quinta-feira, 7 de julho de 2011

Vila Madalena: um ambiente de aprendizagem

Compartilhamos texto do blog Vila Mundo sobre a experiência educativa da Vila Madalena, bairro de São Paulo!




Imagine só um território transformado em uma comunidade de aprendizagem onde todos participam e podem aprender e ensinar...


No dia 30 de junho, quinta-feira, aconteceu a 1ª edição do “Festival Bairro-Escola Pinheiros”. O evento, organizado pela Associação Cidade Escola Aprendiz, nasceu para integrar os diferentes saberes trabalhados nos espaços educativos da região à formação das pessoas que aqui vivem, estudam ou trabalham.


Mas afinal, o que é “Bairro-Escola”?
O conceito de Bairro-Escola, desenvolvido pela Associação Cidade Escola Aprendiz , compreende que a educação não é tarefa única da escola mas responsabilidade de todos.

Neste modelo, entende-se que os diversos elementos que compõem um bairro se configuram como grandes potenciais educativos: centros de saúde, cinemas, teatros, praças, parques, clubes, museus, empresas, universidades…

Tudo começou em 1997, quando o jornalista Gilberto Dimenstein, comandava um projeto de educomunicação em um colégio particular de São Paulo, o Bandeirantes.

O projeto evoluiu de forma positiva, foi se ampliando e deu origem à Associação Cidade Escola Aprendiz, que se instalou na Vila Madalena, próximo à uma praça e um beco abandonados. Uma das primeiras ações propunha intervenções neste cenário. Os muros do bairro receberam mosaicos para “ressignifcá-los e para que comunicassem outra coisa além de uma separação”, explica Helena Singer, diretora pedagógica do Aprendiz.

De espaço frequentado por traficantes e pessoas em situação de rua, a praça e o beco passaram a ser vistos como locais de aprendizagem e como cartões postais da cidade, demonstrando que São Paulo também pode ser bonita e acolhedora.


A Vila Madalena como laboratório
O Aprendiz, que hoje existe há 13 anos, tem disseminado suas metodologias em diversos cantos da cidade e do Brasil. Entretanto, a Vila Madalena continua sendo o seu grande campo de experimentação. Grande parte dos projetos que são desenvolvidos pela instituição usam a região da subprefeitura de Pinheiros como foco. Cada projeto se filia a um eixo: cultura, comunicação, mobilização e formação. Tudo em prol da educação integral, ou seja, da formação completa de um indivíduo, em especial crianças e adolescentes. Assim, o Aprendiz acredita ser um grande articulador para que os equipamentos culturais e educativos de um território se integrem à comunidade e contribuam para o desenvolvimento local.

No projeto Escola na Praça, por exemplo, crianças de 5 a 14 anos são protagonistas de sua própria formação. “Elas se tornam autoras de projetos na cidade, fazem campanhas para a melhoria da sinalização do bairro, para a revitalização de quadras etc. E para chegar nisso, passam por um processo de pesquisa, mapeamento, diagnóstico, entre outros. Assim, são desenvolvidas várias habilidades como leitura e escrita e o que é mais importante: cria-se uma disposição para o aprendizado”, conclui Helena.

Além disso, o Aprendiz atua também na escola com uma equipe de educadores. Helena explica que, dentro da perspectiva do Bairro-Escola, se propõe uma outra forma de trabalhar, pouco convencional: “as crianças decidem o que querem estudar, o grupo decide junto o que quer fazer.

O conhecimento é trabalhado de forma integrada”, conta. Para fazer o levantamento das quadras do bairro, por exemplo, elas precisam de conhecimento em matemática, história, geografia, português etc.

Qualquer bairro pode implantar o Bairro-Escola?
Segundo Helena, a resposta é sim. “Já temos experiências tanto em áreas rurais quanto em áreas conflagradas e em bairros de classe média. Todos eles encontraram seu caminho e seu jeito de fazer”, afirma.

O livro “Bairro-Escola Passo a Passo” produzido pelo Unicef ilustra como é possível planejar, implementar e avaliar processos educativos em rede. Você também poderá conhecer experiências de sucesso em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Clique aqui para lê-lo na íntegra.
Fonte: Vila Mundo/Mayara Penina em 29/06/11

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