segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Carta aberta à diretora do jornal Público, de Portugal

O professor e pesquisador Manuel Pinto, da Universidade do Minho (Braga/Portugal), publicou no dia 30 de dezembro Carta Aberta à diretora do jornal Público, de Portugal, em nome da sociedade portuguesa, cobrando explicações sobre o projeto Público na Escola, um dos mais tradicionais no país, que estaria passando por dificuldades por causa dos problemas do jornal.
Reproduzimos abaixo a carta para que todos possam ler e refletir sobre ela.


Senhora Directora do jornal Público,
Estimada Bárbara Reis,

Dirijo-me a si porque, melhor do que ninguém, me poderá responder: que se passa com o Projecto Público na Escola (PnE), uma imagem de marca do jornal que dirige, mas que não dá, há meses, qualquer sinal de vida?
Não sou só eu que pergunto. Vários outros docentes e interessados na educação para os media gostariam de saber o que aconteceu. Há dias alguém me dizia que, às tantas, perante as dificuldades económicas do jornal, o projecto já foi pela borda fora. Eu não quis acreditar, porque se isso fosse verdade, seria o próprio futuro do jornal que já não suscitava esperança. Apesar de tudo quero acreditar não ser (ainda) esse o caso.
Há certamente centenas de escolas que leram no jornal, no domingo dia 9 de Janeiro de 2011, uma pequena notícia em que se anunciava que as redes sociais eram o tema do concurso nacional de jornais escolares que o PnE voltava a lançar com o apoio de várias entidades, com destaque para o Ministério da Educação. O prazo terminava no início de Julho último, mas, vimos pelo blog do Projecto, Página 23, foi prorrogado até ao dia 20 desse mês. Acontece que o próprio blog estacionou no dia 31 de Julho e, a partir de então, não mais foi actualizado. O boletim informativo mensal, fonte sempre fecunda de recursos e espaço de relato de experiências, há largo tempo que não se publica.
O jornal, que eu tenha visto, não deu qualquer explicação. Ora é muita gente - muitas escolas, muitos docentes e muitas crianças e adolescentes por esse país fora - que aguarda com ansiedade alguma informação. Afinal, se o jornal não cuida de dar sobre si e sobre o que de si depende uma nota que seja que nos diga o que devemos ou podemos esperar, a quem havemos de recorrer?
Posso testemunhar o impacto que teve a apresentação desse projecto de educação crítica para os media e para a cidadania, que o seu coordenador pedagógico fez em Março passado, no congresso nacional sobre "Literacia, Media e Cidadania", realizado na Universidade do Minho. Escolas, clubes, turmas, bibliotecas escolares valorizavam e valorizam a pertença a essa rede que o Público na Escola foi constituindo ao longo do tempo.
Era bom termos uma informação sobre esta vertente da presença e acção do seu jornal. Como público, queremos e precisamos de saber.
Grato e ao dispor.

Publicada por Manuel Pinto

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