quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Desafio aos professores: aliar tecnologia e educação


Seja por meio de celular, computador ou TV via satélite, as diferentes tecnologias já fazem parte do dia a dia de alunos e professores de qualquer escola. Contudo, fazer com que essas ferramentas de fato auxiliem o ensino e a produção de conhecimento em sala de aula não é tarefa fácil: exige treinamento dos mestres. A avaliação é de Guilherme Canela Godoi (foto), coordenador de comunicação e informação no Brasil da Unesco, braço da ONU dedicado à ciência e à educação. "Ainda não conseguimos desenvolver de forma massiva metodologias para que os professores possam fazer uso dessa ampla gama de tecnologias da informação e comunicação, que poderiam ser úteis no ambiente educacional." O desafio é mundial. Mas pode ser ainda mais severo no Brasil, devido a eventuais lacunas na formação e atualização de professores e a limitações de acesso à internet - problema que afeta docentes e estudantes. Na entrevista a seguir, Godoi comenta os desafios que professores, pais e nações terão pela frente para tirar proveito da combinação tecnologia e educação.


Qual a extensão do uso das novas tecnologias nas escolas brasileiras?Infelizmente, não existem dados confiáveis que permitam afirmar se as tecnologias são muito ou pouco utilizadas nas escolas brasileiras. Censos educacionais realizados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) mostram que a maioria das escolas públicas já tem à sua disposição uma série de tecnologias. No entanto, a presença dessas ferramentas não significa necessariamente uso adequado delas. O que de fato se nota é que ainda não conseguimos desenvolver de forma massiva metodologias para que os professores possam fazer uso dessa ampla gama de tecnologias da informação e comunicação, que poderiam ser úteis no ambiente educacional.


Quais devem ser as políticas públicas para incentivar as tecnologias em sala de aula?Elas precisam ter um componente fundamental de formação e atualização de professores, de forma que a tecnologia seja de fato incorporada no currículo escolar, e não vista apenas como um acessório ou aparato marginal. É preciso pensar como incorporá-la no dia a dia da educação de maneira definitiva. Depois, é preciso levar em conta a construção de conteúdos inovadores, que usem todo o potencial dessas tecnologias. Não basta usar os recursos tecnológicos para projetar em uma tela a equação "2 + 2 = 4". Você pode escrever isso no quadro negro, com giz. A questão é como ensinar a matemática de uma maneira que só é possível por meio das novas tecnologias, porque elas fornecem possibilidades de construção do conhecimento que o quadro negro e o giz não permitem. Por fim, é preciso preocupar-se com a avaliação dos resultados para saber se essas políticas de fato fazem a diferença.


As novas tecnologias já fazem parte da formação dos professores?Ainda é preciso avançar muito. Os dados disponíveis mostram que, infelizmente, ainda é muito incipiente a formação de professores com a perspectiva de criação de competências no uso das tecnologias na escola. Com relação à formação continuada, ou seja, à atualização daqueles profissionais que já estão em serviço, aparentemente nós temos avanços um pouco mais concretos. Há uma série de programas disponíveis que oferecem recursos a eles.


Para os alunos, qual o impacto de conviver com professores ambientados com as novas tecnologias?
As avaliações mais sólidas a esse respeito estão acontecendo no âmbito da União Europeia. Elas mostram que a introdução das tecnologias nas escolas aliada a professores capacitados têm feito a diferença em alguma áreas, aumentando, por exemplo, o potencial comunicativo dos alunos.



As relações dentro da sala de aula mudam com a chegada da tecnologia?O que tem acontecido - e acho que isso é positivo, se bem aproveitado - é que a relação de poder professor-aluno ganha uma nova dinâmica com a incorporação das novas tecnologias. Isso acontece porque os alunos têm uma familiaridade muito grande com essas novidades e podem se inserir no ambiente da sala de aula de uma maneira muito diferente. Assim, a relação com o professor fica menos autoritária e mais colaborativa na construção do conhecimento.


É comum imaginar que em países com um alto nível educacional a integração das novas tecnologias aconteça mais rapidamente. Já em países em desenvolvimento, como o Brasil, onde muitas vezes o professor tem uma formação deficitária, a incorporação seja mais lenta. Esse pensamento é correto?
Grandes questões sobre o assunto não se colocam apenas para países em desenvolvimento. É o caso, por exemplo, de discussões sobre como melhor usar a tecnologia e como treinar professores. O mundo todo discute esses temas, porque essas novas ferramentas convergentes são um fenômeno recente. Porém, também é correto pensar que nações onde as pessoas são mais conectadas e têm mais acesso a dispositivos devem adotar a tecnologia em sala de aula de modo mais amplo e produtivo. Outro fenômeno detectado no mundo todo é o chamado "gap geracional", ou seja, os professores não nasceram digitalizados, enquanto seus alunos, sim.



O senhor vê algum tipo de resistência nas escolas brasileiras à incorporação da tecnologia?
Não acredito que haja uma resistência no sentido de o professor acreditar que a tecnologia é maléfica, mas, sim, no sentido de que ele não sabe como utilizar as novidades. Não se trata de saber ou não usar um computador. Isso é o menor dos problemas. A questão em jogo é como usar equipamentos e recursos tecnológicos em benefício da educação, para fins pedagógicos. Esse é o pulo do gato.



Quais os passos para superar a formação deficitária dos professores?A Unesco sintetizou em livros seu material de apoio, chamado Padrões de Competências em Tecnologia da Informação e da Comunicação para Professores. Ali, dividimos o aprendizado em três grandes pilares. O primeiro é a alfabetização tecnológica, ou seja, ensinamos a usar as máquinas. O segundo é o aprofundamento do conhecimento. O terceiro pilar é chamado de criação do conhecimento. Ele se refere a uma situação em que as tecnologias estão tão incorporadas por professores e alunos que eles passam a produzir conhecimento a partir delas. É o caso das redes sociais. É importante lembrar que esse processo não é trivial, ele precisa estar inserido na lógica da formação do professor. Não se deve achar que a simples distribuição de equipamentos resolve o problema.


Fonte: Veja/ Nathalia Goulart

Educomunicação: o que é e o que faz o profissional dessa nova carreira



Compartilhamos texto de Silvana Chaves publicado no Portal Comunique-se, em 26/08, sobre o profissional da Educomunicação. Boa leitura! Boas reflexões!
A palavra remete a estudo e teoria, mas o papel de um educomunicador na sociedade vai além do que lecionar a respeito das teorias da comunicação. Trocando em miúdos, esse novo profissional será um consultor para a mídia e o terceiro setor, trabalhando diretamente na área de interface da comunicação e educação, além de ser habilitado para dar aulas de Comunicação no Ensino Médio, otimizando o relacionamento dos alunos com as ferramentas de linguagem - internet, livros ou audiovisual.

O curso Educomunicação, recém-criado no Brasil, existe apenas na Universidade de São Paulo (USP). A graduação será oferecida em 2012 na Universidade Federal de Campina Grande (PB), só que no formato de bacharelado. A modalidade de licenciatura em Educomunicação fez parte do vestibular pela primeira vez em 2010 e é oferecida pela Escola de Comunicação e Artes (ECA).

Apesar de estar disponível apenas na USP, o conceito de Educomunicação é antigo no País, afirma o professor Ismar de Oliveira Soares, criador e coordenador do curso de graduação. “Em 1999 foi concluída uma pesquisa nossa com o apoio da Fapesp que identificou e analisou ações conjuntas de comunicação e educação em 12 países da América Latina, além de Portugal e Espanha. Até aí, questões ambientais, de etnia e gênero, principalmente nos países emergentes estavam utilizando mídias alternativas e implementando projetos sem nenhum profissional com formação específica nessa área, até porque não existia. Estava sendo delineada uma carreira nesse processo. Nessa época foi difundido o conceito de sustentabilidade socioambiental, que passou a ser cobrado das empresas, da mídia, da educação. E aí o jornalista e o relações públicas já tinham seus papéis definidos no mercado”, explica.

Trocando informações, unindo conhecimentos
O conceito mais forte que pode ser notado na carreira do educomunicador é o mix entre as diversas áreas do conhecimento – antropologia, atendimento de áreas emergentes, sustentabilidade, história, línguas, ciências exatas - mediadas pela comunicação, uma ferramenta que se bem usada, pode potencializar o que cada campo tem de melhor no processo educativo.

De acordo com Soares, “o curso estará sempre muito vinculado à prática social. Na verdade, a universidade só está sistematizando processos que já existem na sociedade”.

Para quem tem dúvidas se essa carreira oferece campo de trabalho, o professor da USP mostra uma perspectiva animadora. “Há uma demanda muito grande por esse profissional. O governo, por exemplo, tem o programa Mais Educação, criado para ajudar a melhorar as escolas com piores índices de rendimento no País. Atualmente o Brasil tem cerca de 3.400 escolas com muito material de comunicação e nenhum profissional específico que domine as teorias e técnicas de Comunicação e outras formas de expressão lingüística para lecionar aos alunos. Hoje, infelizmente, a mídia em si está distante de realidade escolar. É um desperdício”, completa Soares.

Mais a respeito do curso Licenciatura em Educomunicação acesse a página da ECA. Para fazer parte da segunda turma de Educomunicação, é preciso se inscrever no vestibular Fuvest, entre o dia 26 de agosto e 9 de setembro de 2011. São oferecidas 30 vagas no período noturno. A graduação tem duração de quatro anos ou oito semestres.


Fonte: Comunique-se

Educomunicación: concepto y clasificaciones

Compartilhamos abaixo, a partir da dica de nossa amiga educomunicadora Antônia Alves, texto do blog Comunicación Comunitaria e Participativa para el Desarrollo, sobre Educomunicação. Esperamos que a reflexão seja interessante para cada um de vocês!


Por Didiscaro 29/08/2011
Célestin Freinet fue el educador que en 1926, por problemas de salud, económicos y sociales, buscó una forma autogestionada de enseñar a sus alumnos. Al querer incentivar la participación de los educandos, Freinet adquirió una imprenta para que, mediante sus propios esfuerzos, pudieran plasmar sus conocimientos y compartirlos con sus demás compañeros y el pueblo donde vivían. La actividad no correspondía a cumplir un deber para obtener una nota; por el contrario, era una forma entretenida de exponer sus ideas. “La colección del periódico escolar se fue haciendo memoria colectiva del grupo, registro de su proceso de descubrimiento y de sus avances en la producción de conocimiento. De adquisición individual, el saber pasó a transformarse en construcción colectiva, en PRODUCTO SOCIAL” [Freinet, citado por Mario Kaplún, Una pedagogía de la comunicación,  Madrid, Ed. De la torre, 1998, p. 205].
A partir de esta iniciativa, de los estudios acerca de la Educación y  de los avances de la Comunicación Comunitaria y para el Desarrollo, Mario Kaplún plantea la Educomunicación, como una forma de utilizar recursos comunicativos para que, “los destinatarios tomen conciencia de su realidad , para suscitar una reflexión, para generar una discusión” [Una pedagogía de la comunicación,  Madrid, Ed. De la torre, 1998, p. 17].
Paulo Freire es el punto de partida de un nuevo enfoque de la Educación; a partir de sus estudios del modelo de enseñanza tradicional europeo, llega a la conclusión de que es bancario, que se enfoca únicamente en los contenidos porque el maestro simplemente deposita conocimientos en sus alumnos; es decir, utiliza un sistema vertical paternalista, al cual lo denomina como Educación con enfoque en el contenido o Pedagogía del Oprimido:
  • Los programas de estudio son amplios y basados en los conceptos que la fuente emisora (el profesor) considera importantes.
  • Se da muy poca importancia al diálogo y a la participación.
  • Se valora mucho el dato y muy poco el concepto.
  • Se premia la buena retención de los contenidos (esto es, su memorización) y se castiga la reproducción poco fiel. La elaboración personal del educando es asimismo reprimida como error.
  • Hay una sola verdad: la del profesor. La experiencia de vida de los educandos es desvalorizada.
En cuanto a aprendizaje, solo se da la memorización y repetición de lo aprendido; la participación e invención están ausentes, por lo cual no se consigue una asimilación ni incorporación de los conocimientos. Como resultado, el alumno es un ser pasivo que solamente acata órdenes, no razona sobre lo aprendido y no tiene un criterio. Por otra parte, se marca una gran separación entre quienes imparten conocimiento y quienes lo reciben, existe dominio de las minorías y en las mayorías se acrecienta el sentimiento de subordinación. Este esquema de educación estaba basado en el modelo de tradicional de comunicación.
Sin embargo, para quienes estaban interesados en coordinar a las masas, no era suficiente memorizar los conocimientos sino también aplicarlos constantemente. Si antes se habló de un modelo bancario, a este nuevo se lo podría definir como manipulador, es decir, unaEducación enfocada en los efectos, porque se empleó todo tipo de recursos para “inducir y persuadir a la población a adoptar determinadas formas de pensar, sentir y actuar, que le permitan aumentar su producción y su productividad y elevar sus niveles y hábitos de vida” [Jorge Ramsya, citado por Mario Kaplún, Una pedagogía de la comunicación,  Madrid, Ed. De la torre, 1998, p. 32]. Este mecanismo se lo conoció como Ingeniería del Comportamiento y se originó a partir de teorías de la Psicología Conductista o Behaviorista, en la cual se plantea que un estímulo genera determinado comportamiento que debe ser incentivado mediante una recompensa. En el caso de la Comunicación, el modelo aplicado era el de Harold Laswell (quién dice, qué, a quién, por qué canal y con qué efecto), es decir, “se otorgó a los medios de comunicación, plena potestad para dirigir las conductas de los seres humanos e incluso manipularlas” [Martha Dubravcic, Comunicación popular: del paradigma de la dominación al de las mediaciones sociales y culturales, Quito, Ed. UASB/ Abya-yala/ Corporación Editora Nacional, 2007, p. 15].
Como consecuencia de esto, los beneficiarios se acostumbran a ser guiados, se motiva el individualismo y la competitividad; al imponer formas de vida se atenta contra el valor cultural; no se favorece al razonamiento, la libre participación, la interrelación, ni la toma de decisiones; y produce que los grupos dominantes amolden la conducta de la población acorde a sus intereses. El problema de este tipo de educación es que se basa en una comunicación irreflexiva, que no se da en la libre elección y que, como en el caso de la anterior, quien la emite es quien tiene el control. Al modelo tradicional se le agrega el factor de retorno o retroalimentación (feedback), lo cual podría considerarse como participación del receptor; sin embargo, al momento de la elaboración del mensaje no se lo toma en cuenta porque ya existe una determinación; es simplemente “un mecanismo para comprobar la obtención de la respuesta buscada y querida por el comunicador” [Mario Kaplún, Una pedagogía de la comunicación,  Madrid, Ed. De la torre, 1998, p. 42].
A estos dos modelos, Mario Kaplún los denominó exógenos porque están planteados desde fuera del destinatario, como externos a él: el educando es visto como objeto.  En cambio, el tercer modelo de educación llamado liberador o transformador por Paulo Freire, tieneenfoque en los procesos.El ser humano es el eje central porque es quien propone, reflexiona y actúa; es por ello que este modelo se lo conoce como endógeno, “se pone énfasis en la transformación de la persona y las comunidades, en la interacción dialéctica entre las personas y su realidad, en el desarrollo de sus capacidades intelectuales y de su conciencia social” [Mario Kaplún, Una pedagogía de la comunicación,  Madrid, Ed. De la torre, 1998, p. 19]. Los educandos son educadores también, existe un proceso mutuo de reflexión y análisis. Esta dinámica, en el transcurso de la cual los hombres se van educando entre sí, es precisamente «el proceso» educativo”.
A diferencia de los otros modelos, éste asume el error como parte del proceso de búsqueda; no evade el conflicto, lo ve como una oportunidad de crecimiento; sus objetivos no se centran en el aprender ni en el hacer, sino en el pensar, para posteriormente transformar una realidad. Su fundamentación es efectiva para el aprendizaje, puesto que con participación, investigación, cuestionamientos e involucrándose en la problemática se puede llegar al conocimiento. “Se aprende de verdad lo que se vive, lo que se recrea, lo que se reinventa y no lo que simplemente se lee y se escucha. Sólo hay un verdadero aprendizaje [...] cuando hay autogestión de los educandos” [Mario Kaplún, Una pedagogía de la comunicación,  Madrid, Ed. De la torre, 1998, p. 51].
Sin embargo, en este caso no se debe subvalorar el papel del educador, que es un apoyo y guía en el proceso de aprendizaje. Es quien provee información que debe ser analizada  y discutida con los estudiantes; pero no cualquier tipo, sino datos que sean de interés.Si esa inquietud no nace en el grupo y el educador juzga que esa información es imprescindible para que los educandos puedan avanzar en su proceso, su primera tarea será despertar esa inquietud y plantearles el problema. También el educador cumple un papel de mediador entre sus propios conocimientos y los que van generando los estudiantes, mediante esto se aclaran dudas y se amplía el conocimiento de ambas partes.
Es importante que los procesos comunicativos que buscan la participación activa de la población tengan una ejecución pedagógica, que no sirva únicamente para impartir conocimiento, sino sea un acto de aprendizaje, reflexión y actuar mutuo.

Em 10 anos Educomunicação pode ser política pública em todos os municípios, afirma Ismar Soares


Pesquisador da interface entre comunicação e educação desde os anos 1970, o professor Ismar de Oliveira Soares se configura como um dos principais nomes a serem estudados quando se trata de educomunicação. Para além da teoria, o coordenador do Núcleo de Comunicação e Educação e da Licenciatura em Educomunicação da ECA/USP, também é proponente de ações práticas no uso da metodologia. É o caso do projeto Educom.rádio, que virou política pública na cidade de São Paulo e hoje está presente em todas as escolas municipais.
Peça fundamental para compreender como a educomunicação vem se consolidando no país e quais o rumos futuros desse campo, seja na educação, em movimentos sociais ou em organizações privadas, o professor é convidado do I Fórum Paranaense de Educomunicação, que acontece nos dias 15 e 16 de setembro na Universidade Positivo, em Curitiba-PR. Com a conferência “Educomunicação: o conceito, o profissional, a aplicação”, ele abrirá oficialmente o evento. Acompanhe a entrevista:
Ciranda – Qual o panorama do uso da educomunicação hoje no Brasil?
Prof. Ismar de Oliveira Soares – O conceito, desconhecido no ano 2000, passa a ter uma lei em 2005 em São Paulo, entre 2005 e 2006 passa a representar um programa do Ministério do Meio Ambiente, em 2009 integra o Progama Mais Educação, do MEC, e hoje mais de 3.200 escolas do Brasil já desenvolvem trabalhos na linha de educomunicação. Então vamos percebendo que é uma aspiral crescente, que vai ampliando a presença em nível nacional. Isso não significa dizer que as instituições, pessoas, professores e especialistas têm o mesmo entendimento do que seja a educomunicação. Pelas práticas, leituras, debates os grupos dão uma interpretação específica da sua realidade ao conceito. Isso não cria um problema, pelo contrário, possibilita uma reflexão que vai se aprofundando em torno dessa prática. No entanto, o problema da relação entre educação e comunicação, ou educação e tecnologias, não está resolvido. Nós estamos nesse momento numa grande plataforma de lançamento do conceito e também de aprofundar as pesquisas a partir das práticas já existentes. Em 10 anos poderemos ter políticas públicas relacionada à educomunicação em todos os municípios brasileiros.
Ciranda – Em alguns textos o senhor aborda a reforma do Ensino Médio. Como a educomunicação pode contribuir nesse processo? 
Prof. Ismar – Estamos entendendo que o Ensino Médio é o grande momento de facilitar aquilo que nos parâmetros curriculares se chama da área da expressão, das linguagens e suas tecnologias. Existe uma área específica do Ensino Médio que está muito restrita a Língua Portuguesa, mas que poderia ser um grande espaço de formação para esse estudante. Se olharmos o Ensino Médio existe um problema latente: falta de motivação dos alunos. 40% dos alunos que ingressam no Ensino Médio abandonam. E por outro lado apenas 13% tem alguma expectativa de usar bem os conteúdos para ingressar no Ensino Superior, e nós temos aí uma quantidade muito grande que se aproxima dos 40% de estudantes que, permanecendo no Ensino Médio, não sabem o que fazer com os conteúdos adquiridos. Neste caso a educomunicação viria como um sopro de vida, permitindo primeiramente que o sistema de ensino olhasse para esse jovem a partir da realidade em que ele vive. O segundo fator é que a educomunicação trabalha com um elemento fundamental na sociedade contemporânea que é a auto-estima das pessoas e a possibilidade de elas adquirirem habilidade de expressão.
Ciranda – O I Fórum Paranaense de Educomunicação propõe a metodologia como ferramenta para se refletir e interferir em questões sociais, como enfrentamento à exploração sexual contra crianças e adolescentes. Como você avalia a educomunicação como forma de incidência e participação social?
Prof. Ismar – A educomunicação que a Ciranda e outras organizações estão desenvolvendo, ao ser coerente com o princípio educomunicativo que privilegia os saberes que a juventude adquire nas suas experiências somadas aos saberes que o mundo adulto já vem adquirindo, é possível fazer com que a juventude tome consciência de si própria, dos seus direitos, e possa se unir em torno de grandes objetivos que ela venha a construir. A educomunicação entra nessa perspectiva como facilitadora de tratamento de conteúdos de interesse do adolescente a partir de uma metodologia participativa e midiática.
Ciranda – A educomunicação já se consolidou como um campo profissional promissor?
Prof. Ismar – A possibilidade profissional é sempre decorrente de carências da mão-de-obra especializada em determinados setores. Diríamos trata-se de uma plataforma em desenvolvimento. Na área pública a prefeitura de São Paulo acaba de contratar  20 educomunicadores para trabalhar com seus professores. Nesse momento está sendo discutida com a Associação Brasileira de Relações Públicas uma plataforma para trabalhar a educomunicação nos espaços corporativos. E isso a partir de um conceito chamado Economia da Criatividade. Hoje já se tem como certo que mais de 10% do PIB é gerado no Brasil a partir de iniciativas da chamada Economia da Criatividade. E educomunicação tem sido apontada em pesquisas recentes da própria USP como um dos campos em que isso é gerado. Então, no espaço do ensino o conceito de educomunicação já existe e vai ampliar suas possibilidades de práticas profissionais, mas também vamos encontrar isso em outros âmbitos, como o Terceiro Setor.
Ciranda – Sabemos que várias instituições vêm lutando para que a educomunicação se consolide como política pública. Como o senhor vê isso? 
Prof. Ismar – Uma política pública emerge de uma demanda entre as necessidades e possibilidades que se tem de atender a essas necessidades. Nesse sentido vemos que a criação de cursos, como a licenciatura na USP, ou como bacharelado em Campina Grande-PB e até possivelmente um curso à distância que a Universidade de Santa Catarina fará, permitirá que as políticas públicas encontrem uma relação adequada entre as necessidades e formas de atendê-las. Somente quando tivermos um equilíbrio entre esses pontos é que as políticas públicas ganharão força. Portanto, faz-se necessário que as universidades avancem, o que deve acontecer de forma coerente. Existe receio de que o conceito seja usado de uma forma inadequada, confundir a educomunicação como tecnologia educativa, por exemplo. É preciso caminhar com segurança, porém acreditamos que isso é possível através da vigilância da sociedade sobre o conceito, como o faz a Rede CEP.
#forumeducom
O I Fórum Paranaense de Educomunicação acontece nos dias 15 e 16 de setembro, na Universidade Positivo, em Curitiba-PR. As inscrições vão até o dia 2 de setembro. Realizado pela Ciranda – Central de Notícias dos Direitos da Infância e Adolescência e pelo Ponto de Cultura Educamídia, o encontro tem o objetivo de ampliar o debate e o conhecimento sobre educomunicação no estado, além de possibilitar a troca de experiências e pesquisas na área. A programação conta com palestras, oficinas e apresentação de trabalhos acadêmicos. O Fórum tem o apoio da Universidade Positivo, da Fundação Cultural de Curitiba e do Ministério da Cultura, no âmbito do Programa Cultura Viva, e é apoiado com recursos da Fundação Araucária.
Fonte: Fórum Paranaense de Educomunicação Foto: Lucinei Martins

Necessidades especiais


Para aqueles que possuem "necessidades especiais" relacionadas a seus empregos, estudos, relações familiares, vai uma tirinha que descobri recentemente e queria compartilhar, com bom humor. 
Fonte: www.malvados.com.br

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

O filho do vizinho

Um filme que tenta estimular o público a refletir sobre a situação de uma criança cadeirante, a amizade e as limitações impostas pela família, "O filho do vizinho", de Alex Vidigal, tem acumulado alguns prêmios pelo Brasil. Leia abaixo texto de Marcus Tavares/ RevistaPontoCom sobre o curta, veja você mesmo, compartilhe com amigos, filhos e aluno e reflita!

Pela janela do seu quarto, Ronaldinho olha maravilhado as aventuras e peripécias de um garoto que é chamado de várias formas pela vizinhança. Dos muitos nomes, Ronaldinho o chama de "o filho do vizinho'. Esta é a sinopse do curta O filho do vizinho, de Alex Vidigal, que em pouco menos de um ano já acumula três prêmios: Melhor direção de arte na mostra competitiva digital do 43º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro de 2010; Melhor filme de curta-metragem do 8º Festival de Cinema de Maringá 2011; e Melhor filme da 10ª Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis. Supresa para o diretor que não tinha nenhuma expectativa do quanto o curta seria bem recebido tanto pelas crianças quanto pelos adultos.

“O filme foi criado sem nenhuma pretensão. Na verdade, escrevi o roteiro por conta de uma aproximação que tive com a infância devido a um trabalho que estava realizando com minha namorada. Estava adaptando uma crônica, que ela havia escrito, para um roteiro de um curta. Foi desse contato, que resolvi escrever a história do filho do vizinho”, conta Alex Vidigal.

Foi então, em 2009, que o casal de namorados inscreveu os seus respectivos curtas no edital do Fundo de Apoio à Cultura de Brasília (FACA) para produzi-los. As duas propostas foram aprovadas. No ano seguinte, O filho do vizinho estava pronto.

O curta de seis minutos conta a história de dois personagens: o filho do vizinho e Ronaldinho. O primeiro não para um só instante. Ele joga bola, solta pipa, corre para lá e para cá, irritando muitas vezes os adultos. O segundo é um menino quieto, na dele. Para muitos adultos, Ronaldinho é um exemplo de criança. Ele passa os dias observando, da janela de sua casa, as peripécias do filho do vizinho, negando todos os convites do menino de sair para a rua e participar das brincadeiras.

À medida que o curta vai se desenrolando, o público se pergunta por que Ronaldinho não aceita nenhum convite, não brinca na rua com as outras crianças, não entra para a turma do filho do vizinho. A única pista é que a mãe de Ronaldinho o protege bastante, não quer que ele se misture com os outros. Mas por quê?

No final, a descoberta: Ronaldinho é cadeirante. Desta vez é o público – adultos e crianças – que fica surpreso e pensativo. O diretor queria que as pessoas refletissem sobre a infância de um cadeirante, com todas as suas limitações físicas e as que, muitas vezes, infelizmente, são impostas pela família e sociedade.

“O filme é, na verdade, um mix de muitas coisas da minha própria infância, onde minha mãe me prendia bastante. Vem também das observações do cotidiano, da infância em cadeira de rodas. Foi exatamente essa cena que um dia presenciei que despertou o interesse de escrever a história. Na prática, tinha um só objetivo: promover uma reflexão sobre a infância de uma criança cadeirante, sobre como os pais e a sociedade devem tratar a criança cadeirante”.

Objetivo alcançado. E, inclusive, entre estudantes da Educação Infantil e do Ensino Fundamental. Assim que ficou pronto, o filme foi exibido em algumas escolas de Brasília, onde mora o diretor. “Foi muito gratificante. Ouvia dos alunos que o mais marcante era a amizade entre o filho do vizinho e o Ronaldinho. Para mim, isso já valia como prêmio”, frisa.

Professor do curso de graduação de Comunicação Social da Universidade Católica de Brasília, Alex já tem planos para outros curtas. Na lista de prioridade, um sobre velhice e outro, sim, sobre infância. “Não quero ficar rotulado como realizador de curtas sobre ou para a infância, mas como realizador de histórias interessantes”, finaliza.



Fonte: Revista PontoCom

Infância mais curta

Compartilhamos texto de Marcus Tavares, publicado no blog RevistaPontoCom, sobre a preocupação em relação à moda infantil. O que você acha de sutiã com enchimento para crianças de 10 anos? Leia e reflita!

O segmento de moda infantil ocupa uma fatia equivalente a 15% do mercado de vestuário no Brasil. Mercado de vestuário brasileiro: US$ 30,5 bilhões, infantil: US$ 4,5 bilhões. O faturamento do mercado de vestuário infantil no Brasil cresce cerca de 6% ao ano. Aproximadamente um bilhão de peças de vestuário infantil são produzidas anualmente. As confecções para meninas representam cerca de 70 % do total de peças vendidas. Dados da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção.



Pois é: o que era para ser uma coisa bem simples vem se tornando um tema polêmico. Explico: as roupas fabricadas aqui e lá fora, especialmente para as meninas, se inspiram, cada vez mais, na moda feminina adulta, carregada de sensualidade. Recentemente, algumas lojas de departamento, no Brasil, começaram, inclusive, a vender sutiãs para meninas de 10 anos com enchimento.


Há necessidade?





A publicidade também colabora. Você já deve ter visto muitas propagandas trazendo crianças e jovens vestidos como adultos. Meninos de paletó e gravata e meninas de salto alto e maquiagem. Este último item nem se fala. Batom, brilho, lápis preto e blush fazem parte de qualquer bolsinha de menina. Acredite. Bolsinha que anda para tudo o que é lugar, até mesmo para a sala de aula. Em meio à explicação da professora, lá estão as meninas se olhando no espelho e retocando a maquiagem, sim, porque elas já vêm prontas de casa. A impressão que dá e que só não usam salto alto porque a escola proíbe.


Assista aos vídeos da menina americana Madison Hohrine que, com cinco anos, ensina outras crianças da mesma idade a se maquiar. A menina, inclusive, já ensinou no programa Fantástico, da TV Globo, como as crianças brasileiras deveriam se produzir para as festas juninas.

Práticas como essa só contribuem, infelizmente, para o encurtamento da infância. Talvez, alguns pais digam que estou exagerando, que tudo não passa de uma brincadeira infantil. Pintar o rosto, vestir roupas de adultos, imitar o estilo dos pais fazem parte da infância, do crescimento saudável de qualquer menino ou menina. Mas uma coisa é brincadeira. Outra, mais séria, é tornar a brincadeira hábito, padrão, norma.

As crianças não têm culpa. Os pais é que deveriam prestar mais atenção em suas ações e permissões. O mercado – de brinquedos ao vestuário – não está nem um pouco preocupado com regras, normas ou qualquer tipo de ética. Para ele, há muito tempo, as crianças são consumidoras em potencial, mesmo não tendo um real sequer no bolso. A senha para conseguirem o que querem é fácil: bater o pé, gritar, exigir e chorar. Como muitos pais acham que a palavra não irá frustrar seus filhos – infelizmente boa parte dos responsáveis ainda pensa assim – acabam cedendo. Resultado: uma infância cada vez mais curta. Pergunto: por que e para quê?

Fonte: RevistaPontoCom






domingo, 28 de agosto de 2011

Narcisistas da informação

Compartilhamos artigo da jornalista Lúcia Guimarães publicado no Observatório da Imprensa, em 22/08/2011 na edição 656. Uma excelente oportunidade para refletirmos se ter mais informação nos transforma em pensadores ou apenas em acumuladores de fatos. Boa leitura, boas reflexões!


Em Nova York, ainda a capital da mídia norte-americana, o sarcasmo é o piloto automático do humor nacional pós-11 de Setembro. Por isso, um ensaio original publicado por Neal Gabler num suplemento de domingo recente do New York Times foi alfinetado na mídia local, no clima de uma briga de galo niilista.
O artigo, sob o título “A Elusiva Grande Ideia”, lamentava que a Era da Informação tenha nos transformado em acumuladores de fatos e não pensadores.
Neal Gabler é autor, dentre outros livros, de Vida, o Filme – Como o Entretenimento Conquistou a Realidade e escreveu a melhor biografia de Walt Disney. É também comentarista de mídia na TV, de modo que não pode ser acusado de viver numa bolha de desprezo pela cultura popular.
O diagnóstico feito por Gabler é difícil de contestar. Ele descreve o narcisista da informação, a pessoa consumida pela autorreferência, com sua visão de mundo filtrada pela mídia social. É uma pessoa hiperantenada. Ao longo de um dia o narcisista da informação vai consumir fatos como, o amigo de Facebook no Sri Lanka passeia com o cachorrinho; um jovem sírio convocou um protesto pelo Badoo; um seguidor no Twitter acabou de compartilhar uma foto de Jennifer Anniston beijando o namorado num bar de Santa Mônica; George Clooney pede doações para combater a fome na Somália no YouTube. Ele é um falso cidadão do mundo porque adquirir informação sobre estranhos não é o mesmo que articular a compreensão do que não é familiar. O repertório desse homem informado daria vários sambas-enredo compostos por Stanislaw Ponte Preta, nos moldes do politicamente incorreto “Samba do Crioulo Doido”.
Arquivar e recolher
A comunicação fragmentada é antítese da gestação de grandes ideias. O volume prodigioso de informação, argumenta Gabler, torna difícil notar o aparecimento de um novo Freud ou um novo Einstein. E inovadores geniais como Bill Gates ou Steve Jobs? Eles são inventores que mudaram o nosso cotidiano, não a maneira como pensamos sobre grandes questões. Não é à toa, diz Gabler, que a “grande ideia” migrou para o mercado. Mas há uma diferença entre o que é vendável e o que desafia o intelecto. Aliás, estamos tão prostrados sob o peso da enxurrada de informação que, depois do esforço para recolher tantos fatos inúteis, não temos fôlego para tolerar desafios. Preferimos nos aconchegar com Malcolm Gladwell do que nos perturbar com Marshall McLuhan.
A era digital nos libertou para a ignorância bem informada. Tal como o personagem Chance, de Peter Sellers, em Muito Além do Jardim, que vivia em isolamento sob uma dieta de televisão, podemos impressionar nossos interlocutores regurgitando pensamentos não processados.
As implicações sociais de um mundo que desdenha grandes ideias são enormes, sugere Neal Gabler, porque “as ideias não são apenas brinquedos intelectuais. Elas têm efeitos práticos”.
Ele toma como exemplo a profunda crise trazida pela última recessão americana. Nos debates intensos na TV, os pundits atacam e defendem as ideias de John Maynard Keynes sobre o papel do governo na economia. Ideias que apareceram há quase 80 anos. Os eleitores acusam democratas e republicanos de não terem a menor ideia de como salvar a economia do alto desemprego. O problema é que a crise americana não se resolve com pequenas ou médias ideias.
O perigoso governador do Texas e candidato Rick Perry sobe nas pesquisas da próxima eleição presidencial dizendo que não há mudança climática e o planeta só existe há alguns milhares de anos. Ser conservador, no país do Tea Party, é substituir a inconveniência das ideias pelo conforto de convicções que não resistiriam dez minutos expostas aos elementos.
A suposta democratização da informação privilegia o especialista sobre o intelectual público. Houve um tempo em que o deliciosamente sofisticado Dick Cavett reinava com seu talk show onde, no lugar de Paris Hilton ou Lindsay Lohan, podíamos assistir a um duelo entre Norman Mailer e Gore Vidal, interrompido pela ferina Janet Flanner, da revista New Yorker. Não estou inventando, podem conferir a cena no YouTube. O leitor dirá, felizmente temos o YouTube para imortalizar aquele programa. Concordo. Mas arquivar e recolher mais e mais fatos nos torna informados, não iluminados.
[Lúcia Guimarães é jornalista, em Nova York]

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Tecnologias na educação: Não tem preço!

O Blog CaderdoDia nos deu uma dica bem legal de vídeo, baseado na campanha "Não tem preço", do MasterCard que sempre finalizava com a frase: “Existem coisas que o dinheiro não compra, para todas as outras existe Mastercard”.


A campanha foi um sucesso e acabou gerando insights. Um deles refere-se à Educação e foi criado pela alemã Silvia Rosenthal Tolisano, mestre em educação e apaixonada pelo tema!
Ela foi a responsável pelo vídeo “Priceless Education”, que segue a mesma lógica dos vídeos da Mastercard, mas trata de tecnologias na educação.

Segundo o blog CadernoDia, a mensagem do vídeo é que "a educação vai muito além dos muros da escola e a tecnologia oferece possibilidades inéditas, que muitas vezes não são encontradas no ensino formal. A ideia, porém, não é substituir métodos formais de ensino, mas sim repensá-los dentro de uma nova realidade".

Veja o vídeo e dê sua opinião também. Compartilhe boas ideias e estimule reflexões!


"There are some things that the traditional way of teaching can't buy... for everything else there is a connected teacher".

Para refletir sobre o consumismo

O Blog Criança e Consumo listou alguns livros como dica para aqueles que estão interessados em refletir sobre o consumismo. Além deles, sugeriu a palestra com o teórico político Benjamin Barber, que participou do 3º Fórum Internacional Criança e Consumo e que você pode ver aqui: 
Benjamin Barber - O futuro da educação from Projeto Criança e Consumo on Vimeo.

Livros:

Consumido: Como o mercado corrompe crianças, infantiliza adultos e engole cidadão


Benjamin Barber, Ed. Record, 2009.


A felicidade paradoxal: ensaio sobre a sociedade de hiperconsumo


Gilles Lipovetsky, Ed. Companhia das Letras, 2007.


Vida para consumo: a transformação das pessoas em mercadoria


Zygmunt Bauman, Ed. Zahar, 2008.

Condição pós-moderna


David Harvey, Ed. Loyola, 1992

Você sabe a diferença entre dado, informação e conhecimento?

Imagem compartilhada com o Blog Intermezzo para que você aprenda de forma divertida a diferença entre Dado, Informação e Conhecimento : )

Educação e Audiovisual

Vencedores do categoria Ensino Médio, que concorreram com o curta “A Segunda Lei da Termodinâmica”  

Compartilhamos abaixo texto publicado no site do Instituto Claro sobre o 3º Festival Nacional de Curtíssima Metragem Claro Curtas, cuja premiação aconteceu junto com um debate sobre Audiovisual e Educação.

Por que contemplar o audiovisual nos processos de ensino e aprendizagem? A pergunta não estava em uma pauta formal do Seminário Claro Curtas, que culminou com a premiação dos vídeos vencedores do Festival Nacional de Curtíssima Metragem Claro Curtas, na última terça, dia 23, no Museu da Imagem e do Som, em São Paulo. Ela foi respondida espontaneamente pelos diferentes convidados que ocuparam o palco para debater sobre o tema “Educação Audiovisual na Educação”.

Cineclubistas, professores, pesquisadores, jovens educadores, gestores culturais: representantes desses segmentos estiveram nas mesas “Olhar e Pensar” e “Empreender e Aprender” e concordaram que o audiovisual é um caminho para a invenção coletiva, que ganha cada vez mais possibilidades diante da simplificação dos processos de produção e difusão, com a popularização das tecnologias digitais.

Ao partir deste ponto comum, entretanto, as visões foram múltiplas. Para Marco Del Fiol, coordenador do Projeto Laboratório - Experimentações Audiovisuais, do Claro Curtas, o audiovisual entra na sala de aula para criar espaços de experimentação que não costumam existir nas instituições de ensino. “Sala de aula, infelizmente, não é lugar para experimentar”, afirmou ele, em tom crítico. Sob premissas como empoderamento, reflexão crítica, autonomia produtiva e criativa, Del Fiol conduz o projeto que incentiva estudantes e educadores a fazerem vídeos que possam expressar temas subjetivos e que não estejam necessariamente relacionados às disciplinas do currículo.

Um dos mais jovens integrantes da mesa “Empreender e Aprender”, Samuel de Castro, seguiu linha parecida à de Del Fiol ao relatar que o projeto Querô nas Escolas, que realiza um trabalho junto à rede pública de Santos (SP), engrenou a partir do momento em que os jovens tiveram liberdade para criar, para fazer seus roteiros partindo de temas que despertavam verdadeiro interesse neles, mesmo que precisassem fazer algum link com a realidade do dia a dia de estudante. “Até mesmo aqueles mais bagunceiros se envolveram”, revelou.
Confira abaixo o vídeo onde Samuel de Castro fala sobre acesso à produção audiovisual:


Caminho para uma formação ampla

Nos debates do seminário ficou claro ainda que colocar a mão na massa é a parte preferida nos projetos não somente para os estudantes, mas também para professores. “Adoro dar a máquina nas mãos dos meus alunos e ver, na prática, como eles se saem. A partir daí, eu vou orientando, eles vão experimentando”, diz a doutora em cinema pela USP, Moira Toledo.

Mas para que muitos jovens possam experimentar, é preciso haver incentivo, projetos e, para as ações serem duradouras, até políticas públicas que contemplem o audiovisual. Embora haja empreendedores, como Evandro Santos, também convidado do Seminário Claro Curtas, que conseguem implementar projetos como o Festival de Vídeo nas Escolas por meio de parcerias e articulações que se principalmente pela dedicação e empenho dessas pessoas, o apoio institucional é sempre muito importante.

Superintendente do Audiovisual da Secretaria de Cultura do Estado do Rio de Janeiro, Júlia Levy exemplificou projetos que nascem fora das escolas, mas que, por meio de parcerias entre as áreas da Cultura e da Educação, adentram as instituições de ensino. “Em dois anos de ‘Cinema para Todos’, levamos filmes brasileiros de diferentes gêneros para mais de 1.400 escolas e promovemos a formação cultural, além de difusão do nosso cinema”, conta Levy, que para este ano planeja oficinas de duas semanas de duração nas escolas participantes do projeto. As oficinas são parte das atividades do “Cineclube nas Escolas”, braço do programa que mobiliza e impacta a comunidade educacional das instituições credenciadas com produção de vídeos e curtas-metragens.

Conheça os vencedores
Na tarde marcada por intensos debates sobre Educação e Audiovisual, a premiação dos vencedores da terceira edição do Festival Claro Curtas encerrou o evento acrescentando novos vídeos ao acervo do Festival, iniciado em 2008.
Categoria Livre
Comissão julgadora: “Fome de Tempo”, de Daniel Saraiva Rabanéa (Osasco, SP)
Júri popular: “Tempo para Ouvir o que Quero Dizer”, de Tatiana Bornato (São Paulo, SP)

Categoria Universitários
Comissão julgadora: “Julho”, de João Luis Michalzechen (Curitiba, Paraná)
Júri popular: "Desconectos”, de Felipe Todeschini (Brasília, Distrito Federal)

Categoria ONGs, Pontos de Cultura e Cineclubes
Comissão julgadora e júri popular: “Brás Cubas-Delírios”, de João Paulo Miranda Maria (Rio Claro, SP)

Categoria Ensino Médio
Comissão julgadora: “A Segunda Lei da Termodinâmica”, de Francisco Schuller Isensee (São Paulo, São Paulo)
Júri popular: “A Cor do Tempo”, de Augusto Gowert Tavares (Pedro Osório, Rio Grande do Sul)

Fonte: Instituto Claro 25/08/2011

Com jornais é como com médicos

Compartilhamos abaixo texto do Professor Manuel Pinto (Universidade do Minho) sobre a crônica "Era tão bom aprender a lição", publicada no jornal português Diário de Notícias. O tema da crônica é a cobertura do caso Strauss-Kahn. Bom texto para reflexão em sala de aula e nas redações. 

A crónica de Ferreira Fernandes, no DN de hoje, intitula-se "Era tão bom aprender a lição" e constitui um excelente motivo e conteúdo de literacia relativamente aos media. Começa assim:
"Houve em tempos uma campanha, "Ler jornais é saber mais", que dizia o essencial: jornais. No plural. Com jornais é como com médicos. Ouvir uma segunda e terceira opinião cura-nos da estupidez, com jornais, tal como com médicos pode salvar-nos a vida. Na semana passada, a revista francesa L'Express revelava que o relatório médico de Nafissatou Diallo, a mulher que acusava Strauss-Kahn, dizia: "Causa dos ferimentos: violação". Ora, esta semana, o procurador de Nova Iorque que investigava o caso nem o levou a tribunal, por total falta de provas. Então não havia pelo menos a "prova" do relatório médico para se discutir em tribunal? (...)" [ler o restante do texto aqui].


A crónica continua, explicando que aquilo que parecia um facto inquestionável era, afinal uma interpretação, ou, mais rigorisamente uma versão provavelmente interessada. "A certeza de L'Express vinha-lhe de não saber do que estava a falar. Acontece tanto", observava ainda Ferreira Fernandes.

De onde a tal "lição" a tirar - é preciso consultar e confrontar mais de uma fonte. Esta é uma dimensão fundamental. Mas não suficiente. Um espírito informado e crítico deveria ser capaz de ver logo que a informação de l'Express estava inquinada, porque não resultava de qualquer investigação policial ou judicial, mas da versão dada por uma das partes. E isso deveria ser dito, para calibrar a informação co o grau de confiança que a ela se deveria atribuir.

A esmagadora maioria dos leitores pode não dispor de condições para confrontar várias fontes. Mas deveria possuir a capacidade e o conhecimento para aquilatar da fiabilidade e grau de confiança de uma informação.
 
Fonte: Educomunicação 26/08/2011

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Clever public service announcement from Concerned Children's Advertisers

Dica de vídeo do professor Tito de Morais

Clever public service announcement from Concerned Children's Advertisers  - Canadá 2010

HQ como recurso educativo

O blog Mídias na Educação deu uma dica muito interessante de entrevista com a educadora Sônia Luyten sobre quadrinhos como recurso de aprendizagem. A entrevista foi publicada no site da TV Escola/ Salto para o Futuro.


Pesquisadora com ênfase no uso de quadrinhos na sala de aula, Sônia Luyten, atualmente é professora titular do Programa de Pós-Graduação da Universidade Presidente Antonio Carlos (UNIPAC), em Juiz de Fora/MG e Presidente do Troféu HQMIX, entidade que faz a premiação dos melhores artistas e acadêmicos na área de Histórias em Quadrinhos e Humor Gráfico.


Salto – Em seu livro "Histórias em quadrinhos: leitura crítica" você ressalta a importância de valorizar os personagens e os desenhistas brasileiros. Atualmente, como você analisa a produção nacional de quadrinhos?

Sonia – A produção de quadrinhos brasileiros nunca esteve tão bem, tão rica, tão vasta e boa qualidade. No dia 31 de janeiro nós comemoramos o Dia do Quadrinho Nacional. Isso porque nós temos um "pai", isto é, o primeiro desenhista brasileiro, chamado Angelo Agostini, que no final do século XIX começa uma produção de quadrinhos no Brasil. O Brasil é pioneiro, muito antes dos americanos, nós já produzíamos, aqui no Rio de Janeiro, as imagens de uma história chamada "As aventuras do Nhô-Quim pela corte". Um ítalo-brasileiro se nacionalizou brasileiro, e começa então essa produção no Brasil. Nós temos uma produção vasta, de várias fases, acompanhando a produção mundial, acompanhando os acontecimentos mundiais. O quadrinho está intimamente ligado à história, ao entretenimento, à economia, etc. No Brasil, hoje, nós estamos com uma situação financeira também estável, e isso é muito importante também, pois com maior poder aquisitivo, mais pessoas estão lendo. Eu posso dizer que hoje em dia as pessoas estão tomando conhecimento da importância dos quadrinhos – as próprias editoras também. Hoje nós temos inúmeros títulos em que se fez a transposição de obras literárias, de romances, para quadrinhos. Grandes desenhistas brasileiros estão colocando esses livros na linguagem própria de quadrinhos. É muito difícil colocar em quadrinhos um escritor como Machado de Assis, o desenhista fica com medo de "matar" o autor. Mas a linguagem do quadrinho não pode ser redundante. É muito importante, hoje em dia, se ater a esta linguagem dos quadrinhos. Eles têm uma linguagem própria, não é literatura, não é cinema, nós estamos falando de Histórias em Quadrinhos.

Salto – Outro ponto discutido nesse livro diz respeito à influência dos quadrinhos sobre os meios de comunicação. Como é essa influência e de que forma ela pode ser percebida?

Sonia – Percebemos a presença dos quadrinhos desde os primórdios da humanidade. Se examinarmos as pinturas rupestres, por exemplo, aqui no Brasil, no Piauí, na Serra da Capivara, temos vários exemplos mostrando que de forma didática, na verdade sequencialmente, os seres humanos deixavam registros de como fazer as coisas – caçar, procriar, se alimentar, guerrear. Então, conforme a época, e conforme a evolução da civilização, nós temos esse exemplo da arte sequencial. As pessoas vão usando aquilo que o tempo lhes oferece. Nós temos vários exemplos na história da humanidade, na nossa história.


Salto – Você poderia dar outros exemplos?

Sonia – Por exemplo: no tempo do Império Romano, no Egito Antigo, depois na Idade Média... Tem um exemplo muito emblemático, que é uma tapeçaria de 70 metros, que foi encontrada na cidade de Bayeux, tudo em arte sequencial, narrando a guerra entre a Inglaterra e a França. Isso foi documentado em bordado, havia personagens, e toda forma da náutica, dos barcos, das armas, etc. Um documento precioso. Depois, mais tarde, nós podemos ver, na Idade Média, a xilogravura, a arte em fazer gravações em madeira, isso também foi imagem sequencial. Há quadrinhos em litogravura, que é a imagem na pedra. E depois, com a invenção dos meios de comunicação, nós vamos ver nos jornais, por exemplo, os quadrinhos aparecerem. Aparecem inicialmente com periodicidade semanal, depois diária, e depois pulam para as revistas, os gibis. Então, os próprios donos dos jornais, principalmente os americanos, quando viram que a seção de histórias em quadrinhos vendia o jornal, isso teve um peso muito grande na própria indústria jornalística. Aqui no Brasil também, nós tivemos praticamente uma guerra dos gibis, principalmente entre os editores do Rio de Janeiro e de São Paulo. Cásper Libero com o jornal "A Gazeta", depois veio Roberto Marinho, enfim, isso tudo para mostrar que o quadrinho tem uma importância na própria indústria jornalística. Hoje em dia, por exemplo, nós podemos falar da internet. Na internet há muitos sites, onde os desenhistas já não precisam se utilizar do papel para poder fazer as suas histórias. A internet hoje é o grande meio.


Leia a entrevista completa em: http://tvbrasil.org.br/saltoparaofuturo/entrevista.asp?cod_Entrevista=118

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Mafalda e Quino em documentário argentino

O jornalista Carlos Ely, especialista em quadrinhos (ttp://quadrinhos-nona-arte.blogspot.com), nos deu a dica, e a gente compartilha com vocês. Uma sequência de três videos que integram uma série de documentários sobre os quadrinhos argentinos mostram a história de Mafalda, nossa mascote eterna na hora de falar sobre Mídia, Política, Comportamento e Cultura. 

Os documentários são apresentados por Juan Sasturain, jornalista, escritor, roterista de quadrinhos e diretor de TV argentino.

Parte 1



Parte 2



Parte 3

A história do Clube da Esquina em quadrinhos

Compartilhamos abaixo resenha do livro "Histórias do Clube da Esquina", publicada no portal UAI.         Primeiro foram os dois antológicos álbuns duplos que, na década de 1970, fizeram a cabeça de toda uma geração, batizando o movimento musical mineiro liderado por Milton Nascimento e os irmãos Borges. Depois foi a vez do livro de memórias de Márcio Borges, Os sonhos não envelhecem, seguido da criação do Museu Clube da Esquina, ainda restrito ao espaço virtual mas com sede física já prometida. Agora são os quadrinhos: Histórias do Clube da Esquina, de Laudo Ferreira e Omar Viñole, cujo livro-gibi será oficialmente lançado em São Paulo (dia 29), seguido de Belo Horizonte (7 de setembro).

Em 2009, o movimento já havia sido alvo de uma oficina de quadrinhos, ministrada por Lucas Rodrigues no Festival de Inverno de Ouro Preto e Mariana (Fórum das Artes). A experiência inédita resultaria em um gibi de 12 páginas, com ilustrações de Mateus Marx e arte-final de Dinho Bento, distribuído gratuitamente no evento. A próxima iniciativa envolvendo o Clube da Esquina, que projetou Minas Gerais internacionalmente, provavelmente será um filme de longa-metragem, inspirado no livro do letrista Márcio Borges, cujo roteiro ainda tem autoria, direção e produção disputadas.

“Eu não sou o dono dessa história. O meu livro é apenas uma das vozes dela, que pertence a todos os personagens envolvidos”, desconversa Márcio, que desde a publicação de Os sonhos não envelhecem – Histórias do Clube da Esquina, se tornou porta-voz da turma, liderada, na verdade, por Milton Nascimento, desde que chegou a Belo Horizonte, na década de 1960, vindo de Três Pontas (Sul de Minas). Inspiradas em parte, na obra memorialística que conta a história da turma, acrescida de informações contidas em entrevistas dos artistas para o Museu Clube da Esquina e outras, a HQ do clube veio à tona, inicialmente, no site www.museuclubedaesquina.org.br.
 

Agora, finalmente, ela chega ao livro-gibi, que poderá ser adquirido em livrarias. Dos célebres encontros musicais na esquina das ruas Paraisópolis com Divinópolis, em Santa Tereza, à visita de Milton Nascimento à tribo ashaninka, na Amazônia, passando pelos bailes de Três Pontas, as viagens da turma no jipe Manoel, o audaz (um Land Rover 1951), de Fernando Brant, os encontros na casa dos Borges (dona Maricota e seu Salomão, que receberam Milton como o 12º filho) e a censura às canções do disco Milagre dos peixes, tudo foi historicamente contextualizado pelo desenhista paulista Laudo Ferreira em Histórias do Clube da Esquina, cuja arte-final e colorido são do também paulista Omar Viñole. A tiragem inicial da HQ é de 3 mil exemplares, mil deles repassadas ao Museu Clube da Esquina como forma do pagamento de direitos autorais.

Pesquisa
“O clube é uma paixão antiga”, diz Laudo Ferreira, que com projeto de levar para a HQ passagens históricas da MPB, como as do Clube da Esquina e Secos & Molhados, além da do disco-show Falso brilhante, de Elis Regina, acabou tendo acesso à turma de Minas pelo vizinho Juvenal Pereira, autor das antológicas fotografias da turma em companhia do então presidente JK, nas ruas de Diamantina, em plena década de 1970. O livro de Márcio Borges, segundo o desenhista, foi a base para a criação da HQ. “Mas também li os depoimentos de todos os integrantes do clube para o museu virtual, além de livros como Palavras musicais, de Paulo Vilara, de onde tirei, por exemplo, a fala de Fernando Brant sobre Milagre dos peixes”, recorda o desenhista.

Na opinião de Laudo, o movimento musical mineiro tem conteúdo para render novas publicações do gênero. “Há membros importantes, como Tavinho Moura, por exemplo, que acabou restrito às últimas páginas desta primeira publicação. Tavinho traz algo bem mineiro, rural. Ele é violeiro”, ressalta, admitindo que um segundo volume poderá ter o compositor como um dos protagonistas da HQ. Para Laudo Ferreira, apesar de personagens altamente desenháveis, como Milton Nascimento, ele preferiu trabalhar dentro de uma perspectiva que não se preocupava em fazer uma caricatura de cada um, que o leitor olhasse e imediatamente reconhecesse o personagem.

“A minha preocupação era com algo que remetesse a eles, para não atrapalhar a narrativa, embora tenha me baseado em fatos”, reconhece o desenhista. Duas passagens têm destaque especial para ele. “A última história do livro, sobre o índio Benke, homenageado por Bituca no disco Txai, que não está contada em lugar nenhum, me foi enviada pelo Márcio, por e-mail. Assim como a que narra a passagem da turma do Clube da Esquina pela Sentinela, nos arredores de Diamantina, onde um coro de sapos transformou o encontro com Bituca, à base de voz e violão, em uma verdadeira sinfonia”.

Autor da série de três livros Yeshuah, sobre a vida de Jesus Cristo, recentemente Laudo lançou uma adaptação de o Auto da barca do inferno, de Gil Vicente, para HQ. No trabalho sobre o clube ele cita 17 canções, além de personagens marcantes, como Olympia Angélica de Almeida Cotta (a célebre dona Olympia, de Ouro Preto, conhecida como a primeira hippie do Brasil), Clementina de Jesus (que gravou a parte não censurada de Escravos de Jó, no disco Milagre dos peixes) e o percussionista Naná Vasconcellos, responsável pelo clima mágico do mesmo disco.


Fonte: Portal UAI e Blog Nona Arte