sexta-feira, 28 de junho de 2013

Revista Comunicação e Sociedade abre chamada de artigos


Revista Comunicação e Sociedade, do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade, da Universidade do Minho (Braga/Portugal), abre chamada para submissão de artigos para sua edição nº 24, cujo tema será Moda e Contemporaneidade. 

O prazo de envio de textos é 31 de julho e a comunicação de aceitação será no dia 15 de setembro. A revista deve ser publicada até o final do segundo semestre de 2013.

Problematização do tema:
A moda repele o já visto, movendo-se em territórios marcados por práticas indefinidas e 
ilimitadas, ensaiando múltiplas experiências, com o único pressuposto de que o que subsiste para além das modas que são apresentadas é que estas se esgotem no desejo imediato de as possuir, de as consumir, de voltar a desejar o novo. A moda funda-se nos contrários, assenta na eterna volatilidade do todo onde a celeridade garante a ausência da obsolescência. Nada é fabricado para durar e a obsolescência dos produtos garante às estruturas económicas a sobrevivência. Tudo é experimentado na fruição do presente. O  Fast-fashion revolucionou o modo como se passou a olhar para a moda. Que tempo é este que sacraliza o novo em que as peças de roupa têm a duração dos kleenex? Como pensar um tempo que se rege pela sedução e pelo desejo? 

Se a moda se democratizou, simultaneamente rumou a sua produção para outras paragens em busca de preços mais  competitivos.  Mas será que perante um liberalismo desenfreado em que vivemos a responsabilidade social e o desenvolvimento sustentável são assegurados na realidade? No passado, o mercado do luxo de matriz francesa era imune às agitações económicas. Hoje, na Europa, o luxo ressente-se e deslocou-se para outras geografias. Como pensarmos estas deslocações? 

Se gostamos de ver a moda como espaço de criação, não podemos desligá-la do seu lado comercial. Como olhar para a inspiração num tempo em que as marcas estão nas mãos de grandes grupos económicos? Qual o papel dos criadores de moda quando estão associados aos grupos económicos e o seu nome é convertido em marca? Qual a importância da “utilização” das celebridades para a imagem das marcas?

A contrafação e o plágio não são um fenómeno de hoje. Como pensar a contrafação, o plágio num tempo em que se procura um regresso às origens?  Os consumidores compram artigos de luxo falsificados pelo que são, ou pelo que representam?

A mundialização da economia, o fenómeno da globalização acelerou a indiferenciação de  gostos e de estilos entre as pessoas que não vivem afastadas das “rotas” do progresso. Face ao passado, a identidade, que é cada vez mais transitória, mutante, é caraterizada por ruturas. Se a moda diferencia, hierarquiza, é, simultaneamente, portadora de ideias, de estéticas distintas em rutura com o instituído. Como lidam as tribos urbanas com a globalização dos estilos de vida?  

Hoje, o corpo está no epicentro de todas as ficções, reptos e inquietações. As tatuagens, os piercings, o body building, as dietas, as práticas desportivas, as cirurgias estéticas revelam um emergente descontentamento relativamente ao seu corpo. Mas somos apenas um corpo?

Há mais de um século que as revistas de moda funcionam como o meio mais seguro para a disseminação do que se joga na indústria da moda, sempre em sintonia com o mercado. Que corpo é esse que habita nas revistas de moda? Um corpo perfeito que rompe com os corpos reais? Um corpo não corpo?

Objetivo 
Neste número da revista Comunicação e Sociedade pretendemos contribuir para o 
aprofundamento da compreensão destes problemas e destas realidades. Serão aceites artigos que se constituam como ensaios e/ou apresentação de investigações empíricas sobre as problemáticas anunciadas, estando aberta, no entanto, a possibilidade de se incluírem outras questões como relevantes, nomeadamente em matéria de recensões.

As regras editoriais para a submissão eletrônica de originais estão disponíveis no link: http://www.comunicacao.uminho.pt/upload/docs/revista_com_e_soc_normas_apresentação_originais.pdf

2 comentários:

  1. Olá Cristiane Parente, muito interessante a sua reflexão!

    Observa-se no momento em que as questão ambientais estão em pleno vapor que começa aflorar uma tendência pela moda sustentável. Os tecidos de algodão orgânico e de pet estão em evidência.

    Somos parceiras no Educadores Multiplicadores.

    Abs.
    Odete
    http://projetoajoambiental.blogspot.com

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    1. Muito prazer Odete!
      Que bom receber sua visita. Venha sempre por aqui.
      Conto com suas sugestões e parceria.,
      Cristiane

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