quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

"Hoje é impossível fazer uma boa educação sem a prática educomunicativa", avalia professor Ismar de Oliveira Soares


O professor titular da USP Ismar de Oliveira Soares explicou o que é a educomunicação e quando essa prática surgiu. Ele disse que os sistemas de educação estão longe da perspectiva da Educomunicação, mas ressaltou a que o conceito vem ganhando destaque.

Ouça a entrevista que Davi de Catsro, da EBC, realizzou com o Profº Ismar de Oliveira Soares na Campus Party: http://www.ebc.com.br/tecnologia/galeria/audios/2013/01/hoje-e-impossivel-fazer-uma-boa-educacao-sem-a-pratica


Fonte: http://www.ebc.com.br/tecnologia/galeria/audios/2013/01/hoje-e-impossivel-fazer-uma-boa-educacao-sem-a-pratica

Qualidade de conteúdo infantil na TV em debate

O livro Qualidade na Programação Infantil da TV Brasil, que será lançado hoje (31) no Dragão do Mar, avalia a qualidade dos programas infantis


Uma pesquisa pioneira no Brasil com o intuito de avaliar a grade geral de uma emissora pública resultou no livro Qualidade na Programação Infantil da TV Brasil, que será lançado hoje (31) no Auditório do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, em Fortaleza/CE. O estudo, realizado em parceira pela Empresa Brasil de Comunicação e a Universidade Federal do Ceará (UFC), buscou a avaliação de toda a programação infantil da TV Brasil, a fim de apontar melhorias nos programas exibidos e provocar um debate sobre a atual qualidade da programação para este público na televisão brasileira. No lançamento, haverá debate com os autores sobre o assunto e a exibição de trechos dos programas analisados.


A pesquisa, que durou cerca de um ano e meio para ser totalmente finalizada com a produção do livro, teve coordenação das professoras universitárias Inês Vitorino e Andrea Pinheiro, e a colaboração dos estudantes Andrea Acioly, Camila Torres, Nut Pereira, Samaísa dos Anjos e Sarah Coelho, todos pesquisadores do Grupo de Pesquisa da Relação Infância, Juventude e Mídia (GRIM), vinculado à UFC.
Durante quatro meses de monitoramento, foram analisados 221 episódios dos 23 programas exibidos pela emissora, como Castelo Rá-Tim-Bum, Vila Sésamo, TV Piá, entre outros. Nesse momento foi feita uma análise qualitativa e quantitativa da grade de programação.
Para realizar o trabalho, o grupo teve como base critérios indispensáveis para qualquer produto audiovisual, como a procedência; o formato e sua diversidade no decorrer da programação; e o nível de entretenimento. Nesse quesito Inês pontua que “uma tv pública não pode ter uma programação chata, desinteressante, e deve conter aspectos importantes em chamar a atenção de toda criança”. A inovação, a interatividade e o estimulo à cultura nacional e à cidadania também fazem parte do conjunto de aspectos formais que devem estar presentes na televisão.
A professora Inês vê nesse trabalho um passo importante tanto para a televisão pública brasileira, quanto para a universidade, já que a UFC foi escolhida a partir de uma consulta realizada pela TV Brasil com grupos de pesquisas de todo o País para avaliar qual poderia realizar essa atividade. O livro é o fruto do primeiro trabalho dessa natureza a ser realizado no Brasil com parcerias entre uma instituição de ensino e uma empresa de comunicação.
Fonte: O POVO Eduardo Siqueira 31/01/2013

"Spreadable Media"


 

Resenha:
Baseando-se em exemplos de filmes, música, jogos, quadrinhos, televisão, transmedia storytelling, publicidade e relações públicas, os autores ilustram os contornos do nosso ambiente de mídia atual. O livro (em inglês) mapeia as mudanças fundamentais que ocorrem em nosso ambiente midiático contemporâneo, um espaço em que as empresas já não controlam rigidamente sua distribuição de informações e muitos de nós estão diretamente envolvidos na circulação de conteúdo. De acordo com Henry Jenkins, a aderência tem sido a medida de sucesso na era da transmissão (e foi transferido para o mundo on-line também), mas é a 'espalhabilidade' que descreve as formas em que o conteúdo viaja através da mídia social.

Sobre os autores:
Henry Jenkins é professor de comunicação, jornalismo, artes cinematográficas e educação na Universidade do Sul da Califórnia. É autor de 5 livros, entre eles 'Cultura da Convergência' (Ed. Aleph, 2009). 
Sam Ford é diretor de estratégia digital da Peppercomm Strategic Communications e coeditor de 'The Survival of the Soap Opera (2011). 
Joshua Green é estrategista digital da empresa Undercurrent e coautor de 'YouTube: Online Video and Participatory Culture'.

Coleção completa da revista “Comunicação e Sociedade” disponível online


A coleção completa da revista “Comunicação e Sociedade” já se encontra disponível online no site: http://www.lasics.uminho.pt/ojs/index.php/comsoc/issue/archive

Editada pelo CECS (Centro de Estudos Comunicação e Sociedade) desde 1999, todos os números da publicação já podem ser descarregados gratuitamente na plataforma LASICS, da Universidade do Minho. 

São várias as temáticas abordadas ao longo das 22 publicações, todas elas inscritas nas linhas de investigação do centro: “Linguagens e Interação Social” e Media e Jornalismo”. Desde o número 21 que a edição tem suporte exclusivamente online.

Fonte: UMinho/Newsletter

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Fundação Knight premia ferramentas digitais que integram comunidades em todo o mundo

Imagem conceitual do projeto We Farm
A construção de uma plataforma open source para comunidades criarem suas próprias estações de rádio em Uganda; um aplicativo para autenticar fotos e vídeos enviados por cidadãos para grandes jornais e uma rede de contatos por meio de mensagens SMS para produtores de café, no Peru, Quênia e Tanzânia. Essas são algumas das propostas vencedoras do Knight News Challenge 2013, concurso financiado pela Fundação Knight que nesta rodada de investimentos destacou iniciativas mobile. Foram destinados US$ 2,4 milhões para 8 projetos vencedores.
Com as diversas ferramentas digitais disponíveis, em todo o mundo internautas tornaram-se repórteres informais e um dos desafios é justamente confirmar a autenticidade dos materiais publicados. Um desses aplicativos, o InformaCam, permite que usuários insiram metadados em vídeos e fotos enviados aos veículos de comunicação. O programa está sendo desenvolvido pelo Guardian Project em parceria com a Witness, organização internacional de direitos humanos.
Junto ao material poderão ser anexadas informações como nome do interlocutor, quando e onde foi produzido. Dessa forma, um furo de reportagem, evidências de um crime de guerra em uma zona de conflito armado ou registros de manifestações populares captados por jornalistas-cidadãos poderão ser vistos com menos desconfiança por editores e diretores de jornais.
Dos territórios em guerra para as plantações em países em desenvolvimento. A iniciativa 'We Farm' visa integrar uma rede de pequenos produtores agrícolas de diferentes continentes para que possam compartilhar entre si via SMS informações e dicas sobre suas colheitas. Presente em 14 países, a fundação Cafédirect Producers vai capitanear o projeto e facilitar a divulgação de ideias simples, porém inovadoras para melhorar a produção. Dessa forma, um fazendeiro da Tanzânia, por exemplo, poderá trocar experiências por celular com famílias do Quênia com mais facilidade.
Outra ação beneficiada pela Fundação Knight, e que também tem como objetivo integrar comunidades, é o RootIO, idealizado por Chris Csikszentmihalyi, ex-diretor do Centro de Mídia Cidadã do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos. O RootIO é um kit open source que permite a criação de uma microestação de rádio utilizando apenas um smartphone e um transmissor. O trabalho será implantado em Uganda em parceria com a Unicef.
Graças aos investimentos, grupos indígenas localizados na Amazônia peruana poderão, em breve, relatar para todo o mundo o que acontece na área. Essa é a meta da Digital Democracy, organização sem fins lucrativos que pretende produzir e distribuir kits de ferramentas open source, principalmente para divulgar os impactos negativos da exploração de minério na região.
Quem tem inúmeras histórias familiares para contar, deve acompanhar os próximos passos da trajetória do TKOH, estúdio de design localizado em Nova York responsável pela criação do Thread. Por meio do aplicativo para tablets, seus idealizadores pretendem que pessoas de todas as idades registrem com facilidade em vídeo e áudio histórias e casos que, por sua natureza oral, correm o risco de se perder com o tempo. Nos próximos meses, a empresa vai fazer testes em diferentes cidades norte-americanas começando pela área rural do Novo México.
Fonte: Nós da Comunicação (André Bürger) com informações da Knight Foundation

A história da Fundação (educomunicativa) Casa Grande



A Fundação Casa Grande -- Memorial do Homem Kariri é uma organização não governamental, cultural e filantrópica criada em 1992, com sede em Nova Olinda, Ceará, Região do Cariri, ao sopé da Chapada do Araripe na fronteira com os estados de Pernambuco, Paraíba e Piauí, a 560 km da capital cearense.

O programa conta com os depoimentos dos criadores e coordenadores da Fundação Casa Grande, Alemberg Quindins e Roseane Limaverde, um casal de músicos que conseguiu transformar a realidade de um velho casarão abandonado em muito mais do que uma escola de referência em educação com a visão de levar "o mundo ao sertão", em um "espaço de convivência" em que os jovens praticam cultura e adquirem cidadania.

Nesse primeiro de três episódios, Alemberg Quindins relembra o surgimento da Fundação Casa Grande, a partir de uma pesquisa arqueológica e mitológica que ele e sua mulher, Roseane Limaverde, fizeram no Vale do Araripe para criação de músicas. Depois de percorrer o País em festivais de música, no retorno a Nova Olinda, o casal decidiu então montar o Memorial do Homem Kariri, que expõe o acervo arqueológico e mitológico da Chapada do Araripe, por meio de arterfatos, fotografias e desenhos feitos pelas crianças que passaram a integrar o projeto. Esse acervo contém: as lendas, os mitos, o material lítico e cerâmico e os registros rupestres. Transformado em um dos laboratórios criados na Fundação Casa Grande, o espaço tornou-se instrumento para a formação de recepcionistas mirins, com aulas de arqueologia, conservação do patrimônio, mitologia e museologia. Alemeberg também relembra como as crianças da cidade de Nova Olinda e da região do Cariri começaram a "tomar conta" da Casa Grande, transformando-a em um espaço lúdico de aprendizado e convivência.

Gravação feita para o programa Jogo de Ideias, do Itaú Cultural, em julho de 2011, com apresentação do jornalista Claudiney Ferreira.

Parte 2: http://youtu.be/mGXp533HP_U
Parte 3: http://youtu.be/LwwcJ5deyv

Projeto Ondas Cidadãs disponibiliza manuais para trabalhar rádio na escola

O projeto Ondas Cidadãs, da ONG cearense Catavento, disponibiliza para educadores e educadoras, o manual de 'Notícia' para rádio. 
Basta clicar no link abaixo. Se você preferir, pode visualizar ou baixar o material em PDF. 
http://issuu.com/radioeducativo/docs/noticia


O manual de Contos Radiofônicos também já está disponível. 
Basta clicar no link abaixo. Se você preferir, pode visualizar ou baixar o material em PDF. Acesse: http://issuu.com/radioeducativo/docs/contos_radiofonicos

Os dois são manuais com a sistematização de ideias, métodos e definições que orientam as atividades no ambiente de aprendizagem com o Rádio.


Ondas Cidadãs
O projeto Ondas Cidadãs nasceu da vontade de trocar saberes. Com a proposta de estimular a produção colaborativa no âmbito da rádio escolar, o Ondas Cidadãs é resultado de uma parceria entre a ONG Catavento e a Universidade Federal do Ceará.

O Ondas Cidadãs tem como objetivo principal fortalecer o papel do rádio na educação. Em conjunto com o Mais Educação – programa do MEC –, o projeto oferece suporte às escolas do ensino público que optaram pela rádio escolar como uma de suas atividades de educação integral. Para isso, as principais ações do projeto são a formação de monitores e professores vinculados ao programa Mais Educação através de oficinas. O projeto também busca fomentar o diálogo entre as escolas por meio da criação de um portal virtual de produção colaborativa.


Fonte: Ondas Cidadãs

"Educação é terrível no mundo todo", diz pesquisador de tecnologia


Mais do que mudar a forma como a tecnologia é usada na educação, a proposta de Marc Prensky é mudar toda a educação, pois ela é "terrível" em todos os lugares do mundo. O especialista em educação e tecnologia, convidado da Fundação Telefônica na Campus Party Brasil deste ano, explicou em palestra na noite desta terça-feira sobre como os "nativos digitais" precisam ter de seus professores.
O termo "nativos digitais" refere-se às pessoas que já nasceram na era digital, e se opõe aos "imigrantes digitais", ou aqueles que conheceram o mundo antes da internet. O palestrante americano mostrou uma foto sua em 1970, com um violão, e depois outra atual, com um tablet. Na sua percepção, os nativos digitais têm mais facilidade de adaptação.
"O mundo todo está em uma má situação em termos de educação", diz, "não são só países como o Brasil, só países em desenvolvimento". "E por que digo que a educação é terrível? Porque educamos para um contexto que não existe mais", afirmou, explicando que hoje em dia não se precisa de matemática, ciência e física como na época em que essas temáticas foram incluídas no currículo. "E ninguém ouve quando alguém diz, 'vamos fazer isso diferente'", completou.
Na visão de Prensky, o foco da educação deveria estar nos "verbos" e não nos "substantivos". "Questionamos se as crianças deveriam usar o PowerPoint, a Wikipédia em sala. Mas isso são 'substantivos'. O que realmente queremos é os 'verbos': apresentar, aprender, ler", explicou. "Os verbos não mudam, queremos os mesmos 'verbos' há mil anos", resumiu, citando pensamento crítico, lógica, criatividade. "E há muitos desses verbos, mas temos que nos perguntar: quais são os 'verbos'-chave? E só depois que soubermos disso, nos perguntamos quais 'substantivos' vamos usar", definiu.
Cérebro estendido
Para responder a essas perguntas, o especialista apresentou o conceito do cérebro estendido, uma soma do cérebro de cada um com as possibilidades oferecidas pela tecnologia. Para o pesquisador, o cérebro é bom em algumas atividades, mas pode se beneficiar das máquinas para, por exemplo, "lembrar tudo ou processar três milhões de dados". Em um dos slides, Prensky resumiu a ideia com uma citação de uma criança de 10 anos: "antigamente as pessoas precisavam saber de cor os números de telefone".
A forma de lidar com esse cérebro estendido seria, pois, combinar as potencialidades das máquinas e dos cérebros. "E acho que é isso que vocês estão fazendo aqui. Vocês são as pessoas que vão criar a inovação", afirmou à audiência do palco principal do Anhembi Parque.
Para falar sobre suas ideias aplicadas à educação, o pesquisador citou um estudante que disse "a coisa mais inteligente que já ouviu": que professores entendem a tecnologia como ferramentas, enquanto estudantes a entendem como uma fundação, uma base que se estende sob o restante.
Trivial x poderoso
Prensky também falou de como vê a tecnologia envolvida na educação de duas formas, uma "trivial" e a outra "poderosa". "A primeira é fazer as mesmas coisas que sempre fizemos, em novas formas - sempre escrevemos, agora temos um blog ou usamos teclado. Eu chamo de trivial, não porque não é importante, mas porque já fazíamos antes. E há as coisas que não podíamos fazer, que chamo de poderosas", explicou citando chamadas de voz por IP, tweets, impressão 3D, inteligência artificial, jogos, simulações e robótica entre as formas "poderosas" de a tecnologia influenciar a educação.
"Mas por mais que gostemos de tecnologia, é preciso lembrar que há coisas muito importantes na educação que a ela não faz", destacou, citando empatia, escolha e paixão. Para ele, essas são as coisas que o cérebro faz melhor, e que é nisso que os professores devem se focar, adaptando o 'como' ensinam.
E é preciso adaptar também, segundo Prensky, mudar o "o quê" se ensina. Ele defende que no novo modelo de educação os jovens sejam "nós da rede", que possam se conectar o máximo possível e que os professores orientem o percurso, fazendo, de acordo com o pesquisador, o que cada um faz melhor: os estudantes, se conectar e achar os conteúdos, e os professores, questionar, orientar e avaliar.
"Muito se diz que a escola precisa ensinar 'o básico' para as crianças, mas 'o básico' também está mudando", defendeu, apresentando sua proposta do que seria o novo "básico" da educação formal, que ele chamada de eTARA, sigla em inglês para o conjunto de pensamento, ação, relacionamento e conquista efetivos. Programar, na lista de Prensky, é parte de pensamento efetivo, assim como ética de relacionamento, e empreendedorismo de ação.
O pesquisador finalizou incentivando os empreendedores e geeks que o ouviam a criar aplicativos, programas e outras ferramentas para mudar a forma do ensino usando a tecnologia.
Campus Party Brasil 2013
A sexta edição da Campus Party Brasil, uma das maiores festas de inovação, tecnologia e cultura digital do mundo, acontece entre 28 de janeiro e 3 de fevereiro no Anhembi Parque, em São Paulo. Na Arena do evento, 8 mil pessoas têm acesso à internet de alta velocidade e a mais de 500 horas de palestras, oficinas e workshops em 18 temáticas, que vão desde mídias sociais e empreendedorismo até robótica e biotecnologia. Cinco mil desses campuseiros passam a semana acampados no local.
A 6ª edição traz ao Brasil nomes como o astronauta Buzz Aldrin, um dos primeiros homens a pisar na Lua, e o fundador da Atari, Nolan Bushnell. Em sua sexta edição em São Paulo, a Campus Party também teve no ano passado a primeira edição em Recife (PE). O evento acontece ainda em países como Colômbia, Estados Unidos, México, Equador e Espanha, onde nasceu em 1997.
Nas edições brasileiras anteriores, o evento trouxe ao País nomes como Tim Berners-Lee, o criador da Web; Kevin Mitnick, um dos mais famosos hackers do mundo; Al Gore, ex-vice-presidente dos Estados Unidos; Steve Wozniak, que fundou a Apple ao lado de Steve Jobs; e Kul Wadhwa, diretor-geral da fundação Wikimedia,que mantém a Wikipédia.
Terra cobre o evento direto do Anhembi Parque e, além do canal especial Campus Party Brasil 2013, os internautas podem acompanhar as novidades pelo blog Direto da Campus. Para seguir a festa pelo Twitter, basta acompanhar a hashtag oficial do evento, #cpbr6.
Fonte: Terra Educação / Débora Salves 29/01/2013

Programação infantil na TV Brasil


Um olhar atento à questão da qualidade dos programas infantis da TV pública. Esse foi o principal objetivo da pesquisa que deu origem ao livro Qualidade na Programação Infantil da TV Brasil (Insular, 2012), que será lançado no dia 31, às 19 horas, no auditório do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, no Ceará.
A obra é resultado de uma cuidadosa pesquisa sobre a qualidade da programação infantil da TV Brasil, televisão pública gerida pela Empresa Brasileira de Comunicação. A pesquisa foi realizada pelas professoras universitárias Inês Vitorino e Andréa Pinheiro, com a contribuição dos estudantes Andrea Acioly, Camila Torres, Nut Pereira, Samaísa dos Anjos e Sarah Coelho, pesquisadores do Grupo de Pesquisa da Relação Infância, Juventude e Mídia (GRIM), vinculado à Universidade Federal do Ceará (UFC).
Além de um estudo bibliográfico minucioso sobre a questão da qualidade na televisão, os pesquisadores dedicaram-se à análise de 221 episódios dos 23 programas infantis exibidos pela TV Brasil entre outubro de 2010 e janeiro de 2011, como Castelo Rá-Tim-Bum, Dango Balango, Vila Sésamo, TV Piá, Cocoricó, entre outros.
O monitoramento dos programas exibidos pela TV Brasil levou em conta a análise de um conjunto de aspectos formais e de conteúdo presentes nas obras audiovisuais, com base nos seguintes critérios: diversidade,  inovação/criatividade, promoção do desenvolvimento integral, promoção de modelos de conduta construtivos, estímulo à cultura nacional e à cidadania, interatividade, inocuidade, entre outros.
Segundo Inês Vitorino, a análise da qualidade dos programas exibidos na emissora pública de TV “possibilita conhecer de perto a oferta de programas para a criança e é um passo importante no sentido de inserir nas políticas públicas de comunicação essa dimensão da qualidade do que é oferecido às crianças”, comenta.
Para Andrea Pinheiro, a pesquisa contribuirá, também, para futuros estudos da área. “O modelo utilizado nas análises dos programas está inteiramente delimitado no livro, podendo ser usado em próximas pesquisas sobre a qualidade em obras audiovisuais destinados às crianças. Dentre os nossos objetivos, estava o de recomendar melhorias nos programas exibidos pela TV Brasil e propor um debate sobre a qualidade na programação infantil televisiva. Creio que conseguimos”, avalia.
Por ocasião do lançamento, os autores farão uma breve explicação da pesquisa por meio de um bate-papo com o público e exibirão trechos de alguns dos programas pesquisados.

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Programa InFormação, da ANDI, prorroga prazo para inscrições de bolsas de TCC


Estudantes de Comunicação têm até 15 de fevereiro para participar da seleção


Estão abertas até 15 de fevereiro as inscrições para o 8º processo de seleção do Programa InFormação, que concede bolsas de apoio aos trabalhos de conclusão de curso (TCCs). 

São cinco bolsas de estudo no valor de R$400,00 (quatrocentos reais), durante seis meses, exclusivamente para alunos que estejam se graduando em Jornalismo e/ou Comunicação. Podem participar estudantes de instituições públicas e/ou privadas.

Nesta 8ª seleção, poderão concorrer os formandos que se comprometerem com a realização de TCCs que envolvam Direitos, Criança, Políticas Públicas e Erradicação da Pobreza (três bolsas); ou o tema especial O esporte como fator de inclusão social (duas bolsas).

Os candidatos devem realizar uma pré-inscrição até 15 de fevereiro, acessando a ficha de inscrição e enviando o projeto de pesquisa para tcc@andi.org.br. O prazo para a remessa do projeto pelos Correios para a ANDI vai até o dia 22 de fevereiro, valendo a data de postagem. O resultado da seleção será divulgado até o dia 15 de março de 2013.

O programa InFormação é uma iniciativa da ANDI – Comunicação e Direitos, com o patrocínio da Petrobras, no âmbito do projeto Jornalista Amigo da Criança, e o apoio do Fórum Nacional de Professores de Jornalismo – FNPJ. 


Conheça o edital completo da 8ª seleção

Fonte: ANDI Comunicão e Direitos

Jornais impressos são comparados a dinossauros na animação "Paper Age"

Animação 3D do designer alemão Ken Ottmann coloca tablets como 
responsáveis pela extinção da mídia impressa




A bela animação Paper Age, do designer alemão Ken Ottmann
mostra dinossauros feitos de papel jornal morrendo ao se 
depararem com um tablet, que seria o meteoro que arrasou 
com a "espécie impressa" de seres pré-históricos. 
Ottmann explica que a animação 3D foi criada a partir de um
estudo de cinema 4D e After Effects. 

Uma curiosidade que o blog do designer também destaca e 
que podemos perceber na animação é que o tablet está aberto
em uma página do Google com os resultados para a 
Leistungsschutzrecht, a lei alemã de direitos autorais que exige
 que os dispositivos de busca e agregadores paguem taxas de 
licenciamento às publicações para utilizar os trechos de texto. 
É ver e compartilhar com amigos e alunos. Dá um bom debate, 
sem dúvida, afinal os "dinossauros impressos" vão realmente 
dar lugar  apenas a versões online? 

Fonte: Exame e Brainstorm9

"Fuera de Juicio"



Resenha:
O documento serve de guia para a profissão jornalística, sugerindo o que repórteres podem ou não fazer de acordo com as fronteiras éticas da área. O manual analisa consequências jurídicas de uma publicação e traz recomendações sobre o que fazer antes de divulgar uma notícia e se defender de acusações de calúnia e difamação.

Acesse gratuitamente o documento, em espanhol.

Sobre a organizadora:
A Fundación para la Liberdad de Prensa promove e defende o direito ao acesso à informação na Colômbia. A Flip visa denunciar violações à liberdade de imprensa no país, contribuir para a proteção de jornalistas, sugerir políticas públicas para garantir esses direitos.


Fonte: Nós da Comunicação

Volta às aulas em curta-metragem

O tema do momento do site www.curtanaescola.com.br é "Volta as Aulas". 
Assista aos quatro curtas que tratam sobre bullying, o relacionamento entre alunos e professores e etc! 



Sobre charges, tragédias e jornalismo

Compartilhamos abaixo texto de Paulo Nogueira, publicado no site "Diário do Centro do Mundo" sobre duas charges sobre a tragédia que ocorreu em Santa Maria/RS, no último sábado 26/01, quando a Boate Kiss pegou fogo e 231 jovens perderam a vida. Nogueira faz uma rápida análise que esperamos seja tema de debates mais aprofundados não só entre alunos de jornalismo, mas também nas salas de aula de escolas pelo país cujos professores acreditem na importância de uma educação para a mídia, sem maniqueísmos, mas com criticidade e inteligência. Sempre em busca e em prol do bom jornalismo"!


Caruso X Latuff


Por Paulo Nogueira 28/01/2013

Duas charges sobre Santa Maria mostram como chargistas podem ser brilhantes ou infames perante tragédias
No blog, Noblat acrescentou a palavra "humor" a essa charge de Caruso
No blog, Noblat acrescentou a palavra “humor” 
a essa charge de Caruso
Fazer charge num drama como o de Santa Maria é uma tarefa para poucos.
É fácil fazer bobagem, e é difícil fazer coisa boa.
Na tragédia de Santa Maria, tivemos as duas situações. O cartunista Carlos Latuff, que se celebrizou no Brasil há  pouco tempo depois de ser acusado de antissemita, brilhou.
Latuff ironizou o abominável comportamento da mídia diante de calamidades como a da casa noturna Kiss. Um repórter tenta extrair palavras de um familiar da vítima no enterro, numa exploração abjeta da dor alheia.
Clap, clap, clap. De pé.
Latuff deu voz a milhões de brasileiros que somaram à tristeza pelas centenas de mortes a indignação pela atitude de jornalistas que não respeitam a dor alheia e simulam, como canastrões, uma dor que não sentem.
O lado B veio com Chico Caruso, no Globo. Ele fez uma prisão em chamas, na qual ardem as pessoas ali dentro e da qual se exala uma fumaça sinistra. Dilma, sempre Dilma, observa de longe e exclama: “Santa Maria!”
Era para rir? Os leitores acharam que não. Mas viria uma segunda etapa. Numa decisão estapafurdiamente incompreensível, Ricardo Noblat republicou a charge em seu blogue com o acréscimo da palavra “humor”.
charge280113
Latuff captou o comportamento 
abjeto da imprensa
A reação nas redes sociais foi imediata. Caruso e Noblat foram simplesmente abominados. No próprio blogue de Noblat, os leitores — em geral arquiconservadores como o blogueiro — manifestaram repúdio. Um deles notou que a dupla conseguiu unir petistas e antipetistas na mesma reprovação torrencial.
Noblat defendeu Chico Caruso, e sobretudo a si próprio,  em linhas antológicas: quem não gostou da charge, foi o que ele essencialmente disse depois de uma cômica interpretação do desenho,  não a entendeu. Os leitores são burros, portanto.
Tenho para mim que parte da raiva se deve ao fato de ambos estarem fortemente identificados com a Globo. Alguma coisa da rejeição que existe em boa parte da sociedade à Globo se transmite a seus funcionários.
Mas a questão vai além. É complicado, ficou claro, fazer charge decente para as Organizações Globo. A de Latuff jamais seria publicada pelo Globo. O espesso conservadorismo da empresa acaba por ceifar a possibilidade de iconoclastia, de inconformismo de cartunistas da Globo.
Se nas colunas políticas o reacionarismo nos veículos da Globo não chega a chocar, porque é esperado, na charge aparece como um estigma. De artistas se espera uma atitude diferente, mais arejada, mais provocativa.
Caruso, nos anos 1980, se destacou como um dos melhores chargistas de sua geração. Prometia mais do que entregou, é certo, mas fez uma carreira boa.
Agora, vai passar para a história como o autor da charge mais repudiada e mais infame da mídia brasileira em muitos anos —  em parte por um mau momento, em parte por carregar no peito o crachá das Organizações Globo.

"Cidadania virtual no mundo real"



Que impactos a internet trouxe para o exercício da cidadania? Vale a pena pensar em exemplos de mobilização social que se apoiaram em ferramentas da internet para mobilizar pessoas em sua localidade e até em todo o mundo, como o Greenpeace (no mundo todo) e a aluna brasileira Isadora Farber com o Facebook "Diário de Classe" voltado para melhorias na sua escola.
Já existem até mesmo sites para criação de abaixo-assinados pela internet, como o Change.Org (http://www.change.org/pt-BR), com histórias de sucesso de mobilizações sociais.
Sugerimos que você dê uma olhada e leve o debate para a sala de aula! (Cristiane Parente)

Arranca la duodécima edición de ‘El País de los Estudiantes’


Ya está abierto el plazo para participar en la duodécima edición del programa de prensa escuela El País de los estudiantes, organizado por el diario EL PAÍS y Endesa. Con él, los equipos formados por alumnos de 2º ciclo de la ESO, bachillerato y FP de grado medio publicarán su propio periódico y con él optarán a distintos premios. Bajo la dirección de un profesor (no importa la materia que imparta, está abierto a todos), los alumnos deberán convertirse en una auténtica redacción. Los equipos encontrarán la información para inscribirse de forma gratuita enhttp://www.estudiantes.elpais.com/.
La organización pone a disposición de todos los participantes distintos recursos de apoyo, como guías, tutorías técnicas y periodísticas o una suscripción al suplemento El País de los Estudiantes, editado por Santillana. Los periódicos compiten por uno de los tres premios nacionales y los alumnos por alguno de los premios especiales, como a la mejor fotografía o a la mejor entrevista, entre otros.
En esta ocasión, el programa llega con algunas novedades:
TIPO DE PERIÓDICO: Este año se da la opción de hacer el periódico en formato digital, en papel o en ambos. Eso sí, son independientes y ninguno interfiere en la elaboración del otro.
PROFESORES: Ahora cada equipo puede estar formado por un máximo de tres profesores: uno principal y dos secundarios. El primero es el único que puede dar de alta a los alumnos y autorizar para publicar. 
FUNCIONES DE LOS ALUMNOS: Habrá redactores (todos lo son y pueden escribir artículos, posts, diseñar, hacer fotos…) y maquetadores (el profesor decide quién o quiénes de esos redactores ejercen también esta función).
SECCIONES: Este año solo hay dos secciones obligatorias que desarrollar, Medio ambiente y Sociedad. El resto, hasta cinco, se pueden elegir libremente entre siete diferentes.
REPOSITORIO: Se trata de un nuevo espacio online creado para facilitar el control de los artículos del periódico y lo que incorporan: texto, imágenes y vídeos. En él se puede almacenar y compartir el material.
BLOG DEL ESTUDIANTE: Este es un nuevo premio especial para aquellos a los que les gusta centrarse más en unos temas que en otros o escribir sobre algo con regularidad o dar su opinión sobre la actualidad, temas culturales, artísticos, recreativos… Se trata de un espacio que permite enfocarse a nivel personal y potenciar las aptitudes individuales.

Chamada para publicação de artigos na revista 'Razón y Palabra' - Comunicación como valor de desarrollo social


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A revista eletrônica Razón y Palabra está com chamada aberta para publicação de artigos científicos e ensaios inéditos em seu número 80, cujo tema é Comunicação como valor de desenvolvimento social. Também serão aceitas resenhas de livros relacionados com o tema e que não estejam em processo de publicação em nenhum outro meio semelhante.


As normas editoriais para apresentar os trabalhos podem ser consultadas no seguinte link: http://www.razonypalabra.org.mx/editorial.html
As datas para envio de trabalho são:

10 de março: Data limite para envio do trabalho
10 de abril: Resporta por parte do Comitê Editorial
10 de maio: Entrega definitiva dos trabalhos
Razón y Palabra oferece espaços para artigos relacionados com Sociedade Civil, Participação, Cidadania, Comunicação Alternativa, Comunicação Popular e Comunitária e Comunicação e Mudanças Sociais, que vêm sendo abordados nos encontros latinoamericanos AMICCONEICC ALAIC.

Fonte: http://ww.razonypalabra.org.mx/Convocatorias/2012/Monotematico_80.html

Estudios de medios: Miradas críticas a la investigación y las políticas europeas de Alfabetización mediática

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Esta edición especial incluye 16 contribuciones de 23 autores, que cubren una gama considerable de cuestiones conceptuales, metodológicas y educativas en el discurso reciente de alfabetización mediática
En primer lugar, la publicación recoge algunos textos que ofrecen un marco conceptual sobre alfabetización mediática. Además, se abordan algunas cuestiones metodológicas en cuanto a los desafíos a la evaluación y la medición de la alfabetización mediática, especialmente en el contexto europeo.
La tercera sección de este número especial desarrolla el tema de los estudios de medios desde la perspectiva educativa. Aparecen también aquí reseñas de publicaciones recientes sobre Alfabetización mediática, que incluyen temas como la regulación de los medios, la protección de los derechos humanos en la comunicación y la creatividad las redes sociales. 
Esta publicación es el resultado de una Acción COST, un contexto de trabajo intergubernamental de la Cooperacion Europea en Ciecia y Tecnología, que coordina investigaciones a nivel europeo. La Acción "Transformando audiencias, transformando sociedades" (2010-2014) coordina esfuerzos de investigación hacia transformaciones claves de las audiencias y las sociedades europeas. 

Documento: http://www.gabinetecomunicacionyeducacion.com/files/adjuntos/critical%20insights.pdf
Fonte: UAB

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Seminário Internacional Infância e Comunicação terá debate sobre "Inclusão Digital e Proteção da Infância"


Entre os dias 6 e 8 de março, em Brasília, acontece o Seminário Internacional Infância e Comunicação - Direitos, Democracia e Desenvolvimento, uma realização da ANDI Comunicação e Direitos, Rede ANDI Brasil, Rede ANDI América Latina e entidades parceiras, com patrocínio da Petrobrás.

No dia 7 de março um dos Grupos de Trabalho discutirá "Os Desafios das Novas Mídias: Inclusão Digital e Proteção da Infância". Veja quem participará desse debate:


  • Cristina Ponte (Professora da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa – Portugal)
  • Alexandre Barbosa (Gerente do Centro de Estudos sobre as TICs – Comitê Gestor da Internet – Brasil)
  • César Bonanotte (Membro do Conselho de Mídias Audiovisuais e Infância e coordenador do Plano Nacional de Ação dos Direitos da Criança e do Adolescente – Argentina)
  • Susie Hargraeves (Presidente da Internet Watch Foundation - IWF - Reino Unido)
  • Mediação: Rodrigo Nejm (Diretor de Prevenção – Safernet – Brasil)
  • Relatoria: integrante do Programa Jornalista Amigo da Criança (Brasil)
Para mais informações e inscrições, acesse o site: http://infanciaecomunicacao.andi.org.br/pt-br/content/apresentacao



Alfabetização mediática - O exemplo da Andaluzia

Por Cristiane Parente
Com informações do documento "Recomendaciones del Consejo Audiovisual de Andalucía para el Fomento de la Alfabetización Mediática"


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Assegurar o direito à informação e proporcionar entretenimento são apenas parte do que fazem os meios de comunicação. Acima de tudo eles transmitem mensagens, valores e modelos sobre os quais muitos de nós construímos nossa percepção da realidade.

A enorme quantidade de informação que recebemos diariamente pelos mais diferentes meios, aparatos tecnológicos e, sobretudo, telas (de celular, televisão, computadores, ipads, etc) nos obriga a ter uma postura mais crítica e seletiva diante deles; uma relação mais qualitativa com os meios. Isso requer uma alfabetização mediática, um processo educativo que garanta essas habilidades a crianças, jovens, professores e pais.

Importante ressaltar que não estamos falando de uma mera habilidade tecnológica, ou seja, saber como mexer nos equipamentos. Isso não garante uma capacidade crítica, uma apropriação criativa dos meios, uma compreensão de como se dá o processo de produção das mensagens. Como sugere o documento Recomendaciones del Consejo Audiovisual de Andalucía para el Fomento de la Alfabetización Mediática, “há diferenças entre a brecha digital e a brecha cognitiva (...) e a ideia matriz de alfabetização mediática seria a de converter os meios em instrumento de formação, e não só de consumo.” Dessa forma, teríamos também uma inclusão democrática, pois os cidadãos participariam mais da vida pública a partir de sua produção nos meios.

Na Espanha, a Lei Geral da Comunicação Audiovisual (Lei 7/2010, de 31 de março) já prevê que os poderes públicos e prestadores de serviço de comunicação audiovisual contribuam com a alfabetização mediática. Na Andaluzia, o Conselho de Audiovisual realizou as Jornadas de Alfabetização Mediática. Dessas jornadas se originou o documento “Recomendaciones del Consejo Audiovisual de Andalucía para el Fomento de la Alfabetización Mediática”. Compartilhamos algumas recomendações para reflexão, voltadas para os poderes públicos, prestadores de serviço de audiovisual e pais.

Para os poderes públicos sugere-se incluir nos currículos de Primária, ESO e Bachillerato materiais de educação que permitam aos estudantes adquirir competências mediáticas e não só tecnológicas; criar um programa de formação permanente de professores em alfabetização mediática; fomentar os títulos de máster em Educação para a mídia e cursos de verão, entre outros; garantir a inclusão transversal de competências mediáticas nas diferentes matérias do currículo.

Para os prestadores de serviço de comunicação audiovisual recomenda-se respeitar o direito a uma comunicação audiovisual transparente, inclusive dando a conhecer o nome dos prestadores de serviço; salvaguardar os direitos das crianças, proteger sua imagem e respeitar as classificações e horários dos programas.

No âmbito familiar as recomendações são para um controle parental maior do que as crianças assistem e acessam, do tempo em que ficam conectadas, a forma como se conectam e o conteúdo que têm acesso; assumir a formação de crianças e jovens sobre um uso educativo e de entretenimento dos meios e também a própria capacitação em competência mediática dos pais.

O que você acha dessas recomendações? Que tal sugerir à escola em que você trabalha ou à escola de seus filhos essa formação? E você, como está se alfabetizando midiaticamente? Acesse o documento completo em no site 
Consejo Audiovisual de Andaluzia.
Cristiane Parente  é jornalista, educomunicadora, blogueira, membro da Associação Brasileira de Pesquisadores e Profissionais em Educomunicação – ABPEducom, coordenadora do  Programa Jornal e Educação – ANJ
Fonte: Blog Educação & Mídia do jornal Gazeta do Povo (http://www.gazetadopovo.com.br/blog/educacao-midia/)

Alienação parental: você sabe o que é isso?



diretor-e-roteirista-alan-minas-a-morte-inventada-8Por Marcus Tavares - RevistaPontoCom
Alienação parental é um termo criado pelo psiquiatra Richard Gardner, em 1985, para descrever o distúrbio de comportamento de uma mãe ou de um pai que treina seu filho(a) para romper os laços afetivos com o cônjuge. Não há estatísticas oficiais, pois os casos que vêm à tona são debatidos e resolvidos sigilosamente pela Justiça. Mas o número, infelizmente, cresce. Assim como as consequencias desta triste relação para as crianças.
O documentário A Morte Inventada, de Alan Minas, tem a difícil missão de mostrar exatamente como a alienação parental impacta o crescimento de meninos e meninas. “O filme conta a história de pais que foram afastados de seus filhos. E de filhos, hoje adultos, que têm consciência de que foram afastados de seus pais por conta da manipulação realizada por suas mães, quando ainda eram crianças. Eles contam suas experiências de viverem órfãos de um pai vivo, por mais de 10 anos, e como isso os influenciam até hoje em suas relações”, explica o diretor Alan Minas. Para promover o debate, a revistapontocom conversou com o diretor.
Acompanhe:
revistapontocom – O que é alienação parental?Alan Minas – Alienação parental é um distúrbio de comportamento em que um genitor influencia a percepção da criança em relação ao outro genitor, fazendo com que ela passe a odiar o genitor alvo. Essa influencia ocorre dia a dia, de maneira verbal, direta ou através de atitudes e informações veladas que buscam desqualificar o outro genitor, gerando, na criança, um sentimento de insegurança, medo e culpa em relação ao seu relacionamento com o genitor alienado.
revistapontocom – Trata-se de um fato mais comum do que se pensa? Há estatísticas brasileiras?Alan Minas – É uma situação muito comum, muito mais do que imaginávamos. E infelizmente não se tem qualquer estatística, devido ao fato dos processos, em varas de família, ‘correrem’ em segredo de Justiça. Mas é consenso geral, principalmente por quem milita nessa área, que o número de casos em que acontece a alienação parental é alarmante. Recebemos, através de nosso site, centenas de contatos e relatos mensalmente, do mundo inteiro. São pessoas desesperadas diante desse tipo de violência contra a criança que acontece sob nossos olhos e que, infelizmente, a sociedade ainda não despertou para isso.
revistapontocom – O que levou o grupo a produzir o documentário? Existem produtos audiovisuais que já tenham abordado o tema?Alan Minas – Desconhecemos qualquer registro sobre a alienação parental nesse suporte de documentário. É um tema bastante delicado, onde se esbarra em paradigmas socioculturais já sedimentados há milhares de anos em nossa sociedade. Nossa motivação em realizar esse projeto vem do fato de sentirmos na pele o que é a alienação parental. É uma experiência desesperadora ver sua filha sendo afastada de seu convívio por conta de um sentimento de vingança e ódio implantado, nela, por outra pessoa, pela sua própria genitora.
revistapontocom – Como foi feita a produção? A escolha das histórias? Dos casos, dos personagens?Alan Minas – Todo projeto, apesar de estar enquadrado na Lei Rouanet de incentivo à cultura, não teve qualquer patrocínio. A urgência em falar desse assunto não permitia a usual espera de captação e patrocinadores, como acontece em um projeto tradicional. Então, partimos com recursos próprios para alavancá-lo. A pesquisa começou através de pessoas e profissionais próximos a nós. A partir desse núcleo formamos uma rede para encontrar os vários personagens que vivenciaram o assunto, como filhos e pais vítimas, além dos profissionais que estão envolvidos diretamente, como advogados, juízes, promotores, desembargadores, psicólogos e assistentes sociais. Entrevistamos mais de 40 pessoas. Temos um material bruto de aproximadamente 60 horas, que se transformou em uma obra de 80 minutos, com a participação de 18 entrevistados.
revistapontocom – O filme conta qual história?Alan Minas – Conta a história de pais que foram afastados de seus filhos e de filhos, hoje adultos, que têm consciência de que foram afastados de seus pais por conta da manipulação realizada por suas mães, quando ainda eram crianças. Eles contam suas experiências de viverem órfãos de um pai vivo, por mais de 10 anos, e como isso os influenciam até hoje em suas relações.
revistapontocom – Qual é o objetivo do filme? O que se espera dele?Alan Minas – Nosso objetivo é informar e fomentar discussão sobre esse tema em toda a sociedade, sobretudo no judiciário, com aqueles que militam em direito de família. Esperamos que nosso projeto sirva de objeto de reflexão e de transformação de paradigmas em nossa sociedade. É um pesadelo recorrer à Justiça para assegurar os direitos de quem você mais ama e se deparar com desinformação e ignorância. É uma experiência aterradora.
revistapontocom – Como o filme está repercutindo?Alan Minas – Em pouco tempo, já conseguimos colher excelentes frutos. Estamos realizando exibições seguidas de debates em todo o país e percebemos a força que o filme tem de sensibilizar a todos que o assistem. A maneira como afeta o público é direta e impactante. Durante os debates, testemunhamos relatos profundos de pessoas que foram tocadas imediatamente pela projeção, tanto por conta de experiências pessoais em suas próprias famílias quanto pela perplexidade diante desse tipo de violência, que até aquele momento muitos profissionais não tinham qualquer conhecimento. Ter esse retorno é a nossa maior realização.