quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Tablet vira brinquedo e recurso pedagógico em escolinha infantil


Escola bilíngue do Rio usa aparelho em atividades com crianças de 2 anos.'Criança não diferencia digital do analógico', avalia educadora.


Eles não sabem ler nem escrever, mal aprenderam a andar e falar, mas já dão os primeiros passos no mundo da tecnologia. O uso de tablets se faz cada vez mais presente nas escolas de ensino fundamental e médio. Mas também quem ainda usa fraldas e mamadeiras começam a se familiarizar com a prancheta eletrônica.Em uma escola bilíngue da Zona Sul do Rio, o tablet serve como um recurso pedagógico que diverte os pequenos desde antes dos dois anos de idade e ajuda em seu desenvolvimento.


“A tecnologia se insere dentro da proposta pedagógica de oferecer recursos para que a criança se desenvolva, sem o medo da tecnologia que as gerações anteriores tinham. A criança não faz a diferenciação entre analógico e digital que o adulto faz. Para ela, esse é um ambiente natural. Ela já nasceu dentro desse mundo tecnológico”, pondera Silene de Farias Cordeiro, coordenadora de tecnologia educacional da escola Centro Educacional Miraflores, nas Laranjeiras, Zona Sul do Rio.

O tablet é usado para contar histórias e mostrar figuras geométricas, entre outras atividades. Diante do tablet, as crianças se comportam como com qualquer brinquedo. Ouvem a história como se acompanhassem a leitura de um livro de papel. A escola conta também com computadores, lousa interativa e uma tartaruga robô. “Através desses recursos, as crianças podem interagir entre elas, com os objetos e adquirir conhecimentos diversos”, afirma a professora Silene.
Iniciação à tecnologia
Leonardo Villela de Castro, professor de educação da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UniRio), não vê problemas nessa iniciação precoce. “A linguagem de computador tem muito apelo e similaridade com a maneira como as crianças lidam com o mundo. Nesse sentido, pode ser interessante, desde que não seja nada obrigatório, desde que não seja nenhuma pressão para que aprendam desde cedo a manipular a máquina nem a vê-la como única fonte de busca de prazer e conhecimento”, ressalta.
Num momento em que alguns estados americanos querem abolir o ensino da escrita cursiva em troca da digitação no computador, o educador pede cautela.
“Aprender desde cedo a usar um teclado e digitar é um ganho para a criança. Mas não se substitui uma coisa pela outra. Agrega-se. A escola não deve fazer isso para tentar vender uma imagem de modernidade. Aprender a escrever e desenhar com lápis é um ganho para a criança. Por que apagar isso em detrimento de outra forma?”, questiona.
Fonte: G1/Cristina Boeckel e Gisele Porto 08/09/2011

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