terça-feira, 23 de abril de 2013

Investimentos na primeira infância: primeiros passos para um país melhor!

Por Cristiane Parente

Entre 16 e 18 de abril o auditório Nereu Ramos, da Câmara dos Deputados, em Brasília, esteve lotado com representantes de 16 países e mais de 500 inscritos e palestrantes para o Seminário Internacional Marco Legal da Primeira Infância.
Educadores, gestores públicos, parlamentares, médicos e nutricionistas ouviram experiências brasileiras e internacionais que mostravam a importância dos investimentos nessa fase para o desenvolvimento de um país e, ao final de três dias, uma só conclusão: investir na primeira infância (desde a gestação) é o investimento que maior retorno gera a um país. Seja em termos de desenvolvimento cognitivo dessa criança, seja na redução da pobreza e da violência. Teoria confirmada pelo Premio Nobel de Economia James Flickman, professor das universidades de Chicago e Dublin, que abriu o evento por videoconferência.
Flickman falou mais: "Pobreza e inequidade social existem em todo o mundo. O que o Estado moderno não pode fazer é apenas transferir renda aos pobres. É preciso não fragmentar as soluções, as políticas, como se contratando mais policiais resolvêssemos a questão da criminalidade".
Nesse sentido, ele explicou que é preciso uma política integral para garantir que as capacidades e habilidades humanas sejam desenvolvidas a partir da promoção da educação e das corretas estimulações e nutrição das crianças, já que a primeira infância é fundamental no restante do seu desenvolvimento.
Outro ponto importante de se destacar é que não é apenas a cognição a responsável pelo sucesso na vida das pessoas. Muitos estudos mostram que habilidades não cognitivas, como a arte de se relacionar com as pessoas e lidar com as emoções, como o autocontrole, também devem ser levadas em consideração. E normalmente são muito negligenciadas. E isso, em boa parte, é fruto de relações familiares.
É bom lembrar que a família não é responsável apenas pelas transmissões genéticas e que os genes sozinhos não fazem muita coisa. Há todo um ambiente estrutural, social, familiar, cultural e de estímulos (ou não) onde a criança cresce. E esse ambiente é fundamental para seu desenvolvimento.
Nos primeiros anos de vida, nossa formação sináptica é super rica. É nessa fase em que as crianças adquirem a linguagem, por exemplo. Por outro lado, se temos crianças mal nutridas e com anemia, com falta de vitamina A (problema comum no Brasil), vamos ter problemas para desenvolver as habilidades dessas crianças.
Se pensarmos bem, há quantos anos condenamos tantas crianças neste país a um futuro medíocre pela falta de estímulos e nutrição correta?
Segundo um estudo de Hart & Resley, de 1995, crianças em famílias com mais educação e estímulos chegaram a ter aos até os três anos um vocabulário três vezes maior do que aquelas que viviam em famílias em condições de vulnerabilidade. Ainda segundo Flickman, alguns estudos longitudinais que acompanharam crianças do nascimento aos 40 anos, perceberam que aquelas que receberam investimentos na primeira infância, quando adultos tiveram menor taxa de obesidade, menor pressão, não se envolveram em crimes, etc. Por tudo isso, o Nobel de Economia tem se dedicado a esse tema e defendido "a educação é muito mais efetiva para reduzir a criminalidade do que o aumento do efetivo policial", afinal é melhor prevenir que remediar.

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