sexta-feira, 6 de abril de 2012

A educação escolar das infâncias na sociedade midiática: desafios para a prática pedagógica

Heloísa Dupas Penteado

Compartilhamos parte do artigo "A educação escolar das infâncias na sociedade midiática:  desafios para a prática pedagógica", de Aldo Pontes (foto) e Heloisa Dupas de Oliveira Penteado, publicado na Revista Olhar de Professor, nº 14, Volume 1, Caderno Temático Educação e Mídias.

Aldo Pontes é Doutor em Educação pela USP. Professor auxiliar da Universidade São Francisco (USF) e docente associado I da Faculdade de Tecnologia de Indaiatuba-SP. 
Heloisa Dupas de Oliveira Penteado é Pós-doutora em Educação pela PUC-RJ e doutora em Didática pela USP. Professora do programa de pós-graduação em Educação da USP. 




Resumo: Neste artigo comungamos com outros pesquisadores que reivindicam a urgência de uma educação com, para e por meio de mídias na escola, sobretudo quando desenvolvida por meio de uma Pedagogia da Comunicação que, a partir da prática docente mediadora os professores, seja potencializadora e possibilitadora de uma prática educativa desta natureza. Para ancorar nossas reflexões, tomamos por referência a formação e as práticas pedagógicas realizadas na educação infantil, pois acreditamos que a implementação de uma ação educativa com, para e por meio de mídias já na Educação Infantil pode proporcionar às crianças, em primeiro lugar, um processo de ensino-aprendizagem formal que viabilize e desenvolva um consumo mais vivencial, sensível e refl exivo daquilo que veem na tela da tevê; e, em segundo, que ofereça aos pequenos processos educativos socializadores que respeitem e valorizem sua condição de sujeitos sociais agentes, tornando possível, assim, a participação tanto em seu processo educativo como na prática social.



Infâncias contemporâneas e a necessidade de uma educação com, para e por meio de mídias


A constatação de que existem convergências e 
divergências entre as culturas midiáticas e as das 
escolas não impede, contudo, que se busque, 
através de atitudes novas e desafiadoras, aqueles 
procedimentos de aproximação entre os dois 
sistemas e que contribua para tornar mais 
eficaz a ação educativa. 


[...] trata-se de fazer com que o rádio, a 
televisão, o jornal, as tecnologias digitais 
e informacionais ao mesmo tempo entrem 
nas salas de aula e delas sofram os influxos 
que a atenção crítica e refl exiva de um 
saber academicamente sustentado e 
socialmente comprometido podem exercitar. 
(CITELLI, 2005, p. 88)


Nosso ponto de partida neste texto é o entendimento de que esse diálogo urgente e necessário entre a cultura escolar e a cultura midiática, no sentido da promoção de uma educação com, para e através dos meios de comunicação, conforme delineado por Citelli (2005), deve ter início já na Educação Infantil. Isso se justifica por essa ser entendida como 


[...] primeira etapa da educação básica, 
[que] tem como finalidade o desenvolvimento
 integral da criança até seis anos de idade, 
em seus aspectos físico, psicológico, intelectual 
e social, complementando a ação da família 
e da comunidade. (BRASIL, 1996, grifo nosso) 



Isso que preconiza a LDBEN atual (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, 9394/96), no seu Art. 29, a respeito dos objetivos da Educação Infantil, constitui atualmente um grande desafio para os profissionais que atuam nessa modalidade de ensino e que, além das habilidades inerentes ao ambiente escolar em que atuam, precisam na atualidade também promover uma educação midiática; afinal, no nosso tempo, antes de virem para a escola, as crianças já estão “alfabetizadas” pelas imagens veiculadas pela mídia, sobretudo as da televisão.


Seguindo a mesma linha de pensamento, considera Condry (apud GONET, 2004, p. 35-36) que a escola, em vez de agir como se a televisão não existisse, deveria ensinar às crianças múltiplas possibilidades de utilização da tevê, como 



[...] propor às crianças discutir programas 
e ideias, bons ou maus, que lhes são apresentados.
[...] implementar programas pedagógicos
que visassem a fazer das crianças
telespectadores dotados de espírito 
crítico, e isto desde a mais tenra idade.



Desde bebês, as crianças consomem uma grande quantidade de experiências visuais, sonoras e táteis que sendo fontes de representação do mundo em que vivem, acabam tornando-se referenciais para compreendê-lo. Curiosamente, mesmo estando cientes de tal condição,  


[...] a linguagem audiovisual, muito presente 
no universo das crianças, não suscita atenção
 dos educadores comparativamente ao escrito
 e à comunicação verbal que são objeto de 
procedimentos privilegiados de aprendizagem.
(GONET, 2004, p. 53).



Essa indiligência docente em relação às possibilidades pedagógicas das produções audiovisuais deixa escapar momentos bastantes favoráveis ao jogo, à brincadeira e ao aprendizado.


Há uma infinidade de argumentos plausíveis para que se desenvolva uma educação com, para e por meio de mídias na escola desde a Educação Infantil, pois além de as telas midiáticas serem caracterizadas em  nosso tempo por uma extraordinária velocidade e instantaneidade, por muitas vezes incentivarem o consumo desenfreado e por legitimarem valores por vezes deturpados, nelas



[...] não só temos acesso a informações e 
imagens, mas ouvimos e lemos histórias 
transformadas em grandes feitos, marcados
 por uma adjetivação de excelência, onde
 tudo é ‘super’, ‘extra’, ‘mega’. 
(FISCHER, 2007, p. 295)



Considerando esse quadro cotidianamente vivenciado, a compreensão da lógica desses discursos e a dinâmica da linguagem midiática que leva à sua construção sem dúvida devem ser objetos de estudo na escola, pois 


[...] tais elementos fazem parte dos discursos
 de nossa época e são aprendidos pelas 
crianças desde que nascem, habitam suas 
vidas, participam da construção de suas 
subjetividades, transformam seus modos 
de aprender e de existir. (FISCHER, 2007, 
p. 295)


Para ler o artigo completo, acessar o link http://www.revistas2.uepg.br/index.php/olhardeprofessor/article/view/3485/2503

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