segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Livro diz que Google controla silenciosamente a internet

Compartilhamos abaixo resenha de Camila Fusco publicada na Folha de São Paulo, no dia 29/10/2011, sobre o livro 'A Googlelização de tudo", de Siva Vaidhyanathan. Vale a pena ler e refletir.

O que palavras aparentemente desconexas como Disney, cachorro e amendoim têm em comum?

Para a maioria das pessoas, elas não revelam muito, mas, se digitadas no Google, apontam que a interessada nos temas é possivelmente uma mulher, mãe de filhos pequenos e que sofre de alergias específicas.

Pode ser ainda que, a partir da identificação de seu perfil, a internauta veja mais propagandas de produtos infantis, indicações imobiliárias e, dali a alguns anos, até sugestões de escolas para adolescentes.

Não se trata de pura adivinhação, mas da era em que informações aparentemente simples viram material precioso para previsões de comportamentos.

É o que relata Siva Vaidhyanathan, professor da Universidade da Virgínia em "A Googlelização de Tudo".
Mestre em criar conexões invisíveis baseadas nos interesses dos usuários pesquisados na ferramenta de busca, o Google é, na visão do professor, a principal ameaça à privacidade de dados pessoais nos dias de hoje.

Isso porque não esclarece que tudo o que se coloca na rede pode ser monitorado por seus sistemas de identificação de navegação (os chamados cookies) nem informa com precisão como os usuários podem configurar seus critérios de busca para proteger suas informações.
A lógica perversa do Google, na avaliação de Vaidhyanathan, está ainda em transmitir ao mundo que o acesso a seus serviços é gratuito, enquanto o verdadeiro custo está na troca por detalhes da personalidade de cada um.

São essas informações que renderão lucro à empresa, com a venda de anúncios direcionados a perfis específicos de usuários.

Dividida em seis capítulos, a primeira parte da narrativa se concentra em mostrar o triunfo da aceitação da "googlelização" -presença cada vez mais frequente do buscador em diversas áreas do conhecimento.

Indica ainda a criação de uma geração superficial, que aceita ver o mundo por meio dos resultados de buscas no Google em detrimento de conhecimentos profundos.

Desliza, no entanto, ao considerar o buscador como o principal vilão da internet, reduzindo a importância de outras ferramentas concorrentes e das redes sociais, que hoje podem ser a maneira mais avançada para acumular informações sobre os internautas.

Na segunda parte do livro, o autor apresenta elementos políticos, filosóficos e até psicológicos pelos quais tenta provar necessária a reação dos internautas às forças dominantes na rede.

O livro é para quem quer conhecer os bastidores dessa potência da internet mundial, mas não traz provas concretas -além do relato do autor- sobre se o Google é bom, mau ou se é apenas esperto ao aproveitar o espírito de "compartilhamento" dos internautas na rede.

É o início da análise sobre a dinâmica do controle da informação virtual, mas está longe de ser uma resposta definitiva para a questão.

Fonte: Folha de São Paulo/ Camila Fusco 29/10/2011

A GOOGLELIZAÇÃO DE TUDO
Autor Siva Vaidhyanathan
Editora Cultrix
Quanto R$ 35,91 (272 págs.)
Tradução Jeferson Luiz Camargo
Avaliação Regular

domingo, 30 de outubro de 2011

Jornais usam redes sociais, mas faltam regras

Os principais jornais do país já usam as redes sociais — Facebook, Twitter e YouTube — como ferramentas para acompanhar notícias, buscar personagens e fontes e checar boatos. Mas a maior parte ainda não tem uma política para disciplinar o uso dessas redes pelos jornalistas. A conclusão é de pesquisa feita pelo Grupo RBS e divulgada no seminário de comunicação digital "Os Desafios Éticos e Legais das Empresas Jornalísticas", realizado pela Associação Nacional de Jornais (ANJ) na Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) em São Paulo. O evento reuniu representantes de O GLOBO, Grupo O Estado de S.Paulo, Grupo Folha, Grupo RBS, Gazeta (do Espírito Santo) e Gazeta do Povo (do Paraná).
O diretor do Comitê Editorial da ANJ e diretor-geral de Produto do Grupo RBS, Marcelo Rech, destacou que a internet trouxe novas questões éticas:
— Temos questões difíceis. A quem pertence um blog: ao jornalista ou à empresa? Quando o jornalista twitta, é uma relação pessoal? A empresa pode intervir? Se intervém, inibe direitos individuais e de expressão?
Foram entrevistados representantes de 80 publicações brasileiras. A maioria (68,8%) disse usar as redes sociais com frequência, além de incentivar seu uso por repórteres. Acompanhar notícias (100%), buscar personagens e fontes (93%) e verificar rumores (75%) são os principais objetivos. Mas os jornalistas também as usam para divulgar o próprio trabalho (64%), manifestar opiniões (39%) e discutir assuntos pessoais (10%).
— A pesquisa mostrou que as regras para o uso das redes sociais pelos veículos de comunicação ainda são informais (55%) ou não existem (22,5%).
Mas 70% disseram ter um profissional para acompanhar as mídias sociais na redação. Isso mostra que os veículos tomam cuidado para não se exporem quando um jornalista faz um comentário pessoal, mas se policiam para não cercear o direito à liberdade de expressão — disse Elaine Lõsch, gerente-executiva de Pesquisa do Grupo RBS e responsável pelo levantamento.
Segundo a pesquisa, 9% dos entrevistados disseram já ter demitido jornalistas por uso inadequado das redes.
Diretor de pós-graduação em Jornalismo da ESPM, Eugênio Bucci ponderou que, apesar das questões por resolver, os veículos tradicionais têm conseguido a confiança dos internautas:
— Os veículos jornalísticos tradicionais ganham autoridade na era digital, porque o cidadão conhece a história de independência dessas redações. Isso só acontece porque os interesses religiosos, políticos e comerciais ficam longe das redações.
Comentários de internautas precisam de moderação
Para o diretor de Conteúdo do Grupo O Estado de S.Paulo, Ricardo Gandour, a qualidade é fundamental:
— Só teremos sucesso num modelo de negócios sustentável se nosso conteúdo for de relevância necessária e inimitável.
Na opinião do editor executivo de Plataformas Digitais
do GLOBO, Pedro Doria, a internet trouxe pressões novas, mas o respeito à notícia deve ser sempre mantido.
—Não deve haver duas éticas: uma para os meios tradicionais de comunicação e outra para o digital. Novas plataformas impõem pressões novas. Mas temos sempre de voltar para os mesmos valores que sustentam o jornalismo tradicional, como o respeito pela notícia.
Em debate mediado pelo diretor de redação do GLOBO, Ascânio Seleme, o jornalista Ricardo Feltrin, secretário de Redação de Novas Mídias do Grupo Folha, lembrou que os comentários de internautas é outra polêmica.
— Se não existe moderação, vira uma terra de ninguém.
Para o jornalista Caio Túlio Costa, um dos criadores do portal UOL e consultor de novas mídias, não se pode ter leis que impeçam a liberdade, mas é possível moderar comentários.
— As pessoas devem ser responsabilizadas pelo que escreverem.
Fonte: O Globo - Digital & Mídias 27/10/2011

Plágio: o que fazer?


Compartilhamos para reflexão artigo de professor da Universidade do Porto sobre o plágio. Ele foi publicado na RevistaPontoCom. Boa leitura!




Por Joaquim Luís Coimbra
Professor na Faculdade de Psicologia da Universidade do Porto, Portugal


A generalização das práticas de plágio é, entre outros aspectos, um sinal positivo dos tempos que correm. Entendamo-nos: mais jovens e mais diversos, quanto a muitas das suas características pessoais e sociais, acedem, hoje em dia, ao ensino superior, o que configura um fenómeno de massificação, ainda que não de democratização.
A Universidade perdeu uma parte de elitismo que, no passado, foi a sua marca distintiva. Os modos de socialização para a vida académica também se diversificaram, as proveniências sócio-económicas e culturais dos alunos alargaram-se: jovens com níveis bem distintos de capital social encontram-se na Universidade. A contrapartida de tal diversidade é que trouxeram para o contexto académico novos comportamentos, atitudes, necessidades e até problemas, que não eram habituais no passado.
Obviamente, os níveis de preparação para a aprendizagem de nível universitário são, hoje, também menos uniformes. A combinação deste complexo panorama com a facilidade de acesso a suportes tecnológicos de memória (não será o mero “decorar” ou “marrar” uma antiga e não reconhecida modalidade de plágio?), de disponibilidade constante e imediata, são parte da mistura quase explosiva que explica o aumento inédito de fenómeno de plágio.
Não caiamos, no entanto, na fácil e tentadora tendência de entender tal problema a partir dos estudantes e da sua atávica inclinação, quase natural, para a preguiça, o facilitismo e a aversão ao trabalho.
O plágio, como sinal, fornece uma excelente oportunidade para reflectir sobre o que a Universidade faz da juventude que a frequenta. Sem procurar identificar os antecedentes susceptíveis de explicar o problema em toda a sua abrangência e profundidade, a verdade é que a Universidade se encontra num processo de hiperespecialização que se exprime numa desinstitucionalização.
“A Universidade é uma indústria”
Em suma, e assumindo a hiperbolização admissível numa crónica, a Universidade é uma indústria. A expressão que marcou a viragem profunda no modo como as opções políticas começaram a transformar por dentro a universidade, no início da década de 80, “university-for-industry”, sugere ou requer uma actualização “industry-for-industry”.
A sua funcionalização, proletarização e instrumentalização têm vindo a pô-la de joelhos perante o mercado, a participar no jogo mercantil, a esvaziá-la da sua substância e, até, surpreendentemente, a alheá-la da sua relação com o trabalho e com a responsabilidade que aí deveria assumir (não confundir com a retórica da empregabilidade nem com a leviandade do empreendedorismo incondicional).
O que tem vindo, progressivamente, a ficar de fora? A capacidade de, pela via do conhecimento, questionar o mundo em que se vive, a possibilidade de imaginar transformações nele, a prática reflexiva rigorosa, abstracta e complexificante, a participação e contribuição no e para o saber, cultura e artes: enfim, as condições no seio das quais se desenvolvem pessoas e cidadãos autónomos.
Ao contrário, a mensagem implícita mais eficaz que, hoje em dia, a Universidade tende a transmitir está nos antípodas da autonomia: a confusão de meios com fins. Tudo é assimilável a “caixas de ferramentas” de que importa conhecer como funcionam, mesmo desconhecendo os fins, imediatos, mediatos ou últimos (culturais, políticos, económicos, tecnológicos, científicos) do seu uso. A funcionalização, tecnicização e “ferramentalização” da Universidade vão-na transformando numa enorme caixa de ferramentas que dispensa, além do mais, o trabalho de cada um pensar por si próprio.
O que fazem, neste contexto, os estudantes que plagiam? Limitam-se a recorrer, diligente e eficazmente, a uma “caixa de ferramentas” adaptada aos seus objectivos imediatistas e compatível com a incultura que tacitamente lhes é transmitida, em nome de um produtivismo desprovido de sentido e de uma competitividade que não se ousa questionar. Que desafio está, então, posto à Universidade?
Fonte: RevistaPontoCom 25/10/2010

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Biblioteca Online de Ciências da Comunicação


Conheça a Biblioteca Online de Ciências da Comunicação e facilite suas buscas na área da comunicação com as melhores opções de títulos e pesquisas. http://bocc.ubi.pt/

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Dica de revista publicação digital


Dica de revista digital: Medios y Enteros 
Revista digital da Comunicação Social da UNR (Universidad Nacional de Rosario)


Editor responsable: Escuela de Comunicación Social. 
Directora de la carrera: Elizabeth Martínez de Aguirre.
Dirección Periodística: Silvana Comba y Edgardo Toledo
Coordinación de Contenidos: Erica Galli
Producción Periodística: Erica Galli, Mariano Abrach, Marianela Mennelli,  Valeria Miyar,  Leticia Giaccaglia, Magalí Sinopoli,  Delfina Toledo, Sebastián Stra, María Laura González Olalde, Germán Villareal, Mateo Fabre, César González, Jorge Olivera, Humberto  Capriccioni, Andrés Cánepa, Gisela D'Addiego, María Amalia Frana Bisang, Paolo Luca, Jesica Rodríguez y Natalí Santoni.     
Diseño Gráfico: Joaquín Paronzini

http://www.mediosyenteros.org.ar/

CanalUNED e TVE2, da Espanha, divulgam vídeo histórico com pioneiros da educomunicação


Os especialistas Prieto Castillo Daniel (Argentina), Guilherme Orozco (México) e Ismar de Oliveira Soares (Brasil) foram entrevistados por Roberto Aparici (UNED - Espanha) nos estúdios da TVE, de Madri, Espanha, no dia 11 de outubro de 2011. Durante o encontro, os pesquisadores debateram o conceito da Educomunicação, contextualizando-o na história da luta do continente pelo direito de expressão. O debate demonstrou a legitimação do conceito no continente latino-americano, oferecendo informações sobre as especificidades de sua aplicação em diferentes situações. Para Aparici, o vídeo se transformou num documento histórico sobre o conceito.
Fonte do texto acima e para ver notícia sobre o encontro: http://www.cca.eca.usp.br/noticia/1033

Obra organiza literatura especializada sobre Educomunicação


Analisar as necessidades do ensino médio, bem como as possíveis contribuições dos profissionais da Educomunicação para a sua melhoria, com foco voltado, sobretudo, para o trabalho desenvolvido pelas escolas públicas. Estas são as principais metas do livro Educomunicação: o conceito, o profissional, a aplicação - contribuições para a reforma do Ensino Médio, de Ismar de Oliveira Soares, lançado recentemente, pela Editora Paulinas.
Outra meta é contribuir com algumas respostas aos desafios enfrentados pelo governo federal para melhorar o ensino médio

"Trata-se de um conjunto de reflexões sobre ações e projetos que podem vir a ser desenvolvidos pela Educomunicação em resposta aos desafios impostos pela reforma do ensino médio proposta pelo Ministério da Educação", explica o autor, que é professor e chefe do Departamento de Comunicações e Artes (CCA) da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da Universidade de São Paulo (USP) e um dos criadores da Licenciatura em Educomunicação, novo curso de graduação cuja primeira turma começou a ter aulas em fevereiro deste ano. "Mas o principal objetivo da obra é contribuir para a organização e sedimentação da literatura especializada sobre a área, passo fundamental no processo de implementação do nosso curso."
No mesmo período, também foi lançada a obra Educomunicação: construindo uma nova área de conhecimento,organizada por Adilson Odair Citelli e Maria Cristina Castilho Costa, ambos também professores do CCA. Segundo Soares, as duas obras marcam o início de uma série. "Nosso próximo livro será dedicado às experiências da Educomunicação no ensino fundamental, com relatos de experiências e análise de casos, além da apresentação de possibilidades de trabalho voltadas para a melhoria dos processos educativos e comunicacionais."
Segundo o docente, a atuação do educomunicador no ensino básico se estrutura a partir da criação de projetos capazes de estimular a construção do conhecimento como um processo coletivo, feito por professores e alunos. "Partimos, portanto, de um princípio simples, mas eficaz, elaborado por Paulo Freire, de que é preciso conhecer o contexto dos alunos para, depois, construir o conhecimento escolar junto com eles, por meio de elementos que estejam presentes em seu cotidiano."
O reconhecimento da importância da Educomunicação enquanto área de atuação profissional e campo de novos estudos tem crescido, processo que gerou, inclusive, a criação de leis sobre a temática, como a Educom, de 2004, do município de São Paulo, que prevê o desenvolvimento de projetos na área. Além disso, o programa "Mais Educação", do Ministério da Educação, elegeu a Educomunicação como um dos macrocampos do projeto Ensino Médio Inovador, o qual tem como meta tornar a educação um conjunto de experiências mais significativo para as novas gerações.
"A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, que é de 1996, prevê a valorização da comunicação enquanto parte do processo educativo ou de aprendizagem", lembra. "E não se trata da confusão que muitos têm feito entre comunicação e informática, pois, enquanto esta contribui com importantes soluções tecnológicas para o campo educativo, a comunicação está no centro da construção do conhecimento."
Oliveira ressalta, ainda, o caráter interdisciplinar do educomunicador. "Este profissional é, ao mesmo tempo, docente, consultor e pesquisador, perfil que beneficia as instituições escolares e outras organizações que trabalham com o ensino e a construção do conhecimento."
Entre as recomendações de Ismar voltadas à melhoria da qualidade do ensino médio estão a capacitação de cerca de 13 milhões de professores para o desenvolvimento de projetos na área de Educomunicação e a ampliação de determinados programas, como o Mídia Educação, que hoje atende apenas 100 mil educadores. "Além disso, as escolas técnicas formam um nicho do ensino médio que merece atenção especial, pois elas permitem o desenvolvimento de um ensino transdisciplinar, focado na formação profissional e entrada no mercado de trabalho, o que é muito positivo", diz. "Por isso mesmo, é necessário um reforço nos processos que tenham como meta a ampliação da humanização da formação oferecida por este tipo de ensino, o que pode ser benéfico para toda a sociedade."
Fonte: Escola de Comunicação e Artes da USP/ por André Chaves de Melo 

Projeto Educomunicativo "Rádio pela Educação" (Santarém, PA) ganha Prêmio Itaú Social/UNICEF


O projeto Rádio pela educação, iniciativa de prática educomunicativa da Diocese de Santarém, desenvolvida através da Rádio Rural, em parceria com a Secretaria Municipal de Educação de Santarém foi premiado na noite do dia 17 de outubro, como Vencedor da Nona Edição do Prêmio Itaú-Social / UNICEF, na etapa Regional, em Belém.
A Cerimônia de Premiação aconteceu no auditório da Federação das Industrias do Pará – FIEPA. De Santarém, esteve participando o coordenador de articulação do Projeto Rádio pela Educação, Francisco Cesar Sousa Rêgo, juntamente com o diretor da Escola Boaventura Queiroz de São Bráz, Elias da Silva Mesquita, que esteve representando todas as escolas parceiras desta tecnologia social.
Neste ano, o Prêmio Itaú Social – Unicef está reconhecendo projetos e ações sócioeducativas que contribuem para a educação integral de Crianças e Adolescentes no contraturno escolar, envolvendo escola e comunidade.
O Tema do Prêmio “Educação Integral: experiências que transformam” contempla projetos de micro-porte, pequeno-porte, médio-porte e grande-porte financeiro. Com o projeto Rádio pela Educação, a Diocese de Santarém concorre nesta última categoria.
Para se fazer a seleção em todo o Brasil, foram organizadas 08 (oito) Regionais, das quais foram selecionados os 04 (quatro) finalistas, sendo um de cada porte, totalizando 32 Finalistas Nacionais. Estes já são considerados Vencedores Regionais
Depois de passar por um criterioso processo de seleção de 2.922 (Dois Mil Novecentos e Vinte e Dois) projetos inscritos, o projeto Rádio pela Educação está concorrendo entre os Finalistas Nacionais na Categoria Grande Porte, representando a Região Norte.
Na Regional Belém, inscreveram-se 106 (cento e seis) projetos de todos os Estados da Região Norte. Destes, foram classificados, inicialmente 32 (Trinta e Dois) Projetos Semifinalistas, destacando-se também nesta Classificação a Pastoral do Menor de Santarém.
A Etapa Final da Nona Edição do Prêmio Itaú Social-Unicef ocorre no dia 22 de Novembro, na cidade de São Paulo, quando serão anunciados os 04 Finalistas Vencedores de cada categoria e o Grande Vencedor que receberá uma Premiação extra no valor de 180 Mil Reais.
Esta é a segunda vez que o Rádio pela Educação chega à fase Final do Prêmio Itaú Social - Unicef. No ano de 2001, o Projeto foi Vencedor Nacional deste Prêmio na Categoria Formação Continuada de Educadores e Produção de Material de Apoio a Escola.

Histórico Do Prêmio

Criado em 1995, com coordenação técnica do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec), o prêmio é pioneiro ao estimular experiências de educação integral no Brasil. O objetivo é reconhecer e estimular o trabalho de organizações sem fins lucrativos que contribuam, em articulação com políticas públicas de educação e assistência social, para ampliar a aprendizagem de crianças, adolescentes e jovens. Experiências que transformam é o mote desta edição, que estimula a reflexão sobre ações educativas que transformaram a vida das comunidades.

Projeto Educomunicativo

O projeto Rádio pela Educação é uma tecnologia social que, desde 1999, contribui com a qualidade do ensino fundamental em municípios da Amazônia, a partir de processos de educomunicação fomentados pela mídia rádio. Promove os direitos da criança e do adolescente, a dinamização do trabalho do professor, a criação de rádios nas escolas e o desenvolvimento do senso crítico nas comunidades escolares envolvidas. O Rádio é usado como recurso pedagógico, tendo um Guia Pedagógico do Professor como suporte dos conteúdos abordados no programa Para Ouvir e Aprender. Este contempla a realidade de crianças, adolescentes, comunitários, professores, etc. É veiculado pela Rádio Rural de Santarém e ouvido nas escolas, em sala de aula, três vezes por semana. O público direto são alunos e professores de 1º ao 5º ano, mas, a comunidade em geral participa do Programa. Foi feita ampla campanha radiofônica para propagar a ideia original do projeto e a capacitação continuada de professores e alunos para implementá-lo e desenvolvê-lo até hoje.
Por todas essasa rezões, o Projeto Rádio pela Educação é referendado no Módulo Rádio do Curso Mídias na Educação, do MEC, produzido pelo NCE-USP, como um exemplo paradigmático de projeto educomunicativo.
Fonte: ECA/USP

Tirinhas para a sala de aula


Conheça o site Cartoons for the Classrooms (http://nieonline.com/aaec/cftc.cfm) e experimente levar quadrinhos para a sala de aula. Você pode baixar lições, tirinhas, vídeos, conhecer a História a partir de cartoons, entre outras possibilidades.
Pena que o site não é em português. Mas se você pensar de forma positiva, pode ser uma boa maneira de aprender ou melhorar seu inglês ; )

Crianças brasileiras são as mais jovens a entrar em redes sociais, aponta pesquisa

Crianças brasileiras são as que entram mais cedo em redes sociais -- com a idade média de nove anos -- de acordo com uma pesquisa feita em sete países. O estudo “Internet Safety for Kids & Families” (Segurança de Internet para Crianças & Famílias), feita pela empresa de segurança Trend Micro, aponta também que os pais brasileiros são os menos rígidos: cerca de seis em cada dez filhos dos entrevistados podem ter perfis nesse tipo de site. No Japão, por exemplo, o número cai para um entre dez.




A idade média mundial em que as crianças entram nas redes sociais é de 12 anos, fato curioso porque o Facebook, um dos sites citados na pesquisa, estipula a idade mínima de 13 anos para a criação de um perfil. Enquanto no Brasil as crianças começam a usar esses sites por volta dos nove anos, na Índia isso ocorre numa idade próxima aos 14 anos, já na adolescência.
Apesar de serem mais permissivos, os pais brasileiros, de acordo com a pesquisa, também são os mais preocupados com a privacidade dos filhos nas redes sociais. Aproximadamente 50% deles responderam se preocupar frequentemente com o assunto e 33% disseram estar preocupados “o tempo todo”, taxas à frente dos demais países pesquisados.
Nove entre dez pais brasileiros afirmaram ser “amigos” dos filhos nas redes sociais. A prática facilita a supervisão das crianças na internet: 38% deles revelaram monitorar diariamente os perfis, o nível mais alto de frequência entre os sete países pesquisados. Em seguida, está Austrália (32%), EUA (31%), Reino Unido (28%) e França (24%). Nas últimas posições entre os “menos preocupados” com o monitoramento diário estão Índia (17%) e Japão (9%).
Quanto à confiança nos controles de privacidade nas redes sociais, os pais japoneses se mostram totalmente descrentes de que eles são adequados para a segurança dos filhos. Nessa questão, apenas 34% dos pais brasileiros afirmaram confiar nas ferramentas de privacidade.

Uso de smartphones

Além dos hábitos em redes sociais, a pesquisa também levantou dados sobre o uso de celulares inteligentes pelas crianças – novamente o Brasil ficou em destaque. Apesar da adoção baixa em todos os países da pesquisa, o maior índice de pais que compraram smartphones para os filhos foi o do Brasil (27%), seguido de Reino Unido (21%) e EUA (19%).
A idade média dos filhos quando começaram a usar smartphones foi de 12 anos para os brasileiros. A idade mais alta foi a dos filhos japoneses (18 anos). Além disso, nove em cada dez pais no Brasil afirmaram ter orientado o filho sobre o uso seguro e responsável do smartphone.
Para a pesquisa, foram entrevistados 1.419 pais residentes no Brasil, Austrália, França, Índia, Japão, Reino Unido e Estados Unidos.
Fonte: UOL 25/10/2011http://tecnologia.uol.com.br/ultimas-noticias/redacao/2011/10/25/com-media-de-9-anos-brasileiros-sao-os-mais-jovens-no-mundo-a-entrar-nas-redes-sociais.jhtm

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Sobre o Medo....

Sobre o medo....reflexões de Mia Couto nas Conferências do Estoril 2011 sobre Desafios Globais, Respostas Locais, de 4 a 6 de maio de 2011.
O programa foi composto por 4 conferências com oradores convidados e 4 painéis temáticos:
Painel 1: A Arquitectura da Governação Global; 
Painel 2: Depois da Crise?; 
Painel 3: Ameaças Globais: Desafios para a Segurança Humana (o que Mia Couto participou) e Painel 4: Globalização e Políticas Internas.


Anais do Confibercom trazem artigos completos sobre Educomunicação


Notícia boa compartilhada com a colega educomunicadora Antônia Alves e a turma da ECA/USP: Já estão disponíveis os anais do Confibercom – I Congresso Mundial de Comunicação Ibero-Americana – que aconteceu entre os dias 31/07 e 04/08, em São Paulo-SP. 
Foram dois dias dedicados à Educomunicação (Sessão Temática ST 15) coordenado pelo professor Ismar de Oliveira Soares.
Para saber mais informações sobre o Confibercom acesse: http://www.cca.eca.usp.br/search/node/confibercom
Para acessar os artigos integralmente clique nos títulos abaixo ou acesse o link: http://confibercom.org/anais2011/sessao_15.html 
  • Almeida, Lígia Beatriz Carvalho de
Práticas de educação para a mídia na formação básica de jornalistas
 

  • Arango, Ana María Tobón
Prensa Escuela, herramienta para la formación ciudadana
 

  • Colombo, Macri Elaine; Levy, Denize Piccolotto Carvalho
As dificuldades na elaboração de um projeto experimental nos cursos de jornalismo
 

  • Fernandez, Rogério Garcia; Januário, Carlos; Ferreira, Carlos; García, Francisco García
A Educomunicação Colaborando nos Processos de Produção de Conhecimento das Comunidades e Chegando às Esferas Política-Pedagógica
 

  • Ferreira, Mayra Fernanda
Do cassete-fórum à Internet: uma proposta educomunicativa para a participação de crianças na mídia
 

  • Franques, Bruno Marcondes
A musealização das emissoras da Rede Pública: reflexão e proposta educativa a partir da implantação do Centro de Memória Audiovisual da Fundação Padre Anchieta
 

  • Gattás, Carmen Lucia Melges Elias; Mello, Luci Ferraz de; Leão, Maria Izabel de Araújo; Soares, Maria Salete Prado
EducomJT – A Educomunicação como prática no ensino Fundamental e Médio
 

  • Gélvez, María Victoria Rugeles
Comunicación / Educación: Articulación en clave en procesos de formación y transformación social

  • Jurkevicz, Maristela Romagnole de Araújo
Avaliação formativa e sua implicação na formação crítica do profissional de Relações Públicas
 

  • Lourenço, Silene de A G; Prandini, Paola; Leão, Maria Izabel de Araújo; Ribeiro, Alda; Gattás, Carmen Lucia Melges Elias
Da prática à reflexão: a formação de gestores de projetos educomunicativos nas escolas da rede municipal de São Paulo 
 

  • Mucheroni, Marcos Luiz
Horizontalidade, novas mídias, informação e comunicação
 

  • Neto, José Augusto de Melo; Mello, Luci Ferraz de; Ximenes, Maria Augusta da Silva
Ensino Médio Presencial Mediado por Tecnologias no Estado do Amazonas - Gestão dos processos comunicacionais na educação presencial a distância

  • Patrício, Edgard 
A construção do conceito de didática da comunicação educativa no rádio

  • Paula, Andrea de Lima Trigueiro de; Moreira, Diego Gouveia
Megafone-DH: uma experiência educomunicativa e transmidiática em educação para os direitos humanos no Recife

  • Peruzzo, Cicilia M. Krohling
O rádio educativo e a cibercultur@ nos processos de mobilização comunitária

  • Próspero, Daniele
Educação Integral e práticas educomunicativas: a experiência do Programa Mais Educação do MEC

  • Santinello, Jamile
O campo educação e comunicação em discussão: como analisá-las em cursos que direcionam o aprendizado para o mercado?

  • Souza, Karla Isabel de; Gómez, Patricia Núñez; Guardia, Maria Luisa Garcia; Díaz, Pilar Lacasa; Martin, Mari Angeles
Educomunicação e Facebook nas universidades espanholas
 

  • Viana, Claudemir Edson
“Minha Terra”: diversidade cultural e sustentabilidade em praticas educomunicativas pela web 

Reflexões com Mafalda!!!

Mafalda e sua turma nos fazem refletir sobre liberdade 


sábado, 22 de outubro de 2011

Ismar Soares fala sobre Educomunicação em vídeo para a Aberje




No dia 20 de setembro de 2011, o professor pós-doutor da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, Ismar de Oliveira Soares, participou da terceira edição do projeto Aberje COMO! para falar sobre "Como educomunicar".


Compartilhamos acima esse vídeo da Aberje, que é a Associação Brasileira de Comunicação Empresarial e, abaixo, o texto que foi publicado no blog da associação sobre o professor Ismar.


"Ele coordena a licenciatura de Educomunicação, que prevê formar profissionais para trabalhar em vários setores, com ênfase na interface entre mídias e educação. A nova área surgiu nos anos 60, como interface entre práticas sociais e profissionais no uso de linguagens e procedimentos comunicativos preocupados com a questão da cidadania e algumas bandeiras até então não discutidas, como a sustentabilidade e a diversidade sexual. Trata-se de um campo de agir profissional, agora com base acadêmica organizada para uma gestão especial dos processos de comunicação e sua relação com a sociedade e o mundo. Soares ainda fala no vídeo sobre esta nova geração que intensifica o uso de tecnologias e linguagens para estabelecer relacionamentos e como a educomunicação pode contribuir nesta aprendizagem e melhor uso.


Promoveu, em 2002, o Projeto Educom.TV (curso on line para dois mil professores do Estado de São Paulo, sobre o emprego da linguagem audiovisual na escola, sob a perspectiva da educomunicação), bem como, entre 2001 e 2004, o Projeto Educom.rádio (formação de 11 mil professores e alunos da rede municipal de ensino de São Paulo, para o uso educomunicativo da linguagem radiofônica no espaço escolar). Entre 2001 e 2009, foi presidente da Union Catholique Internationale de la Presse/UCIP, com sede em Genebra/Suíça. Atualmente, é avalista de projetos de pesquisa da FAPESP, na área da Educomunicação, professor titular da USP, membro de Comitê Gestor da Lei Educom da Prefeitura do Munícipio de São Paulo, Supervisor do Projeto Mídias na Educação do Ministério da Educação e vice-presidente do World Council for Media Education, com sede em Madrid/Espanha".
Fonte: Aberje - Associação Brasilera de Comunicação Empresarial/A câmera e a edição do vídeo são de Emiliana Pomarico Ribeiro com coordenação de Paulo Nassar. (Dica de Antonia Alves e Eca/USP)

I Congreso Internacional de Comunicación y Género acontece em março de 2012, em Sevilha/Espanha

I Congreso Internacional de Comunicación y Género acontece em Sevilha, entre os dias 5 e 7 de março de 2012, em Sevilha, Espanha, na Faculdade de Comunicação da Universidade de Sevilha.
As inscrições para envio de trabalho estão abertas de 1º de outubro a 22 de dezembro. Segundo informações do site oficial do congresso, os temas oficiais são:
  • La construcción y comunicación de las identidades de género a través de la literatura, la filosofía,  la historia, la religión y la mitología.


  • El marco legislativo internacional, nacional o local en materia de igualdad de género y su aplicación a las políticas de comunicación social.


  • La mujer en la vida social, política y económica y su representación en los media.

  • Identidades femeninas en el contexto multicultural y de las tres culturas del mediterráneo y su reflejo en los medios de comunicación.

  • La mujer en el discurso cultural y social de los medios de comunicación. Proyecciones de las identidades femeninas en los distintos formatos comunicativos.

  • El reflejo social de la identidad femenina a través del cine.

  • La identidad femenina en las nuevas tecnologías: internet, videojuegos…

  • Comunicación y violencia de género: perspectivas del periodismo actual. Logros y retos.

  • El tratamiento mediático de las mujeres de especial vulnerabilidad social. Mujeres migrantes, mujeres con discapacidades, mujeres maduras.

  • Silencios y desviaciones: los temas no tratados por los medios de comunicación sobre la identidad femenina o los temas maltratados en la práctica informativa.

  • Mais informações: http://congresocomunicacionygenero.com/Comunicacion_y_Genero_2012/contenidos/CG2012/info/Presentacion.html

    Apresentações 1o dia Colóquio Brasil Portugal

    Compartilhamos no link abaixo as apresentações do primeiro dia do Colóquio Brasil Portugal - Educação  e Tecnologia.




    O II Colóquio Brasil Portugal sobre Educação e Tecnologia, uma iniciativa do Programa de Pós-Graduação em Educação: Currículo da PUC-SP,  aconteceu nos dias 5 e 6 de outubro de 2011, e contou com a participação do diretor do Instituto de Educação da Universidade do Minho, professor Leandro e a pesquisadora Maria Cristina Joly da Universidade São Francisco, que investiga o tema das Competências TIC dos professores.

    O evento foi coordenado pela Profa. Maria Elizabeth Almeida da PUC/SP junto com o Prof. Bento Duarte da Silva.


    Veja as comunicações: http://ht.ly/6VIv e as transmissões: http://www.ustream.tv/channel/cedpuc

    A gravação pode ser vista no mesmo endereço online
    Apenas parte da palestra da profa. Beth pode ser vista em http://www.ustream.tv/channel/iicolbrpt



    E, tudo que aconteceu no twitter, você pode ver aqui: Tag #IIcolbrpt]
    Fonte: WebCurriculo

    Media Literacy

    Notícia boa para quem tem interesse pela área de Mídia-Educação ou Educomunicação. O livro Media Literacy and New Humanism, dos professores e pesquisadores Pérez Tornero (que tive o prazer de ser aluna) e Tapio Varis, está disponível em PDF para download. 
    A obra foi publicada em 2010 pelo Institute for Information Technologies in Education (IITE) no âmbito da série de monografias "Theoretical Aspects of ICT in Education". A dica foi da colega Sara Pereira, da Universidade do Minho, Portugal.
    Para acessar o livro, basta clicar aqui!

    sexta-feira, 21 de outubro de 2011

    Quadrinhos e homofobia

    Você conhece a tirinha do Anderson Lauro? Ela é publicada todas as sextas no jornal O POVO, do Ceará. O Anderson Lauro é um personagem único. Como o próprio autor descreve, o Anderson Lauro é um "menino lindo" que não larga seu ursinho PomPom. 
    Conheça o personagem (que tem perfil no Facebook), divirta-se e, quem sabe, leve-o para sua sala de aula. Pode ser uma boa maneira de discutir diversidade. 



    Reflexões com Mafalda!

    Mais um vídeo com nossa mascote de reflexões sobre a mídia, a educação, o comportamento humano, a política, o mundo...MAFALDA!!!!!


    quinta-feira, 20 de outubro de 2011

    Resgate e reflexão na educação


    Por Marcus Tavares - RevistaPontoCom
    Os pontos de vista de grandes nomes da Educação e do trabalho, como Gaudêncio Frigotto, Pablo Gentili, Antonio Nóvoa, Jurjo Santomé, Hésio Cordeiro, Ricardo Antunes, Juana Sancho, Nilda Alves, Sonia Kramer, Célia Linhares, Peter Mc Laren, Dominique Colinvaux e Miguel Arroyo, que por dois anos povoaram as edições dominicais do Jornal do Brasil, no caderno Educação & Trabalho, tornaram-se fonte de uma análise minuciosa do cenário da virada do século XX para o XXI. Análise minuciosa que deu origem ao livro Educação & Trabalho – O papel da escola e a qualificação para o mercado (Editora Vieira & Lent) .
    A autora, a jornalista e professora Eliane Bardanachvili, que também foi uma das editoras do antigo caderno do JB, explica que a obra tem como ponto de partida  as 104 entrevistas publicadas pelo caderno, que circulou aos domingos, de 1999 a 2001.
    Com apresentações da educadora Maria Ciavatta Franco e da jornalista Ana Lagôa, o livro traz à tona grandes questões envolvendo o papel da escola, seus limites e possibilidades frente às profundas mudanças enfrentadas em todas as esferas da sociedade, em um importante período de transição, ao mesmo tempo em que discute a mediação do jornal na circulação da informação.
    revistapontocom conversou com a professora sobre a obra, que será lançada, no Rio, no dia 26 de outubro, às 18 horas, na Casa da Ciência da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em Botafogo, Zona Sul da cidade.
    Acompanhe:
    revistapontocom – De onde surgiu a ideia de escrever o livro?
    Eliane Bardanachvili - O livro deriva de minha dissertação de mestrado, defendia em 2009, no Programa de Pós-Graduação em Educação da UFRJ. Em contato casual com a editora Vieira & Lent, com quem já havíamos cogitado transformar em livro as entrevistas do caderno Educação & Trabalho do Jornal do Brasil, que circulou de 1999 a 2001 e que é o material de pesquisa do livro, houve interesse pelo trabalho e por sua publicação.
    revistapontocom – O que o público vai encontrar na obra?
    Eliane Bardanachvili – O livro procura trazer à tona duas discussões. Uma relativa aos meandros da produção jornalística, olhando analítica e criticamente para a informação que circula de forma mediada, no caso, pelo jornal impresso. Essa primeira vertente, na verdade, busca fornecer subsídios para que se mergulhe na segunda vertente, que é destacada no título do livro, relativa ao papel da escola e à formação para o mercado de trabalho na virada do século XX para o XXI. Para fazer essa discussão, tomo como ponto de partida uma produção jornalística, as 104 entrevistas publicadas no caderno mencionado, do saudoso Jornal do Brasil impresso. As falas dos entrevistados são um material riquíssimo de análise. Ali estão presentes as diferentes posições políticas em jogo no período analisado, pontos de interseção, embates, contradições, olhares que se modificam de acordo com o lugar do qual cada entrevistado se apresenta, enfim, pequenas e grandes pistas que podem ser lidas nas linhas e nas entrelinhas dessas falas – e é esse o trabalho que desenvolvo. As entrevistas foram organizadas em quadros temáticos e, a partir dessa organização, e com base na literatura disponível sobre a temática educação e trabalho, são definidas questões envolvendo esse cenário. Creio que o público encontrará nas páginas um encapsulado das grandes questões da educação, do período analisado e também dos dias de hoje, uma vez que os desafios ali flagrados se mantêm. De alguma forma, as grandes questões estão todas ali, em uma só obra, em um só lugar, o que pode servir de roteiro para mergulhos futuros em uma ou outra temática.
    Leia na íntegra as entrevistas do caderno Educação & Trabalho no hot site de lançamento do livro
    clique aqui
    revistapontocom – Por que resgatar o caderno do JB?
    Eliane Bardanachvili – Esse caderno, embora tenha durado apenas pouco mais de dois anos, teve uma grande repercussão junto a um público específico que se tornou leitor fiel das entrevistas que eram o carro-chefe da publicação. Eu e a jornalista Ana Lagôa, que concebeu o caderno e foi sua primeira editora, tivemos muitas demonstrações dessa relação positiva dos leitores com as entrevistas, mesmo muito tempo depois de o caderno ter deixado de circular. Muitos colecionavam e guardam suas coleções até hoje, eram vários os e-mails que chegavam à redação com elogios e foram tantos outros os que chegaram para protestar quando o caderno chegou ao fim. Assim, esse era um material que merecia ser visitado, pesquisado. Eu tinha condição de fazer isso, também do ponto de vista prático, uma vez que tinha em mãos as entrevistas todas digitalizadas. E vivi uma experiência ímpar de mergulhar como pesquisadora e um material jornalístico que eu mesma – ainda que em parte – havia produzido.
    revistapontocom – Por que o caderno fez  tanto sucesso? Afinal, qual era o objetivo e a importância dele?
    Eliane Bardanachvili – O caderno representou um exemplo de tratamento jornalístico do tema Educação para além dos clichês a que estamos habituados, que são os cadernos de vestibular (e, agora, do Enem…), as receitas para se encontrar um lugar ao sol no mercado de trabalho, as dicas para encontrar a melhor escola para os filhos etc. O caderno trazia o tema da Educação para um debate consistente, com pessoas que estavam até então restritas a seus nichos e fora do alcance do grande público. Dentro do jornal, no entanto, passado o período de nascimento do caderno – que se deveu à visão da Ana Lagôa e ao assentimento e compreensão do então editor da época – o caderno acabou sobrevivendo por mais um ano e pouco, mais pela inércia do que pelo desejo e pela orientação dos editores seguintes. Isso nos mostra como a cobertura de Educação não faz parte da estrutura da redação, estando mais associada a entradas pontuais nas equipes de jornalistas interessados no tema.
    revistapontocom – Passados todos estes anos, que relação se estabelece hoje entre educação e trabalho? Essa relação é a mesma das décadas anteriores ou mudou? Em que mudou?
    Eliane Bardanachvili – Esta é uma pergunta que gerava polêmica na época e continua a admitir uma diversidade de respostas hoje. No livro, é analisada essa dicotomia entre a educação e a formação como algo instrumental, voltado às demandas do mercado, e a educação como algo estrutural, que oferece a régua e o compasso para que se transite não só por esse mercado, mas por esse mundo em transformação.
    revistapontocom – Ao publicar o livro, qual é a sua intenção?
    Eliane Bardanachvili – A ideia de tornar público e perene um estudo que empreendemos sempre é atraente e fascinante. Apenas sob a forma de dissertação, creio que a pesquisa ficaria mais restrita a um determinado nicho. Em um livro, com as devidas adaptações para aproximar o texto do grande público e aliviá-lo da linguagem eminentemente acadêmica, o debate pode alçar novos voos. Desta forma, quem sabe, o livro cumpre o mesmo papel que cumpriram as entrevistas do caderno Educação & Trabalho do JB: oferecer a um grande número de pessoas acesso a um importante debate, que pode orientar na compreensão de uma realidade que ainda hoje nos desafia.
    Fonte: RevistaPontoCom