terça-feira, 20 de novembro de 2012

Colômbia é referência em Educação e inspira professores brasileiros


Crédito: Global Imagens
Bogotá, na Colômbia, foi a primeira cidade da América Latina a ser considerada Capital Mundial do Livro, título dado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura – Unesco e pela indústria editorial mundial em 2007, devido a projetos de estímulo à leitura. Além dela, apenas Buenos Aires, na Argentina, detém o título no continente.
Assim como o Brasil, a Colômbia não tem bibliotecas escolares perfeitas e em número ideal, mas projetos desenvolvidos por colombianos já inspiram professores brasileiros. O diretor da escola Benjamín Herrera, em Medellín, Oscar Mejía Henao, já esteve três vezes no Brasil para falar da pesquisa sobre o motivo dos alunos não gostarem de ler. Descobriu que eles queriam ter mais liberdade de escolha.
“Com a investigação, os jovens derreteram, lentamente, o autoritarismo no colégio. Os professores ficaram mais sensíveis. Quando diminuíram a pressão sobre a obrigação de ler livros clássicos e escrever relatórios sobre eles, os alunos passaram a ler muito mais”, disse Henao.
Outra escola pública de Medellín, o Centro Formativo de Antioquia – Cefa, só para garotas, também conseguiu bons resultados. As alunas que mais pegam livros na biblioteca, que tem 12.053 volumes, são premiadas. Os professores ajudam as estudantes a descobrir de qual estilo literário gostam e estimulam uma espécie de “rodízio literário”, em que uma aluna lê o livro preferido da outra.
Em Bogotá, bibliotecas de escolas públicas têm estimulado a leitura não apenas entre os alunos, mas também entre pais de estudantes e professores. No colégio Alfonso Lópes Michelsen, na capital colombiana, profissionais que trabalham na biblioteca reúnem pais de alunos para ler textos.
“A ideia é que os pais tenham ferramentas para estimular as crianças a ler. Os pais se aproximam mais dos filhos e replicam, em casa, com a família, tudo aquilo que aprenderam durante o projeto”, explicou o professor-bibliotecário da escola, José Diaz.
A vice-diretora da Escola Municipal Valneri Antunes, em Porto Alegre (RS), Nara Freitas, quer instalar um espaço especial de leitura para mães e bebês na sua escola, conhecido na Colômbia como bebeteca. “Eu gostei da ideia de estimular os pais a contar histórias para os seus filhos. Já estou até pensando em um lugar para instalar uma bebeteca na minha escola”, contou Freitas.
No Brasil, uma lei federal de 2010 estabeleceu que até 2020 todos os colégios, públicos e particulares, devem ter bibliotecas com acervo de, no mínimo, um livro por aluno. No entanto, segundo o Censo Escolar 2010 doMinistério da Educação – MEC, menos da metade (40,8%) das escolas públicas e privadas de ensinos fundamental e médio do país possuía bibliotecas. Em 2011, esse percentual era de 41,5%. O Ministério da Educação da Colômbia não informou quantas escolas do país têm bibliotecas.
Segundo a Unesco, a média de livros lidos por ano no Brasil é de quatro por habitante, enquanto na Colômbia o índice é de 2,2. “Uma biblioteca escolar ideal é a que trabalha em conjunto com a aula e o professor, com projetos que permitam que as crianças leiam mais profundamente certas obras”, disse a presidente daAssociação Colombiana de Leitura e Escrita, Silvia Castrillón.

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