terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Jovens desenvolvem senso crítico por meio da educomunicação



Do lado de fora da escola, jovens são instigados a planejar uma revista, discutir os temas que devem estar em suas páginas e produzir conteúdo capaz atingir pessoas em todo o País. Essa é a rotina do projeto Viração, organização com sede em São Paulo que reúne cerca de 300 jovens em 22 estados. A revista mensal Viração, uma das produções do grupo, propõe debates sobre assuntos como arte, cultura e política com base na educomunicação, que começa a ganhar espaço dentro e fora da sala de aula e busca desenvolver o senso crítico e as habilidades comunicativas da sociedade.
O material da Viração é pensado e produzido por jovens de 15 a 29 anos. Semanalmente, cerca de 100 deles passam pela sede do projeto. Quem não mora em São Paulo também pode participar: 22 conselhos Virajovem organizam diferentes ações em seus estados. "Em quase 10 anos de existência, estimamos que 5 milhões de jovens já tiveram contato com a revista ou com alguma notícia publicada pela organização", comemora a diretora executiva da iniciativa, Lilian Romão.
O principal objetivo da Viração é permitir que os jovens falem para jovens sobre assuntos de seu interesse - e que discutam esses temas durante todo o processo que envolve a produção da revista. O projeto é mantido com dinheiro arrecadado por assinaturas. "A Viração é uma organização social privada sem fins lucrativos. Nossa equipe também é composta por educomunicadores e outros profissionais interessados em trabalhar a comunicação dentro de outro formato", diz. Segundo Lilian, não há restrições quanto à participação. "Temos jovens de comunidade, comunicadores que estão na universidade, participantes de movimento social, integrantes de projetos de outras organizações sociais. Uma das riquezas da Viração é conseguir dialogar com a juventude como um todo, sem criar padrões. Trabalhamos com gente preocupada em construir um novo formato de comunicação", destaca.
Educomunicação busca desenvolver senso crítico
Segundo o coordenador do Núcleo de Comunicação e Educação da Universidade de São Paulo (USP), Ismar de Oliveria Soares, o conceito de educomunicação trata de um conjunto de referências sobre programas, projetos e produções desenvolvidos a partir de um grupo que busca ampliar seu potencial comunicativo. "A educomunicação tem uma vertente política, discute como os jovens participam da gestão, planejamento, produção, avaliação. O objetivo é criar relação de cidadania e exercício da função comunicativa como direito universal", explica. "É um diálogo permanente, interno e externo, com os grupos de pessoas que trabalham na interface da comunicação", acrescenta.
O professor aponta outros conceitos semelhantes à educomunicação, como os princípios de tecnologia educativa e mídia e educação. No entanto, diz que as três vertentes apresentam diferenças bastante pontuais. "A tecnologia educativa trata da importância de o professor utilizar adequadamente recursos analógicos, seja o quadro negro ou o computador. A preocupação é a relação da técnica de quem administra o conteúdo, enquanto que o conceito de mídia e comunicação tem como foco a mídia e a tecnologia", diz.
"A diferença é que a educomunicação parte do preceito de que existe uma comunidade educativa em ação, composta por quem ensina, quem aprende e todo o ecossistema envolvido. Nesse caso, as tecnologias não são pensadas para beneficiar apenas quem emite, mas a comunidade como um todo", destaca.
O conceito de educomunicação existe desde 1999, mas suas práticas já são conhecidas há muitos anos. Segundo Soares, sempre houve movimentos para ampliar o potencial comunicativo das pessoas, antigamente chamados de comunicação alternativa. "Quando se começou a trabalhar esse conceito em instituições de ensino e ONGs, a prática foi legitimada, e o resultado são crianças mais saudáveis em termos afetivos e intelectuais, com uma autoimagem muito sólida", avalia.


Revista Viração Educomunicação: http://www.viracao.org/
Fonte: Terra 20/02/2012

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