segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Análise de Tirinha (16) - Leitura Expressiva



Por Ezequiel Theodoro da Silva

leitura silenciosa, preponderante na vida contemporânea, sufocou a leitura oral, também chamada de expressiva ou dramática. Na linha da história, conforme nos mostram vários estudiosos da matéria, nem sempre foi assim e houve tempo em que os textos escritos eram feitos para serem "falados" para uma platéia de ouvintes. (1) Daí, inclusive, o surgimento da oratória e eloquência, como a arte do bem falar ou do bem falar ou oralizar aquilo que já está(va) escrito.

Existem teorias que defendem a ideia de que a leitura silenciosa é uma "sublimação" da leitura oral. Através de experimentos, verificou-se que quando uma pessoa lê silenciosamente as suas cordas vocálicas ainda vibram, ocorrendo o fenômeno chamado de subvocalização. Essa descoberta põe a gente para pensar e refletir se é assim mesmo!

Não resta dúvida que a leitura silenciosa e individual é muito mais usada nos tempos de hoje. Pode-se contar nos dedos os momentos e as situações em que temos de ler um texto em voz alta para alguém. 

Entretanto, sem desejar que as maçantes - e muitas vezes postiças - lições de retórica e eloquência retornem ao currículo escolar, acredito que a pessoas devam ser levadas o domínio de habilidades relacionadas com a leitura oral. Isto porque, ao longo da vida, sempre surgirá uma situação ou outra em que o texto deverá ser oralizado para ser partilhado, discutido, aprofundado, etc com interlocutores diversos. 

O professor deve ser um leitor oral por excelência, pois esta dimensão faz parte do seu ofício. Como um mediador privilegiado da leitura, a capacidade de ler em voz alta, expressivamente, deve ser sempre cultivada e aprimorada  pelo professor de modo que ele possa não apenas compartilhar a beleza dos textos, mas também envolver os seus alunos a partir de textos expressivamente bem lidos. Um texto adequadamente lido oralmente é envolvente, cativante, motivador, etc.

Na tirinha acima a personagem Helga consegue, pela leitura em voz alta, fazer chorar os seus ouvintes. E até mesmo a história infantil dos Três Porquinhos é capaz de gerar sentimentos e emoções nos adultos ouvintes.

E, sendo eu um frequentador assíduo de peças teatrais e lembrando que o texto teatral é um texto dramaticamente expresso (depois de memorizado) pelo ator, acho que a coisa vai por aí mesmo, quer dizer pela leitura oral eu conseguir a atenção das pessoas ao meu redor e ir além, gerando emoções nas mesmas.

(1) Para saber mais sobre as transformações históricas entre a leitura oral x leitura silenciosa, leia o excelente estudo de Márcia Abreu em http://www.unicamp.br/iel/memoria/Ensaios/Marcia/marcia.htm (Acesso em 11/08/2012)

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