sexta-feira, 9 de março de 2012

Universidade Estadual de Ponta Grossa recebe o 2º Encontro Estadual de Comunicação e Educação de Ponta Grossa

Entre os dias 1º e 5 de maio acontece o 2º Encontro Estadual de Comunicação e Educação de Ponta Grossa, na UEPG - Universidade Estadual de Ponta Grossa.


Em agosto de 2002 foi realizado em Ponta Grossa o 1º Encontro de Comunicação e Educação de Ponta Grossa juntamente com o IV Simpósio Brasileiro de Comunicação e Educação. O evento organizado em parceria com o Núcleo de Comunicação e Educação da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo e trouxe figuras eminentes do cenário nacional como Ismar de Oliveira Soares, Heloísa Dupas de Oliveira Penteado, Maria Luísa Belloni, Fernando Rossetti Ferreira. Foram abordados temas como: a formação da recepção e do professor comunicador, o surgimento da figura do "educomunicador", o aumento e disseminação das novas tecnologias de comunicação e informação, o aumento em grande escala da educação a distância com mídias interativas, sem esquecer da ética nas produções midiáticas e o papel formativo da mídia.

Dez anos depois estamos realizando o segundo encontro desta vez em conjunto com o Festival Literário Internacional dos Campos Gerais promovido pela Secretaria Municipal de Cultura de Ponta Grossa e que envolve todos os municípios da região dos Campos Gerais. O que nos levou a retomar esse evento é a oportunidade de, decorridos dez anos, podermos realizar uma leitura dos avanços nas áreas de formação e produção na interface comunicação e educação em nossa região.

Este segundo encontro traz como temática geral a Literacia e Linguagens Inclusivas. Literacia é uma palavra que existe em Portugal, mas é pouco conhecida no Brasil. É definida como a capacidade de cada indivíduo compreender e usar a informação escrita contida em vários materiais impressos, de modo a atingir os seus objetivos, a desenvolver os seus próprios conhecimentos e potencialidades e a participar ativamente na sociedade.

No complexo mundo de hoje a literacia teve seu significado ampliado. Em relação às novas linguagens a literacia tem a ver com proporcionar oportunidades de acesso e desenvolvimento de capacidades de apropriação, fruição, expressão e circulação de conteúdos em diversas linguagens ampliando a inserção social de diferentes públicos. Dessa forma a literacia se aproxima do conceito de Leitura de Mundo cunhado por Paulo Freire.

As linguagens midiáticas são na atualidade as grandes mediadoras das relações sociais, participam na formulação de representações que temos de nós mesmos, dos outros e sobre como deve funcionar a sociedade. Essa mediação se dá não somente pelos conteúdos que veiculam ou que omitem, mas também na forma como são produzidos, nas escolhas feitas em relação a imagens, ângulos, sons, cenários, como se combinam para a elaboração da mensagem e como isso reforça estereótipos ou valores, cria (in)tolerâncias, expressa resistências, dá visibilidade ao que estava esquecido ou oculto.

O sentido de Linguagens Inclusivas adotado neste Encontro visa chamar a atenção para as possibilidades de participação social através das mídias ampliando a inserção de diversos segmentos sociais que normalmente são marginalizados. Para isso, o público precisa desenvolver competências para produzir conteúdos porque, essa experiência de produção colabora para uma melhor compreensão e interpretação dos conteúdos apresentados pelos profissionais de Mídia. As competências de produção têm importância crescente para a expressão cultural, participação dos cidadãos e, ainda, para o desenvolvimento de uma força de trabalho qualificada, criativa e que utiliza as mais recentes tecnologias (Livingstone & Thumim; 2003: 12) .

O evento atuará em conjunto com a Feira de Literacia e Linguagens Inclusivas promovida pela FLICAMPOS com o objetivo de sensibilização do público e a de formação de educadores para as estratégias de literacia e inclusão. Para isso Feira contará com oficinas, palestras, performances, vivências, mostras, ações educativas e realizadas atividades de mobilização social e intercambio cultural.

Mesas de Discussão:

Para Freire, ‘pensamento e linguagem, na medida em que constituem uma totalidade, estão sempre referidos à realidade do sujeito que pensa. O autentico pensamento é gerado na relação dialética entre o sujeito e sua realidade concreta’. Desse modo, no caso das sociedades ‘dependentes’ ou ‘alienadas culturalmente’, o próprio pensamento-linguagem encontra-se alienado porque ‘dissociado da ação implicada pelo pensamento autêntico’. Isto gera somente ‘palavras falsas’, e não ‘palavras verdadeiras’. Freire prossegue argumentando que o tema fundamental do terceiro mundo consiste exatamente na ‘conquista de seu direito à voz, o direito de pronunciar sua palavra’, acrescentando que o homem que ‘tem voz’ é ‘um homem que é sujeito de suas próprias opções, um homem que projeta livremente o seu próprio destino. (LIMA, 1984)

Pronunciar a própria palavra, pronunciar o mundo, não diz respeito a aprender um idioma, saber organizar letras para a formação de palavras. Representa a ação política de tornar-se sujeito das próprias ações, responsável e livre, ao mesmo tempo em que se reconhece e participa do/no coletivo humano em igualdade de condições sem subalternidades. A pronúncia de si não está restrita a letras, sons, encampa igualmente imagens, conhecimentos e relações que estabelecemos entre elas. Quem pode criá-las? Quais as palavras válidas? Quem define os critérios de validade? Como fazer andar a própria palavra?


Responder a essas perguntas hoje significa pensar nas novas linguagens, nas relações sociais e de poder criadas em torno delas, e refletir sobre quais os modos de produção e reprodução simbólica do(s) mundo(s). Como nos tornamos capazes de pronunciar nossos próprios mundos, como essas vozes podem ser ouvidas e respeitadas.
Ao abordar a temática das literacias e linguagens inclusivas este evento tem por objetivo trazer à tona a discussão da formação para a cidadania indagando a respeito das formas de apropriação dessas linguagens e como esse conhecimento pode ser emancipatório. Para isso, essa temática foi desdobrada em várias Mesas de Discussão, cientes é claro de que elas não esgotam suas possibilidades de exploração e aprofundamento.

MD 1 – Novas pedagogias e novas linguagens (4ª manhã)
Tradicionalmente a área de Pedagogia está ligada a idéia de educação de crianças, mas na verdade a sua abrangência é muito maior. Trata da educação em diversos ambientes e situações como a educação voltada para outros seguimentos etários e realizada em ambientes não escolares. Nos últimos tempos algumas dessas especificidades vêm se destacando, formando um campo de estudos com questões próprias. Hospital, empresa, ambientes não escolares, por exemplo, exigem uma outra forma de pensar a formação para atuação nesses espaços. O que esta mesa propõe é oferecer subsídios para essa discussão.

MD 2 – Literacia, formação de professores e áreas afins (4ª noite)
Formar para um uso crítico e esclarecido dos meios de comunicação, novos e tradicionais, é um imperativo de cidadania cada vez mais premente. Nesse sentido torna-se essencial delinear estratégias de promoção da educação para as mídias aumentando os níveis de literacia mediática nas escolas especialmente dos mais jovens. Por isso, é importante que a escola proporcione o alargamento da experiência sobre os diferentes tipos de conteúdos e formas midiáticas, colabore para o desenvolvimento de capacidades críticas de análise e apreciação das mídias assim, como favoreça o desenvolvimento de capacidades criativas de utilização das mídias como forma de expressão, comunicação e participação na cena social.



MD 3 – Literacia e formação de leitores (5ª manhã)
A leitura tem desempenhado ao longo dos anos o papel tanto de preservação, como de partilha e de experimentação cultural. As novas tecnologias têm nos oferecido a oportunidade de experimentar diferentes formas de contato com a leitura. Textos sem letras, silenciosos ou sonoros. Nascem assim novas leituras: leituras de mãos, corpos e rostos, leituras de imagens, leituras sem sons. Nascem também novos leitores, que vão além da literatura tradicional daí a necessidade de se discutir as práticas de leituras e os diferentes materiais como histórias em quadrinhos e jornais.

MD 4 – Linguagens midiáticas e visibilidade social – (5ª noite)
Diversos grupos sociais estiveram ausentes do horizonte da cidadania e ganharam nas novas linguagens um meio de pronunciar suas palavras e de conquistar visibilidade social. Assim grupos indígenas, questões raciais e de gênero começaram a ser discutidas de dentro para fora, ou seja, seus direitos, necessidades e cultura são pensadas a partir de si. Esse movimento implica ao mesmo tempo na desconstrução de modelos construídos por outrem que também circulam socialmente através dessas mesmas linguagens midiáticas.

MD 5 – Literacia e linguagens midiáticas – (6ª manhã)
As relações sociais estão entretecidas por relações midiáticas. Essa familiarização com as linguagens midiáticas é importante porque proporciona os primeiros critérios de avaliação de qualidade, conhecimento de determinados elementos da gramática da imagem, de fruição estética. No entanto a familiaridade por si só não é suficiente para dar conta da compreensão dos textos midiáticos. Daí a importância de experiências que proporcionem o contato com diversas linguagens como o rádio, cinema e televisão discutidas de maneira crítica.

MD 6 – Instituições midiáticas, literacia e responsabilidade social – (6ª noite)
A responsabilidade pelos rumos da sociedade é uma atividade política que necessita ser assumida tanto individual como coletivamente. No caso da circulação de informações as instituições midiáticas estão sendo chamadas a assumir sua parte na formação para a cidadania e várias delas têm colocado suas propostas em curso em nossa região. Nesse cenário é importante esclarecer quais são as interligações que se podem estabelecer entre as formas midiáticas geradas por estas instituições e a sua ação formadora.

MD 7 – Cidadania e linguagens Inclusivas – (Sábado, manhã)
A sociedade multimidiática é polifônica, isto é, traz voz e corpo para diversos segmentos sociais. Graças a estes ambientes mediáticos as formas de comunicação, a produção e a partilha de informação, a aprendizagem e o exercício da atividade laboral tornaram-se acessíveis a diversos segmentos sociais. A literacia das mídias proporciona espaço para a discussão de diferentes culturas e de exercício da cidadania para pessoas com limitações físicas, sensoriais, intelectuais, criando novos modos de interação e participação social.



Fonte e Informações: http://www.facebook.com/events/358032750904277/ (Márcia SilvaMídias Na Aula e Érico Ribas Machado)
Em breve o site do evento entrará no ar!

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