sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Infância e Comunicação


Por Cristiane Parente

“Quais os principais desafios e oportunidades que se apresentam para as sociedades que buscam fortalecer um ecossistema midiático orientado pelo respeito à liberdade de expressão e pela atuação responsável e informada dos órgãos estatais, das empresas do setor e das entidades da sociedade civil?”

É a partir dessa questão que serão desenvolvidos os eixos temáticos e grupos de trabalho do Seminário Internacional Infância e Comunicação – Direitos, Democracia e Desenvolvimento, que deve reunir 250 especialistas nacionais e internacionais, representantes de governos, empresas de comunicação e organismos da sociedade em Brasília, entre 6 e 8 de março, sob organização da ANDI – Comunicação e Direitos.
Participação social
Quanto mais debate e participação social, mais chance temos de avançar em direção à construção de um ecossistema midiático mais democrático, que respeite os direitos de crianças e adolescentes a partir do que está estabelecido no ECA; que veja a comunicação como direito humano e possibilidade de desenvolvimento.
E, a nosso ver, um ecossistema midiático democrático começa com políticas públicas de Educomunicação que proporcionem às crianças, desde pequenas, o contato com as mídias nas escolas. Não apenas para acessar conteúdos didáticos, nem tampouco apenas para criticar o conteúdo midiático, mas para saber analisá-lo de forma crítica, ter acesso a ele, fruí-lo e discutir a proteção dos direitos e a promoção de conteúdos plurais e de qualidade, inclusive produzidos pelos próprios alunos.
Isso demanda a formação contínua de educadores e o incentivo a uma alfabetização midiática que vai além da escola. Isso não se reduz a um “tecnicismo”, afinal, não estamos falando de aprender técnicas, mas, a partir delas, desenvolver conteúdos com ética, criatividade, responsabilidade e diversidade.
Mídia nas escolas
No Brasil, muitas ações de educação para a mídia, media literacy, educomunicação ou mídia-educação (de acordo com diversas correntes) acontecem fora da chamada educação formal. São ações desenvolvidas por ONGs (notadamente aquelas ligadas à Rede CEP – Rede de Comunicação, Educação e Participação) e projetos de extensão desenvolvidos por universidades brasileiras.
Em termos de políticas públicas nacionais ainda temos muito a avançar, apesar de alguns programas do MEC (Mídias na Educação e Mais Educação) e de municípios como São Paulo (Programa “Nas Ondas do Rádio” e “Imprensa Jovem”) e Rio de Janeiro (MultiRio).
Na Grã-Bretanha o ensino de mídia como política pública remonta à década de 30, quando o foco era o cinema, com o British Film Institute. Só na década de 60 a experiência passa a abranger oficialmente outras mídias; mesmo período em que, no Canadá, as escolas de ensino secundário passaram a ter cursos sobre filme.
Na Austrália, foi na década de 70 que surgiram os primeiros cursos de educação para a mídia, assim como na Finlândia, que inseriu em 1970 a educação para a mídia no currículo das escolas primárias e, em 1977, no currículo das escolas secundárias.
Já na Suécia a educação para a mídia é obrigatória desde a década de 80. E, na Argentina, o Programa Escuela y Medios, do Ministério da Educação, existe desde 1984 inicialmente na capital, e se expandiu para todas as escolas do país em 2000.
Também na França o Centro de Ligação do Ensino e dos Meios de Informação (CLEMI) foi criado em 1983 com o objetivo de promover o uso pluralista dos meios de comunicação, a educação para a mídia através do currículo formal e a formação dos educadores. Isso para ficarmos apenas em alguns países.
O seminário
O ensino de mídia nas escolas é apenas um dos tópicos que será discutido no seminário, que terá ainda as seguintes mesas: Talk show – A mídia como ferramenta de inclusão social; Classificação Indicativa: Fortalecendo padrões democráticos na garantia dos direitos da infância; Educação para a Mídia: O papel do Estado, das empresas de comunicação e da sociedade civil; Os desafios das novas mídias: Inclusão digital e proteção da infância; Convergências de plataforma: inovações e oportunidades para os países emergentes; Qualidade da informação e aurorregulação: desafios para o século XXI; Publicidade dirigida à infância: desenvolvimento sustentável e padrões de consumo; Cobertura jornalística: Boas práticas na garantia de direitos e Mídia de qualidade e a participação de crianças e adolescentes.
Vamos acompanhar o seminário e repercutiremos suas discussões aqui no Blog Educação e Mídia, por entendermos que essa é uma pauta que toda a sociedade deve participar e discutir.
Cristiane Parente é jornalista, educomunicadora, blogueiramembro da Associação Brasileira de Pesquisadores e Profissionais em Educomunicação – ABPEducom, coordenadora do Programa Jornal e Educação – ANJ.
Artigo originalmente publicado no Blog Educação & Mídia do jornal Gazeta do Povo (http://www.gazetadopovo.com.br/blog/educacao-midia/?id=1347154&tit=infancia-e-comunicacao)

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