sexta-feira, 30 de março de 2012

Associação Mundial de Jornais e Editores de Notícias (WAN-IFRA) organiza o concurso "A Entrevista dos Meus Sonhos

A Associação Mundial de Jornais e Editores de Notícias (WAN-IFRA), com sede em Paris, está organizando o concurso "A Entrevista dos Meus Sonhos - Um festival global de reportagens feitas por jovens sobre estórias de sucesso", sob a coordenação de Aralynn McMane, Diretora Executiva de Desenvolvimento de Jovens Leitores e do Programa Jornal e Educação da WAN-IFRA e Roxana Morduchowicz, coordenadora do Programa Escuela y Medios, do Ministério da Educação da Argentina. 

Aralynn McMane - WAN-IFRA
O concurso é voltado a escolas do mundo inteiro que tenham parceria com jornais associados à WAN-IFRA e associações nacionais de jornais.

Para quem: Classes de alunos com 11 a 15 anos, em colaboração com jornais locais.

O que: Equipes de quatro a seis crianças escolhem uma pessoa importante que gostariam de entrevistar. Alguém que atue no serviço público (como política, direitos humanos, jornalismo) ou ainda entretenimento, artes, esportes, etc, que represente sucesso através de trabalho árduo, sério. A equipe deve submeter sua ideia e questões para o jornal local participante, que escolhe o melhor conjunto de perguntas e ajuda a equipe vencedora a fazer a entrevista. 

Por que: Para ajudar os jovens a aprender sobre o valor da dedicação e do trabalho e ao mesmo tempo, ensinar entrevista jornalística e competências linguísticas. 
Roxana Morduchowicz

Onde: Jornais em uma variedade de países e 
continentes junto com escolas parceiras.

Como: Jornais configuram o festival localmente como quiserem. Podem trabalhar com uma ou duas escolas; podem torná-lo um concurso nacional ou municipal, etc e distribuem o Guia para Professores "Minha Entrevista dos Sonhos da WAN-IFRA" (disponível para o coordenador do concurso a partir da Rede Mundial Jovens Leitores) para as escolas parceiras. Em seguida, devem selecionar os dois conjuntos de perguntas da entrevista.A entrevista deve ser realizada em grupos de no mínimo quatro alunos. Nenhuma entrevista individual será aceita.

O jornal ajudará o grupo vencedor a fazer a entrevista com a pessoa escolhida.Essas entrevistas serão submetidas (em Inglês) para um júri internacional de jornalistas de renome, que devem selecionar os dois vencedores globais.As duas entrevistas vencedoras ganharão viagem para a cerimônia de premiação no "Media Port" durante a WAN-IFRA 
Expo, em Madrid, Espanha, dias 29 e 20/10, para o professor da turma vencedora e dois alunos.
Após a publicação no jornal vencedor, as entrevistas vencedores serão distribuídos em todo o mundo em Inglês www.theinterviewpeople.com e os royalties vão para as escolas vencedoras.

Quando: 
Fevereiro e Março - Guia de Entrevista para professores (em Inglês e Espanhol) fornecidas aos participantes pelo jornais

Abril a junho - Lançamento do projeto: Jornais terão até o final de maio para enviar as duas entrevistas de duas escolas.

Julho - O júri decide quais duas entrevistas são as vencedores.

Final de julho - Anúncio dos vencedores.
 
Outubro: Cerimônia Internacional de vencedores no Media Port, durante WAN-IFRA Expo (29-30 de Outubro, em Madrid, Espanha)

Mais informações com Roxana Morduchowiczroxana.morduchowicz@gmail.com ou wan-ifra.mydreaminterview@gmail.com (em espanhol) ou Aralynn McManearalynn.mcmane@wan-ifra.org (em inglês)

Perguntas frequentes:
Por que a entrevista tem que ser feito por grupos de estudantes ao invés de um indivíduo?O projeto quer promover habilidades adicionais e valiosas tais como: a capacidade de trocar idéias, respeitar as opiniões dos outros, para poder participar de debates democráticos e para chegar a conclusões. Ao trabalhar em grupos, os alunos aprendem o que é pluralidade e lberdade de expressão, assim como tolerância e democracia também.

Quais são os efeitos deste projeto?
Os estudantes aprendem a pesquisar para ir mais a fundo sobre o tema de suas matérias/entrevistas, além da importância de lerem e serem mais críticos em relação às entrevistas nos jornais, para entender como se faz uma boa entrevista.WAN-IFRA fará dois guias disponíveis para professores em todo o mundo: Como fazer entrevistas profissionais jornalísticas e como organizar um projeto Minha Entrevista dos Sonhos (concurso local ou nacional).

Após a entrevista eu estou correto em assumir que você quer que os alunos escrevam as perguntas e respostas no estilo de um artigo e não no estilo pergunta-resposta simples? 

De qualquer maneira está ok. Eles podem escolher. Ambos serão aceitos para o júri. É melhor e mais atraente para o leitor se eles puderem fazer uma mistura de perguntas e respostas e artigos. Mas é também mais difícil. Assim, eles podem fazer só pergtuntas e respostas, se quiserem. Em qualquer caso, perguntas e respostas deve ser parte do texto, mesmo se escolherem a característica do texto artigo. Porque a coisa mais atraente é ver que tipo de perguntas os jovens fizeram e como elas são respondidas pelo entrevistado.Concluindo, a  mistura é ideal, mas perguntas e respostas devem ser incluídas.

Comprimento - O comprimento máximo do artigo é de 300 a 400 palavras?Não, 300 ou 400 palavras é um texto muito curto. O objetivo mínimo é de 800 palavras e o máximo 1000 palavras, sendo que 800 palavras dá, em média, duas páginas.
 
Um jornal sempre pode cortar um texto antes da impressão mas, se a entrevista é interessante o suficiente para ser publicada, um jornal vencedor gostaria de dedicar uma página inteira a ela.
 
O que acontece se selecionarmos uma criança que tem grandes questões e formos incapazes de garantir a "pessoa do sonho" para a entrevista?
Primeiro de tudo, a entrevista de uma criança não é a idéia. As equipes precisam ter  pelo menos quatro crianças. Se o jornal não pode ajudar as crianças a entrevistar determinada pessoa, ele não pode aceitar a inscrição da mesma e precisa encontrar outra pessoa, porque o júri vai avaliar a entrevista como será alcançada com perguntas e respostas. 
 

Neste ponto as crianças podem entrevistas alguém mais? 
Sim ... Se eles tiverem tempo para escrever um novo questionário e entrevistar a pessoa, não há problema, contanto que eles fiquem dentro do prazo.

Fonte: World Association of Newspaper

terça-feira, 27 de março de 2012

"Da Gazeta à Internet" - Exposição em Paris

Biblioteca Nacional da França inaugura exposição dedicada à História da Imprensa com assessoria da Agência AFP e do Centre de Liaison de l'Enseignement et des Médias d'Information - CLEMI, órgão ligado ao Ministério da Educação e que, em português, significa algo como Centro de Ligação do Ensino e Meios de Informação.


A exposição "La Presse à la Une: De la Gazette à Internet" (A Imprensa na primeira página: da Gazeta à Internet") desdobra-se em quatro grandes vertentes: "Uma história da Imprensa na França", "A fabricação da informação", "Escrever o acontecimento" e "Desafios contemporâneos: imprensa e informação depois da revolução digital". Por enquanto, pode ser vista apenas pelo site da biblioteca. A abertura ao público acontece no dia 11 de abril e ela permanece em cartaz até 15 de julho.


Sua inauguração aconteceu no mesmo período da Semana da Imprensa na França, que movimenta centenas de escolas e veículos de comunicação em torno de debates sobre a imprensa, visita de turmas de alunos a redações, publicações de jornais escolares, programas de tv e rádio com participação de alunos, aulas nas quais professores estimulam uma reflexão sobre a mídia, etc


Importante dizer que a Semana da Imprensa acontece não só na França, mas em todos os países com escolas francesas que funcionam sob o regime de educação francês.


Segundo o professor e pesquisador Manuel Pinto, da Universidade do Minho (Braga/Portugal), a exposição La Presse à la Une: De la Gazette à Internet "na área da história dos media é, sem dúvida, um dos acontecimentos de 2012".


Reproduzimos abaixo trecho de um texto do professor Manuel Pinto relacionado à exposição que vale a pena ser lido: 
"Henri Béraldi foi um crítico de arte francês que escreveu, num livro intitulado "Voyage d’un livre à travers la Bibliothèque Nationale", publicado em 1893, o seguinte: "Não querendo faltar ao respeito devido à Imprensa, é preciso dizer que o jornal é hoje uma praga para a Biblioteca e sê-lo-á ainda mais no futuro". Beraldi queixava-se da quantidade de jornais que, de súbito, tinham começado a chegar às bibliotecas, sobretudo depois de, em 1891, ter entrado em vigor o regime do depósito legal.


Mais de um século depois, a mesma Biblioteca Nacional de França prepara-se para inaugurar uma grande exposição que vai irar partido precisamente das diversificadas e numerosas colecções de jornais e revistas que, deste modo, foram salvaguardadas e são hoje uma fonte importantíssima da memória colectiva". (Manuel Pinto)

Para acessar o site clique AQUI 
Para a consulta de um dossiê de apresentação, clique AQUI. 

segunda-feira, 26 de março de 2012

Por uma ética 'hacker'

No mundo cada vez mais informatizado em que vivemos, saber lidar com a tecnologia de computação, mesmo que apenas como usuário, é um fator de extrema importância. Mas como fazer a inclusão digital – permitir que toda a população se torne fluente nessa nova linguagem? Respostas para essa questão são parte dos estudos do físico e educador Nelson De Luca Pretto, professor da Faculdade de Educação da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e coordenador do Grupo de pesquisa em Educação, Comunicação e Tecnologias (GEC). Ele também foi o co-organizador do livro Inclusão digital: uma polêmica contemporânea, lançado em dezembro último.


Pretto trabalha com uma definição mais ampla do tema. Nesta entrevista a Ciência Hoje, ele explica que inclusão digital não é apenas dar à população computador e conexão à internet; é fazer com que o indivíduo possa ter acesso a todos os elementos do mundo digital de maneira a tornar-se um produtor de cultura e não um mero consumidor. Por isso, ele e seu grupo defendem uma ética hacker. “Em essência, é uma ética que trabalha a partir dos princípios da colaboração, da horizontalidade e da descentralização”, explica. Pretto fala ainda das consequências de não se investir em inclusão digital, da situação do Brasil, de software livre e do seu projeto Tabuleiro Digital.


O QUE EFETIVAMENTE QUEREMOS QUANDO DISCUTIMOS INCLUSÃO DIGITAL
É QUE O CIDADÃO TENHA ACESSO A TODOS OS ELEMENTOS DO MUNDO DIGITAL
PARA FORTALECER A SUA DIMENSÃO DE PRODUTOR DE CULTURAS E CONHECIMENTOS,
E NÃO DE MERO CONSUMIDOR DE INFORMAÇÃO

Ciência Hoje - O que é inclusão digital? É simplesmente dar computadores e conexão à internet para as pessoas? 
Nelson Pretto - Existem duas grandes perspectivas sobre a inclusão digital. Uma é essa a qual você se referiu, que é colocar computadores e internet disponíveis para a população. É óbvio que isso, para nós, não se configura como uma política correta para esse fim – ela não é suficiente, apesar de ser um aspecto muito necessário. Precisamos entender o que se quer dizer com inclusão: incluir em quê? O que efetivamente queremos quando discutimos inclusão digital é que o cidadão tenha acesso a todos os elementos do mundo digital para fortalecer a sua dimensão de produtor de culturas e conhecimentos, e não de mero consumidor de informação. Esse é o foco central das pesquisas desenvolvidas pelo nosso grupo e, em particular, do segundo livro que acabamos de publicar.


CH - Como a inclusão digital se relaciona com a social? Ela é um veículo para a inclusão social ou as duas são apenas aspectos da mesma questão? 
NP - Elas estão absolutamente relacionadas. A inclusão digital é um fator de inclusão social, mas isso só será verdade se compreendermos a inclusão digital nessa perspectiva mais ampla que estamos defendendo. Por que os filhos das famílias privilegiadas socioeconomicamente participam da cibercultura e do mundo digital? Porque eles têm acesso à internet nos seus quartos, com banda larga de qualidade, serviço de suporte gratuito e liberdade de navegação para efetivamente se constituírem como membros daquilo que chamamos de geração ‘alt+tab’. Se eu tenho programas de inclusão digital na linha de telecentros e infocentros que não compreendam essa dimensão, estou criando uma política perversa que disponibiliza para os filhos das camadas mais populares máquinas ruins para dar aula de software proprietário [aqueles cuja cópia ou redistribuição depende da permissão do proprietário]. Essa dicotomia entre o acesso privilegiado e o mais restrito cria uma segunda exclusão mais grave ainda, pois dá a ideia de que a pessoa está imersa nesse universo cibercultural, mas, na verdade, ela é apenas um coadjuvante reproduzindo a pirâmide de desigualdade que vemos em todos os outros campos.


CH - E quais seriam as consequências para o país de não se investir nessa inclusão?
NP - Seriam graves. Por um lado, o sistema educacional não daria conta dos desafios contemporâneos, porque o mundo hoje está articulado por essas tecnologias digitais. Por outro lado, não se conseguiriam formar cidadãos plenos que pudessem participar do desenvolvimento científico, tecnológico e cultural do país. Estaríamos construindo uma nação onde os poucos privilegiados seriam os criadores e produto-
res de conhecimento, enquanto uma grande maioria seria apenas consumidora. Podemos ir mais longe e dizer que essa é a crise da universidade. Ela está excessivamente voltada para o mercado, que é volátil e está em plena transformação. Dados recentes liberados pelo programador australiano Reto Meier, chefe da equipe de desenvolvimento do sistema operacional Android, no Google, mostram que, em 2050, 95% do nosso conhecimento será novo. Ou seja, hoje só conhecemos 5% do que saberemos daqui a 40 anos. De onde virá
esse conhecimento novo? Dos países que investirem pesado em ciência e tecnologia, em educação e no fortalecimento da cultura.


HOJE SÓ CONHECEMOS 5% DO QUE SABEREMOS DAQUI A 40 ANOS.
DE ONDE VIRÁ ESSE CONHECIMENTO NOVO? DOS PAÍSES QUE INVESTIREM PESADO
EM CIÊNCIA E TECNOLOGIA, EM EDUCAÇÃO E NO FORTALECIMENTO DA CULTURA

CH - Como está o Brasil nessa questão? 
NP - Ainda temos grandes desafios para enfrentar. Acho particularmente importante o Ministério das Comunicações ter criado uma secretaria específica para a inclusão digital e também acredito que o projeto Telecentros.BR avançou, pois articula todas as políticas públicas que estavam dispersas. Mas efetivamente progredimos muito pouco tanto do ponto de vista do Plano Nacional de Banda Larga quanto do marco regulatório da internet. Essa discussão é importante e precisamos urgentemente da aprovação do marco regulatório. Entre outros aspectos, esse marco regulatório deve garantir a neutralidade da rede e a liberdade de navegação, que tem sido profundamente ameaçada. Essa ameaça tem
ocorrido não só no Brasil, com o chamado ‘AI-5 digital’ – legislação proposta pelo senador Eduardo Azeredo para regular a internet – como também no mundo, por causa dos grandes projetos de lei internacionais, como o Sopa [sigla em inglês para a lei Pare com a Pira-
taria On-line] e o Pipa [sigla em inglês para a lei Proteja a Propriedade Intelectual], que visam estabelecer um controle forte da propriedade intelectual.


CH - E o que precisaria mudar nesses projetos para se tornarem mais eficazes? 
NP - Além dos aspectos jurídicos já mencionados, precisamos de banda larga de qualidade, de uma infraestrutura pública nacional que garanta o acesso de todos. Não é possível pensar em uma política de conectividade que não garanta para as pessoas uma conexão de banda larga com velocidade decente. E, mais do que tudo, sem limitação de tempo de navegação ou de volume de arquivos baixados. Não adianta uma escola ter uma conexão de 512 kilobits/segundo, ou mesmo 1 megabit/segundo, se ela tem centenas de computadores portáteis na mão dos alunos e não é possível conectar nem 30 deles de uma vez, porque senão ninguém consegue fazer coisa alguma. Além da garantia da capilaridade da conectividade, temos que trabalhar de maneira forte a ideia da qualidade e da garantia da qualidade do serviço oferecido pelas operadoras privadas. Esse é o maior nó do Plano Nacional de Banda Larga.
Do ponto de vista do marco regulatório, ele tem que garantir o acesso pleno e a não criminalização de tudo na internet. Sem isso, fica impossível pensar em uma perspectiva de inclusão digital que não seja meramente a de distribuição de informação. Essas restrições seriam a grande bandeira – embora ninguém a assuma – de uma política de inclusão que apenas botasse computador e internet nas escolas. Você se conectaria aos grandes portais, que distribuiriam as informações. É aquilo que eu e o [professor da Faculdade de Comunicação da UFBA] André Lemos chamamos de ‘portais-currais’. Traz-se a lógica da comunicação de massa para um novo meio, a internet, que é, por natureza, extremamente capilarizado, descentralizado e horizontal. Os meios de comunicação de massa, materializados essencialmente pelo sistema de televisão, são uma rede que funciona a partir de grandes centros distribuidores para centros consumidores espalhados no Brasil e mundo afora.
Já, na internet, o sistema é articulado por nós, em um nível horizontal, em que a comunicação é muito mais democrática.

Leia a entrevista completa acessando o link: http://cienciahoje.uol.com.br/revista-ch/2012/290/pdf_aberto/entrevista290.pdf

Originalidade!!!

O prazer da leitura e do silêncio da fruição

Por Cristiane Parente

A função do leitor/1
“Quando Lucia Peláez era pequena, leu um romance escondida. Leu aos pedaços, noite após noite, ocultando o livro debaixo do travesseiro. Lucia tinha roubado o romance da biblioteca de cedro onde seu tio guardava os livros preferidos.
Muito caminhou Lucia, enquanto passavam-se os anos. Na busca de fantasmas caminhou pelos rochedos sobre o rio Antioquia, e na busca de gente caminhou pelas ruas das cidades violentas.
Muito caminhou Lucia, e ao longo de seu caminhar ia sempre acompanhada pelos ecos daquelas vozes distantes que ela tinha escutado, com seus olhos, na infância.
Lucia não tornou a ler aquele livro. Não o reconheceria mais. O livro cresceu tanto dentro dela que agora é outro, agora é dela”.
Eduardo Galeano

Caros leitores, começo nossa conversa lembrando que o prazer de ler tem a ver com o prazer de ser também autor.

Cada texto, cada livro lido é um novo texto e livro construídos em cada leitor. Mas para que isso aconteça, é preciso que permitamos, pais e educadores, a fruição da leitura, o direito ao silêncio, para fazer com que texto e livro cresçam dentro dos leitores-autores que são nossos filhos e alunos.

No livro “Como um Romance”, Daniel Pennac faz uma série de provocações a todos nós que, em algum momento, questionamos porque os adolescentes/jovens de hoje não gostam de ler; a todos aqueles que culpam a televisão ou o computador – que nós mesmos não apagamos - pela falta de leitura. Pennac pergunta onde foi parar aquele pequeno leitor que nos pedia para contarmos a mesma história duas, três vezes à noite sob os lençóis, e que era ávido por aprender a ler.

Em que momento perdemos esse leitor-autor? Foi quando ele chegou à escola e ficou sobrecarregado de tarefas e perguntas: Quem é o personagem principal? Qual a história central? Sem que ao menos tivesse tempo de fruir a leitura e tomasse contato com os sentimentos que ela despertava nele? Ou foi quando, ao saber que nosso filho aprendeu a ler, nos desobrigamos de ser seu contador de histórias para termos um tempo livre para a televisão (justo ela!)?

De que maneira lidamos com a leitura em casa e na escola? Lemos juntos? Obrigamos a ler? Compartilhamos a alegria de ler, mas também mostramos que nem sempre a leitura pode ser um passeio sem obstáculos?

Pennac sugere uma nova maneira de lidar com a leitura e estabelece os direitos imprescritíveis do leitor. Imprima, leia e reflita sobre eles em família, em classe. Pode ser uma boa maneira de descobrir o leitor que existe em cada um de nós, sem cobranças, permitindo o prazer da descoberta.

1 - O direito de não ler
2 - O direito de pular páginas
3 - O direito de não terminar um livro
4 - O direito de reler
5 - O direito de ler qualquer coisa
6 - O direito ao bovarismo
7 – O direito de ler em qualquer lugar
8 - O direito de ler uma frase aqui e outra ali
9 – O direito de ler em voz alta
10 – O direito de calar.

Artigo escrito para a edição nº 3 do Jornal da Criança - JOCA, da Editora Magia/São Paulo. 

Revista Educaonline está recebendo propostas de artigos para publicação



A equipe editorial da Revista Educaonline, do Laboratório de Pesquisa em Tecnologias da Informação e Comunicação - LATEC/UFRJ, informa que está aberta a chamada para envio de artigos para as edições do primeiro semestre de 2012. (Dica do Instituto Crescer)


A Revista Educaonline recebe artigos sobre pesquisas em andamento ou concluídas envolvendo o tema Educação no Contexto das Novas Tecnologias, o que inclui Educomunicação, Educação Online, Educação Flexível, Ambientes Virtuais de Aprendizagem, Objetos de Aprendizagem, Comunidades de Aprendizagem Online, Realidade Virtual Aplicada à Educação, Desenho Instrucional, Hipertexto, Hipermídia, Multimídia, Animação e Jogos Educativos.

Informações: http://www.latec.ufrj.br/revistas/index.php?journal=educaonline 

World Young Reader Prizes Opens For Entries

A Associação Mundial de Jornais e Editores de Notícias - WAN-IFRA está com inscrições abertas para o "Prêmio Mundial Jovens Leitores" até 4 de maio, voltado a jornais que desenvolvem ações inovadoras que atraiam jovens leitores (com menos de 25 anos) nas categorias Editorial, Fazendo Notícias, Jornal e Educação, Serviço Público e Marca.
Duas categorias especiais para 2012 são "Excelência Duradoura", para homenagear os programas de jovem leitor que estão trazendo benefícios tanto para o jornal como para os leitores há pelo menos dois anos, e o "Prêmio Natasa de Plantas de Impressão/Parque Gráfico", para uma ação que ensine os jovens leitores sobre jornalismo, mas seja desenvolvida no Parque Gráfico dos jornais. 
Veja abaixo a notícia publicada diretamente do site da WAN-IFRA:
Newspapers have until 4 May to submit an entry to the World Young Reader Prizes, the annual awards from the World Association of Newspapers and News Publishers (WAN-IFRA) that recognize success in engaging the young.
The awards in five categories - Editorial, Making the News, Newspapers in Education (NIE), Public Service, and Brand - will honor newspaper companies that have devised the best projects and activities during the past two years to promote newspaper reading and usage, on all platforms, among those under 25.

Two special categories for 2012 are “Enduring Excellence,” to honor young reader programmes that have continued delivering benefits for both the newspaper and the young for at least two years, and “The Natasa Prize for Printing Plants,” for a newspaper printing plant action that teaches the young about journalism.

Judges are looking for innovative strategies that produce measurable results, particularly those that can be adapted for use in other countries. Use of multiple platforms is particularly encouraged.

Entries for all categories require creating a PowerPoint presentation following prize guidelines. Full details and online registration can be found here .

The top prize in each category is 1000 Euros and free registration to WAN-IFRA's first Asia Pacific Young Reader Summit, set for 10-11 July in Bangkok, Thailand, where the awards will be presented. Judges will also choose a “Young Reader Newspaper of the Year.” 

In 2011, the Jawa Pos newspaper of Indonesia earned that honor, while the prizes in the various categories honored 24 projects from Brazil, India, Portugal, The Philippines and the United States, among other countries.

The World Young Reader Prizes are supported by Norske Skog, the Norway-based global paper producer, as part of its partnership in WAN-IFRA's Newspapers in Education Development Project.

Oficinas sobre meio ambiente usam mídia para motivar alunos

As crianças que estudam nas redondezas do Rio Corumbataí, no interior de São Paulo, não podem nadar ou pescar nas águas poluídas. Apesar disso, muitos desconhecem a parcela própria de responsabilidade em conservar o rio limpo. Foi o que percebeu a bióloga Vivian Battaini, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, em Piracicaba, em sua pesquisa de mestrado, numa série de oito oficinas sobre educação ambiental que organizou em quatro escolas públicas da região. Para enriquecer o debate, propôs às crianças a produção de conteúdos de jornais e fanzines sobre a preservação do Corumbataí. O trabalho integra o projeto temático do Programa Biota da Fapesp “Mudanças socioambientais do estado de São Paulo e perspectivas para conservação”.

Oficinas produziram conteúdos sobre a preservação do Rio Corumbataí
O Rio Corumbataí tem 140 quilômetros (km) de extensão, nasce no município de Analândia e desemboca em Piracicaba, abastecendo a população da cidade e de Rio Claro, entre outras da região. Enfrenta problemas como poluição, assoreamento e queda de árvores. Por que o rio está poluído? De quem é a responsabilidade? É possível denunciar quem, por exemplo, joga detritos na água? Essas foram algumas das questões que Vivian levantou com os alunos, todos do segundo ciclo do ensino fundamental.
“O estudo da bacia hidrográfica local estimula um processo social de responsabilidade e vínculos com o ambiente físico em que vivem e, dessa forma, estimula o pertencimento. Esse é um sentimento importante que potencializa o agir na comunidade”, escreve Vivian na dissertação intitulada Educomunicação socioambiental no contexto escolar e conservação da bacia hidrográfica do Rio Corumbataí.
A educação ambiental está prevista nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), que dão as diretrizes para o ensino básico brasileiro. “As escolas tratavam a educação ambiental por meio de temas como plantar uma árvore e cuidar do próprio lixo. Mas faltava olhar para o meio em que os alunos estavam inseridos”, diz a pesquisadora, que faz parte do grupo de pesquisa e extensão em educomunicação da Esalq coordenado pela professora Laura Alves Martirani, que também orientou a pesquisa. O projeto também inclui a gestão de um blog (www.educorumbatai.blogspot.com ), que conta com a participação de estudantes universitários, e um documentário sobre a problemática dos recursos hídricos na atualidade e na região estudada.
Segundo Vivian, o trabalho mais difícil foi na escola que pertencia à região mais pobre entre as visitadas. A falta de infraestrutura local, como ruas sem asfalto e transporte precário, despertava nos alunos a sensação de que seus direitos não estavam sendo cumpridos. “Por isso, eles tinham dificuldade em aceitar que pertencem ao local e possuem deveres a cumprir, como a preservação do rio”, conta.
Educomunicação
O uso da educomunicação nas oficinas teve por objetivo desenvolver o olhar crítico dos alunos sobre a sociedade e interligá-los ao contexto social e midiático em que estão. Deste modo, criam consciência sobre o próprio papel na conservação dos recursos naturais da região e desenvolvem habilidades para participar de modo mais efetivo na realidade social.
Para trabalhar elementos da mídia impressa em sala de aula, Vivian fez parceiras com jornais locais e levou profissionais da área para conversar com a garotada. Analisou textos de publicações conhecidas e perguntou se alguma delas abordava questões relativas ao Rio Corumbataí. Diante da resposta negativa, propôs que os alunos levassem suas opiniões a público.
“A maior dificuldade foi despertar neles a vontade de escrever”, diz. A solução foi estimulá-los a pôr no papel as próprias ideias e opiniões. O objetivo não era chegar a um texto jornalístico profissional e, sim, oferecer uma ferramenta de reflexão sobre o meio ambiente.
Fonte: Agência USP/ Thiago Minami - Imagem cedida pela pesquisadora 23/03/2012

Para discutir o racismo



Caros colegas, por uma educação crítica e por um mundo sem racismo recomendamos que vejam esse vídeo com educadores, familiares e alunos! Debatam o conteúdo desse vídeo com todos. Vejam o que o racismo é capaz de fazer de forma que, às vezes, nem sequer imaginamos! Há pistas que o vídeo nos dá para algumas reflexões e para que possamos oferecer uma formação mais crítica para nossos filhos e alunos! É impressionante como naturalizamos algumas coisas e não percebemos como passam a fazer parte de nossos hábitos, nossa cultura. Vale a pena assistir e discutir o próprio vídeo, a maneira como foi elaborado, de forma crítica. (Cristiane Parente)


De: YouTube - Viral Racismo en Mexico
Este video fue realizado por 11.11 Cambio Social como parte de la campaña "Racismo en México". 
Se hizo un trabajo de investigación con niños y niñas mexicanos/as, replicando el experimento con niños/as y muñecos diseñado por Kenneth y Mammie Clark en los años treinta en EUA, que se ha llevado a cabo en varios países del mundo. 
Aquí se muestra parte de los resultados y los niños y las niñas que aparecen en este video reflejan las respuestas de la mayoría de niños/as que fueron entrevistados/as.
Dada la complejidad de la temática, se realizó un Taller de Racismo con los/as niños/as y que participaron y sus familias, para generar un espacio de reflexión y contención de las emociones generadas en este intercambio. 

domingo, 25 de março de 2012

Existência Humana

Que educação para a mídia quero em meu país?

Divulgação /
Por Cristiane Parente
Em 1982, representantes de 19 nações assinaram o que ficou conhecido como Declaração de Grunwald, durante o Simpósio Internacional sobre Educação para as Mídias da Unesco, realizado na cidade de Grunwald, na Alemanha. Em 2005, veio a Declaração de Alexandria, sobre competência informacional e aprendizagem ao longo da vida e, em 2007, a Agenda Unesco comprometeu-se novamente com 12 recomendações para a educação para a mídia.

Trinta anos após a Declaração de Grunwald, vale a pena lembrar os passos dados até hoje para a concretização de uma educação para a mídia no mundo e, em especial, no Brasil.
Cabem as seguintes questões: que educação para a mídia queremos em nosso país? Como podemos contribuir para o debate sobre a implementação dessas ações? Que papel estão tendo as faculdades de comunicação e educação nesse processo?
A Unesco acaba de assinar, no último dia 19/3, um plano de trabalho com o Ministério da Justiça brasileiro para implementar ações na área ao longo dos próximos anos. Em 2011, já havia lançadoum modelo de currículo  voltado à alfabetização para mídia e informação corroborado por grupos de especialistas de vários países. Antes disso, ainda em 2006, lançou um projeto de currículo chamado “Mídia e Educação: kit para professores, alunos, pais e profissionais”. A ideia era formar professores para serem multiplicadores dessa alfabetização para a mídia, encarando a informação como um direito humano, como exposto no artigo 19 da Declaração Universal dos Direitos Humanos.
Importante dizer que a educação para a mídia mencionada aqui não significa usar os meios para aprender português, matemática, geografia etc. Tampouco é uma leitura crítica simplesmente, que aponta para os meios como grandes vilões. É uma educação que quer ensinar e aprender sobre os meios de comunicação entendendo seu papel na sociedade, sua relevância em termos de mobilização social e democratização da informação. Por outro lado, é também uma educação que vai desnaturalizar os mesmos meios, ao mostrar sua maneira de representar a realidade, ajudando cidadãos a serem mais críticos em relação às mensagens a que estão expostos.
Os meios já estão tatuados nos alunos, como afirma Silvia Bacher no livro Tatuados por los medios. Fazem parte da vida e da maneira como cada um percebe o mundo à sua volta. É por isso mesmo que já nem precisam pedir permissão para entrar na sala de aula. Mais uma razão para a escola trabalhar de forma contínua, crítica e criativa com eles, e proporcionar aos alunos também a autoria (de jornais, blogs, fanzines, cordéis, rádios, vídeos, etc). E, assim, possibilitar a criação do que a Educomunicação defende como ecossistemas comunicativos em espaços educativos; mostrar que cada aluno, independentemente de sua raça, credo, orientação sexual, idade ou sexo, é um produtor cultural e tem algo a dizer.
Dessa forma, horizontalizam-se as relações no espaço educativo. Estimula-se um ensino–aprendizagem mais dialógico, com mais possibilidades de se formarem sujeitos, cidadãos, leitores-autores autônomos num espaço em que todos têm o que dizer. Todos são importantes. Todos ensinam e aprendem uns com os outros e podem, a partir da comunicação, pensar em desenvolvimento e transformação.
Artigo publicado no Blog Educação & Mídia - Jornal Gazeta do Povo e Instituto GRPCOM no dia 23/03/2012 http://www.gazetadopovo.com.br/blog/educacao-midia/?id=1236690&tit=que-educacao-para-a-midia-quero-em-meu-pais

quinta-feira, 22 de março de 2012

Observatorios de televisión en las escuelas

La experiencia docente “Observatorios de televisión en las escuelas” parte del objetivo de incorporar pedagógicamente la televisión en las escuelas de nivel básico como elemento de reflexión, análisis y debate para la formación de miradas críticas respecto de los mensajes y formatos generados por la televisión. 
Con este estudio se abre y constituye un espacio escolar dedicado a la visión, análisis y reflexión colectiva y sistemática de la televisión, sus lenguajes, formatos y contenidos, así como de las interacciones y posicionamientos de los televidentes frente a ellas, esto se realizo mediante:
 1. La instalación de 17 Observatorios en escuelas de diversos niveles académicos y sociales del estado de Jalisco, México.
2.- La capacitación de maestros y alumnos para forma una mira crítica respecto de los contenidos televisivos mediante la realización de dos guías tituladas: Maestros, alumnos y pantallas (guía para el maestro y guía para el alumno), las cuales contienen 15 actividades para comprender nuestra relación con la televisión desde su dimensión tecnológica pasando por lo institucional, lo simbólico y lo cultural.
3.- Al respecto, se realizaron 22 talleres formativos y 50 prácticas de interacción con la televisión mediante los cuales se capacitó a 32 maestros y 450 alumnos.
4.- Los resultados fueron la instalación definitiva de 10 observatorios en igual número de escuelas, las cuales adoptaron esta tarea como parte de las actividades formativas de sus procesos pedagógicos.
Más información en:  http://observatoriostv.blogspot.com