sábado, 9 de março de 2013

Publicidade atinge população cada vez mais jovem


As estratégias cada vez mais ousadas das empresas de marketing para conquistar o público infantil na mais tenra idade e os maus hábitos incentivados pela propaganda de alimentos para crianças foram os principais temas debatidos hoje (8) no GT4 Publicidade Dirigida à Infância: Desenvolvimento Sustentável e Padrões de Consumo.
O debate contou com a participação do diretor de Política e Prática de Propaganda da Advertising Standards Authority, do Reino Unido, Shahriar Coupal; do professor do Instituto de Consumo da Universidade San Martin de Porres e deputado peruano, Jaime Delgado; da diretora da Campanha por uma Infância Livre de Consumismo dos Estados Unidos, Susan Linn; e do membro do Comitê dos Direitos da Criança da ONU no Brasil, Wanderlino Nogueira.
"A publicidade e o marketing são fatores da obesidade infantil, da sexualidade precoce, da violência e do estresse familiar. A publicidade promove não apenas produtos, mas valores. Temos a noção falsa de que aquilo que compramos trará felicidade", advertiu Susan Linn.
De acordo com a especialista, até cerca de nove anos, as crianças não conseguem entender que a propaganda tem a intenção de provocar atitudes. Em crianças mais novas, o risco é ainda maior. "Nelas, estão sendo formadas as conexões cerebrais com base no que experimentam. E as empresas de mídia estão tentando alcançar bebês", detalha. Nos Estados Unidos, 64% das crianças entre um e dois anos passam, em média, duas horas por dia em frente à TV. Há brinquedos à venda para essa faixa etária que vêm com um tablet, por exemplo. "É por meio das telas que o marketing alcança as crianças. Estão criando um mundo em que elas se sentirão entediadas e infelizes ao menos que estejam diante de uma tela", constata.
Saúde em risco
A maior ingestão de produtos industrializados tem gerado um problema que afeta milhões de crianças e adolescentes em todo o mundo – a obesidade. No Peru, 15% das crianças estão acima do peso e mais de 8% já são obesas. Entre a população adulta, o excesso de peso acomete 50% dos peruanos. No entanto, a indústria alimentícia insiste em associar seus alimentos, com alto teor de açúcar, a práticas saudáveis, como as atividades esportivas.
"A indústria peruana investe US$ 220 milhões por ano em publicidade para que as crianças se alimentem de comida-lixo. Vendem cereais com taxas de açúcar de até 40%. Não deviam se chamar cereais, mas doce", afirma o deputado, e professor do Instituto de Consumo da Universidade San Martin de Porres, Jaime Delgado. Ele e outros congressistas tentam aprovar uma lei que proteja os consumidores da propaganda abusiva e da falta de informação sobre produtos alimentares. "As doenças se agravam com a alimentação, que reflete um estilo de vida que o homem não tinha antes. As crianças são as mais afetadas por essa situação", ressalta.
No Reino Unido, a prática de defesa diante de campanhas publicitárias desmedidas é institucionalizada. Shahriar Coupal é diretor de Política e Prática de Propaganda da Advertising Standards Authority. Ele relatou os critérios da organização para intervir em uma propaganda. "No ano passado recebemos 30 mil reclamações e quatro mil propagandas foram removidas". No entanto, na sua avaliação, há outros fatores que influenciam os hábitos alimentares. "As mudanças no estilo de vida afetam muito. A comida não é mais feita em casa, as crianças têm uma vida mais sedentária", declara.
No Brasil, a exposição de crianças à TV supera o tempo em sala de aula. De acordo com levantamento do Ibope, meninos e meninas de quatro a 11 anos assistem cinco horas diárias de programação televisiva. "O desafio é evitar que a publicidade tenha mais influência que a educação no desenvolvimento infantil", declara Wanderlino Nogueira. Ele ressalta que, em países com democracia consolidada, a regulação da publicidade é efetiva. "Na Suécia a propaganda dirigida às crianças não é permitida. Na Alemanha, programas infantis não podem ser interrompidos pela publicidade". Para Wanderlino, a criança e o adolescente devem ser vistos não só como vítimas do marketing, mas como sujeitos de direitos, a serem ouvidos e considerados. 
Fonte: Blog da ANDI (http://blog.andi.org.br/publicidade-atinge-populacao-cada-vez-mais-jovem) 08/03/2013

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