenha abaixo!

Por Eduardo Jorge - Em As novas solidões (Vale de Cambra: Caleidoscópio, 2011), Marie-France Hirigoyen, uma psiquiatra, psicanalista e terapeuta familiar, conhecida, sobretudo, por ser autora de livros sobre assédio no trabalho e no quotidiano, dá conta de um paradoxo: vivemos na era da comunicação, mas, de facto, estamos todos mais sós.

A autora julga que “a solidão nem sempre é percepcionada como tal, porque pode ser disfarçada por encontros, agitação, ocupações profissionais”. Diz ela que “algumas pessoas, não suportando confrontar-se com o silêncio, preenchem-no com rádio ou televisão e vêem o que quer que lhes apareça à frente. São os mesmos que de seguida telefonarão a alguém ou ligarão o computador para conversar em chats durante toda a noite. Com uma bulimia de informação, outros mantêm-se a par da actualidade em tempo real, aderindo a um servidor que lhes envia SMS para o telemóvel. Para eles, um dia sem notícias é inconcebível...”

A psiquiatra, psicanalista e terapeuta familiar olha com desconfiança para muito do que a Internet oferece, considerando, por exemplo, “o chat é tagarelice, palavras cujo conteúdo pouco interessa e que estão ali simplesmente para preencher o vazio”. Além disso, “não se trata também de uma troca de palavras rituais com o intuito de não entrar demasiado bruscamente no crucial da conversa, mas de palavras anódinas e que continuarão a ser anódinas. Num chat ficamos à superfície, não temos vontade de nos aproximar do outro. Os fóruns, os chats, os blogues, as páginas pessoais dos cibernautas, tudo isto constitui uma forma de nos afastarmos da realidade, de nos distanciarmos das emoções dolorosas”.

Marie-France Hirigoyen refere uma maleita destes nossos tempos: “Querem fazer-nos crer que o nosso sentimento de solidão provém de uma deficiência de comunicação e que é possível fazer desaparecer a solidão enchendo-nos de informação, música, consumo, comunicação... Até nos propõem formações em comunicação, estágios de desenvolvimento pessoal com, esta máxima paradoxal: ‘É preciso comunicar!’ Mas o problema é que todas as nossas conexões estão saturadas e já não há espaço para um território íntimo. Trocamos informações, mas a falta de comunicação tornou-se regra”.

As novas solidões é, sem dúvida, uma leitura muito proveitosa. (Eduardo Jorge Madureira)

Um comentário:

  1. Cristiane!
    Com certeza esse é um tema que deve ser refletido. Ontem mesmo eu publiquei no facebook uma ideia de que podemos crescer e aprender ,se filtramos pessoas e ideias nas redes sociais. Acredito que podemos criar laços afetivos também usando as ferramentas sociais, mas também inigavelmente corremos o risco que o autor cita se nos deixarmos levar pela superficialidade. Abraço!

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