domingo, 31 de julho de 2011

A criança na TV brasileira

Dia 11 de Agosto é o Dia da Televisão, por isso, resolvemos compartilhar com vocês alguns textos produzidos pela RevistaPontoCom para lembrar a data e nos fazer refletir sobre esse veículo de comunicação. Esperamos que eles sirvam de inspiração para bons debates!
Por Marcus Tavares - RevistaPontoCom

Quem estuda a televisão comercial aberta brasileira garante que não é de hoje que a sua programação é alvo constante de preocupação de pais e educadores. Um bom exemplo, levantado por Mário Fanucci, no livro Nossa Próxima Atração (Editora Edusp), data de 1951. Depois de um ano da chegada da TV ao país, a direção do Canal 3 TV Tupi-Difusora já recebia cartas de telespectadores. Uma delas trazia o seguinte trecho: Desde que compramos uma TV não sabemos mais o que fazer para as crianças irem para a cama no horário a que estavam acostumadas. Se a gente deixa, elas ficam grudadas na televisão até o último programa. Vocês não têm alguma idéia para ajudar os pais desesperados.
Na década de 50, no afã de conquistarem audiências, as emissoras ainda davam certa atenção ao fato. Não é à-toa que algumas gerações ainda se lembram de vinhetas exibidas pela própria Tupi  com o objetivo de marcar o horário da programação adulta. Fanucci lembra que, por volta das 21 horas, surgia “a imagem de um indiozinho [o Tupiniquim como era conhecido o logotipo da emissora] deitadinho na rede, no interior de uma oca. Seu cocar, que era uma antena de televisor, aparecia dependurado num dos postes de sustentação, e pela janelinha via-se a lua num céu estrelado”. As imagens eram embaladas por uma canção de ninar que dizia: Já é hora de dormir. Não espere a mamãe mandar. Um bom sono pra você. E um alegre despertar.
De acordo com Fanucci, o efeito do jingle – o primeiro a ser transmitido sistematicamente pela tevê – era instantâneo. “Para os pais, foi um alívio transferir para a estação de tevê a antipática missão de afastar as crianças do receptor. Para as crianças, o recado do indiozinho era tão poderoso que anulava qualquer tentativa de protesto. E, finalmente, para a direção da emissora era outro ponto a favor em seu esforço para agradar ao crescente número de telespectadores. O saldo negativo ficou para os autores, responsáveis pela frustração de um sem-número de crianças obrigadas a ir para cama no horário fatídico”, afirma o autor.

No artigo O que é infantil nos programas infantis?, a professora Rita Marisa Ribes Pereira conta que, ao longo da história da TV brasileira, as crianças ocuparam diferentes lugares na programação. A princípio, não havia nenhum produto dirigido para a faixa etária. As atrações eram ao vivo, à noite e voltadas, basicamente, para os adultos. As crianças só passam a integrar a audiência à medida que os canais começam a elaborar uma programação baseada em clássicos da literatura, em apresentações artísticas ou em concursos de conhecimentos gerais.

O exemplo mais emblemático é de 1952, quando estréia na mesma Tupi, a primeira adaptação do Sítio do Picapau Amarelo, de Monteiro Lobato, assinada por Tatiana Belinky. De acordo com pesquisadores, o programa, no ar até 1962, logo chamou a atenção dos anunciantes. O Sítio se transformou no primeiro produto televisivo a utilizar a técnica do merchandising. A série não tinha intervalo comercial e cada episódio durava 45 minutos.


“Com o advento da televisão, fomos convidados a apresentar nossa montagem [teatral] da época, Os três ursos, nos estúdios da pioneiríssima TV Tupi de São Paulo, em 1952. Imediatamente, a emissora nos convidou para fazer um programa semanal dirigido às crianças. Começamos com o programa Fábulas Animadas e logo depois entramos com O Sitio do PicaPau Amarelo, que era um programa semanal, em horário nobre. Pouco depois, tínhamos outros produtos baseados na literatura universal. Todos esses roteiros eram por mim adaptados com a intenção de promover a leitura. Os programas começavam e terminavam na estante de livros. Na verdade, foi um caso único, pioneiro, de uma ampla programação infanto-juvenil cultural, formativa, numa emissora de TV comercial”, conta Tatiana Belinky em depoimento ao Museu da Televisão Brasileira.


Seduzidas, as crianças, ainda nos primeiros anos da TV, deixam de ser apenas telespectadoras. Ao lado dos adultos, elas passam a apresentar os programas da época, como o Cirquinho Bombril, o Teatrinho Trol e o Teatrinho Gessy. Em 56, na TV Tupi, estréia Pollyana, a primeira novela infantil brasileira, também adaptada por Tatiana Belinky.

Em 72, a Rede Globo, em co-produção com a TV Cultura, coloca no ar a Vila Sésamo, versão brasileira de Sesame Street, que fica conhecida como a melhor adaptação mundial da série. Em 77, a Rede Globo leva para a TV a segunda versão do Sítio do Picapau Amarelo, no ar até 1986. Em 1979, é reconhecida pela Unesco como a melhor produção infantil do mundo.


Porém, a partir da década de 80, o formato dos programas infantis muda. Até então pautados em histórias da literatura ou em apresentações artísticas, os programas aparecem repaginados, voltando-se para a animação e gincanas. É quando surgem os apresentadores de programas infantis que se transformam no carro-chefe da produção audiovisual. São deste período o Show do Bozo (SBT, 1981), o Balão Mágico (TV Globo, 1982), TV Criança (Bandeirantes, 1984), o Clube da Criança (TV Manchete, 1985), ZYB bom (Bandeirantes, 1987), TV Fofão (Bandeirantes, 1987), Show Maravilha (SBT, 1987) e o Xou da Xuxa (TV Globo, 1986).

Este novo formato, segundo Rita Ribes, “confere à criança um novo lugar no espaço midiático: transformada em cenário, ela se alterna entre a imobilidade de ser um mero pano de fundo e o incessante e desconexo movimento das danças coreografadas, brincadeiras competitivas que valem prêmios, degustação ou exibição de produtos de empresas patrocinadoras”. Transformada em imagem, completa a professora, a criança assume um novo status, sendo reconhecida como consumidora.

Coincidentemente, o jornalista e psicólogo Inimá Simões, em seu livro A nossa TV brasileira – por um controle social da televisão (Editora Senac-São Paulo), destaca que a década de 80 marca um novo período na historiografia da tevê no país. Segundo ele, trata-se de uma fase, que se segue até os dias atuais, “marcado pela distribuição a granel de concessões [só em 1988, são concedidas 47 outorgas] e recuo nas funções regulatórias do Estado, enquanto a televisão assume lugar no topo da pirâmide do poder, como principal formador da opinião pública brasileira e acima dos controles institucionais”.

Ainda segundo o autor, é a partir desta década e mais especificamente no final da de 90, que uma grande parcela da população, até então fora do mercado, passa a integrar a audiência nacional. Em 1996, a indústria nacional vendeu nada menos do que 8,5 milhões de aparelhos de TV – o recorde histórico do setor.

“Nesse ponto, as emissoras cuidam de redirecionar suas programações, procurando incorporar – ainda que não se trate de consumidores no sentido formal do termo – esses contingentes. Ratinho entra em cena. Gugu Liberato (SBT) e Fausto Silva (TV Globo) digladiam-se numa batalha pela audiência dominical que provocará muita celeuma”, destaca Inimá.

Segundo Mário Fanucci, o que já acontecia desde os primeiros anos da TV é, a partir do final da década de 90 e início do século XXI, divulgado oficialmente pelas empresas de pesquisas de audiência: as crianças passam a assistir cada vez mais à programação adulta.

Em seu estudo, a professora Rita Ribes ainda aponta uma nova etapa dessa história: o surgimento das TVs por assinatura. Vinte e quatro horas no ar ininterruptamente, as emissoras oferecem canais importados e exclusivos para a criança, que “deixa de ser tratada como simples espectadora e passa a ser vista na sua condição potencial de produtora, sendo chamada a opinar sobre a programação”.

Fonte: RevistaPontoCom 31/07/2011

Livros para uma vida

Dezoito educadores selecionaram 204 obras essenciais para serem lidas do Ensino Infantil ao Ensino Médio. Veja no site do Projeto Educar para Crescer, da Editora Abril, e acrescente livros que não estão na lista, mas você acha que valem a pena serem lidos: http://educarparacrescer.abril.com.br/livros/index.shtml

 

As novas solidões

Compartilhamos dica de leitura do colega Eduardo Jorge, coordenador do programa Público na Escola, do jornal Público, de Portugal. Ele nos sugere o livro As Novas Solidões, de Marie-France Hirigoyen. Leia a resenha abaixo!

Por Eduardo Jorge - Em As novas solidões (Vale de Cambra: Caleidoscópio, 2011), Marie-France Hirigoyen, uma psiquiatra, psicanalista e terapeuta familiar, conhecida, sobretudo, por ser autora de livros sobre assédio no trabalho e no quotidiano, dá conta de um paradoxo: vivemos na era da comunicação, mas, de facto, estamos todos mais sós.

A autora julga que “a solidão nem sempre é percepcionada como tal, porque pode ser disfarçada por encontros, agitação, ocupações profissionais”. Diz ela que “algumas pessoas, não suportando confrontar-se com o silêncio, preenchem-no com rádio ou televisão e vêem o que quer que lhes apareça à frente. São os mesmos que de seguida telefonarão a alguém ou ligarão o computador para conversar em chats durante toda a noite. Com uma bulimia de informação, outros mantêm-se a par da actualidade em tempo real, aderindo a um servidor que lhes envia SMS para o telemóvel. Para eles, um dia sem notícias é inconcebível...”

A psiquiatra, psicanalista e terapeuta familiar olha com desconfiança para muito do que a Internet oferece, considerando, por exemplo, “o chat é tagarelice, palavras cujo conteúdo pouco interessa e que estão ali simplesmente para preencher o vazio”. Além disso, “não se trata também de uma troca de palavras rituais com o intuito de não entrar demasiado bruscamente no crucial da conversa, mas de palavras anódinas e que continuarão a ser anódinas. Num chat ficamos à superfície, não temos vontade de nos aproximar do outro. Os fóruns, os chats, os blogues, as páginas pessoais dos cibernautas, tudo isto constitui uma forma de nos afastarmos da realidade, de nos distanciarmos das emoções dolorosas”.

Marie-France Hirigoyen refere uma maleita destes nossos tempos: “Querem fazer-nos crer que o nosso sentimento de solidão provém de uma deficiência de comunicação e que é possível fazer desaparecer a solidão enchendo-nos de informação, música, consumo, comunicação... Até nos propõem formações em comunicação, estágios de desenvolvimento pessoal com, esta máxima paradoxal: ‘É preciso comunicar!’ Mas o problema é que todas as nossas conexões estão saturadas e já não há espaço para um território íntimo. Trocamos informações, mas a falta de comunicação tornou-se regra”.

As novas solidões é, sem dúvida, uma leitura muito proveitosa. (Eduardo Jorge Madureira)

Un estudio sobre internet en las aulas

Un estudio sobre internet en las aulas. ¿Qué nos dicen los profesores de secundaria sobre el uso de estos recursos en sus prácticas?
Artigo de Elena Ramirez, Isabel Cañedo, María Clemente, Jesús Jiménez e Jorge Martín, da Universidad de Salamanca, publicado na Revista Iberoamericana de Educación - OEI

Introducción
La introducción de las tecnologías de la información y la comunicación (TIC) en los centros escolares ha generado bastantes expectativas en torno a la transformación que pueda operarse en la enseñanza del currículo. Este trabajo estudia cómo los profesores de enseñanza secundaria están incorporando a sus prácticas algunas de estas tecnologías, en concreto los recursos asociados a Internet. 
Nos interesa examinar cuáles son los recursos que se introducen, cómo se implementan y, sobre todo, cuáles son las razones que explican su incorporación en las clases, valorando simultáneamente si ello se asocia a cambios en el desarrollo del currículo.
La explicación de la introducción del uso de recursos TIC en las aulas descansará sobre la tesis de que este proceso de incorporación se entiende como una innovación educativa. Y el grado en que se asumirá esa innovación dependerá de dos grupos de factores: los que denominaremos estructurales y organizativos y los relacionados con el profesor, con su conocimiento profesional, actitudes y creencias.
Nos proponemos ir más allá de aquellos estudios en los que, simplemente, se enumeran los
factores que intervienen en estos procesos. Desearíamos avanzar para aproximarnos a una explicación en la que se vea la relación entre distintos elementos. Ello nos permitiría sugerir ciertas orientaciones tanto a los docentes como a la administración, así como sugerir nuevas líneas de investigación.

Las TIC como innovación
Existe un acuerdo relativo a que la integración de las TIC en la enseñanza, se entiende como un proceso de innovación. Dicho proceso ha sido descrito a través de dos etapas de características diferenciadas: una primera en la que los centros establecen como eje la infraestructura que se necesita para llevar a cabo la innovación, sin cambiar los rasgos organizativos básicos y sin alterar la forma en que alumnos y profesores ejecutan las tareas en la organización curricular. Y una segunda etapa en la que cambian los objetivos, estructuras y roles de la organización, lo cual conduciría a usar nuevos enfoques en la
enseñanza (nuevas estrategias o actividades), y a modificar las creencias y teorías pedagógicas en los profesores. Esta segunda etapa, habitualmente no se verifica en todo el sistema, puede afectar a elementos aislados, y no repercute en toda la organización: la innovación se diluye o se ajusta a lo que ya hay, sin afectar a ningún proceso educativo esencial (Fullan, 1991). Las razones para explicar las dificultades en esta segunda etapa son diversas. Por ejemplo, Fullan (1991) plantea la dificultad de impulsar las innovaciones de
“arriba-abajo”, desde la administración educativa. De esta manera explica que los profesores se resisten a los cambios que se les imponen cuando no se les dan las suficientes oportunidades a largo plazo para dotar a las tecnologías de sentido en su trabajo.
 
En otro sentido, Cuban (1993, 2001) respecto a la introducción de las TIC en las prácticas docentes, aporta razones que tienen que ver con las creencias culturales sobre lo que es la enseñanza, cómo se lleva a cabo, cuál es el conocimiento propio de la institución escolar, y la relación alumno-profesor (no alumnomáquina). Subraya que la organización graduada en los centros ha influido profundamente en lo que los profesores hacen en las clases, incluyendo la adopción sólo de aquellas innovaciones que se ajustan a los perfiles de esta organización graduada. Dicha organización por grados establece una clasificación de
materias, profesores, objetivos curriculares muy estratificadas por edades, niveles de especialización, incluso espacios de centros, que se ve desajustada con la introducción de ciertas tecnologías que rompen esas delimitaciones muy arraigadas.
 
A lo largo del proceso temporal de la innovación, los estudios de revisión sobre el tema (Mumtaz, 2000), han puesto de relieve una gran cantidad de factores y condiciones que influyen en la implantación real de este tipo de recursos. El primer grupo de factores es el que relaciona la implantación de las TIC con cuestiones estructurales. Dentro de este grupo destacarían las políticas educativas, la disponibilidad de apoyos externos, el grado de compromiso de los centros en relación con la innovación o la accesibilidad de recursos en estos soportes. Un segundo grupo de factores es el que relaciona la innovación de las TIC con aspectos referidos al profesor. Estos factores centran la atención en cuestiones como la edad, la experiencia profesional, la formación en TIC, las actitudes hacia la enseñanza con estos soportes y las habilidades y conocimiento con respecto a ellos. En el trabajo que aquí presentamos, nos interesa estudiar ambos tipos de factores para explicar el grado de introducción de las TIC en centros de enseñanza secundaria, por ello iremos describiendo cada uno de ellos con más detalle.

Para ler o artigo completo: http://www.rieoei.org/deloslectores/3971Ramirez.pdf

Castells propõe outra democracia

Por Antônio Martins, do site Outras Palavras
Artigo republicado no "Nós da Comunicação" e agora neste blog "Mídia e Educação"- 20/07/2011

Estranha Europa. No terreno dos direitos sociais e da política institucional, um passo atrás sucede o outro, numa espiral descendente que parece não ter fim. Na última semana, a Itália promoveu nova rodada de privatizações e ataques ao estado de bem-estar social (entre outros pontos, acabou a gratuidade das consultas médicas com especialistas, na rede pública de saúde).

Medidas semelhantes têm sido adotadas há pelo menos um ano e meio, desde que o continente decidiu cobrar das sociedades o desfalque provocado nas finanças públicas pelo socorro aos bancos… As eleições, que deveriam corrigir tais retrocessos, parecem impotentes. Os partidos com chances reais de chegar ao poder igualaram-se, ao aderirem a um ‘pensamento único’ que nunca ousa tocar os lucros do sistema financeiro. A esquerda mais radical parece, como tantas vezes, incapaz de dialogar com as maiorias.

E no entanto, engana-se quem julga que tudo são misérias. Nos últimos meses, a Europa converteu-se num laboratório de novas formas de mobilização da sociedade civil – marcadas pela autoconvocação e busca de autonomia. O processo começou em setembro de 2010, quando os estudantes britânicos e italianos mobilizaram-se maciçamente (e de modo muito criativo) contra a cobrança de mensalidades (no Reino Unido) e uma contra-reforma universitária (na Itália). Ampliou-se a partir de maio, quando a juventude espanhola transformou em acampamentos as praças principais de dezenas de cidades, para protestar contra o sequestro do futuro coletivo por ‘políticos e banqueiros’. Daí derivou a ocupação da Praça Syntagma, em Atenas.

De que modo estas novas formas de expressão e de luta poderão transformar a sociedade? Em todas as mobilizações recentes, busca-se uma nova democracia (e se procura praticá-la em micro-escala, na gestão de assuntos como alimentação, limpeza e segurança dos acampamentos). Constata-se que, na Europa, as instituições que deveriam representar a sociedade – Parlamentos e governos – perderam ou abandonaram este papel.

No entanto, é nestas instituições que ainda se concentra o poder – inclusive o de estabelecer ou extinguir direitos. É preciso, portanto, incidir sobre elas, pressioná-las – ainda que se procurem caminhos para superá-las, Como articular esta dialética, que exige reivindicar de quem se considera ilegítimo?

As praças espanholas foram, além de tudo, palco de importantes reflexões teóricas a este repeito. Os debates eram feitos ao ar livre, sem nenhuma solenidade – mas com muita densidade e empenho criador. Na Praça Catalunha, em Barcelona, o sociólogo e filósofo Manuel Castells compareceu a um dos diálogos. Falou cerca de 50 minutos, sobre Comunicação, Poder e Democracia.

Lembrou sua condição de participante ativo dos movimentos de maio de 1968 – talvez o primeiro momento em que se reivindicou coletivamente a superação democrática das instituições surgidas da revolução francesa. Foi, como é de seu costume, claro e incisivo. Em alguns momentos, não se furtou a recomendar ações e posturas: por exemplo, a luta pela universalização do acesso à internet e a atitude de não-violência ativa.

Os vídeos com a fala de Castells estão disponíveis na internet (veja ao final do texto). Para que possa circular mais amplamente e despertar reflexão mais profunda, ‘Outras Palavras’ transformou-o em texto escrito e traduziu-o para o português. Ótima leitura!

* * *

Meu nome é Manuel Castells. Sou professor e investigador da Universidade da Catalunha. Estou aqui para falar com vocês sobre Comunicação, Poder e Democracia. Uma das acampadas perguntou-me se gostaria de comparecer ao acampamento para falar de algumas das ideias que tenho desenvolvido há muitos anos, precisamente sobre este tema, e que estão reunidas num livro que lancei há pouco, Comunicação e Poder. Fiquei encantado, porque acho central debater publicamente estes temas. Quis contribuir à maneira que posso para um movimento que ocorre em Barcelona, na Catalunha, na Espanha e em outros países. Ontem, já havia 706 acampamentos em todo o mundo e continuam a se multiplicar. São como a água. Quando ela corre, passa por qualquer lugar, supera obstáculos.

Quando há uma necessidade real, sentida em muitas sociedades, baste que a luta por ela comece a se expressar em alguma parte para que se difunda um sentimento de que ‘nós também podemos’. Foi o que ocorreu, por exemplo, com as revoluções árabes. É interessante que um dos sites mais atualizados sobre o movimento [espanhol] chama-se ‘Yes, we camp’, reproduzindo o que Obama disse em sua campanha – embora saibamos que agora as coisas estão mais complicadas. O importante é que muitas pessoas, em todo o mundo, não aceitam a fatalidade da crise e pensam que podem fazer algo – o quê, ainda não sabem – para enfrentar a miséria política predominante e recuperar o papel de protagonistas que as pessoas sempre desejaram ter em seu futuro.

Não estou aqui para fazer um discurso político, mas para compartilhar o que pude fazer, em termos de investigação, reflexão e análise a este respeito, durante muitos anos. Começarei debatendo qual a relação entre comunicação e poder. Debaterei em seguida a crise que a democracia está vivendo e as soluções concretas que se propõem para a reconstrução desta democracia.

* * *

As relações de poder são essenciais em todas as sociedades e através da História. São, aliás, as relações essenciais em nossas sociedades, porque quem tem poder constrói as instituições em função de seus interesses e valores. As instituições que vivemos são, cada vez mais, simples expressões destas relações de poder.

Mas como se forma o poder? Ele está fundamentalmente em nossas mentes: não fora, mas dentro de nós. Claro que há, também, a violência e a intimidação, para o caso de nos atrevermos a pensar diferente – mas a História demonstra que um poder que se apoia apenas na violência é sempre débil. Para superá-lo, é preciso passar por muito sofrimento. Mas, em última instância, a dominação das mentes é muito mais eficaz que a tortura.

Por isso, a batalha do poder está em nossas mentes, na forma que pensamos. Ela determina o que fazemos. E as mentes são redes: redes neuronais, que formam suas visões de mundo, suas concepções, em relação com outras pessoas, outras mentes, outras redes de neurônios e com as redes de nosso entorno social e natural.

Tudo isso é o processo de comunicação. Ela é simplesmente a conexão entre distintas redes neuronais. O entorno comunicativo e o que se passa nele é, portanto, o elemento fundamental através do qual nossas mentes funcionam e, portanto, formam-se as relações de poder.

Onde quer que haja poder, haverá resistência a ele. E o controle da comunicação foi sempre a forma fundamental de exercício do poder

Felizmente há sempre, nas sociedades, não apenas poder, mas, também, contrapoder. Se existe uma lei social geral certamente válida, é que sustenta: onde quer que haja dominação, haverá resistência a ela. Em consequência, ao longo do tempo e também aqui, hoje, o que aparece como ‘normal’, ‘natural’, ‘estabelecido’, ‘acordado’ são simplesmente os resultados dos compromissos de luta e negociação que se dão entre distintos interesses e valores na sociedade. Quem ganha vai ampliando seu poder nas instituições. Quem contesta o poder e apresenta ideias novas, se tem poder suficiente, vai mudando estas instituições. Esta é a História, continuamente. O vai-e-vem entre o velho e o novo; entre os interesses que já estão cristalizados, burocratizados nas instituições e as interesses e valores de quem quer propor uma nova maneira de ser e viver.

É por isso que o controle da informação e da comunicação foi sempre a forma fundamental de exercício do poder. O controle dos governos, das grandes empresas midiáticas – esta é a forma essencial. E por isso a política transformou-se, hoje, em algo midiático. O que não existe nos meios, não chega aos cidadãos – e, portanto, não existe. Aliás, o mais importante da política mediática não é tanto o que dizem os meios, mas o que eles ocultam: a ausência de mensagens, opiniões e alternativas.

Na medida em que há uma mudança organizativa e tecnológica no entorno da comunicação, mudam também os processos de comunicação, e como consequência as relações de poder. Qual a mudança fundamental que temos observado nos últimos anos? É a passagem de um sistema totalmente dominado pela comunicação de massas, e centrado nos meios de comunicação de massas, para um sistema que chamo de autocomunicação de massas, através da internet.

Por autocomunicação de massas podemos entender a capacidade de cada pessoa para emitir suas mensagens, selecionar as que quer receber e organizar suas próprias redes – nas quais os conteúdos, as formas e os participantes são definidos de forma autônoma. É claro que isso acontece em um cenário dominado por grandes empresas de comunicação e pelas empresas de internet. Porém, dentro desse espaço existem possibilidades infinitamente maiores que havia no espaço tradicional dos meios de comunicação de massa. Pode-se organizar redes horizontais de comunicação interativa, que chegam à sociedade através de pessoas, interesses, valores e grupos sociais não representados pelos sistemas corporativos de poder. Em consequência, ampliou-se extraordinariamente o espaço para a comunicação conflitiva e, portanto, o espaço de autorrepresentação das pessoas na sociedade.

Durante anos, minhas observações dos movimentos sociais mostram que essa autonomia comunicativa tem sido aproveitada, para organizar e ampliar a mobilização. Desde março de 2004, na Espanha, existe um movimento espontâneo, através de mobilizações, provocadas pelas mentiras do governo naquele momento. Tudo o que se passou nos últimos anos e as revoluções árabes, toda essa experiência mostra que o processo muda a partir do momento em que é produzida alguma indignação por algum ato que já não se pode suportar. A partir dessa indignação organiza-se um debate. Desse momento em diante, as iniciativas de rede, do ciberespaço, passam ao espaço urbano, e se organiza uma interação entre o espaço urbano e o da rede virtual. Ela organiza, mobiliza, gera uma dinâmica que modifica instantaneamente as relações de poder na sociedade, e começa a influenciar o mais importante: as mentalidades das pessoas.

As pessoas percebem que não estão sozinhas e se tornam mais fortes. O sistema passivo de comunicação e democracia consiste em isolar as pessoas e agregá-las em função dos que controlam o poder

De repente, as pessoas percebem que não estão sozinhas. O que sentem, o que pensam, outros também sentem e pensam. E quando não estão sozinhas, as pessoas são mais fortes. Porque todo o conjunto do sistema passivo de comunicação e de democracia consiste em isolar essas pessoas e agregá-las em função dos que controlam os sistemas de poder nas instituições. A separação e agregação segundo o que já está estabelecido fazem com que só se possa pensar através dos sistemas predeterminados pelos interesses que dominam as instituições. A partir do momento em que surge uma dinâmica espontânea de organização em rede, na internet, nas ruas e nas relações interpessoais – a partir daí, a dinâmica muda. Quando as pessoas já não estão sozinhas, quando sabem que estão juntas, produz-se a mudança mais importante nas mentes. Perde-se o medo de dizer e de fazer. Porque o medo é a emoção primordial do ser humano, porque todos somos descendentes de covardes, pois se os valentes não corressem o suficiente, eram pegos pelas feras.

Portanto, toda a sociedade está baseada na capacidade de instigar o medo nas pessoas, e na capacidade das pessoas em superar esse medo. Essa superação só pode ser feita em grupos, nunca individualmente. É da superação do medo, através da reunião de indivíduos em grupos – mas sem deixar a sua individualidade – que começam a surgir críticas, alternativas e debates sobre que outras formas de vida são possíveis.

* * *

Isso permite colocar saídas para a crise da democracia atual. Em todo o mundo, estamos vivendo uma crise muito séria e profunda da democracia. A democracia representativa foi uma conquista histórica dos povos, que custou muito sangue, suor e lágrimas, contra os despotismos que dominaram grande parte do mundo. Porém, a partir do momento em que já se constituem instituições democráticas, imediatamente formam-se partidos políticos, que definem as regras da participação política de acordo com seus interesses e os interesses que representam. Fecham-se outras vias de representação e se assegura por lei eleitoral que apenas os partidos majoritários podem governar.

A democracia representativa é reduzida, a distância em relação aos cidadãos aumenta, e a classe política organiza-se como classe própria, como trabalho profissional. Já não importa qual ideologia o político segue, ou se é corrupto ou não. Eles podem dizer: ‘a política sou eu, a política é o partido e o partido sou eu’. Qualquer tipo de intervenção política tem que passar por essa instância estrutural dos partidos. Em consequência, quando há corrupção, há impunidade. Quando há erros graves na condução de políticas sobre a crise econômica, não se responsabiliza ninguém por tais erros e pelas consequências que produziram sobre os cidadãos. Só quando chegam as eleições os políticos pagam por seus erros. Mas o eleitor deve escolher entre dois menus da mesma cozinha. Porque as leis eleitorais foram construídas para que os partidos majoritários continuem sendo majoritários. A menos que ocorram ‘terremotos eleitorais’, o que não é impossível, mas só acontece como consequência de mudanças sociais profundas.

Dois terços dos cidadãos do mundo acreditam que não são governados democraticamente. Dizem que vivem numa democracia, porém ela não é democrática. E isso é considerado normal

A classe política é o grupo mais desprestigiado em todas as pesquisas internacionais sobre prestígio profissional. Inclusive, na Itália, os mafiosos e as prostitutas se saíram melhor que os políticos. As pessoas diziam que pelo menos eles dizem o que fazem, diferentemente dos políticos. Insisto que isso é prejudicial para a maioria dos políticos, que são honestos e tentam fazer seu trabalho. Mas quando há um sentimento tão generalizado no mundo, os políticos fizeram algo que os colocou como classe homogênea, porque não é excepcional: foi empiricamente constatado pelos estudos de sociologia política.

Quando as coisas vão ‘mais ou menos’, tudo continua igual. Estudos mostram que 75% das pessoas votam contra alguma coisa, e não a favor. As mensagens na propaganda política são, na maioria das vezes, negativas, pois os profissionais de marketing político sabem que uma mensagem negativa tem cinco vezes mais impacto que uma mensagem positiva. Portanto, todos atacam todos, e assim todos os políticos afundam na opinião das pessoas.

Porém, quando as coisas vão mal, quando há uma crise, há um despertar de interesse por saber como as coisas poderiam ser diferentes. Quando os cidadãos percebem que não estão satisfeitos com as alternativas que existem, cria-se uma insatisfação. Então, rompe-se a confiança básica entre os cidadãos e aqueles que os deveriam representar. Esse desencontro entre o que as pessoas pensam e seus representantes significa que os representantes da democracia caminham para um lado, enquanto o sentimento dos representados vai por outro.

Devemos lembrar que, de acordo com o modo como se organiza a insatisfação popular, podem ocorrer movimentos extremistas, fascistas, racistas, xenófobos, que já se vê na Catalunha. Foi o que ocorreu na crise dos anos 30 – da qual não surgiu a revolução socialista, mas o fascismo. Por esse motivo, é importante que outros movimentos coletivos, com valores positivos, humanos, humanistas ocupem o espaço para preencher essa lacuna entre a política e a sociedade.

Portanto é necessário que a ideia de uma reconstrução da democracia esteja nas ruas, aqui e no mundo. Aqueles que representam a democracia hoje não podem fazer essa reconstrução, pois ela vai contra seus interesses como grupo profissional e grupo político. Muitos tentaram implantar mudanças, porém seus próprios partidos cortaram esses projetos. É o sistema que bloqueia essa reconstrução, e não os indivíduos. Esses sistemas têm interesses poderosos, relacionados ao poder político, econômico, cultural, tecnológico. Se não houver uma pressão social, não haverá mudança. E a mudança social inicia com as mentes: o que muitas pessoas estão fazendo, aqui e em outros lugares, é mudar a forma de pensar de si mesmas e das demais, pensar diferente e pensar juntos.

* * *

Três temas me parecem básicos para a reconstrução da democracia. Poderiam ser debatidos aqui. Um é a democracia através da comunicação. Outro é que tipo de instituições democráticas e de reforma democrática necessitamos. Por último, se existem outras formas de democracia.

A comunicação é fundamental, pois é a base da relação entre poder e contrapoder. A democratização da comunicação é o princípio da democratização das instituições da sociedade. A comunicação para toda a sociedade é um direito fundamental: a comunicação livre, autônoma e para todo o mundo é um direito tão fundamental quanto a saúde e a educação. Esse direito concretiza-se hoje pela internet e pelas redes móveis como direito humano fundamental.

O acesso à internet precisa ser universal. Também o acesso à telefonia foi subsidiado. É essencial multiplicar pontos de acesso. As pessoas precisam poder acessar quando necessitarem

O acesso à rede precisa ser universal e subsidiado. A forma de financiar este direito depende das negociações entre os reguladores públicos e as empresas de telecomunicação. Na história das telecomunicações, o acesso à telefonia foi subsidiado em diversos países e o mesmo pode ser feito com a internet. Também é essencial a multiplicação de pontos de acesso público e gratuito, nos centros sociais, nas escolas, nas bibliotecas, para que a internet seja sempre algo possível para todos. As pessoas precisam poder acessar quanto necessitarem. Porém, isso não significa que só devemos nos comunicar pela internet. Por exemplo, a ideia de votar pela internet é um gravíssimo atentado à democracia, e a ideia de que as consultas médicas só deveriam ser feitas pela internet também é prejudicial. É preciso ter opções. O direito fundamental é ao acesso. Ele permite que todos se comuniquem com todos; permite a construção de uma rede em função de nossos projetos, nossos interesses e nossos sonhos.

Além disso, é preciso lutar pela liberdade de internet, pois o acesso à internet não é o mesmo que uma internet livre. Acabar com a censura, acabar com a invasão de privacidade, que é uma prática constante, e a livre circulação de conteúdos digitais. Implica ir a quem está por trás das leis: empresas de conteúdos culturais e os grupos de pressão que atuam para que não haja liberdade na internet (…).

Também é preciso que se crie instituições e processos democráticos de forma concreta. Existem medidas muito concretas para uma reforma política e institucional. A reforma na lei eleitoral para que não se discrimine as minorias políticas, e a possibilidade de contabilizar votos nulos e brancos. Como fazê-lo? Para isso, é preciso imaginação. Mas acredito que a ideia de representar os votos nulos e brancos no parlamento é muito interessante. Entre outras coisas, porque nas eleições de Barcelona, por exemplo, eles somam quase 7%.

A possibilidade de eleger pessoas não filiadas a partidos é básica. Um dos maiores escândalos da democracia é que se vote apenas em um partido. (…) Infelizmente, ninguém diz nada sobre isso, tudo continua igual, porque os que podem mudar são aqueles que se beneficiam desse sistema.

Quanto ao governo, insisto na transparência informativa absoluta pela internet. Tudo o que os cidadãos têm o direito a saber, tem que estar na internet, acessível. Mas não em letras pequenas em cinza, e sim como um sistema dinâmico, usando técnicas como as da publicidade, que torna as informações compreensíveis. Dessa forma se abriria a possibilidade de começar a construir alguma confiança nas instituições democráticas.

A internet deveria se utilizada em processos participativos e de consulta. A participação precisa ser mais que presenciar uma reunião burocrática, ao final de um dia de trabalho

As enormes possibilidades da internet também deveriam ser utilizadas para processos participativos e de consulta, em uma grande quantidade de problemas concretos, particularmente em nível municipal. A democracia participativa pode ser muito ampliada, se puder ir além da presença em uma comissão municipal burocrática, depois de um cansativo dia de trabalho. Se os processos de participação fossem estendidos a internet, inclusive com voto indicativo, a democracia poderia ser mais abrangente. Os representantes políticos teriam que ser submetidos a organismos que os supervisionem, mas isso daria muito trabalho. Insisto nesse ponto que as propostas do acampamento são muito precisas e vale a pena pensar nelas, refletir sobre elas e debatê-las.

Mas há algo mais importante. É a criação de novas formas de democracia, a partir dos processos de debates em curso. O mais importante, na minha opinião, não é o que se propõe, mas como se propõe. Não é tanto o que se faz, mas como se faz. Pois é aí que está a questão. Uma democracia futura não sairá de documentos, por mais completos e bem formulados que sejam. Sairá de práticas coletivas, que vão experimentando novos mecanismos de deliberação, representação e decisão. Vamos aprendendo no caminho.

Esse é o método, diria eu, político e científico. Através de experiências, pois é muito difícil que alguém invente um sistema novo, que substituiria o outro sem que haja debates e sem que as pessoas saibam exatamente o que está acontecendo. Daí a importância do que está sendo feito aqui e em outras ocupações de praças, a participação em comissões, a coordenação de comissões e o poder de decisão das assembleias; que cada coletivo específico gere suas próprias formas que podem ser controladas pelas pessoas que participam. É o que está sendo feito aqui, mas não apenas aqui, não apenas nos acampamentos, mas na sociedade.

O resultado disso seria a substituição da democracia dos partidos para a democracia das pessoas. É essencial o que já está sendo feito, que não haja líderes no processo, que se troquem as posições de influência, que se mantenha a abertura total, e tolerância total ao debate. O direito à estupidez é um direito humano fundamental, e deve ser respeitado. Que não haja mecanismos formais de militância, como não há aqui, que se confie, sobretudo, na capacidade coletiva, por interação, por uma estrutura em rede, de autocorreção dos defeitos, no conjunto da sociedade. Isso não é uma utopia, isso está sendo feito aqui, e se é feito aqui, pode ser feito na sociedade.

Não defendo isso como modelo único, mas em uma fase de experimentação. Essa forma de participação permite ver a emergência de modelos distintos, na prática. É um processo lento, porque queremos ir longe. Vamos fazer o que gostamos, vamos criar uma democracia, tranquilamente, e não depressa, como o é a vida hoje em dia.

Minha grande experiência com movimentos sociais – começando com maio de 68, do qual participei ativamente – me diz que aqui, e que em todos os acampamentos ao redor do mundo, existem raízes. Porque quaisquer que sejam as formas, elas se expandirão. Impulsionarão mudanças profundas, precisamente por ser este um movimento de pessoas, não de organizações. E as pessoas não são criadas ou destruídas, mas as pessoas se transformam.

É essencial que esse processo de reconstrução da democracia sustente um princípio fundamental. Um imperativo categórico, que na minha opinião, já se expressa: a não-violência

Mas não será fácil. E quando os poderes se derem conta de que as praças falam sério – pois ainda não se dão conta disso – reagirão, provavelmente de forma violenta. Existem muitos interesses em jogo. Por isso é essencial que esse processo lento e profundo de reconstrução da democracia viva com um princípio fundamental. Um imperativo categórico, que na minha opinião, já se expressa aqui, que é a não violência.

Depois de 11 dias de acampamentos por toda a Espanha, não houve nenhum incidente violento. Por isso, a violência provável do poder deve ter como resposta a não-violência das pessoas. E para isso é preciso muita coragem, porque responder a violência com violência é uma reação de medo. Será preciso trabalhar muito com as pessoas que têm tanto medo, que não o superam, e que se tornam violentas. É preciso ir a um nível superior, o da superação do medo a partir da aceitação medo. A única forma de superar o medo é sair da solidão, juntar-se com os demais, e se superarem o medo sem violência, tudo é possível.

Se precisasse criar um slogan, ele seria: medrosos do mundo inteiro, uni-vos pela rede, pois só podem perder seu medo.

Transcrição e tradução: Daniela Frabasile

sábado, 30 de julho de 2011

Cineclube nas escolas do Rio

Compartilhamos entrevista feita pela RevistaPontoCom com Adelaíde Léo, responsável pelo projeto Cineclube nas Escolas, desenvolvido pela Gerência de Mídia Educação da Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro. Esperamos que a leitura seja inspiradora!

 Adelaíde Leo e Luciana Bessa, coordenadoras do projeto Cineclube na Escola

Desconstruir a ideia de que a presença de filmes na escola limita-se ao puro entretenimento ou ao simples pretexto de ensinar determinado conteúdo. Esta é a proposta do projeto Cineclube nas Escolas, desenvolvido, desde 2008, pela Gerência de Mídia Educação da Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro. Dos 50 espaços iniciais, o projeto, hoje, está presente em 210 unidades.

“É necessário entender o cinema e a produção audiovisual como importantes caminhos para a ampliação de conhecimentos e do patamar cultural dos estudantes. Por meio de acervos de DVDs com curtas, médias e longas e de livros sobre a sétima arte, os alunos mais do que veem um filme. Eles aprendem ações e desenvolvem o cineclubismo dentro das escolas”, afirma Adelaíde Léo, responsável pelo Cineclube nas Escolas.

Em entrevista à revistapontocom, Adelaíde conta como funciona o projeto na prática e garante que o cineclube também desperta a potencialidade da produção audiovisual de professores e alunos.

Acompanhe:
revistapontocom – O que é o Cineclube nas Escolas?
Adelaíde Léo – É um projeto de implantação de uma política pública no campo do audiovisual. O projeto está organizado em três eixos: aquisição de equipamentos – como projetor, telão, caixas de som – e acervos de livros e filmes para as escolas; formação de professores e alunos; e ação cineclubista na escola, que se traduz em exibições de filmes, ida ao cinema e produção audiovisual por parte de alunos e professores. O projeto também prevê a realização de parcerias com diversos festivais e mostras que acontecem na cidade do Rio. Por meio delas, ocorrem exibições itinerantes nas escolas, participação dos alunos e professores nos festivais e mostra das produções das escolas nas programações oficiais dos eventos. Já estabelecemos acordos com o Festival do Rio, Mostra do Filme Etnográfico e Festival Ibero Americano de Cinema e Vídeo (Cinesul). O projeto tem como premissa desconstruir a ideia de que a presença de filmes na escola limita-se ao puro entretenimento ou ao simples pretexto de ensinar determinado conteúdo. É necessário entender o cinema e a produção audiovisual como importantes caminhos para a ampliação de conhecimentos e do patamar cultural dos estudantes. Quando o projeto foi elaborado, havia também uma intenção de garantir aos alunos o direito de acesso às produções audiovisuais, sobretudo aos curtas-metragens nacionais.

revistapontocom – Como o projeto funciona no dia a dia?
Adelaíde Léo – Na prática, as sessões cineclubistas acontecem, preferencialmente, no contraturno das aulas. As escolas que participam do projeto recebem acervos de DVDs, contemplando uma diversidade de possibilidades narrativas e estéticas, além de livros voltados para a temática. Cada escola também ganha equipamentos de projeção e filmagem, como telão, projetor multimídia, aparelho de DVD e filmadora digital. Professores e alunos participam de uma formação específica em cursos ministrados por profissionais da área, com objetivo de se aproximarem da linguagem cinematográfica. São os professores e os alunos de cada cineclube que elaboram todo o planejamento das sessões de cinema. A periodicidade das sessões varia de acordo com o ritmo de cada escola. Sugerimos que aconteça, pelo menos, quinzenalmente ou mensalmente. A escola pode fazer uma exibição por faixa etária, para um grupo específico ou para toda a escola.

revistapontocom – Os alunos são apenas expectadores?
Adelaíde Léo – Não. Nestas sessões, os alunos são incentivados a assumir o protagonismo das ações. Eles são responsáveis por todo o processo, da escolha do filme até a mediação do debate, que sempre acontece após a exibição. Cuidam do material de divulgação na escola e na comunidade, elaborando sinopse, ficha técnica, cartazes, panfletos, folders, convites, propagandas nos meios de comunicação da escola, bem como da produção de vinheta audiovisual para exibição no início da sessão. A testagem e o manuseio dos equipamentos também ficam sob a responsabilidade da equipe. Em cada debate, aberto a toda a comunidade local, são discutidas questões ligadas não só aos temas trazidos pelo filme, mas também à linguagem audiovisual. As emoções despertadas pela narrativa e a relação que o espectador estabeleceu com o filme também têm espaço garantido nos encontros. Todo o processo é registrado através da elaboração de um portifólio e de postagem de relatos nos meios de comunicação da escola, como o jornal escolar e blog. É importante que haja, sempre, um diálogo entre a ação cineclubista e a proposta pedagógica desenvolvida na escola, entendendo que esse movimento pode potencializar um conjunto de ações de desdobramento, permitindo, portanto, a articulação com diferentes campos do saber.


revistapontocom – Que filmes fazem parte do acervo do Cineclube?
Adelaíde Léo – Priorizamos filmes com uma boa narrativa, boa história, filmes inteligentes. O acerco é composto de filmes do cinema nacional e da coleção de Charles Chaplin.

revistapontocom – Uma das ações do cineclube também é a produção autoral de alunos e professores. Como é viabilizada essa produção?
Adelaíde Léo – Eles recebem equipamentos por meio do projeto. Além disso, muitas escolas também já têm em seu acervo câmera digital e softwares livres. Temos ainda parceria com o projeto Anima Escola, do Anima Mundi. E muitos professores já sabem trabalham com o Movie Maker e o Audacity. Entre as produções já realizadas podemos destacar: Fogo no céu, da Escola Municipal Burle Marx, Machado de Assis, do Núcleo de Arte Copacabana, O príncipe negro, da Escola Pio XII, e Um ônibus chamado Rio Ciep, do CIEP Presidente Agostinho Neto.

revistapontocom – Quantas escolas já foram beneficiadas?
Adelaíde Léo – O projeto foi implantado, em 2008, em 47 escolas, no Instituto Helena Antipoff, no Centro de Referência de Jovens e Adultos e na Sala de Leitura Lourenço Filho, que fica na sede da Secretaria Municipal de Educação, totalizando 50 pontos de cineclube. Destes, 30 estão localizados nas chamadas Salas de Leitura Pólo, que atendem outras escolas. Hoje já são 210 cineclubes escolares.  No entanto, podemos afirmar que, indiretamente, todas as escolas da rede são beneficiadas, à medida que as Salas de Leitura Pólo podem disponibilizar equipamentos e acervos para as demais escolas que não se encontram atualmente no projeto. Mas, de fato, o projeto pretende atingir todas as 1065 escolas, da Educação Infantil até o 9º ano do Ensino Fundamental, englobando também as escolas do Programa de Educação de Jovens e Adultos (Peja). Desde o ano passado, professores de escolas que não participam do projeto têm nos solicitado filmes para organizarem sessões em suas escolas. A perspectiva é que novas escolas, a cada ano, sejam incorporadas ao projeto. Neste ano, o cineclube já chegou a 11 Ginásios Públicos.

revistapontocom – O projeto é aberto a toda a comunidade?
Adelaíde Léo – Sim. Toda comunidade é convidada a participar do projeto. Mas é recomendado que os interessados entrem em contato com a escola para conhecer o cronograma.

Alma suburbana


O filme Alma Suburbana é o primeiro longa-metragem produzido por um professor da Rede Municipal de Ensino do Rio de Janeiro, com a participação de alunos da oficina de vídeo do Núcleo de Arte Grécia. 
Através de depoimentos de Eryk Rocha, filho de Glauber Rocha, Luiz Carlos da Vila, Marcelo Yuka, Antônio Ernesto, entre outras personalidades, o professor Luiz Claudio Lima e seus alunos retrataram não só o subúrbio carioca, mas a cultura presente em cada esquina, rua e, principalmente, na alma do suburbano. (Dica da RevistaPontoCom)

Dos baby boomers às gerações X e Y

Por Ricardo Zeef Berezin
Do portal IDG Now

A palestra do professor Graeme Codrington na InTouch 2011 – evento organizado pela Amdocs, provedora de soluções em software para empresas de telecom – se não foi a mais aplaudida, foi, de longe, a mais bem humorada. Sua apresentação, na semana passada, sobre as gerações Y, X e Baby Boomers, motivou gargalhadas de muitos dos presentes, talvez identificados com as situações que descreveu.
“Vocês são daqueles que só assistem DVDs quando seus filhos estão em casa, por não conseguirem mexer no aparelho? E não é nem uma questão de fazê-lo tocar a mídia, o problema é encontrar o controle remoto correto. E na hora de aprender a usar um smartphone novo, vocês leem o manual? Eles nem vêm mais com manual! Ou vocês o entregam aos jovens para que, 15 minutos depois, eles voltem para explicar direitinho o que fazer?”
Logo no começo da exposição, Condrington exibiu uma cena do filme De Volta Para o Futuro. Primeiro porque o futuro do qual o longa trata não está longe: 2015 –  e é hora de se perguntar se algumas das projeções foram acertadas. Segundo, porque seu lançamento, em 1985, se deu quatro anos antes de o mundo mudar completamente.
O professor lembra que a partir de 1989, grandes eventos se sucederam em um espaço de oito meses. Junho (5/6) marca o término dos protestos na Praça da Paz na China, logo após o massacre promovido pelo Governo do país. Em novembro, o muro de Berlin é derrubado, dando fim à divisão da cidade alemã em dois lados, capitalista e socialista. Um mês depois, em 25/12, o ditador Nicolae Ceausescu é executado, e a Romênia abandona a URSS. Já em 1990, em fevereiro, Nelson Mandela é libertado na África do Sul, após passar 27 anos preso.
Todos esses acontecimentos foram preponderantes para o desenvolvimento da Geração Y. Se seus predecessores da Geração X conviveram em meio a grandes incógnitas, incertos sobre o que os anos seguintes lhes reservavam, as crianças nascidas no começo da década de 80 já podiam ter uma ideia melhor sobre o caminho que deveriam seguir.
“Família, religião, condição econômica são fatores importantes, mas nada se compara a esses primeiros 15 anos de vida no que se refere à formação de uma pessoa”, esclareceu Codrington.
Em seguida, tratou de explicar as diferenças entre as gerações, e, para ilustrá-las, usou três peças publicitárias – todas de produtos de tecnologia.

Está gostando do texto e do assunto? Leia mais no link abaixo, do blog RevistaPontoCom:
Dos baby boomers às gerações X e Y

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Congresso Educação Midiática e Competência Digital acontece em Segóvia, Espanha, em outubro

El Congreso Educación Mediática y Competencia Digital tendrá lugar el 13-14-15 de octubre de 2011 en Segovia, España.
Informaciones: www.educacionmediatica.es





O que você espera da vida?


Tirinhas da Mafalda para reflexão: Você espera ou faz acontecer?!
Você só reclama o tempo todo da qualidade de alguns serviços ou vai além das reclamações e busca os órgãos responsáveis, faz denúncias e procura soluções?
Nossa postura diante da vida faz toda a diferença na sociedade.
Como você tem trabalhado o tema da cidadania entre seus alunos e /ou filhos?

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Redes e Comunidades – Ensino-Aprendizagem pela Internet

Abaixo, nosso olhar (não científico) e primeiras impressões sobre o livro "Redes e Comunidades – Ensino-Aprendizagem pela Internet", de Jaciara de Sá Carvalho, publicado pela Editora Instituto Paulo Freire e que faz parte da série Cidadania Planetária. (Cristiane Parente)
Boa leitura!

Um livro simples, mas não simplista. Gostoso de ler e esclarecedor. Acessível a qualquer pessoa. Uma porta aberta pra que tanto educadores já acostumados ao mundo virtual, quanto aqueles que estão pensando em aderir agora, possam conhecer melhor os meandros das redes e comunidades de aprendizagem e saber como aproveitá-las melhor. Mais do que isso, um livro que mostra as diferenças entre elas e que surgiu após o mestrado de Jaciara de Sá Carvalho, na Faculdade de Educação da USP, sob orientação do Profº Dr. Nilson José Machado.

Jaciara inicia seu percurso trazendo ao leitor alguns aspectos das culturas e valores do ciberespaço, citando autores como Piere Lévy, Postman e Castells, ressaltando que não se deve pensar na incorporação de tecnologias à educação sem que haja uma reflexão sobre seus objetivos, sem que se pergunte a serviço de quem e do que elas estão, como estimulava Paulo Freire. E a autora deixa logo clara a sua posição: “Este livro trata do ciberespaço como uma tecnologia que pode ampliar a comunicação humana e estimular a adoção do paradigma educacional defendido há muito tempo, mas tão pouco praticado: o da aprendizagem colaborativa”.
Após um rápido histórico sobre a internet e uma reflexão sobre as culturas e comunidades advindas a partir dela, Jaciara começa a apresentar as diferenças entre Redes de Aprendizagem online e Comunidades Virtuais de Aprendizagem, “agrupamentos do ciberespaço organizados para um processo de ensino-aprendizagem”. Você saberia dizer a diferença entre uma e outra?

Segundo Jaciara, as características distintivas de uma Rede de Aprendizagem online seriam: objetivo educativo explícito; planejamento e um ou mais educadores entre os participantes da rede. Lembrando que os participantes não estão apenas trocando informações, mas elaborando conhecimento, que é o que um processo de ensino-aprendizagem pressupõe. Da mesma forma, cabe ao educador no ciberespaço ter uma postura de autoria também e atuar junto aos atores da rede, estimulando-os e intervindo quando preciso, pois é a partir da ação de uma pessoa que as outras ações, diálogos, etc, podem ser desencadeados. E, se não há manifestação, como pode haver interação?

Se você está em um grupo e há colaboração freqüente, saiba que você está em uma comunidade. Isso não quer dizer que uma seja melhor do que a outra, apenas diferencia as duas e mostra que uma rede tem suas singularidades e dinâmicas próprias, em um ritmo diferenciado, adequado aos participantes do grupo, que a seu tempo constroem seus conhecimentos e vão mudando práticas.


Jaciara cita o autor Bento Silva para destacar que as comunidades virtuais de aprendizagem remetem aos movimentos da Educação (Escola) Nova, que teriam princípios da aprendizagem construtivista e do uso de metodologias ativas, “centradas na realização de projetos, na resolução de problemas, e na aprendizagem cooperativa” (p.72).Seguindo essa linha de pensamento também não podemos deixar de pensar em Vigotski e sua aprendizagem como resultado de relações entre um grupo, uma comunidade.

A partir de sua própria experiência como aluna do curso “Ensinando em Ambientes Virtuais 1”, oferecido pelo programa de Pós-Graduação da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo e ministrado pela professora Vani Kenski, a autora foi mapeando alguns indicadores de formação de uma comunidade em situação de aprendizagem: “reciprocidade permanente, compromisso implícito, iniciativa, informalidade, colaboração e intervenção pontual do educador”.

Jaciara também refere-se aos educadores blogueiros da lista de discussão Blogs Educativos, de 2008 e ao projeto Rede de Aprendizagem online Poies (Professores Orientadores de Informática Educativa) do Butantã/SP, o que confere ao livro um frescor advindo de sua capacidade de transpor para o papel as experiências que teve no mundo virtual e o que aprendeu nesse espaço.

Para acessar o PDF do livro basta clicar em:http://www.paulofreire.org/Crpf/CrpfAcervo000229

A SIP divulga no seu web site o CD com as canções do seu concurso musical

As 15 canções finalistas do concurso de canto “Doe sua voz aos que não têm voz”, organizado pela SIP (Sociedade Interamericana de Imprensa)como parte da sua campanha internacional contra a impunidade nos crimes contra jornalistas estão reunidas em um CD virtual que pode ser acessado pelo público emwww.impunidad.com.

Esse projeto é parte da campanha de conscientização da SIP para os jovens sobre as consequências da violência contra a liberdade de expressão e de imprensa.

O presidente da SIP e presidente do jornal Siglo 21 de Guatemala, Gonzalo Marroquín, destacou a alta qualidade das canções vencedoras e a generosidade da Fundação John S. e James L. Knight que desde 1995 apoia economicamente o Projeto contra a Impunidade nos crimes contra jornalistas. “Sem esse apoio teria sido impossível realizar esse concurso”, acrescentou.

Os vencedores dos três primeiros lugares foram: “No temas”, da cantora e compositora argentina Juliana Castro; a canção “Que no te incomode incomodar”, da uruguaia Laura Vargas, e o rap “Somos la voz” da dupla colombiana formada por Javier Vargas e Liliana Jiménez. O CD tem ainda canções de protesto, hip-hop e tangos de artistas da Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Espanha, Estados Unidos, Guatemala, Grécia, Guiné Equatorial, México, Nicarágua, Paraguai, Peru, República Dominicana, Uruguai e Venezuela.

O concurso, que teve início em outubro de 2010 e contou com a supervisão do produtor musical Emilio Estefán, chamou a atenção de todo o continente e atraiu mais de 150 participantes em diversos gêneros musicais, despertando o interesse de quase 300.000 pessoas das Américas, Europa e Ásia que acompanharam as suas etapas pela Internet e pelas redes sociais. O público votou na sua canção favorita para escolher os finalistas e decidir, com os 27 especialistas e jurados, quem seriam os vencedores.

O CD virtual inclui os vídeos das canções populares que contribuíram, com seu ritmo, para promover o concurso: “No podemos callar”, interpretado por Latin Black; “Problemática social” com Gero Menezes, e “Jaime Garzón”, com Vibra Terra.
Fonte: SIP

Conhecimento - Para refletir com Calvin

quarta-feira, 20 de julho de 2011

50 razões para ter o Facebook na sua sala de aula

  1. Compartilhamos, para reflexão, texto do Blog OnlineCollege sobre as razões para se usar um Facebook na escola. A dica de leitura foi do nosso colega português Tito de Morais, da cidade do Porto/Portugal. Boa leitura!

    At its start, Facebook was once exclusively for college students. But as it has grown in popularity and become adopted by everyone from grad students to grandmas, its usefulness has grown, too. Educators are beginning to realize the powerful potential that Facebook has in the classroom, not as a distraction, but as a collaborative learning tool. While some schools and instructors may be wary of inviting such a temptingly fun procrastination platform into their classrooms, others have seen great benefits in using social media. In fact, teacher Elizabeth Delmatoff in Portland saw a 50% increase in grades after implementing a social media program in her classroom. How can Facebook benefit your class? Read on to find 50 ways. 

    1. Facebook is fun:

    Almost every student is familiar with Facebook, and most are excited to be able to use the site for collaborative learning.
  2. It's free:

    Schools pay thousands of dollars for collaboration, digital storage, and communication systems, but Facebook does all of these things — for free.
  3. Students are simply more connected:

    Many teachers are familiar with Blackboard and other classroom community systems, but students typically only check in when necessary, while students are often checking Facebook multiple times per day.
  4. Calendars and events are super easy to share:

    Remind students of important dates and events right where they hang out — on Facebook.
  5. Students will learn 21st century skills:

    A study from the University of Minnesota discovered that social networking sites like Facebook help students practice the skills they need to be successful in the 21st century.
  6. Students want to share beyond the classroom:

    Facebook and other social media tools open up the possibility for students to share what they've learned not just with their fellow students, but with the world.
  7. Online resources are even more convenient:

    Posting links on your classroom wall makes it easy for students to read them, and share interesting finds as well.
  8. Students can use Facebook productively:

    Most students use Facebook to procrastinate or catch up with friends, but using it in the classroom will help them see the tool in a different light.
  9. Absent students stay in the loop:

    Students who can't make it to class can stay updated using the classroom Facebook group.
  10. Campus clubs have a simple forum:

    Students in extracurricular activities can use Facebook to stay in touch and keep everyone updated.
  11. You can schedule daily learning activities:

    Sign up your classroom Facebook group for a word of the day, or history lesson of the day to utilize a learning point that can be enjoyed together and referenced later.
  12. Facebook encourages collaboration rather than cliques:

    Everyone can speak up and work together on Facebook, where students may be held back socially in the classroom.
  13. There's an opportunity to discuss appropriate use:

    Set students up for success in social media by discussing appropriate ways to use it.
  14. Facebook creates a social bond:

    Teachers and students can benefit from the social bond created by interaction on Facebook.
  15. Students can get access to extra assignments:

    Instructors can post extra credit assignments-or just fun activities students can pick up.
  16. Review material is easily organized:

    By tagging important items, you can easily collect links, photos, notes, and other resources that are essential for pre-exam review, which is useful for instructors as well as students.
  17. It's great for professional development:

    Students aren't the only ones who can benefit from using Facebook. Teachers can use it for professional development, too.
  18. Students can listen more actively:

    Students may passively listen to lectures, but interactively using Facebook will result in active learning.
  19. Parents can be more involved:

    Share lunch menus, important reminders, activities, events, closings, and special notes via a Facebook Page for your classroom.
  20. Class resources are available anywhere:

    Students can read notes and assignments anywhere they can find the Internet when they're posted on Facebook.
  21. You can reach students on to go:

    Want to remind your chronically late students to get to class on time today? Students can receive Facebook updates by text, allowing you to get in contact before they're late for your lecture.
  22. Students can learn about social media in a safe environment:

    By using Facebook in the classroom, you can teach students about the safe use of social media.
  23. You'll save paper:

    Permission slips and flyers that used to be sent home on paper and eaten by the dog can bow be uploaded in Facebook groups for parents to use instead.
  24. Students can conduct research:

    Whether it's for asking a far-flung family member about genealogy or taking an informal poll, students can use their Facebook friends to gather information.
  25. Facebook is great for reminders:

    Even if you're mentioning important dates and assignments elsewhere, students can be helped with reminders that pop up right in their Facebook feed.
  26. Students can share at-home progress:

    Want to know how student science projects are coming along? Ask for photos of their works in progress, posted on your classroom Facebook wall.
  27. Social media becomes less of a distraction:

    Some teachers have found that using Facebook and other social media sites for education means that students are less tempted to use them inappropriately during class time.
  28. Shy students can shine:

    Students who might otherwise not speak up can contribute on Facebook where they may be more comfortable.
  29. You can share resources with colleagues:

    Your school teaching group or a collection of 4th grade teachers in your district can get together can share resources for teaching, saving time and enriching the classroom experience for students.
  30. Kids and parents can talk about activities:

    When parents are following along with class postings, they'll never have to wonder what happened at school-and they can build upon what was discussed.
  31. Media can be disseminated with ease:

    Teachers, students, and parents can post pictures, video, and questions, sharing a dialog and resources on Facebook.
  32. Group projects can be executed on Facebook:

    Students can form groups for class projects, sharing assignments, information, and bringing it all together with trackable involvement.
  33. Show and tell:

    Students may not be able to bring their zoo-worthy python into the classroom, but photos and videos can be shared on Facebook.
  34. Debates can be taken online:

    Extend classroom discussions onto Facebook, where students can spend more time in active learning and debate.
  35. Students are more likely to interact with faculty:

    Facebook breaks down barriers, making instructors more socially available to students-and making it easier to talk to them.
  36. Outsiders can offer their input:

    Teachers can easily ask experts to chime in on Facebook pages, sparking a new level of discussion and involvement.
  37. Students can learn the importance of creating content:

    Instead of simply consuming content, students can create, posting discussions, resources, and more.
  38. Faculty can learn names and faces:

    With constant updates and interaction, faculty can use Facebook to better associate names and faces in the classroom.
  39. Students can interact with others around the world:

    Many classrooms use Facebook for foreign language learning, partnering up with students who speak different languages.
  40. Facebook can help new students settle in:

    Whether it's grade school or college, Facebook is a great tool for helping students get integrated into the social and academic life of a new school.
  41. You can poll students on Facebook:

    Ask questions of your class on Facebook and get easy answers using polling tools on the site.
  42. You can get instant feedback:

    Find out quickly and easily what students think of an assignment or activity idea.
  43. Students can stay connected anywhere:

    Even if they can't make it to class or check Facebook on their home computer, students can use Facebook on their mobile devices to stay updated at all times.
  44. Instructors can better understand the interests of students:

    When students make their profile details available, instructors can learn more about a student's major, interests, and background, allowing them to suggest information and topics they'd be interested in.
  45. Facebook is full of learning apps:

    You can find tons of apps for classroom learning, including mathematical formulas, slideshow applications, class notes, and more.
  46. Relationships can continue after the course:

    Students can ask for recommendation letters, advice for other classes, and more because of Facebook's informal communication.
  47. Students can become established on Facebook:

    Using Facebook in the classroom will allow students to start seeing it as a professional tool, and allow them to build a presence on the site.
  48. Facebook provides an opportunity for collaborative learning:

    Bringing the social element of Facebook into collaborative learning helps to encourage the practice and improve student engagement.
  49. Students can learn about academic and professional networking opportunities:

    By using Facebook, students will be able to discover the opportunities for career focused networking that are available.
  50. Faster feedback:

    Facebook allows instructors to host extended virtual office hours, with postings and responses available around the clock. 

    Fonte: Blog OnlineCollege (http://www.onlinecollege.org)