quarta-feira, 13 de março de 2013

Pé na estrada: ônibus é usado para espalhar a educação digital


Por Jefferson Guimarães*
Uma boa ideia - desenvolvida a partir de fóruns de discussão on line, está fazendo a diferença por onde passa. Trata-se do Ônibus Hacker, um Mercedes-Benz O-371, de 1989, que leva educação digital a várias comunidades brasileiras. O projeto social, que pretende transformar vidas por meio da tecnologia, foi desenvolvido por 30 jovens, tendo à frente a jornalista Lívia Ascava e o cientista social Pedro Belasco (foto).


A iniciativa surgiu a partir de debates no Transparência Hacker, um fórum on line que questiona a omissão de dados públicos na internet. O segundo passo foi levar o projeto ao Catarse (site de financiamento colaborativo). Não demorou muito e os resultados começaram a aparecer -  464 apoiadores doaram um total de R$ 58.593,00, montante que superou a meta inicial de R$ 40 mil.
Os recursos possibilitaram a compra do Ônibus Hacker, que ganhou a estrada há poucos meses. O ponto inicial da primeira viagem foi Jaguaré (SP), de onde seguiu para o Fórum Internacional de Software Livre (FISL), em Porto Alegre. Desde então, já foram feitas cerca de 10 “invasões” (como foram batizadas as intervenções do projeto), nas cidades por onde passa.
E é literalmente uma invasão. Ao chegarem na cidade-alvo, os integrantes do projeto chamam a atenção de quem está perto com um método antigo: um megafone! Ao reunir as pessoas, eles levantam os maiores problemas da comunidade e propõem soluções, com oficinas de rádio, blog e mapeamento cartográfico, entre outras. Os “invasores” tornam-se professores.
O ônibus é o que mais chama a atenção das crianças, mas elas logo percebem que o projeto, apesar de divertido, não é uma brincadeira. Numa invasão à cidade de Ribeirão Preto (SP), foram os pequenos que apontaram um dos maiores problemas da comunidade: a polícia local. A partir daí, teve início uma oficina sobre como elaborar um blog, no qual elas faziam papel de jornalistas e denunciavam o que estava errado.
O espaço interior do Mercedes O-371  foi reformado para acomodar melhor os professores e alunos durante as oficinas, já que o projeto não foi concebido nesse formato. “Na verdade, tivemos a ideia inicial de fazer um mutirão de oficinas sobre projetos de lei criados popularmente”, conta Pedro Belasco. Ele se refere aos projetos de lei de iniciativa popular, que permitem que cidadãos brasileiros deem suas sugestões de leis para a Constituição Federal. “Poucas pessoas sabem que isso é possível. Apesar da burocracia que o processo envolve, queremos explicar seu funcionamento”, completa.
O projeto ainda passa por algumas incertezas, como o tempo de estadia nas cidades escolhidas. “Se ficamos muito tempo, as pessoas acabam se acostumando com nossa presença”, afirma Lívia Ascava, que não duvida que o ônibus “é um ambiente de educação informal”. A administração financeira também é outra dúvida do projeto. Os Hackers levam a vida no melhor estilo hippie, mas também têm os seus custos. Só o estacionamento custa R$ 300 mensais. Na primeira troca de peças, eles dizem que foram gastos R$ 10 mil.
Com ou sem verba, eles continuam planejando as próximas viagens. Lívia e Pedro contam que há planos de workshops no Paraguai. Serão alguns quilômetros de aventura, cultura e educação que se somarão aos mais de 18 mil  já rodados desde a compra do ônibus.
Para mais informações sobre o projeto, as invasões realizadas e as que ainda vão acontecer acesse o site Ônibus Hacker

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