segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

A era da educação digital


Por  Leandro Ramos

Todo ano um ritual se repete nas volta às aulas das crianças: pais compram uma infinidade de materiais escolares, como canetas, giz de cera, papéis das mais variadas cores dentre inúmeros utensílios escolares. Neste ano as crianças poderão fazer seus desenhos sem sujar as mãos de tinta e ainda enviá-los eletronicamente para os avós. O Maily é o primeiro e-mail para crianças a partir de quatro anos e pode ser baixado gratuitamente na AppStore. Através dele os pequenos podem desenhar, colorir com pincéis e enviar suas criações para uma lista de pessoas pré-definida pelos pais.
O fenômeno de digitalização do nosso cotidiano, não se restringe apenas aos adultos. Uma pesquisa do IBGE realizada no final do ano passado revela que o número de pessoas de dez ou mais anos de idade que têm celular, aumentou 23% no Brasil. Mas engana-se quem pensa que as crianças vivem apenas penduradas em um celular. Outra pesquisa realizada pelo Instituto QualiBest mostrou que 68% das crianças possuem videogames e deste universo, 92% jogam pela internet.
A medida que as crianças começaram a ficar cada vez mais digitais, seja para fazer um trabalho escolar, brincar com os amigos ou se comunicar com os pais, uma pergunta surgiu entre os estudiosos do meio digital: como as crianças lidam com as redes sociais? O Centro de Estudos sobre as Tecnologias da Informação e Comunicação (Cetic.br) respondeu essa pergunta com a primeira pesquisa sobre o tema no país e concluiu que 70% das crianças e adolescentes, entre 9 e 16 anos, possuem pelos menos um perfil em alguma rede social. E mais: 47% acessam as redes sociais todos os dias.
Se os adultos ainda não sabem ao certo o que devem ou não compartilhar em uma rede social, será que uma criança conhece as consequências de suas ações no Facebook ou Twitter? Fato é que o cyberbullying é o novo problema entre crianças e adolescentes. Ao que parece, estar online dá mais acesso para as pessoas atacarem o colega da escola. Psicólogos ainda afirmam que os ataques aumentam quando as pessoas não podem ver o rosto de quem estão atacando. O resultado disso pode ser desastroso, como a morte do jovem norte-americano Tyler Clementi, que se suicidou após um colega usar uma webcam para espionar seus encontros homossexuais.
Hoje já existe muita gente torcendo o nariz para a exposição demasiada das crianças nas redes sociais. Um grupo de amigos de Nova York criou o aplicativo Unbaby.me, que apaga da sua timeline do Facebook fotos de bebês, numa represália ao pais que compartilham excessivamente imagens dos filhos. A atitude pode ser pequena, pois o próprio Facebook, após atingir a marca de um bilhão de usuários, começa a ver seu crescimento diminuir e surge a discussão se a rede social vai reduzir a idade mínima de 13 anos para se criar uma conta e ganhar novos usuários, aumentando ainda mais a ira de alguns. Este debate sobre a digitalização das crianças ganha um caminho interessante quando focar em como as crianças vão usar as plataformas tecnológicas e não quando usá-las. Chegou-se a hora dos pais se preocuparem com a educação digital dos filhos.

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