segunda-feira, 29 de agosto de 2011

O filho do vizinho

Um filme que tenta estimular o público a refletir sobre a situação de uma criança cadeirante, a amizade e as limitações impostas pela família, "O filho do vizinho", de Alex Vidigal, tem acumulado alguns prêmios pelo Brasil. Leia abaixo texto de Marcus Tavares/ RevistaPontoCom sobre o curta, veja você mesmo, compartilhe com amigos, filhos e aluno e reflita!

Pela janela do seu quarto, Ronaldinho olha maravilhado as aventuras e peripécias de um garoto que é chamado de várias formas pela vizinhança. Dos muitos nomes, Ronaldinho o chama de "o filho do vizinho'. Esta é a sinopse do curta O filho do vizinho, de Alex Vidigal, que em pouco menos de um ano já acumula três prêmios: Melhor direção de arte na mostra competitiva digital do 43º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro de 2010; Melhor filme de curta-metragem do 8º Festival de Cinema de Maringá 2011; e Melhor filme da 10ª Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis. Supresa para o diretor que não tinha nenhuma expectativa do quanto o curta seria bem recebido tanto pelas crianças quanto pelos adultos.

“O filme foi criado sem nenhuma pretensão. Na verdade, escrevi o roteiro por conta de uma aproximação que tive com a infância devido a um trabalho que estava realizando com minha namorada. Estava adaptando uma crônica, que ela havia escrito, para um roteiro de um curta. Foi desse contato, que resolvi escrever a história do filho do vizinho”, conta Alex Vidigal.

Foi então, em 2009, que o casal de namorados inscreveu os seus respectivos curtas no edital do Fundo de Apoio à Cultura de Brasília (FACA) para produzi-los. As duas propostas foram aprovadas. No ano seguinte, O filho do vizinho estava pronto.

O curta de seis minutos conta a história de dois personagens: o filho do vizinho e Ronaldinho. O primeiro não para um só instante. Ele joga bola, solta pipa, corre para lá e para cá, irritando muitas vezes os adultos. O segundo é um menino quieto, na dele. Para muitos adultos, Ronaldinho é um exemplo de criança. Ele passa os dias observando, da janela de sua casa, as peripécias do filho do vizinho, negando todos os convites do menino de sair para a rua e participar das brincadeiras.

À medida que o curta vai se desenrolando, o público se pergunta por que Ronaldinho não aceita nenhum convite, não brinca na rua com as outras crianças, não entra para a turma do filho do vizinho. A única pista é que a mãe de Ronaldinho o protege bastante, não quer que ele se misture com os outros. Mas por quê?

No final, a descoberta: Ronaldinho é cadeirante. Desta vez é o público – adultos e crianças – que fica surpreso e pensativo. O diretor queria que as pessoas refletissem sobre a infância de um cadeirante, com todas as suas limitações físicas e as que, muitas vezes, infelizmente, são impostas pela família e sociedade.

“O filme é, na verdade, um mix de muitas coisas da minha própria infância, onde minha mãe me prendia bastante. Vem também das observações do cotidiano, da infância em cadeira de rodas. Foi exatamente essa cena que um dia presenciei que despertou o interesse de escrever a história. Na prática, tinha um só objetivo: promover uma reflexão sobre a infância de uma criança cadeirante, sobre como os pais e a sociedade devem tratar a criança cadeirante”.

Objetivo alcançado. E, inclusive, entre estudantes da Educação Infantil e do Ensino Fundamental. Assim que ficou pronto, o filme foi exibido em algumas escolas de Brasília, onde mora o diretor. “Foi muito gratificante. Ouvia dos alunos que o mais marcante era a amizade entre o filho do vizinho e o Ronaldinho. Para mim, isso já valia como prêmio”, frisa.

Professor do curso de graduação de Comunicação Social da Universidade Católica de Brasília, Alex já tem planos para outros curtas. Na lista de prioridade, um sobre velhice e outro, sim, sobre infância. “Não quero ficar rotulado como realizador de curtas sobre ou para a infância, mas como realizador de histórias interessantes”, finaliza.



Fonte: Revista PontoCom

Nenhum comentário:

Postar um comentário