terça-feira, 16 de agosto de 2011

Mídias Comunitárias abrem cidades para seus habitantes


Civic medias – mídias comunitárias, no Brasil – é um termo que corresponde ao uso das tecnologias digitais da informação para identificar, desenvolver e disseminar projetos locais voltados às potencialidades individuais e coletivas de integração de um território. O pesquisador do Massachusetts of Institute Technology (MIT), Leo Burd, e a gerente de comunicação da Cidade Escola Aprendiz, Marina Rosenfeld, contam como é possível otimizar e articular o capital tecnológico no dia a dia das cidades.
Mídia comunitária, na prática, corresponde ao melhor aproveitamento das redes sociais on-line e da tecnologia de baixo custo para que beneficiem o maior número possível de pessoas de uma rua, um bairro, uma cidade, ou uma comunidade, contribuindo educativamente para o seu desenvolvimento social. Sites como o Vila Mundo e o Catraca Livre são exemplos de meios de comunicação que buscam a transformação oriunda dos encontros e dos contatos pelos bairros e nas cidades, fortalecendo o senso de autonomia dos sujeitos num espaço comum, a partir de seus próprios entendimentos e suas iniciativas locais.
Para reunir e divulgar outras ações de fortalecimento social por meio das mídias comunitárias mundo afora, pesquisadores de Harvard e do MIT lançaram o Open City Labs, um site que reúne diferentes exemplos de soluções inovadoras para as cidades. “A ideia é difundir para que se criem ou apliquem mais estas ferramentas que compõem as civic medias”, conta Leo Burd, pesquisador do tema no MIT. “Trata-se da organização prática de redes capazes de abrir a cidade para seus moradores, contribuindo para que as pessoas se tornem mais educadas, aperfeiçoando a democracia”.



Um caso curioso do uso integrado das tecnologias de comunicação foi o do físico estadounidense Frank Taylor. Ex-técnico da NASA – agência espacial dos Estados Unidos – ele acoplou uma câmera fotográfica acionada por controle remoto a uma pipa de grandes dimensões, confeccionada com material resistente e capturou imagens de lugares que ainda sequer figuravam nos mapas do Google Earth. Para Leo Burd, “civic media é aquela que, fazendo uso das tecnologias digitais, permite a consolidação de dados capazes de fornecer, para a própria comunidade, mapas, diagramas de interdependência local, incrementar o registro histórico, proporcionar a criação de linhas do tempo etc”.
No Brasil, outro exemplo de mídia comunitária é o do site Biblioteca Mais Feliz. Neste espaço os usuários criam perfis para poder doar e trocar livros gratuitamente. Surgido a partir de uma parceria entre o Catraca Livre e o Movimento Mais Feliz, a proposta fortalece a comunhão entre leitores, além de propagar o acesso à leitura.
Agências Comunitárias de Notícias
Espaços de livre colaboração capazes de envolver os agentes locais nas ações comunitárias, as Agências de Notícias coordenadas pelo Aprendiz são plataformas de formação de redes de comunicação nos respectivos bairros criadas por pessoas que residem, trabalham ou frequentam a região, valendo-se das ferramentas e do aparato tecnológico acessível. “Enquanto um portal de notícias tem primordialmente que divulgar, no caso de uma agência local o papel é o de integrar”, ressalta Marina Rosenfeld, gerente do Núcleo de Comunicação Comunitária do Aprendiz. “São espaços de otimização dos recursos, livre colaboração e troca, para que os bairros se tornem mais educativos e inteligentes.”
A organização das pessoas em grupos ativados por redes de comunicação próximas de suas necessidades e do seu cotidiano faz parte de um contexto de iniciativas capazes de recuperar o entusiasmo pelas organizações cooperativadas, destacando de forma eficiente as oportunidades, os problemas, os desafios e as prioridades que podem ser reconhecidas e definidas pelo próprio processo. “É o tipo de iniciativa capaz de levar as pessoas a se organizarem em grupos e com outras pessoas para transformar e celebrar o bairro”, afirma Leo Burd.
Fonte: Portal Aprendiz/ 15/08/2011

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