terça-feira, 30 de julho de 2013

Livro para crianças fala sobre violência sexual


Com ilustrações e história simples, livro (http://www.pipoefifi.org.br/livro.html) busca conscientizar e proteger crianças da violência sexual. De maneira direta, os monstrinhos Pipo e Fifi apresentam as partes íntimas do corpo e mostram que tipo de toques podem ser tolerados e quais são abusivos. A publicação explica também como agir quando há alguma proximidade indesejada.
Destinado para crianças a partir de quatro anos, o livro traz um encarte destinado aos adultos. Neste trecho, são apresentadas informações sobre o abuso sexual e como a publicação deve ser trabalhada junto às crianças. A publicação foi produzida pela ONG Cores e encontra-se online e para download.  
Para saber mais, visite a página do projeto Pipo e Fifi.
Fonte: Promenino/Fundação Telefônica

Dilemas sobre a “crise da escola”


Por Monica Fantin
Por ocasião da participação na Programação Adulta da Mostra de Cinema Infantil de Florianópolistive o prazer de ser mediadora do debate com diretor German Doin, após exibição do filme La educacion prohibida.
Filme polêmico, mas com uma história de produção coletiva no contexto da cultura digital muito interessante. E considerando as diversas inquietações que continuaram a fazer parte das conversas e discussões sobre questões que o filme trata, destaco a inadequação da escola nos dias de hoje. Diante de tantas críticas à escola atual, perguntei ao diretor se durante suas entrevistas para fazer o filme alguém havia mencionado algo a respeito da importância da mídia e da tecnologia nessa outra configuração escolar, uma vez que a própria produção do filme só havia sido possível no contexto da cultura digital. E ele respondeu que curiosamente não, nenhum educador entrevistado mencionou tal aspecto, o que também chamou a atenção dele. Mas sendo o filme uma obra aberta, talvez seja possível incluir algum depoimento a esse respeito a partir da rede que está sendo criada.
Atualmente é tão lugar comum afirmar que e escola está distante da realidade dos alunos, que não dialoga com os saberes que estes trazem, que sua estrutura é inadequada, que está obsoleta, que em vez de muros e paredes precisa ser pensada em redes, e por aí afora. No entanto, mais que fazer coro a esse discurso, considero importante pensar na possibilidade de outras narrativas sobre a escola. E isso no sentido de oferecer algumas indicações que podem fazer parte de nossa reflexão, e que já foi objeto de perguntas e respostas de muitos outros estudiosos no campo da educação e comunicação. Afinal, tão importante quanto interrogar sobre a desorientação do sistema formativo escolar e sobre a escola do futuro, é problematizar a escola que temos até agora.
Entre tantos argumentos, sobretudo diante dos projetos de inserção de tecnologias na escola com o objetivo da “inclusão digital”, destaca-se o problema da tecnificação e da mediatização da escola como dois importantes desencadeadores de novas ações/reflexões. Em relação ao tecnicismo e tecnificação da escola, sabemos que faz parte de uma “política de globalização econômica e mundialização da cultura”, ou seja, de um “macro-sistema técnico planetário” que interpreta e atualiza o sentido de racionalização. Em relação à mediatização da escola, podemos questionar o pretenso espaço ético-estético mediador que “limita” e/ou promove diferentes percepções do sujeito sobre a realidade.
A partir de tais aspectos, a escola tem sido cada vez mais identificada como instituição autoritária, subjetiva e neoliberal, em que o valor da liberdade é considerado a partir das possibilidades ou não de escolhas do sujeito. Tal identificação nem sempre considera a dimensão histórica da instituição escolar e de suas relações com outros âmbitos da prática social, as transformações sociais, econômicas e culturais e suas relações com a “construção” do sujeito e do conhecimento. E quando não se considera a complexidade que envolve a relação entre sujeito e cultura e todas suas nuances, a escola entra em crise e seus dilemas se acentuam: a ênfase na dimensão da subjetividade ao lado da frustração a nível social; as demandas dos sujeitos e as demandas do mercado em que desenvolver competências técnicas parece ser apenas exigências do mercado; a pluralidade das culturas e o respeito às singularidades que encontra nos direitos humanos a base de relação, e muitos outros.
Entre tantos dilemas – sem entrar no mérito da importância de reafirmar o papel da escola hoje – conflitos e tensões sobre as políticas públicas, condições de trabalho, formação e tantas outras questões que a escola enfrenta, o que podemos fazer? Retomemos alguns pressupostos da mídia-educação para pensarmos em algumas considerações que possam minimizar certas fronteiras que hoje parecem distanciar ainda mais a escola da cultura e as gerações que ali se configuram, sobretudo em relação às mídias digitais:
- problematizar as representações de infância, juventude e do ser adulto, para além dos estereótipos e clichês ultrapassados, como por exemplo o termo “nativos digitais”, que se refere a uma crença de que crianças e jovens são “mais experts” que os adultos em termos de tecnologia. Afinal, não é isso que as pesquisas revelam e nem o que se observa nas escolas dos mais diferentes níveis de ensino, levando-nos a perguntar: “mais experts” em que? Exatamente de quem estamos falando?
- entender as mídias como espaços de encontro inter-geracional. No âmbito das relações educativas e familiares e suas formas de comunicação, certos usos do celular e das redes sociais também permitem construir espaços de troca, cumplicidade e presença entre pais e filhos e professores e alunos.
- criar e consolidar espaços de diálogo: importância de falar sobre as mídias, sobre os consumos culturais de crianças, jovens e adultos, ajudar crianças e jovens a problematizar suas leituras de mundo e a refletir sobre suas formas de consumo e de participação na cultura digital em uma perspectiva crítica.
-(des)naturalizar a presença das mídias e discutir formas de uso nos espaços públicos e privados, reconceitualizando as mídias e tecnologias como cultura, instrumento/ferramenta de estudo e/ou trabalho na vida cotidiana, na vida escolar e na construção de nossa subjetividade, que por sua vez cria novas demandas sociais.
Enfim, pressupostos e perspectivas da mídia-educação que não são novos, mas que podem ajudar a tratar de outra forma os novos/velhos problemas e os dilemas que a escola enfrenta. E para isso, a perspectiva de educar para a liberdade implica educar para a responsabilidade e isso diz respeito à cidadania. E parece difícil falar em cidadania sem reafirmar o direito à escola e ao ensino de qualidade.

De volta para a escola


Umas das funções da escola é inserir a criança no mundo público --e essa é uma lição difícil para a criança - Rosely Sayão
Nos próximos dias, as crianças voltarão às aulas depois de um período de descanso. O melhor desse retorno é reencontrar os colegas, conviver e brincar com eles e até mesmo provocá-los. Isso também faz parte do relacionamento entre elas.
Durante as férias, em geral, as crianças ficam sem a rotina rigorosa que a escola impõe até mesmo fora de seu espaço. É que o horário escolar determina também os horários em casa. Horários para dormir, para acordar, para alimentar-se e para brincar, entre outros, são organizados pela família de acordo com o horário em que os filhos vão para a escola, não é verdade?
Além da retomada de uma rotina nem sempre agradável para a criança, retornam também as responsabilidades com a vida escolar: lição de casa, estudo para um bom aproveitamento, aulas particulares e outras atividades complementares. E voltam também a cobrança dos pais e as próprias da criança, é claro.
Por isso é que, depois das férias, independentemente da idade, a criança passa novamente por um período de adaptação. E, nesse recomeço, muitos pais enfrentam birras, recusas, mal humor, resistências e choros que atrapalham a retomada da rotina e o cotidiano familiar, sempre marcado por horários.
É preciso ter paciência porque é difícil mesmo para a criança passar de uma situação para outra quando a escolha não foi feita por ela. Quando ela está dormindo não quer acordar, quando está brincando não quer ir tomar banho e, quando está no banho, não quer sair. Haja paciência! Mas esse é mesmo o ingrediente mais importante quando se tem filhos.
Há também um ponto importante que nem sempre é considerado nessas horas difíceis para os pais, que podem achar que tudo não passa de manha dos filhos.
Como integrante da família, o filho é único, mesmo quando há irmãos. Todos os filhos são únicos na dinâmica familiar atual. E, acima de tudo, as crianças são o centro da família.
Agora, imagine, caro leitor, sair desse lugar privilegiado e passar a ser mais uma entre tantas outras crianças. Não, não é nada fácil para ela essa passagem do aconchego e da segurança do ambiente familiar para a impessoalidade do mundo público. Essa é uma das funções fundamentais da escola. Aliás, essa é uma das lições mais difíceis para a criança: a entrada no mundo público. Difícil, mas absolutamente necessária.
Na experiência de ser mais uma, a criança tem vantagens e desvantagens. Ela vivencia, por exemplo, relacionamentos em que o afeto não é o eixo central. Por mais que isso possa parecer ruim, saiba, leitor, que é muito bom! Os afetos familiares são fundamentais, mas também pressionam, exigem, cobram. Livrar-se deles por um período do dia é estruturante também para a criança.
Por outro lado, participar de um grupo de adultos e de pares que a criança não escolheu pode ser incômodo. Mas assim será a vida dela num futuro próximo e, por isso, é tão importante que ela aprenda a viver por conta própria no ambiente social.
É por isso que muitas crianças expressam, de maneiras diversas, algum desgosto no retorno às aulas. E é por isso também que os pais precisam ser pacientes, compreensivos e amorosos na situação, porém firmes e confiantes de que o filho conseguirá superar sua dor. E a escola deve realizar essa transição docemente.
Aprender e crescer doem, mas ninguém deve permanecer na infância além do tempo próprio dela, não é?

Seminário Internacional de Comunicação recebe inscrições

Pierre Lévy, Howard Rheingold e Ivan Izquierdo estarão entre os conferencistas do evento


O 11° Seminário Internacional de Comunicação está com inscrições abertas para a apresentação de trabalhos. Com o tema ‘Imaginário em Rede: comunicação, memória e tecnologia’, o evento avaliará os efeitos de um planeta midiatizado sobre a estrutura e o funcionamento do cérebro humano. 
Entre os conferencistas estarão profissionais de diversos países, como Pierre Lévy, da Universidade de Ottawa; Howard Rheingold, da Universidade de Stanford; e Ivan Izquierdo, do Centro de Memória da PUC/RS. O seminário está agendado para o período de 5 a 7 de novembro, no campus da PUC, e os interessados têm até 19 de agosto para cadastrar seus trabalhos.
As inscrições, tanto para apresentação de trabalhos quanto para ouvintes, devem ser feitas no site do evento, onde estão disponíveis informações como regulamento, programação e relação de palestrantes. Haverá tradução simultânea das conferências. 

O seminário é promovido pelo Programa de Pós-Graduação da Famecos e as atividades ocorrerão nos prédios 40 e 7 da PUC. Outras informações podem ser obtidas pelo e-mail secretariaseicom@pucrs.br.

segunda-feira, 29 de julho de 2013

“A carreira de professora é a que dá maior gratificação amorosa”


Aos 96 anos, Dona Cleo, xodó dos amantes da literatura, abre sua biblioteca, recita de cabeça poemas de Fernando Pessoa e dá uma lição de sensibilidade e energia 
Foto: Wilton Júnior/Estadão
Aos 7 anos, Cleonice Berardinelli escreveu seu primeiro poema – definido por ela como “minúsculo e ridículo, naturalmente, próprio de 7 aninhos de idade”. Hoje, aos 96, é uma das professoras de literatura mais reconhecidas e queridas do Brasil. Dona Cleo, como é carinhosamente chamada, brinca ao dizer que é meio carioca, meio paulista e muito portuguesa. Sua relação com Portugal não se restringe à paixão pela literatura de lá – ela é especialista em Camões e Fernando Pessoa –, mas pelos muitos amigos portugueses que ainda cultiva. Alguns, inclusive, fizeram questão de prestigiá-la quando tomou posse na Academia Brasileira de Letras, em 2010. Ela ocupa a cadeira de número 8.
Formada pela USP em 1938, é professora emérita da UFRJ e da PUC do Rio. Foi orientadora de 74 dissertações de mestrado e 42 teses de doutorado. É unânime. Zuenir Ventura, seu ex-aluno, a apelidou de “divina Cleo”. E de Carlos Drummond de Andrade ganhou poema, cujos versos dizem: “Até Fernando Pessoa, com respeitoso carinho/ trago pois, minha oferenda/ de bem humilde vizinho/ nesta ensancha prazenteira/ a justiça que me impede/ à genuína fazendeira/ Cleonice Berardinelli.”
Recentemente, atraiu olhares de todo o Brasil ao dividir uma mesa, na Flip, com sua mais nova fã, Maria Bethânia. Durante uma hora e meia, leram poemas de Pessoa selecionados por Dona Cleo. A simpatia do público pelo carisma da professora foi imediata. O carinho foi retribuído nos autógrafos de seu novo livro, Antologia Poética, na mesma noite. “Fiquei exausta, mas virei notável, foi um sucesso”.
A professora recebeu a coluna, em seu apartamento, em Copacabana, na zona sul do Rio, antes da vinda do papa Francisco ao Brasil. Católica, ela se disse contente. “Ele é de uma falta de atavios, uma simplicidade impressionante. E escolheu o nome de Francisco. Amo a oração de Francisco”, diz.
No seu escritório, montou uma biblioteca – batizada de “Galeria Camões”. Os livros, diz, deixará para a Academia Brasileira de Letras, para que sejam bem cuidados. Além deles e das inúmeras fotografias dos netos e bisnetos espalhadas pela biblioteca, Dona Cleo coleciona uma séria de prêmios e honrarias, acumulados ao longo de sua carreira: “Das profissões, professora é a que dá mais gratificação amorosa. Tenho mais de mil ex-alunos”.
Ela impressiona pela memória. Não esquece um verso de qualquer poeta, recitando tudo de cor. A boa saúde, explica, tem dois grandes motivos: a família e a religiosidade: “Tenho conversas particulares com o pai do céu. Enquanto eu estiver vivendo como estou… eu gosto de viver”.
A seguir, os principais trechos da entrevista.
A mesa da última Flip de que a senhora participou junto com Maria Bethânia, sobre Fernando Pessoa, foi um sucesso. Como vocês duas se conheceram?
Faz um tempinho. Júlio, nosso mediador na Flip e meu ex-aluno, me disse que Bethânia queria que eu olhasse uma seleção de poemas do Fernando Pessoa, feita por ela, para um show. Fui assistir ao espetáculo, fui ao camarim cumprimentá-la. E foi assim que a conheci. Sobre os poemas, ela pediu que eu escolhesse. Ela é de um grande carinho e delicadeza comigo.
E então nasceu uma amizade?
Mais ou menos. Começamos a nos encontrar em muitas homenagens. No Conselho Federal de Educação, na Sociedade Hebraica do Rio de Janeiro, em Portugal. E brinquei com ela que estávamos habituadas a receber prêmios juntas.
Foi difícil fazer uma seleção de poemas de Pessoa para a Flip?
É como tirar pedaços seus, levar e deixar outros pedaços. Mas como escolhemos muitos, não foi tão doído. Mandei para ela com um bilhetinho assim: “Para Bethânia, com a condição de que, corte, acrescente, altere à vontade”. Então, foi engraçado, porque ela tem umas cisma. Por exemplo, ela não diz a palavra “desgraça”.
Não?
Não. E iríamos ler um poema muito bonito que diz assim: “…ou desgraça, ou ânsia – Com que a chama do esforço se remoça/ E outra vez conquistemos a distância/ Do mar ou outra, mas que seja nossa.” Daí ela me disse “Dona Cléo: eu não falo essa palavra”. E eu emendei, dizendo que não tinha importância. Poderíamos trocar por “desgraça” ou por “miséria”. Então mantivemos um poema de que eu gosto muito (risos).
Maravilhoso. Mas a senhora trocou mesmo?
Sim (risos), tem o mesmo nome – “miséria”, “desgraça”. Mesmo lugar de acentuação, não ia estragar o poema. Então, lá ficou.
A senhora já afirmou que não gostaria de ser uma heterônima do poeta, porque o Fernando Pessoa foi muito triste.
Acho que ele foi, de um modo geral, uma pessoa tendendo mais à infelicidade. Dos heterônimos, o mais “contentinho” é o Alberto Caeiro. O Ricardo Reis não é nem isso nem aquilo, é o equilíbrio.
Por que a senhora acha que os leitores têm mais dificuldade com Ricardo Reis?
É uma poesia muito reflexiva, inteligente e, às vezes, um pouco difícil de entender. Possui uma sintaxe alatinada, mas é interessante.
A senhora é bem religiosa. O que acha da religiosidade na obra de Fernando Pessoa?
Tem o poema em que ele fala sobre o Menino Jesus. Esse poema é uma faca de dois gumes. De um lado, começa lindo, quando ele diz “Um meio dia de fim de primavera/ Tive um sonho como uma fotografia/ Vi Jesus Cristo descer à terra”. E ele fazia isso, fazia aquilo. E é uma gracinha o menino Jesus, chapinhando na lama, aquela coisa toda que é de uma delicadeza altamente poética. Principalmente no fim, quando ele diz: “Quando eu morrer, filhinho/ Seja eu a criança, o mais pequeno/ Pega-me tu no colo. E leva-me para dentro da tua casa”. Mas há passagens que são de uma grosseria horrível, por exemplo, quando o texto diz que o espírito santo é uma pomba suja, que suja as cadeiras todas do padre eterno. Quer dizer, eu acho isso de mau gosto. Não dava esse poema, em classe, justamente por causa disso.
Fernando Pessoa se dizia cristão agnóstico, Dona Cleo?
Ele não era de religião nenhuma, era uma pessoa metafísica, sem dúvida. Queria o antes e o depois. Isso está na poesia dele. O Alberto Caeiro, por exemplo é o guardador de rebanhos. O rebanho são os meus pensamentos. E os meus pensamentos são todos sensações. Com as mãos, os pés, os olhos, os ouvidos, etc. É o homem das sensações. Depois ele diz: “Se depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia/ Não há nada mais simples / Tem só duas datas — a da minha nascença e a da minha morte”.
Como católica, o que a senhora acha do papa Francisco?
E é de uma falta de atavios, de uma simplicidade… Repare. Não quis avião especial, não quis regalias. E São Francisco é um santo maravilhoso, foi muito bem escolhido esse nome dele. Se tem uma coisa que eu gosto é a oração de São Francisco.
Você conhece essa?
Sim. A oração diz assim: “Senhor fazei-me instrumento de vossa paz. Onde houver ódio, que eu leve o amor. Onde houver ofensa, que eu leve o perdão”. É feita de antinomias. Eu acredito, justamente, que esse papa vai trazer tudo isso. Ele se inspirou em São Francisco porque esse é o sonho dele. Que ele seja para todos e de todos. E eu digo: tomara.
Quando foi que a senhora se descobriu professora?
Desde que eu entrei para a faculdade, com Fidelino de Figueiredo. Queria ser como ele. Claro que nunca cheguei lá. Mas era um homem de uma cultura enorme.
Qual para senhora é a maior emoção de dar aula?
É a profissão que dá mais gratificação amorosa. Eu encontro, em todo lugar, algum ex-aluno. É um clã, uma coisa imensa. Tenho mais de mil. Comecei dando aula particular, depois passei para colégios. Em um deles, introduziram o latim nas turmas. E eu fui parar nisso. Adoravam as aulas de latim.
A senhora acredita que o latim faz falta na grade escolar hoje em dia? Principalmente por conta da etimologia das palavras?
Eu acho mesmo, a etimologia! É uma coisa automática. Quando me deparo com uma palavra que não conheço, digo: espera aí! Como é que ela é formada? Agora mesmo eu estou tomando um remédio que se chama Condroflex. Repare: Condro é articulação. Flex, flexibilidade. Esses nomes de remédio são muito bem escolhidos. Então Condroflex é um remédio para dar flexibilidade à minha articulação.
E a senhora se recorda bem de latim?
Ainda lembro. Eu lecionei esse tempo todo, né? E tive a sorte de ter um professor de latim do primeiro colégio, que era um rapaz bem moço, inteligente, que me fez, uma vez, uma dedicatória em latim que dizia: “A primeira entre os primeiros alunos meus, pequena recordação do Professor Aquimo.” Fiquei orgulhosíssima.
A senhora acha que mudou muito o perfil do aluno universitário ou o interesse pelo conhecimento continua o mesmo?
Olha, eu dei aula, em turmas, até uns três anos atrás. É o mesmo interesse.
Dona Cleo, esse ano temos o centenário de Vinicius de Moraes. O que a senhora acha da obra de Vinicius?
Veja, eu não li muito de Vinicius de Moraes, mas do que eu conheço, gosto. Ele foi um grande sonetista. Alguns sonetos são muito lindos, primorosos mesmo. Eu acho que alguns poemas dele têm uns requintes maiores, há muita coisa que é muito bonita e que vale a pena…
O que a senhora recomendaria para quem quer começar a ler poesia?
Mostre a ela o que está dentro daquela poesia. Que às vezes parece meio indevassável. A sensação de “não posso passar daqui, não estou entendendo nada”. Porque há poesia difícil, mas há poesia fácil também. A do Vinicius, por exemplo, não é das mais difíceis, é bem acessível. /MARILIA NEUSTEIN

Confira a programação do V Encontro Brasileiro de Educomunicação


O V Encontro Brasileiro de Educomunicação acontecerá no Memorial da América Latina, em São Paulo, entre os dias 19 e 21 de setembro. O tema será "Educação Midiática e Políticas Públicas". Confira a programação abaixo e visite o blog do encontro para mais informações e inscrições. A realização é da Associação Brasileira de Pesquisadores e Profissionais em Educomunicação - ABPEducom; Núcleo de Comunicação e Educação da USP e Licenciatura em Educação da USP. 

Você também pode fazer parte da ABPEducom se for um pesquisador da área ou realizar ações tendo como base o conceito da Educomunicação. Informe-se no blog abpeducom.blogspot.com

Programação
19/09


19h00 - Sessão de abertura
Homenagem a de Juan Díaz Bordenave - Paulo Dias Rocha
Homenagem a Pablo Ramos - Eliany Salvatierra Machado
Exposição - Inauguração de pôsteres e fotos sobre práticas educomunicativas no Brasil
Prêmio Mariazinha Fuzari



20/09
Manhã

09h00 – 12h30 – Mesa Redonda I - Educomunicação midiática e políticas públicas


Tarde

13h30 -15h00

- Painel 01Educação e liberdade de expressão - os desafios da atualidade

Mediadora: Prof. Dra. Maria Cristina Castilho Costa, CCA - ECA/USP.

As questões sobre a classificação Indicativa - Profa. Dra. Mayra Rodrigues Gomes, CCA – ECA/USP.
O politicamente correto e o debate sobre liberdade de expressão - Jornalista Nara Lya Simões Caetano Cabral.
Censura e internet - os casos Anne Frank e Xuxa Meneguel - Profa. Dra. Barbara Heller, UNIP/SP.


- Painel 02 – A formação superior do profissional para o âmbito da educação midiática

Mediadora: Prof. Dra. Liana Gottlieb, Faculdade Cásper Líbero.

O projeto da ECA/USP para a formação do licenciado em educomunicação – Roseli Figaro,CCA-ECA/USP.
O projeto da UFCG par a formação do bacharel em educomunicação – Danielle Andrade Souza, UFCG.
- O projeto da PUC/RJ para a formação do licenciado em mídia e educação – Rosália Duarte, PUC/RJ.


Painel 03 – Educomunicação midiática no ensino básico

Mediador: Prof. Dr. Richard Romancini, NCE-ECA/USP

Aproximações ao conceito da educomunicação no fazer educativo do Colégio Dante Alighieri –Valdenice Minatel, Colégio Dante Alighieri.
Aproximações ao conceito de educomunicação no fazer educativo do Colégio Visconde de Porto Seguro – Savina Allodi, Colégio Visconde de Porto Seguro.
Educomunicação em 140 caracteres: análise do uso da rede social Twitter por alunos e professores da SME/SP – Patrícia Lopes, Lato sensu Mídias na Educação - ECA/USP.


Painel 04 – Educomunicação midiática no ensino infantil

Mediador: Prof. Dr. Claudemir Viana, NCE- ECA/USP.

Produção midiática nas escolas de educação infantil - Prefeitura de São Paulo - Marcelo A P dos Santos, SME- São Paulo.
Educomunicação no ensino infantil - Kamila Regina de Souza, UDESC.
Olhares atentos: o exercício do olhar educomunicativo na educação infantil – Paula Fernanda Catarino, Lato sensu Mídias na Educação-ECA/USP.


- Painel 05 – Educomunicação midiática e audiovisual

Mediadora: Claudia Mogadouro, ABPEducom.

A produção audiovisual com, para e por crianças e adolescentes na América latina - Eliany Salvatierra Machado, UFF.
Bem-te-vi, o filme - uma experiência transcultural pelos cinco continentesAriane Porto,UNICAMP.
- Ver o mundo, ver a mídia: a experiência do Cineduc -Bete Bullara, CINEDUC- RJ.


15h15 - 16h45


Painel 06 – Mídia e educação: metodologias e abordagens

Mediador: Eduardo Monteiro , NCE-ECA/USP

Proposta curricular da UNESCO para a alfabetização midiática
- Os estudos culturais como referência para os programas de mídia e educação - Maria Isabel Orofino, ESPM/SP.
Práticas de mídia e educação – Alexandre Le Voci Sayad, Media Education Lab.


Painel 07 – Produção midiática na educomunicação sócioambiental

Mediadora: Luci Ferraz, ABPEducom.

Uma experiência no programa Jovem Sustentável da Fundação Alphaville - Ricardo Jesus Santana, Lato sensu Educomunicação, ECA-USP.
Programa de Educomunicação socioambiental do Ministério do Meio Ambiente – Débora Menezes– MMA.
O vídeo na prática da educação ambiental dos índios guaranis em SP - Márcia CoutinhoRamos Jimenez, Programa Nas Ondas do Rádio, SME-SP.


Painel 08- Leitura educomunicativa da mídia

Mediadora: Profa. Roseli Fígaro, CCA ECA-USP.

A sexualidade na grade horária da TV Globo - André Ortega Filho
Funk e Hedonismo - Leandro Corte Falcão


15h15-21h15

Oficina de Práticas Educomunicativas I
Cinemação, com celular - Marcílio Rocha Ramos, UFBA.
- Oficina de Leitura crítica de comunicação – Prof. Dra. Roseli Fígaro, CCA-ECA/USP.

Cobertura educomunicativa
Viração,
- Nas Ondas do Rádio,
- Imprensa Jovem,
- FUNDHAS.


15h15 – 18h15

- Cineclube educomunicativo I
Coordenação: Claudia Mogadouro, NCE – ECA/USP.
Eliany Salvatierra, UFF e NCE-ECA/USP.


17h00 - 18h30


- Painel 09 – Educomunicação, juventude e a cultura da paz

Mediador: Prof. Ricardo Alexino, Lic. Educomunicação-ECA-USP.  

Cultura de paz: trabalhando a convivência através da educomunicação - uma experiência no CEU Parque São Carlos - Renata Oliveira Queiroz, Lato sensu Mídias na Educação-ECA/USP.
Educomunicar para a diversidade - um estudo sobre a homofobia na escola pública –Raphaela Secco Comisso, Lato sensu Educomunicação-ECA/USP.
Identidade negra entre os muros da escola: o processo educomunicativo em prol da construção de histórias de vida digitalizadas Paola Prandini, NEIMBE e  AfroEducação.


- Painel 10 – Educomunicação midiática: games para a cidadania

Mediador: Maria Izabel Leão, NCE-ECA/USP e Jornal USP.

A aprendizagem no século XXI: a utilização de games no processo ensino-aprendizagem -Leandro Ferreira de Oliveira, Lato sensu Mídias na Educação-ECA/USP.
- Advergames: uma reflexão educomunicativa sobre os efeitos da publicidade por meio dos jogos online – Tiago Soarez Lato sensu Educomunicação-ECA/USP.
– Jogos digitais educomunicativos com adolescentes - Carlos Eduardo Lourenço Francisco Tupy, NCE-ECA/USP.


 - Painel 11 – Interdisciplinaridade criativa: na mídia, na escola e na esfera pública

Mediadora: Tatiana Gianordoli, ABPEducom

Produção de mídias por jovens e crianças nos processos educativos: Nas Ondas do Rádio e Imprensa Jovem – Carlos Lima – PMSP – Secretaria de Educação.
A educomunicação nas ações comunicativas dos projetos interdisciplinares da rede SESI-SP -Mariluci do Carmo de Andrade, Lato sensu Mídias na Educação-ECA/USP e Rita Zanin, Lato sensu Mídias na Educação-ECA/USP.
O parlamento estudantil na construção de uma esfera pública escolar, na perspectiva da educomunicação - Delcimar Bessa-Ferreira, Lato sensu Educomunicação-ECA/USP.

Noite
18h40 – Assembleia da ABPEducom – Coordenação Claudemir Viana – Secretário geral da ABPEducom.


21/09

Manhã


09h00 - 12h30 – Mesa Redonda II: Educomunicação midiática: fundamentos e processos


Tarde

13h30 -15h00


- Painel 12 – Educomunicação midiática na formação de professores

Mediador: Prof. Dr. Adilson Citelli, ECA/USP.

Educomunicação e cidadania comunicativa: formação de educomunicadores para o projeto Mais Educação, no Rio Grande do Sul (parceria entre a UFSM e a SEDUC/RS) – Rosane Rosa UFSM, e ABPEducom.
Contribuição da UFPR para a formação de educomunicadores - Rosa Maria Cardoso Dalla Costa, UFPR.
Cultura digital na educação: práticas e materiais de apoio para educadore - Adriana Silvia Vieira, CENPEC.


-Painel 13 - Para expressar a liberdade: por uma lei da mídia democrática

Mediadora: Daniele Próspero,  ABPEducom

Campanha nacional por uma lei da mídia democrática - Maria Mello Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação.
O marco regulatório da Internet no Brasil - Sérgio Amadeu da Silveira - UFABC.
Articulação da Sociedade pela democratização da comunicação - Sergio Gomes - OBORE.


- Painel 14 - Mediação Tecnológica no Espaço educativo

Mediador: Marciel Consani, NCE-ECA/USP

Práticas educomunicativas na Informática Educativa - Jane Reolo, SME-SP.
O laptop educacional na construção do afeto - a escola municipal Padre Miotti como estudo de caso – Marcos Ramos, Lato sensu Mídias na Educação-ECA/USP.
A educomunicação e o professor orientador de informática educativa - POIEMichele Marques Pereira Lato sensu Educomunicação-ECA/USP.


13h15 – 18h15

- Oficinas de Práticas Educomunicativas II
- Oficina de animação – Marta Russo
- Oficina de Leitura crítica de comunicação – Prof. Dra. Roseli Fígaro – CCA-ECA/USP

Cobertura educomunicativa – Viração, Nas Ondas do rádio, Imprensa Jovem e FUNDHAS.


- Cineclube educomunicativo II
Coordenação: Claudia Morgadouro e Eliany Salvatierra.

15h15 -16h45

- Painel 15 – Educação midiática e consumo

Mediadora: Thais Chita, NCE-ECA/USP

- Leitura crítica da publicidade infantil, Prefeitura de Louveira - Ana Flavia de Luna Camboim, Lato sensu Educomunicação-ECA/USP.
Mídias, consumismo Infantil e educomunicação – Edilaine Ribeiro Lato sensu Mídias na Educação-ECA/USP.
- A experiências do Instituto ALANA na pesquisa e no advocacy em torno da relação entre criança e consumo – Laís Pereira, Instituto ALANA.


– Painel 16 - Inclusão de práticas educomunicativas em projeto pedagógicos

Mediadora: Maria Cristina Mungioli, CCA-ECA/USP.

 - Práticas educomunicativas no projeto Jornal na Educação da ANJ - Cristiane Parente,Jornal e Educação-ANJ.
Práticas educomunicativas no projeto marista de educação - Emerson Aparecido de Souza, Lato sensu Mídias na Educação-ECA/USP.
Práticas educomunicativas previstas no material de apoio do sistema salesiano de educação – Antônia Alves, NCE-ECA/USP.


– Painel 17 – Práticas educomunicativas e pedagogia de projetos

Mediadora: Silene Lorenço, ABPEducom.

Formação midiática por meio da pedagogia por projetos, em escolas públicas    do Estado de São Paulo – Vagner Manaf, Lato sensu Mídias na Educação-ECA/USP.
Estudo comparado de práticas educomunicativas Viração e Idade MídiaBruno Ferreira, Lato sensu Educomunicação-ECA/USP.
O uso pedagógico de recursos midiáticos: a interface estudantes surdos e aprendizagem -Adriana Aparecida Mafra da Silva, Lato sensu Mídias na Educação-ECA/USP.


17h00-18h30

- Painel 18 – Alfabetização midiática na perspectiva da educomunicação

Mediadora: Cláudia Lago, NCE-ECA/USP.

Práticas educomunicativas na (trans)formação do jovem receptor - Daniela Passato Majori, Lato sensu Educomunicação-ECA/USP.
A Produção de mídia na escola: espaços de colaboração - Regina Célia Fortuna Broti Gavassa, Lato sensu Mídias na Educação-ECA/USP.
Olhar o outro, olhar a si mesmo com a fotografia - Ângela Maria R. Sencio, Lato sensu Mídias na Educação- ECA/USP.


- Painel 19 – A atuação dos Educomunicador em uma sociedade midiática: experiências com guias e manuais.

Mediadora - ABPEducom

Mudando sua escola, melhorando sua comunidade, melhorando o mundo (UNICEF)Marina Rosenfeld, Assoc. Cidade Escola Aprendiz
O espaço de atuação do Educomunicador em uma sociedade midiática educomunicação em movimento Jose Luiz Adeve, Fundação Tide Setubal.
Ensinar e aprender - Maurício Silva, Licenciatura em Educomunicação-ECA/USP.


- Painel 20 – Educação à distância: qual o espaço da educomunicação?

Mediadora: Luci Ferraz – NCE- ECA/USP

Educação sem distância - Romero Tori - Poli/USP
Educação a distância na formação midiática de professores Sônia Setti - UFPE
Processos dialógicos na web – Vani Kenski, UNIVESP


Entrega dos certificados do curso de extensão Mídias na Educação
  Obs.: Não serão entregues certificados do nível de especialização