terça-feira, 19 de março de 2013

Projeto cria residência pedagógica aos docentes


Especialistas veem com preocupação medida que deve acrescentar 800 horas de formação ao fim da faculdade
Aniele Nascimento/ Gazeta do Povo / Curso de Pedagogia do Positivo pratica a residência ampliada: debate da hora na educação
Curso de Pedagogia do Positivo pratica a residência ampliada: debate da hora na educação
Está em estudo no Senado uma proposta de criação de uma residência pedagógica para os futuros docentes da educação infantil e da primeira etapa do ensino fundamental, semelhante à residência médica para estudantes de Medicina. A intenção é proporcionar maior formação, com 800 horas a serem cumpridas depois da graduação e pagamento de bolsa de estudos. A medida faz parte do desafio de reverter o baixo desempenho tanto em avaliações de qualidade do ensino na educação básica como no ensino superior de licenciaturas.
A proposta apresentada na Comissão de Educação no ano passado pelo senador Mario Baggi ainda será avaliada no plenário do Senado antes de seguir para a Câmara dos Deputados.
Mesmo que a aprovação da residência signifique um reforço à formação dos futuros professores com atividades práticas e teóricas, especialistas em educação veem com preocupação a medida. Para o conselheiro da Câmara de Ensino Superior do Conselho Estadual de Educação Arquimedes Maranhão, pedagogo e ex-diretor do curso de Pedagogia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), se a residência pedagógica seguir a linha do estágio supervisionado de hoje, não haverá resultado nenhum.
“Ficaremos no eterno faz de conta. Nosso problema não está na quantidade de horas, mas no preparo. O projeto de lei não chega ao ponto de dizer o que será feito com as 800 horas a mais ou como. É um assunto que ainda não saiu do domínio do Senado e que está sendo levado por pessoas que não têm visão científica do que estão fazendo”, diz.
A falta de diálogo prévio com a população em audiências públicas e com as entidades educacionais também é apontada como falha pela pedagoga e doutora em Educação Leda Scheibe, professora da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Questões como de que forma se daria a intermediação das universidades e a relação com as escolas ainda devem ser respondidas, segundo a especialista.
A doutora em Educação Andrea Rosana Fetzner, professora da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), ressalta que o sucesso da residência também vai depender de fatores como a qualidade da remuneração das bolsas e obrigatoriedade, uma vez que muitos dos formandos já trabalham em escolas durante a faculdade.
Conteúdo
Segundo a doutora em Educação pela UFPR Maísa Pannuti, é preciso definir bem o conteúdo da residência pedagógica. “São mudanças importantes, mas não basta apenas garantir que o futuro professor domine os conteúdos que ensinará. Ele também deve aprender sobre como ensinar, como o aluno aprende, sobre processo de desenvolvimento em geral”, diz Maísa, que é professora dos cursos de Pedagogia em tempo integral da Universidade Positivo. (Fonte: Gazeta do Povo/ Foto: Aniele Nascimento 17/03/2013 http://www.gazetadopovo.com.br/vidaecidadania/conteudo.phtml?tl=1&id=1354331&tit=Projeto-cria-residencia-pedagogica-aos-docentes )
Exigência atual
Hoje, para atuar na docência na educação infantil e nos anos iniciais do ensino fundamental exige-se um mínimo de 300 horas de estágio curricular supervisionado durante a graduação.
Se for instituída a residência pedagógica, serão mais 800 horas de residência após a graduação, com bolsa de estudos.
Há outros meios para melhorar a educação básica
A residência pedagógica pode ser interessante, mas é apenas uma modalidade de estágio, avalia Ângelo Ricardo de Souza, membro do Núcleo de Pesquisa em Políticas Educacionais da UFPR. “A residência contribuiria com a formação profissional, mas outras modalidades também têm virtudes e, por vezes, se articulam melhor à realidade do formando em Pedagogia.”
Para a professora da Unirio Andrea Fetzner, alternativa melhor seria a ampliação de iniciativas como o Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (Pibid), que tem um professor pesquisador coordenando um limite de dez estudantes de licenciatura nas escolas públicas. “O professor consegue acompanhar o trabalho dos alunos e há trocas muito interessantes entre os professores e as escolas acompanhadas por eles.”
A simples colocação de estudantes de licenciatura em escolas não garante formação adequada, segundo Andrea, pois enquanto a educação no campo da pesquisa tem propostas inovadoras de mudança, as escolas ainda se mostram muito tradicionais com déficit de propostas pedagógicas contemporâneas.


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