domingo, 10 de março de 2013

Mídia como ferramenta de inclusão


Os exemplos vieram da América Latina com Argentina, Uruguai e Chile, da África do Sul e Tunísia e ainda dos países da Comunidade Econômica Européia. A proposta foi enriquecer o debate sobre a utilização da mídia para impulsionar a inclusão social. Este foi o tema principal da segunda parte dos debates do Seminário Infância e Comunicação.
“Na Argentina, como no Brasil temos uma preocupação muito grande com a convergência e, sobretudo, com  as empresas telefônicas entrando nos meios de comunicação “ afirma Guilhermo Mastrini – Diretor do Mestrado de Indústrias Culturais da Universidade de Quilmes Argentina. Ele se preocupa com a eliminação das restrições nestas novas mídias e a vulnerabilidade das crianças e adolescentes.  Guilhermo traça um cenário bastante sombrio com o aumento das mídias e a total carência de um marco regulatório, principalmente para proteger o conteúdo disseminado pelas empresas telefônicas que, segundo ele, têm como objetivo apenas o lucro.
A perspectiva otimista para o futuro vem de Edson Lanza, diretor da CAInfo. Uruguai, uma organização com foco no direito da informação e liberdade de expressão. Ele explica que, com o apoio da UNESCO, o Urugui conseguiu traçar uma política democrática de comunicação, rever suas normas a estabelecer a regulação de forma compartilhada entre o Estado, a sociedade  civil e as empresas. “Buscamos, sobretudo a neutralidade em termos de conteúdos e mais transparência regulando, sobretudo os conteúdos nocivos para proteger as crianças” definiu ele.
Guilherme Canela,  assessor de Comunicação e Informação  para o MERCOSUL e Chile pela UNESCO, reforça o êxito da experiência uruguaia lembrando que o pilar da iniciativa foi a parceria entre empresas, governo e sociedade civil. Ele explica que a regulação deve, ainda,  motivar uma volta da programação infantil com conteúdo educativo que está desaparecendo a cada dia.
Primavera Árabe e Inclusão escolar na África do Sul
Aida  Doggui Moreno movimentou o debate com a experiência singular da Tunísia.  Ela coordena o movimento Byrsa, que atuou durante a revolução que depôs o presidente Zine El Abidine Ben Ali, em 2011. Aida fez um relato da mobilização durante a revolução, e como o Facebook foi uma ferramenta “sensacional” para levar jovens para as ruas. O crescimento vertiginoso de acessos, sobretudo entre a população de menos de 30 anos foi fundamental para o sucesso do movimento. Aida ressalta porém que a redemocratização do País e a volta da liberdade trouxe outros problemas. Ela também concorda com a necessidade de uma regulação, sobretudo, do conteúdo veiculado pela internet. Os temas como intolerância religiosa cresceram muito com a liberdade na internet, ela afirmou.
Da África do Sul veio o exemplo que mais mobilizou a platéia durante a tarde. Innocent Nkata, executivo de Mobilização Social do Soul City Instituto para Saúde e Comunicação para o Desenvolvimento mostrou um vídeo feito por crianças preocupadas com a evasão escolar. O material, todo produzido pelas crianças, conta a dificuldade de um de seus colegas para freqüentar a escola porque a mãe estava doente, e a articulação que fizeram para apoiar o colega e sua família. As crianças atuam e dirigem e, na simplicidade infantil, utilizam com muita criatividade a ferramenta para transformar sua própria realidade.
Amanhã, no Seminário Infância e Comunicação, o tema da primeira plenária será Qualidade da informação e autorregulação: desafios para o século XXI. A transmissão ao vivo e a programação completa do evento estão na internet, no endereço: infanciaecomunicacao.andi.org.br
O evento é promovido pela ANDI, ministério da Justiça, Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, secretaria de Direitos Humanos, com o patrocínio da Petrobras, e apoio da Fundação Ford, TV Escola, The Communication Initiative, Pró-Empresa e as Redes ANDI Brasil e América Latina.

Fonte: Blog da ANDI (http://blog.andi.org.br/midia-como-ferramenta-de-inclusao) 06/03/2013

Nenhum comentário:

Postar um comentário