sábado, 20 de agosto de 2011

Das grades às redes curriculares, de formação de professores, de instituições, de ...

Compartilhamos abaixo, trechinho de artigo do professor Nelson Pretto, da UFBA, para a 4a. CNCTI ­ Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação/ Tema Ensino de Ciências. 
Se gostar, leia o texto completo clicando aqui: 


Nelson De Luca Pretto ­ professor associado da Faculdade de Educação da Universidade Federal da Bahia. Doutor em Comunicação (USP, 1994). Mestre em Educação. Licenciado em Física. Membro. Titular   do   Conselho   de   Cultura   do   estado   da   Bahia   (2007­2010)  |   www.pretto.info   | nelson@pretto.info |


Resumo
O texto apresenta um conjunto de reflexões em torno da necessidade de pensarmos o ensino das  ciências  numa  perspectiva  muito  mais  ampla  do  que  estamos  fazendo  atualmente. A expectativa com este texto é a de poder contribuir para que a 4ª  Conferência Nacional de Ciência,   Tecnologia   e   Inovação   (4ª   CNCTI)   possa,   a   partir   de   ampla   discussão   política, delinear algumas diretrizes no campo da formação, da divulgação científica e do ensino das ciências, não se limitando, obviamente à estes. Parte de uma reflexão sobre a importância nas Conferências Nacionais, adentrando no específico das políticas públicas, fazendo uma crítica à forma   como   as   mesmas   vêm   sendo   elaboradas,   de   forma   isolada,   com   cada   Ministério apresentando suas próprias políticas, sem a perspectiva de implantação de uma rede de ações, que defendemos ao longo do texto. 


Introdução
Certa feita, numa sessão de depoimento no Teatro da PUC no Fórum Social Mundial, no início do ano   2001,  o   escrito   uruguaio   Eduardo   Galeano   começou   o   seu   depoimento   relembrando   uma pichação que encontrou em uma das suas muitas viagens pelos países latino americanos: "quando encontramos a resposta, mudaram a pergunta"!
Talvez seja esta a situação que nos encontramos quando falamos em políticas públicas para Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I), com particular  foco no ensino das ciências. Pensar nas políticas públicas para a CT&I implica, de imediato, pensar em políticas públicas para a Educação, Cultura, Telecomunicações, entre tantas outras áreas.


Continuamos, como desde muito, a ver propostas que não se articulam, como se cada Ministério fosse responsável pela solução dos problemas de forma isolada. Urge pensarmos o Brasil de forma mais   global,   coerente   com   o   mundo   contemporâneo.   Na   economia   isso   já   acontece   pois   é praticamente impossível, nesta especulação financeira em que vivemos, pensar  e agir  de forma isolada, sob pena de um retumbante fracasso das políticas, que devem ser repensadas para ampliar o espectro de possibilidades e, com isso, não cair  nas armadilhas das soluções simplificadas para complexos problemas. Temos dito, até com certa insistência, que o maior problema das políticas públicas federais (e vale ipsis litteris para as estaduais) é que se continuarmos a fazer composição dos governos atendendo aos partidos políticos que loteiam os cargos, cada ministério (e secretaria) continuará   fazendo   a   sua   política   específica,   querendo   "realizar"   mais   do   que   as   demais   e dificilmente conseguiremos políticas públicas que deem conta dos desafios contemporâneos  em muitas áreas. Complementarmente ainda vemos superposição de atuação dos organismos, em nível federal o que provoca uma redundância de trabalho e gastos desnecessários.


O que pretendemos aqui, é fazer um exercício em torno de alguns pontos na expectativa de poder contribuir para que a 4ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (4ª CNCTI) possa, a   partir   de   ampla   discussão   política,   delinear   algumas   diretrizes   no   campo   da   formação,   da divulgação científica e do ensino das ciências, não se limitando obviamente a estes.


De forma categórica, o que precisamos  é de pistas  para a implementação de políticas públicas integradas e integradoras para a área da CT&I, sem, no entanto, ficar prisioneiros à própria área. Isso   porque,   o   desenvolvimento   científico   e   tecnológico   experimentado   pela   humanidade   na segunda metade de século XX provocou mudanças profundas em todas as áreas do conhecimento.


Estruturas de modelos não ­lineares, complexidade, caos, indeterminação, são os novos elementos que passam a fazer parte do nosso cotidiano. Manuel Delanda (1992) considera que os 30 últimos anos do século XX corresponderam exatamente a um grande salto de paradigmas, mostrando­-nos como os sistemas conservativos passam a ser substituídos por sistemas de equilíbrio dinâmico, nos levando a refletir sobre mudanças de concepções em todas as áreas do conhecimento. A análise de reações  químicas  é idêntica  a muitos  outros  processos  em que o  equilibro  do  sistema  começa repentinamente a oscilar. Para ele, “oscilações não ­lineares tem sido observadas em campos tão diversos  como   a  eletrônica,  a  economia  e  as   relações  ecológicas  (tal  como   na   relação   presa - predador)” (1992, p. 135).


Esta ideia de complexidade dos sistemas demanda pensarmos também as políticas públicas com este outro olhar. Marcello Cini, físico da Universidade de Roma/Itália, reflete sobre o como mudamos a forma de conceber o mundo e, em vez se   tentar   reduzir   tudo   à   ordem,   regularidade   e   continuidade,   emergem   categorias   e   perspectivas completamente opostas. Estudam-­se a desordem, a irregularidade, os fenômenos que não se repetem, em vez   de   tentar   unificar   fenômenos   muito   diferentes   pela   explicação   resultante   de   uma   única   lei fundamental.   A   individualidade   começa   a   ser   reconhecida,   por   exemplo,   no   fato   de   que   sistemas estruturalmente idênticos podem revelar comportamentos radicalmente diferentes, ocasionados apenas por pequeníssimas diferenças que, até então, todos consideravam como sendo não essenciais.(CINI, 1998,p.111).


Estão em mudança as formas como percebemos e analisamos o mundo, com as individualidades sendo cada vez mais reforçadas e, com isso, mesclando intensamente as concepções teóricas que analisam o mundo físico com aquelas usadas para a análise do chamado mundo social. Os sistemas computacionais digitais desenvolvidos nestes últimos anos têm sido responsáveis por muitas destas mudanças paradigmáticas. Mais uma vez, como afirma Manuel Delanda, muitos destes fenômenos permaneciam invisíveis antes do advento do computador (1992, p. 136). Para Marcelo Cini, estamos atualmente trabalhando com “todos os fatores que a ciência tentou exorcizar, minimizar, deixar fora de suas fronteiras” (1998: 111).


Nesse   sentido,   acreditamos   que   falta   ao   Governo   Federal,   em   todos   os   âmbitos,   uma   maior articulação de suas ações. No que diz respeito à CT&I, Educação e Cultura, pensamos ser isso algo prioritário, acompanhado de uma profunda avaliação dos resultados dessas ações, com a busca de uma atuação mais  integrada de todos  os  ministérios, com destaque para aqueles  mais  ligado à especificidade de nosso tema, como a Educação, Ciência e Tecnologia, Cultura e Comunicações, mas não limitando-­se a esses.


Partindo do pressuposto que uma Conferência Nacional deve levantar  pautas  concretas  afim de serem   debatidas   exaustivamente,   gostaríamos   de   destacar   neste   texto   algumas   frentes   que consideramos  básicas  e  fundamentais  para  pensarmos  Ciência, Tecnologia e  Inovação  para  um desenvolvimento social sustentável. (...)


Leia o artigo completo e veja a referência bibliográfica em: https://blog.ufba.br/nlpretto/files/2010/04/pretto_4cncti_v0_6revisado_enviadov0_3_21052010.pdf

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