domingo, 30 de dezembro de 2012

Babá eletrônica

Por Marcus Tavares
2012 não foi diferente dos outros anos. Pelo menos, no 
que diz respeito à produção audiovisual para crianças, 
no contexto da TV  aberta comercial no Brasil. Poucas 
realizações de fato foram pensadas para o público infantil. 
Algumas que já existiam foram inclusive retiradas da 
programação diária, como a TV Globinho, da Globo, que, 
na verdade, exibia apenas desenhos animados enlatados. 
A justificativa de não produzir conteúdo próprio brasileiro 
para a criança foi a mesma de sempre: altos custos 
combinados com a falta de anunciantes/patrocinadores 
diante de um contexto de pressão legislativa pelo fim 
da publicidade infantil na tevê.
Na contramão, o SBT talvez tenha sido o canal que 
mais se destacou, ao reeditar a novela infantil Carrossel. 
No ar às 20h30, a trama ganhou a atenção das crianças e 
aumentou o lucro da emissora, mostrando que o filão 
infantil não morreu e que pode ser um bom investimento. 
Tivemos também, neste ano, a série animada do Sítio do 
Pica Pau Amarelo (26 episódios de 11 minutos cada), 
lançada aos sábados pela Globo, e o programa Conversa de 
Gente Grande, na Band, mas que saiu do ar depois de sete 
apresentações. Segundo a emissora, o programa não 
decolou por conta do horário: aos domingos à noite. 
De resto, apenas os desenhos animados enlatados 
já conhecidos.
No Brasil de hoje, criança só tem melhores opções na TV 
por assinatura. Mas que criança? De acordo com a Anatel, 
somente 16 milhões de domicílios brasileiros têm acesso 
à tevê fechada. Ou seja: não é a realidade de muitas 
meninas e meninos. Fato muitas vezes ignorado pelas 
emissoras e pelo próprio governo federal, que poderia cobrar 
e investir mais na produção audiovisual para criança na tevê
aberta comercial e na TV Brasil, vinculada à Empresa Brasileira
de Comunicações. Em 2012, apenas o programa TV Piá, uma 
produção terceirizada, fez diferença na programação da TV Brasil. 
Que tal, em 2013, pressionar os canais e o poder público?
Lembrando: os canais são concessões públicas. Exigir 
produções/programas para crianças, com bom conteúdo, 
diário e em horário compatível é um direito.
Marcus Tavares é professor e jornalista especializado em Educação e Mídia
Artigo originalmente publicado no jornal O Dia (http://odia.ig.com.br/portal/opiniao/marcus-tavares-bab%C3%A1-eletr%C3%B4nica-1.530149)

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