terça-feira, 16 de abril de 2013

Educomunicação tem cor foi tema de encontro em São Paulo




Dez anos depois da aprovação da Lei 10639/03, interface entre educação e comunicação é apontada como caminho metodológico e estratégico para a promoção de uma educação mais igualitária

“Educação tem cor?” foi tema de evento realizado no último sábado pela consultoria Afroeducação. A atividade buscou refletir como a Educomunicação pode servir de via para a implementação da Lei 10639/03 que alterou a LBD e instituiu a obrigatoriedade do ensino da história africana e afro-brasileira na educação. 

Fundadora da Afroeducação, Paola Prandini acredita que a identidade negra da população brasileira pode ser valorizada a partir de princípios educomunicativos, como o da educação para e pelos meios de comunicação. “São os pilares comunicação, cultura e educação que poderão construir um mundo mais justo, igualitário e em que o respeito às diferenças étnicas seja transversal a quaisquer relações”, considera. 


Mediada por Paola, a mesa de debate foi composta pelo Prof.Dr. Ismar de Oliveira Soares, pela Profª Dra. Vera Lúcia Bendito e Profª Dra. Angela Schaun. 

Coordenador do Núcleo de Comunicação e Educação da ECA/USP e da licenciatura em Educomunicação, Soares acredita que a Educomunicação pode cumprir o papel de ação afirmativa, já que promove a intervenção social. “A educomunicação é feita por quem a faz, ela valoriza o protagonismo do aluno, propõe a interação com a comunidade”, ressaltou. 

Vera Lúcia pontuou que vê na Educomunicação uma proposta válida para pensar a diversidade na sala de aula. “Percebemos nestes dez anos que só a lei (10639/03) não basta, o fundamental é a mudança de valores nas mentes desses educadores, que vem por meio da formação”, afirmou. 

Na parte da tarde, três oficinas simultâneas aconteceram com o objetivo de mostrar o que são e como práticas educomunicativas podem ser utilizadas dentro da sala de aula. Durante a oficina de fanzine, ministrada por Cleiton Vieira, os participantes trabalharam dois temas: como a mulher negra é vista na escola e a questão da identidade a partir da funk, estilo de música amplamente difundido entre os jovens. O arte-educador, Oliver Oliveira foi um dos participantes e considerou o processo bem proveitoso. “Música é comunicação. Já que a musicalidade do funk é próxima aos jovens, podemos trabalhar o estilo de forma positiva”, conta. 

A oficina de fotografia com a utilização de celulares obteve a maior adesão (25 participantes). A ideia foi mostrar que o aparelho pode ser usado de forma positiva na escola. Para o fotógrafo Diego Balbino, que ministrou a oficina, a utilização da fotografia no ambiente escolar auxilia no protagonismo estudantil. “Fotografar vai além do ato de apertar um botão, é o olhar da pessoa que está fotografando, é a vivência da pessoa por meio daquela mídia”, afirmou. 

A oficina de stop-motion, ministrada por Isabela Rosa (educomunicadora) e André Diogo (cineasta), mostrou aos educadores presentes como a animação por meio de fotografias pode ajudar no processo educativo. 

O evento que reuniu cerca de 50 pessoas contou também com apoio do CEERT, da Cojira-SP (Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial), da editora Paulinas, da editora Selo Negro, do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo e da revista Viração. 

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Imagens: Diego Balbino

Fonte: Portal CEERT/ Juliana Gonçalves - 08/04/2013


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