quarta-feira, 17 de abril de 2013

Jornalismo na medida das crianças


Compartilhamos abaixo entrevista que a RevistaPontoCom fez com a turma do Recontando, projeto de Belo Horizonte que reconta as notícias jornalísticas para as crianças, respeitando suas especificidades. Vale a pena conhecer essa ideia!
A proposta é simples, mas desafiante: recontar para as crianças as notícias do mundo de hoje que são divulgadas pela mídia. O objetivo vem sendo colocado em prática há cerca de um mês pelo projeto Recontando – Jornalismo na medida das crianças. A ideia, da jornalista Simone Ronzani, é apresentar os fatos de uma maneira franca, direta e completa. “Não subestimamos a capacidade das crianças”, avisa.

Para Simone, recontar as notícias de uma forma mais contextualizada amplia o repertório de meninos e meninas, ávidos cada vez mais por informações que façam sentido. Neste processo de recontar, a linguagem audiovisual ganha espaço. As notícias são reescritas com ajuda de imagens jornalísticas e animações. O texto e o som são produzidos com o intuito de contribuir com o entendimento do telespectador/internauta criança. As pautas são discutidas por um conselho editorial de crianças, que tem voz ativa na definição e orientação das abordagens. Conheça o projeto em www.recontando.com
Em entrevista à revistapontocom, Simone fala mais sobre a proposta.
Acompanhe:
revistapontocom – De onde surgiu a ideia do Recontando? Qual é o principal objetivo?Simone Ronzani – Um incêndio no estacionamento de um shopping de Niterói, na véspera do Natal de 2009, me fez dar meia volta com o meu filho, na época com quatro anos. O presente encomendado chegou mais tarde, mas, o Henrique quis saber, na hora, todas as informações sobre o ocorrido. Como eu só tinha as primeiras informações pelas rádios, no dia seguinte comprei o jornal da cidade e recontei a história, em detalhes, para ele. A partir de então, passei a observar e a estudar essa geração, a tão conhecida ‘Geração Z’. Constatei a necessidade premente que essas crianças têm de colher as informações de tudo com o que interagem de alguma forma. E esse é o nosso mote.
revistapontocom – As crianças não entendem realmente o que é ‘dito’ pelos adultos?Simone Ronzani – Muitas coisas entendem, não podemos subestimar a capacidade delas. Mas, pelo caminho, algumas vezes, se perdem nos detalhes ou no geral. Só progressivamente a criança chega a uma visão global, completa e, por isso, a importância de uma abordagem detalhadamente simples e direta. Exercitando a associação dos fatos com contextualização, as crianças ampliam seus repertórios existenciais e cognitivos.
revistapontocom – Então, embora o acesso à informação de qualidade seja um direito de crianças, você acredita que os meios de comunicação, de uma forma geral, não vêm se preocupando com esta questão? Há um desrespeito à infância?Simone Ronzani – O que vejo é que apostam na mesma fórmula há tempos. Esqueceram-se de perguntar às crianças sobre o que e como desejam saber. Existe um levantamento da Agência de Notícias dos Direitos da Infância (ANDI), criada no Brasil pouco depois da promulgação da Constituição de 1988, que mostra exatamente isso. E, por isso, o Conselho Editorial Mirim faz parte da estrutura do Recontando. Nas reuniões semanais, as quatro crianças (todas de oito anos) assistem a episódios, debatem, criticam e recontam as histórias que viram. Deixam suas sugestões (e todas são acolhidas!). A cada reunião, a nossa linguagem vai se aprimorando.
revistapontocom – No mundo em que se exige cada vez mais que as crianças sejam autônomas e reflexivas, a mídia pouco vem se importando em se fazer entender por elas. Parece um cenário bem contraditório, não é mesmo? É possível mudar isso?Simone Ronzani – É contraditório sim. O pressuposto na comunicação com as crianças mudou. As informações chegam até elas, independentemente do esforço que os pais façam pelo contrário. A questão agora é: o que fazer com essas informações? A proposta do Recontando é acolher essa superexposição e estabelecer um diálogo franco (e sempre cuidadoso) entre os dois mundos. É um começo, sem dúvida.
revistapontocom – Jornais/revistas tentam se aproximar deste público por meio de suplementos. Qual a avaliação que você faz deles? O recontando segue a mesma linha editorial?Simone Ronzani – Toda tentativa de aproximação é válida, mas o foco deve ser sempre o sucesso dessa comunicação. A inovação do nosso formato preza pelo diálogo fluido das imagens animadas com a percepção, hierarquização e triagem das informações. O Recontando prioriza os direitos, expectativas e necessidades das crianças.  Pensamos, escrevemos, sonorizamos, desenhamos e animamos completamente focados nisso.
revistapontocom – Quais são os planos do Recontando?Simone Ronzani – Recontar, recontar e recontar. Além do portal de notícias especialmente para crianças e das Oficinas de Recontação de jornalismo nas escolas, já estamos desenvolvendo um Projeto especial de facilitação pedagógica para as Escolas parceiras [as instituições interessadas podem entrar em contato por meio dos seguintes contatos: contato@recontando.com / simone.ronzani@recontando.com]. O caminho é longo e fecundo e este é só o começo.
Fonte: RevistaPontoCom

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