quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Sistema usa Twitter para traçar personalidade

Você é o que você tuíta. Pelo menos é isso o que mostra um sistema desenvolvido pela IBM, chamado de SystemU, que traça um perfil do usuário do serviço a partir de 200 publicações. “A base da pesquisa é uma área da psicologia, chama da psicolinguística”, disse Jeffrey Nichols, gerente no Centro de Pesquisas da IBMA lmaden, em San José, na Califórnia. “A ideia é que as palavras que você escolhe quando escreve dizem alguma coisa sobre como você é como pessoa. Se passarmos essas palavras por algum processamento, é possível ter um quadro de como é sua personalidade, do que o motiva, e talvez, de um ponto de vista de negócios, dos tipos de produtos você estaria disposto a consumir.”

O SystemU ainda não está disponível comercialmente. Segundo Nichols, a tecnologia passa por um período de validação em algumas empresas, e estaria pronta para ser usada em larga escala até o final deste ano. Não está definido ainda como poderia se integrar à linha de produtos da IBM. “Ela poderia ser oferecida no formato de software como serviço, já que funciona a partir de um navegador de internet”, disse o pesquisador, que visita o Brasil nesta semana, e participou ontem de um evento da empresa em São Paulo.  

Por enquanto, o sistema foi testado somente em inglês. Mas, teoricamente, funcionaria em outras línguas, incorporando dicionários eletrônicos já disponíveis.“Em português, a gente precisaria fazer um trabalho de validação”, explicou Claudio Pinhanez, gerente de Ciência de Serviços da IBM Research Brasil. “Rodar o sistema com uma amostra de perfis e verificar se os resultados estão de acordo com o esperado.”

As pessoas publicam hoje muitas informações sobre si mesmas nas redes sociais. “Isso é uma coisa interessante especialmente sobre o Twitter, que é mais público que o Facebook, por exemplo”, disse Nichols. “Há uma oportunidade de usar essas informações para aprender mais sobre as pessoas.”

O SystemU gera, a partir das publicações do Twitter, uma classificação do perfil em um gráfico em forma de círculo, dividido em áreas como personalidade, necessidades, valores e comportamento social. Cada uma delas tem algumas subdivisões. Para exemplificar o sistema, Nichols usou seu próprio perfil do Twitter. 

“Tudo o que preciso para a análise é uma amostra de texto. Neste caso, estou olhando para os meus tweets. O sistema mostra aqui, por exemplo, que sou bastante introvertido. Aparentemente também não sou tão agradável”, disse o pesquisador, rindo dos resultados. 

Mas ele concorda com isso? “Vocês é que podem me dizer”, brincou. Nichols explicou que resultados assim podem criar alguma resistência inicial ao serviço por parte dos usuários. O sistema revela detalhes sobre as pessoas que elas às vezes não estão dispostas a reconhecer.

Por outro lado, a tecnologia de análise tem potencial para ajudar as empresas a oferecer um atendimento muito mais personalizado, e a oferecer produtos que os consumidores realmente desejam.

Dados pessoais atraem anunciantes para redes sociais

A classificação dos usuários em perfis de consumo é o grande atrativo das redes sociais para os anunciantes na internet. Com base nos dados informados pelas pessoas, as redes sociais como Facebook e Twitter traçam um perfil das pessoas, em diferentes categorias. Dessa maneira, anunciantes direcionam as campanhas para o seu público alvo. As categorias vão desde informações mais básicas – idade, localização ou gênero – a outros dados compartilhados por elas, como tipo de páginas ou posts curtidos. No segundo trimestre, a renda do Facebook com publicidade foi de US$ 1,6 bilhão, 61% a mais do que no ano anterior. Segundo estimativa da eMarketer, a receita publicitária do Twitter deve chegar a US$ 582,2 milhões neste ano.

Identificação. Nichols começou a pesquisar mídias sociais há dois anos e meio. Antes, ele trabalhava com dispositivos móveis e internet móvel. “Uma das primeiras coisas que eu fiz, por volta de 2010, foi um sistema simples que recolhia informações do Twitter”, disse o pesquisador. “Eu digitava palavras chave e via o que as pessoas falavam a respeito delas. O sistema apresentava em gráficos o volume de publicações. 

Durante a última Copa do Mundo, via o que as pessoas falavam durante os jogos. Comecei a analisar a atividade durante grandes eventos, e me pareceu um meio de comunicação interessante.” 

Ao mesmo tempo, Nichols ficou interessado em ‘crowdsourcing’, distribuir tarefas para um grande número de pessoas pela internet. “Um dos problemas com esses serviços é que você não sabe quem os trabalhadores são.” Juntando a necessidade de identificar os usuários e o interesse a respeito das redes sociais , Nichols teve a ideia de traçar um perfil das pessoas a partir do que elas publicam. 

Mas a identificação da personalidade pelos textos do Twitter é só o começo. “Já trabalhamos num sistema que faz esse tipo de análise por imagens, verificando as  publicações do Instagram e do Pinterest”, disse. 

Fonte: O Estado de S. Paulo - Renato Cruz - 15/08/2013

Nenhum comentário:

Postar um comentário